Situada no encontro da foz do Rio Tejo com o Oceano Atlântico, Lisboa é uma cidade com uma longa e forte tradição marítima, sendo a única capital europeia com praias atlânticas.
Vila de Sesimbra @ OLIRAF (2016)
Ir à praia em Lisboa, a meu ver, torna-se um caso complicado na altura de fugir à confusão dos banhistas da Costa da Caparica ou da Linha de Cascais. Por isso, é imprescindível escolher um local mais sossegado para retemperar as energias e evitar a confusão.
Praia da Ribeira do Cavalo…
Com mais de duas dezenas de praias com Bandeira Azul, a costa de Lisboa oferece variadas escolhas para a prática de desportos náuticos ou ir a banhos. Todavia, a Costa de Sesimbra tem uma das mais belas praias de Portugal, em virtude do seu lado selvagem, das águas límpidas e calmas.
Trilho Pedestre ® OLIRAF (2016)
Na península de Setúbal, entre o Cabo Espichel e a Vila de Sesimbra, no concelho de Sesimbra, fica uma das mais belas praias de Portugal: a Praia da Ribeira do Cavalo. Pela sua localização geográfica ímpar, entre o azul turquesa do oceano e o verde das escarpas, esta praia não conta com diversos serviços de apoio, como um nadador-salvador no período de época balnear. O areal tem dimensões razoáveis para a prática balnear. Apesar de pouco movimentada, visite-a pela manhã e usufrua deste pequeno paraíso, sem estar nas costas do Mediterrâneo ou do Sudeste Asiático. Na minha opinião, é um dos melhores locais para fazer Snorkeling ou dar umas braçadas. A praia da Ribeira do Cavalo deveria ser considerada “Reserva Natural de Tranquilidade”.
Praia da Ribeira do Cavalo ® OLIRAF (2016)
Em Suma, a praia da Ribeira do Cavalo é um paraíso exótico e único que está, sensivelmente, a 40 km da cidade de Lisboa. Seja responsável, divirta-se e respeite a harmonia Natureza!
Como ir…
A partir de Lisboa opte pela A2 (Algarve), via Ponte 25 de Abril, em direcção a Setúbal. De seguida, saia em Fogueteiro (Rio Sul). Siga na direção da Vila Sesimbra (N310). Após a chegada a Sesimbra, siga para o fim do pontão do porto de abrigo. No final, irá encontrar uma estrada de terra batida – o “Centrão” – que dá acesso a um caminho pedestre que nos leva à Praia do Ribeiro do Cavalo. São cerca de 20 minutos em trilho pedestre, com um nível de dificuldade médio/dificil. Não é aconselhado levar crianças e idosos.
O que levar…
Como se trata de uma zona natural e selvagem, é vital fazer uma mochila com o necessário para o seu dia na praia. Leve calçado confortável para caminhas, uma vez que o trilho é íngreme e ainda são umas dezenas de metros até ao paraíso. E não se esqueça do saco do lixo!
Coordenadas GPS: Latitude 38.432620 | Longitude -9.129870
Não deixe de…
passear ao longo da praia;
dar um mergulho no Oceano Atlântico;
fazer Snorkeling / Mergulho;
Almoçar e provar o peixe e o marico na Vila de Sesimbra;
Visitar o Castelo de Sesimbra.
Nota importante
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes.
Nota importante [👤]
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎
🌏Viajar é uma experiência pessoal. Há oportunidadesque nunca se devem desperdiçar. Concordo. Marrocos era um sonho e fui torná-lo em algo palpável para mim. E como tinha curiosidade, decidi não desperdiçar a oportunidade de me juntar à 5.ªViagem de Estudo ao Reino de Marrocos, que decorreu entre 25 de Março a 2 de Abril de 2015, organizada pelo Departamento de Geografia e Planeamento Regional (DGPR) e aberta a toda a comunidade académica da FCSH/NOVA, antigos alunos e demais convidados. Porque, para mim, o verbo Ir é o melhor remédio terapêutico…
Ao longo desta viagem, obtive conhecimento científico, momentos de aprendizagem e enriquecimento pessoal,tais como, a observação de grandes formações rochosas, paisagens, formas de ocupação humana e o património edificado de origem portuguesa. As visitas de estudo ou os programas de voluntariado são uma excelente forma de conhecer locais de Portugal ou no Estrangeiro com um grupo de académicos/amigos que nos proporcionam trocas de experiências pessoais, académicas e profissionais. E, claro, é uma forma “barata” de viajar. Apesar do pouco tempo que temos para contemplar e apreciar os locais em que se para ao longo dos trajectos, é uma boa forma de promover o contacto com o “outro”.
Esta viagem a Marrocos proporcionou-me o contacto com lugares exóticos incríveis, com habitantes genuínos, com paisagens em constante mutação a cada quilómetro, a cidades fantásticas, com património de oriegem portuguesa e o contacto com a civlização muçulmana. Locais como a Mesqueita de Koutoubia em Marraquexe, a fortaleza de El-Jadida, a Skala du Port de Essaouira, as ruinas romanas de Volubilis, das ruelas azuis de Chefchaouen, a Ksar de Aït Benhaddou em Ouarzazate, de todo o ambiente da Praça Jemaa El-Fnaa e, claro, das Dunas de Erg Chebbi no Deserto do Saara.
No Total, foram nove dias de viagem com 3270 km de autocarro que me permitiu partir em busca da essência de África, das suas gentes, paisagens, da sua cultura, experiências e memórias de um pais africano, de origem muçulmana sunita, com uma extensão territorial quase cinco vezes superior à de Portugal e com 30 milhões de Habitantes.
📌Dia 1 – 25 Março de 2015: Lisboa / Tânger (via Algeciras)
Vista parcial do rochedo de Gibraltar
Tendo o Estreito de Gibraltar como pano de fundo, após a saída do ferry-boat do complexo portuário de Algeciras, o porto da cidade de Tânger emerge sumptuosa num ponto fulcral do continente africano, onde inúmeras civilizações, culturas e povos que ali se cruzam durante milénios. Em menos de uma hora de viagem, estamos noutro continente: o africano.
Vista parcial do Porto Internacional de Tânger
📌Dia 2 – 26 Março de 2015: Tânger / Meknes
Cidade de Chefchaouen: o azul do céu e do casario azul
Rumo a Meknes, com paragens por Chefchaouen e Volubilis. Chefchaouen presenteia-nos com as suas cores azuis turquesa na maioria das suas casas e na antiga medina. De facto, é uma cidade muito fotogénica. Para quem vem da Europa, na minha opinião, esta é a cidade ideal para se ambientar nas ruelas de Marrocos e para aqueles que querem explorar as Montanhas do Rife. De seguida, as ruínas romanas de Volubilis (UNESCO World Heritage) não são só uma cidade em si, é também a paisagem que a circunda. Uma cidade antiga que só se pode compreender o seu valor patrimonial e arqueológico pela sua importância no contexto paisagístico.
Ruínas Romanas de Volubilis
📌 Dia 3 – 27 Março – Meknes / Merzouga
Já imaginaram pisar neve e a areia do deserto no mesmo dia? Sim, foi possível no trajecto entre a cidade Imperial de Meknes ( que infelizmente só percorri as ruelas da medina à noite). Ao longo deste trajecto até Merzouga percorremos inúmeras aldeias, vilas e cidades de Marrocos, com paisagens de cortar a respiração e locais isolados longe de qualquer lugar. Todavia, o melhor estava guardado para ao fim: a viagem 4×4 até Merzouga.
📌Dia 4 – 28 Março – Merzouga / Zagora
Em Merzouga, a aldeia das dunas, a paisagem fica reduzida a duas cores: o castanho-avermelhado das areias e o azul do céu. É um pequeno oásis sariano próximo das Dunas de Erg Chebbi. Estas imponentes Dunas são as mais espectaculares de Marrocos. Situada na zona sudeste, a sul de Erfoud, perto da fronteira da Argélia, são também muitas vezes chamadas de Dunas de Merzouga. Este “mar” de areia tem as dunas mais altas de Marrocos, chegando a atingir quase os 250m de altitude.
📌Dia 5 – 29 Março – Zagora / Marrakesh
Vale do Draa (Zagora)
Partida de Zagora, com o Vale do Draa ao fundo, rumo à cidade imperial de Marraquexe. Pelo meio a subida do Alto Atlas com paragem no Col du Tichka (a 2260metros de altitude), uma visita ao Ksar de Ait-Ben-Haddou (Ouarzazate) – African World Heritage (UNESCO) – e, finalmente, apreciar um magnifico “sunset” e uma noitada na praça mais animada de África: a Jemaa El-Fnaa.
Ksar de Ait-Ben-Haddou (Ouarzazate)
📌Dia 6 – 30 Março – Marrakesh / Marrakesh
Jemaa El-Fnaa
A cidade de ocre: Marraquexe. Aqui, chegamos à verdadeira essência de Marrocos. Passei o tempo a deambular pelas ruelas do “enorme” Souk e antiga medina de Marraquexe, uma visita à farmácie berbere, pela antiga escola corânica Medersa Ben Youssef, Mesquita de Koutoubia, Praça Jemaa El-Fnaa e finalmente, a visita aos jardins da casa do pintor francês Jacques Majorelle (1886-1962) e ao museu berbere no seu interior. Este último, recomendo.
Arquitectura Urbana de Marraquexe
📌Dia 7 – 31 Março – Marrakesh / El-Jadida
Porto de Essaouira
Os Portugueses que, de 1415 a 1550, erigiram em solo marroquino as fortalezas que hoje são o nosso testemunho nestas latitudes. Para as gentes do Magrebe, os nossos antepassados não eram estranhos..De facto, os muçulmanos ou “mouros” estiveram quase cinco séculos e meio no território que hoje é Portugal (Gharb Al-Andalus). No fundo, somos duas faces de uma mesma moeda.
Baluartes e muralhas de El Jadida: a antiga fortaleza portuguesa de Mazagão
📌Dia 8 – 1 Abril – El-Jadida (Via Tânger)/ Cadiz
Centro Histórico de Arzila
Os últimos dois dias da viagem foram efectuados junto à zona litoral do Marrocos Atlântico, onde podemos visitar inúmeras cidades com património de origem portuguesa, tais como, Esaouira, Safi, El-Jadida e Arzila. Na minha opinião, as mais interessantes são Essaouira – pela cidade em si – e El-Jadida pelo património arquitectónico-militar lusitano edificado.
Arquitectura Urbana de Arzila
📷Este Roteiro Fotográfico pelo Reino de Marrocos permitiu-me deambular e divagar por lugares exóticos incríveis, cheios de belezas naturais, cidades imperiais fantásticas ou o contacto com o património de origem portuguesa. Apesar de ser um país que está tão perto de Portugal, as pessoas ainda têm algum desconhecimento e receio de vir até cá.
O custo para os participantes desta viagem de estudo rondou os 650 euros, sem contar com as despesas extras, por exemplo, as famosas compras no Souk de Marraquexe ou na farmácia Berbere. De referir, que o preço incluiu a viagem em autocarro de turismo, a viagem de ferry (Algeciras/Tânger e Tânger/Algeciras), hotel (com pequeno almoço e jantar) e seguro de viagem, pelo que a única despesa diária não incluída era o almoço. Já lá queria ter ido há algum tempo.
O caminho faz-se geografando. O supremo modo de viajar ė a caminhada. Infelizmente, a urgência dos tempos modernos só esporadicamente deixa experimentar esta sensação. Decidi-me de uma vez por todas cumprir desejos. Marrocos foi o primeiro.Nesta reportagem fotográfica aparece apenas uma pequena fracção do que vi, conheci e vivi…
P.S: em certos momentos, o passaporte é a sua prova de vida, guarde-o num sitio seguro. Se for a Marrocos, o leitor terá de possuir um passaporte com validade superior a 90 dias a contar da data de entrada no Reino de Marrocos.
👤 Nota importante
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Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
Foi um ano de grandes desafios. Facto. O ano 2015, para mim, foi um ano fantástico a todos os nível pessoal, profissional e académico. Tive a oportunidade de me cruzar com pessoas e gentes de diversas latitudes. De facto, estamos cada vez mais numa «aldeia global».
«(…) A fotografia desenvolve-se em consonância com uma das actividades mais características da actualidade: o turismo. Pela primeira vez na história, um largo sector da população sai regularmente do seu meio habitual por curtos períodos de tempo . E parece bem pouco natural passear sem levar a câmera fotográfica. A fotografia será a prova indiscutível de que a viagem foi feita, de que o programa se cumpriu e de que as pessoas se divertiram.».
in SONTAG, Susan (2012) – Ensaios sobre Fotografia. Lisboa: Quetzal, pp.16-17
Em 2015 passei por inúmeros novos locais e revisitei outros tantos, tais como, Espanha e Marrocos. Em especial, destaco Marrocos, pois tive a oportunidade de visitar o Deserto do Shaara e ver um nascer do Sol: B-R-U-T-A-L. No nosso país tive a oportunidade de me aventurar nas ruínas bélicas abandonadas do Regimento Artilharia de Costa (RAC), pela paisagem natural da Ilha da Madeira e das Berlengas, bem como do conjunto edificado da cidade do Porto.
«NÃO SE NASCE VIAJANTE. APRENDE-SE A VIAJAR.» «(…) Como qualquer outra técnica ou conjunto de instrumentos mentais. Adquire-se a manha. Ganha-se o gosto. A vida errante é um processo gradual. Destinos óbvios a conhecer e outros a evitar. Bagagem e o que deve ir nela. Dinheiro e como transportá-lo. Como gastá-lo. Perceber o que se come, onde se dorme. Quando prosseguir viagem. Saber sorrir.»
Após estas «saborosas» palavras do viajante Gonçalo Cadilhe constatei que as oportunidades devem ser agarradas e não devemos desperdiça-las. O simples facto de viajar tornar-nos mais atentos e valoriza o que temos de melhor no nosso mundo, continente, país, região,cidade, aldeia e a nossa casa. Porque quando chegamos a casa depois de uma viagem de milhares de quilómetros não somos a mesma pessoa. De facto, uma viagem tem o tónico ideal para nos realizarmos como seres, seja a nível espiritual, lúdico ou académico.
Como forma de celebrar o ano que chega ao fim, decidi seleccionar as 12 melhores imagens de 2015. Apesar da subjectividade visual, escolha do próprio autor das imagens, espero que gostem…
Eis as 12 «melhores» fotografias das minhas aventuras fotográficas do ano 2015:
Janeiro
Paisagem Alentejana (Ferreira do Alentejo, Portugal)
[Aspecto de um sobreiro no Alentejo], Ferreira do Alentejo, Beja, Jan. 2015
Fevereiro
Vila de Óbidos (Caldas da Rainha, Portugal)
[Aspecto da Rua Direita da Vila Medieval de Óbidos], Óbidos, Caldas da Rainha, Fev. 2015
Março
2.ª Bataria da Parede (Cascais, Portugal)
[Aspecto das Instalações e Peças de Artilharia da 2ªBataria do RAC], Parede, Cascais, Mar. 2015
Abril
Deserto do Shaara (Merzouga, Marrocos)
[Nómada do Deserto], Dunas de Erb Chebbi, Merzouga, Marrocos, Abr. 2015
Maio
Vila de Campo Maior (Alentejo, Portugal)
[Igreja Matriz de Campo Maior], Campo Maior, Alentejo. Maio. 2015
Junho
Dia de Base Aberta no Montijo (BA6) – (Samouco, Portugal)
[Voo de Treino da Esquadra 751 – “Pumas”
Agusta-Westland EH-101 Merlin], BA6, Montijo, Jun.2015
Julho
Bairro da Mouraria (Lisboa, Portugal)
[Retrato de Criança], Bairro da Mouraria, Lisboa, Jul. 2015
Agosto
Ilha da Berlenga (Peniche, Portugal)
[Aspecto da Aldeia piscatória e praia do Carreiro do Mosteiro], Ilha Velha, Arquipélago das Berlengas, Portugal, Ago. 2015.
Setembro
Castelo de Palmela ( Palmela, Portugal)
[Paisagem Natural de Palmela], Centro Histórico, Palmela, Set. 2015
Outubro
Mosteiro de Alcobaça (Leiria, Portugal)
[Aspecto exterior do Claustro do Mosteiro de Alcobaça], Alcobaça, Leiria, Out. 2015
Novembro
Cidade do Porto (Portugal)
[Paisagem Urbana do Porto], Centro Histórico & Ribeira, Porto, Nov. 2015
Dezembro
Ilha da Madeira (Portugal)
[Paisagem Madeirense], Miradouro da Portela (670 m), Concelho Machico, Dez. 2015.
«Aprendi que viajar não era procurar mas sim encontrar»
Miguel Sousa Tavares
Espero que tenha gostado da selecção de imagens para a galeria de 2015. Siga o meu conselho, faça férias, cá dentro! Portugal espera por si…
Agradecemos toda a sua colaboração e simpatia. Dedico as minhas fotografias aos meus amigos e todas as pessoas que cruzaram comigo em 2015. Ajudam-me com os vossos gostos. comentários e sugestões. Continuemos amigos em 2016. Hoje e sempre!
Resta-me desejar um Próspero Ano Novo a todos vós!
Nota importante [👤]
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💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
Explorando a cidade do Porto, Portugal, em poucos dias…
Na minha incursão ao Norte de Portugal, tirei dois dias para fotografar uma das mais belas cidades de Portugal Continental: a cidade do Porto. Qual o resultado? O resultado é um mosaico riquíssimo de beleza e variedade paisagística urbana e cultural. Siga-me nesta aventura passo a passo, onde poderá visualizar os meus «spots» favoritos e saber um pouco da história destes locais, através das minhas imagens.
A cidade do Porto e o rio Douro são duas constantes, que de mãos dadas, sob um céu nublado, nos acompanham permanentemente. De facto, nesta cidade milenar os edifícios são marcados por uma arquitectura civil e religiosa de diversas épocas – Romana, Medieval, Renascença, Barroca, Neoclássica e Contemporânea.
A intensa procura comercial e do investimento estrangeiro no vinho desta região assim determinou a tomada deste gesto político. Os ingleses procuravam vinho nestas paragens, como alternativa aos vinhos franceses, por exemplo, da região de Bordéus. O Tratado de Methuen ajudou ao fomento comercial e económico desta região.
Farto da rotina do trabalho? Precisa de Inspiração para um trabalho académico? Ou simplesmente quer conhecer uma cidade Portuguesa? E sem gastar muito? Então, faça uma «City break». No meu caso, parti à aventura pela cidade de que dá o nome a Portugal: a cidade do Porto.
1. Centro Histórico do Porto
O Centro Histórico do Porto, a área mais antiga da cidade do Porto, foi classificado como Património Cultural da Humanidade, pela UNESCO, em 1996. Nele se encontra o testemunho das origens medievais da cidade, num conjunto urbano granítico que apresenta uma imagem de rara beleza em diversos estilos arquitectónicos.
Percorrer a pé as típicas ruelas deste núcleo é deparar em cada passo com um monumento de valor incontestável, a reconhecida hospitalidade das gentes da cidade e uma panorâmica deslumbrante sobre o casario e sobre o rio Douro. A descoberta do centro histórico faz-se de muitas formas e daqui partem múltiplos caminhos que conduzem às restantes zonas da cidade. A pé, de autocarro, de eléctrico, de mota, de funicular, de carro, de barco ou de metro…
2. Caves do Vinho do Porto (Gaia)
A Região do Douro é, numa palavra, vinho. Vinho e Vinha. Como em qualquer região de Portugal, os Durienses participaram na História de Portugal. Portugal começou aqui. Foi aqui. Influenciaram-na e por ela foram condicionados. Ajudaram a consolidar a nacionalidade (espanhóis, contra os exércitos franceses e nas lutas liberais ao longo do Século XIX), por inúmeras vezes e, claro, deram o seu contributo para os descobrimentos marítimos com as suas famosas «tripas».
O centro histórico do Porto e a margem do rio Douro do lado de Gaia, onde ficam as famosas caves do Vinho do Porto estão classificados Património Mundial. Visitar as caves do vinho do Porto e provar o vinho no seu ambiente peculiar. A partir da Ribeira, podemos atravessar a pé a ponte D. Luís e ver deste lado, uma das mais bonitas vistas sobre o Porto. E ainda se pode passear no teleférico de Gaia, que sobe e desce deste lado do rio, para apreciar uma bela vista do Jardim do Morro.
O Vinho do Porto faz-se numa região demarcada. Demarcar significa dar identidade. É um produto singular, com personalidade e identidade, fruto da capacidade e da relação do Homem e o Meio. A Forma e o feitio. Segundo Jaime Cortesão, o Douro «é o mais belo e mais doloroso monumento ao trabalho do povo português», in António Barreto, Douro: Rio, Gente e Vinho (2014).
3. Miradouro da Serra do Pilar e Jardim do Morro
A Estação de Metro do Jardim do Morro é ideal para contemplar a cidade do Porto, a partir de Gaia. Dali podemos subir até ao Mosteiro da Serra do Pilar ou ao Jardim do Morro para visualizarmos uma paisagem urbana exemplar e única.
4. Igrejas e Conventos da Cidade do Porto
Vale a pena perder um pouco do seu tempo para sentir a magnificência do «poder da pedra granítica» destes edifícios eclesiásticos, muitos em estilo barroco, onde espera-nos o interior com talha dourada e as paredes o exteriores revestidas com fabulosos azulejos. Se quiser ter uma vista panorâmica sobre o centro histórico do Porto, pode subir a torre dos clérigos,por cerca de 3 €.
5. Centro Português de Fotografia (C.P.F)
O Centro Português de Fotografia (CPF) foi um organismo criado e inserido na orgânica do extinto Ministério da Cultura, em 1997, pelo Decreto-Lei n.º160/97 de 25 de Junho, com sede na antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, onde agregou os diversos espólios fotográficos do Arquivo de Fotografia do Porto e de Lisboa. Esta instituição referência para o panorama arquivístico e cultural nacional surgiu em virtude da «cultura fotográfica começava então a reanimar-se pelo aparecimento de escolas de fotografia, festivais e galerias que recuperavam fotógrafos “malditos” ou afastados no regime salazarista e divulgavam a obra de importantes fotógrafos internacionais.» [1]
Hoje em dia é uma unidade orgânica da Direcção-Geral de Arquivo (DGARQ). As Competências deste «Arquivo Nacional da Fotografia Portuguesa» visam divulgar o conhecimento do património fotográfico que custodia, bem como a sua salvaguarda, tratamento arquivístico e a valorização do espólio fotográfico. De salientar, que o CPF é a autoridade, dentro da DGLAB, que elabora os respectivos instrumentos de descrição e pesquisa – orientações normativas – para a documentação fotográfica, de acordo com as orientações da Direcção Geral do Livro, Arquivo e Bibliotecas. [2] Este arquivo conta com cerca de 2 milhões de documentos fotográficos, com importantes fundos e colecções de personalidades, fotógrafos, empresas particulares, casas fotográficas, entre outras.
6. Jardim das Virtudes e do antigo Palácio de Cristal
O Palácio de Cristal foi inaugurado em setembro em 1865 pelo rei D. Luís, para receber a Exposição Internacional do Porto. Em 1951, durante a vigência, do Estado Novo foi demolido para dar lugar ao actual Pavilhão Rosa Mota. Hoje em dia, os jardins são o único legado deste património. A partir daqui, podemos apreciar uma bela vista sobre a cidade do porto e o rio Douro.
7. Passeio da Foz do Porto até ao Castelo do Queijo
Um passeio pela Foz é uma boa sugestão se pretende caminhar e observar belas vistas sobre o mar e para apreciar o pôr do sol num final de tarde solarengo. Ao longo do percurso entre a Pérgola e o Forte do Castelo do Queijo, pode sempre parar para nas dezenas de café e esplanadas nas proximidades para relaxar ou saborear a gastronomia local.
E a citação da viagem:
«(…) A fotografia desenvolve-se em consonância com uma das actividades mais características da actualidade: o turismo. Pela primeira vez na história, um largo sector da população sai regularmente do seu meio habitual por curtos períodos de tempo . E parece bem pouco natural passear sem levar a câmera fotográfica. A fotografia será a prova indiscutível de que a viagem foi feita, de que o programa se cumpriu e de que as pessoas se divertiram.».
in SONTAG, Susan (2012) – Ensaios sobre Fotografia. Lisboa: Quetzal, pp.16-17
Locais que deve ainda visitar…
visitar a Casa do Infante, junto à Ribeira
admirar a vista noctura do Miradouro do Jardim do Morro (Gaia)
de dia ou à noite, passear pela rua Galeria de Paris e adjacentes, perto da Torre dos Clérigos e Livraria Lello.
Mercado do Bulhão
Museu Serralves e Soares dos Reis
Casa da Música
provar uma francesinha, uma das especialidades do Porto
provar os peixes frescos e mariscos, ou os bolinhos de bacalhau
conhecer um pouco da frente marítima do Porto
Passeio no Parque da Cidade
Como chegar:
A compra da viagem foi com um mês de antecedência na companhia low-cost irlandesa Ryanair e custou, sensivelmente, 30 €. A ida foi 20 € e a vinda por 10 €. Se comparamos com o meio de transporte ferroviário, o avião tem uma melhor relação custo/tempo. Demoramos cerca de 40 minutos até ao Porto, ao contrário das quase 3h no comboio.
Restaurante A Tasquinha – Rua do Carmo, Nº23,Porto (10 €/Refeição)
Não deixe de visitar alguns miradouros e monumentos da cidade do Porto. A Estação de São Bento é ideal para iniciar o percurso pelo centro histórico do Porto. Esta contém um átrio forrado a azulejos com alguns acontecimentos que fizeram a história de Portugal. Um pouco mais à frente fica a Sé do Porto, a não perder, onde é possível avistar uma excelente panorâmica sobre o douro, as caves do vinho do Porto e Gaia. Deste ponto, podemos descer umas escadinhas e ruas medievais até à Ribeira do Porto, que contém restauração e locais pitorescos, e onde podemos admirar a Ponte Luís (Gustavo Eiffel, 1889) e, de seguida, subir para o Miradouro do Convento da Serra do Pilar onde poderemos admirar uma bela vista sobre o Centro Histórico do Porto. Bem próximo do Centro Histórico do Porto, pode subir à Igreja dos Clérigos e visitar o Centro Português de Fotografia (CPF) na antiga Cadeira da Relação da Cidade do Porto.
Na minha opinião, a cidade invicta pode ser um ponto de partida para conhecer a região do Douro Vinhateiro, conhecidas pela sua beleza, imponência e pela agricultura tradicional, bem como de outras cidades como a Régua, por exemplo. E o que levo desta viagem? Apenas recordações. Com elas, o Mundo deixa de estar «lá fora» para passar a estar «dentro» das fotografias. Então, vai seguir o meu conselho? Faça uma «city break»…e deixe-se surpreender por Portugal! Enjoy it.
Nota importante [👤]
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
Marrocos é um país pitoresco que por estar tão perto de Portugal e ser tão exótico merece uma visita de qualquer viajante andarilho. Estreei-me na região do Magrebe (Marrocos) em 2013. E sabem uma coisa? Nenhum homem pisa e olha a mesma cidade duas vezes. As ruas são as mesmas, mas o homem não! E sempre que volto a este reino islâmico (sunita), faço com o mesmo entusiasmo, empenhamento e divertimento com o que fiz pela primeira vez. E espero voltar sempre que puder, seja em trabalho ou em férias,mas sempre com prazer. No total, são duas vezes, duas experiências sempre diferentes. Além de Portugal, é o país onde me sinto mais à vontade, ou seja, mais em casa. É por isso que escrevo este artigo na primeira pessoa. Este é o relato da minha experiência de viagem entre Portugal e Marrocos.
Aspecto do porto de Tânger: nas proximidades de Chefchaouen
Para quem nunca pôs o pé fora do continente europeu, como foi o meu caso em 2013, entrar em Marrocos é mais ou menos como descobrir um novo mundo ou ser transportado para uma nova dimensão. Não é preciso sequer ver os minaretes das mesquitas que rasgam o horizonte para perceber que se está num país islâmico. Basta ouvir o canto “hipnótico” amplificado pelos altifalantes das mesquitas guiando os fiéis para a oração. Como dizia o poeta Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se, depois entranha-se…”
Paisagem Humanizada do Rife (Marrocos)
Com a publicação deste artigo – Le maroc que J´aime – acabo de iniciar um conjunto de crónicas sobre a minha experiência de viagem pelo Reino de Marrocos. Assim, irei mensalmente falar aos leitores sobre as diversas cidades marroquinas por onde tive oportunidade de visitar e, claro, fotografar.
Cenas quotidianas de uma aldeia no Rife de Marrocos
Le Maroc que J´aime: Chefchaouen…
Nesta viagem propomos mais que uma simples visita, sugerimos uma aventura pela cidade azul inserida nas Montanhas do Rife. Um viajante que percorra Marrocos tem que passar OBRIGATORIAMENTE por esta cidade. No meu caso, serviu de paragem para almoço antes de mais de cinco horas de viagem até ao destino final do segundo dia de viagem por Marrocos: a cidade imperial de Meknès.
Mercado de rua em pleno centro histórico da cidade
O que dizer sobre Chefchaouen? Bem, em primeiro lugar, esta cidade do Norte de Marrocos é única e bastante singular. E Porquê? Apresenta cores azuis turquesa na maioria das suas casas e na sua antiga medina antiga. De facto, é uma cidade muito fotogénica. Para quem vem da Europa, na minha opinião, esta é a cidade ideal para se ambientar com Marrocos e para aqueles que querem conhecer as Montanhas do Rife.
Em Chefchaouen pode explorar a cidade pelas ruelas e descobrir pontos únicos, interagir com os locais e almoçar num dos imensos restaurantes, fazer compras no souk local e adquirir artesanato local com padrões tipicos da região. Esta cidade, sem termos de comparações, faz-me lembrar a nossa alfama com as ruelas.
O Azul é uma constante
Importa salientar que não irei recomendar nenhum restaurante nem local. Deixo isso ao critério de cada viajante. E porquê? Na minha opinião, quando partimos em viagem procuramos a busca das gentes, dos locais e paisagens que fazem a essência de uma determinada país ou cidade.
Mergulhar no espaço interior desta cidade é descobrir um labirinto de ruas azuis, num anil que aguça a curiosidade de qualquer visitante. O sobe e desce é constante , as crianças que passam a correr, os homens nos seus ofícios tradicionais, as mulheres de cabeça coberta fazem parte do retrato e da minha memória fotográfica.
Gato: um companheiro habitual nas visitas a esta cidade do Rife.
Chefchaouen pode ser um ponto de partida para conhecer a região das Montanhas do Rife, conhecidas pela sua beleza, imponência e pela agricultura tradicional, bem como de outras cidades como Tânger, Tétouan e Fez,por exemplo.
Spice (s) do Souk de Chefchaouen
Viajar é um caminho, em que a cada passo estamos a descobrir verdadeiramente quem somos, o que fomos e o que queremos ser. Se ainda não tem as suas férias marcadas, Chefchaouen seria uma boa opção para mergulhar em África!
Nota importante
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
Salaam alaikum. Nenhum homem pisa a mesma cidade duas vezes. As ruas não são as mesmas, tão pouco o mesmo homem!
Depois de «andar às voltas» em linha recta por lugares tão diferentes como Chefchaouen, Ifrane, Merzouga, Zagora, finalmente a conhecida Marraquexe. Perto de nós pela geografia, Marrocos fica longe de tudo. Em pouco mais de umas horas «aterramos» num mundo desconhecido.Depois de deixar a mala no Hotel Oudaya não resisti em sentir a essência da Marraquexe de Delacroix: a Praça Jemaa El Fna e ouvir o chamamento para a oração da noite. Sem palavras!
MARRAQUEXE: a cidade de destino estava próxima. Sentia-se o caótico trânsito com os carros,motas e bicicletas em constante movimento. Calor Abafado. E um magnifico fim de tarde, onde o pôr-do-sol é o prenúncio de uma bela noite na maior praça de África: a Jemaa El Fna.
O segundo dia em Marraquexe começou cedo. E da varanda do meu quarto senti, pela primeira vez em muito tempo, um calor diferente do que estou habituado a viver. Quente e doce. Depois de tomar um pequeno-almoço reforçado, parti rumo à aventura em Marraquexe com várias visitas programadas: Jemaa El Fna, Souk Marraquexe, Escola Corânica Medersa Ibn Youssef, Pharmacie Berbere e Jardim Majorelle.
Marraquexe é uma das quatro “cidades imperiais”. Na foto, podemos ver a Mesquita de Koutoubia, um dos símbolos desta cidade, além da Praça Jemaa-el-Fana e da antiga Medina. Salienta-se a Beleza do Interior da Mesquita que pude comprovar do exterior com inúmeras naves. Infelizmente, só está aberta a crentes islâmicos.
No meio da agitação da Medina de Marraquexe, encontra-se um oásis:a antiga escola corânica Medersa Ibn Youssef. Um local espiritual para fugir ao rebuliço do quotidiano habitual e ao calor da cidade de ocre. Para mim, Marraquexe é onde tudo acontece…uma cidade que mexe com qualquer viajante.
A Praça Jemaa El Fna é outro dos pontos obrigatórios numa visita a esta cidade muçulmana. É praça mais movimentada de Marraquexe e um grande circo a céu aberto. O Coração de África é neste local. Respira-se. Vive-se. Inspira-se. África. Diria que a cereja no topo do Bolo são barracas de comida e o reboliço da montagem das tendas.
Perder-se no Souk de Marraquexe é abrir a boca de espanto. De facto, para quem gosta de aventura e de explorar becos e vielas é aconselhável. Para os menos aventureiros, o souk torna-se um labirinto e, por vezes, é necessário um Guia. E foi esse o caso do meu Grupo. Também é importante, pois o guia dá indicações sobre os melhores sítios para comprar e,claro, regatear. Antes de viajar, vejam os inúmeros programas que aparecem na programação do canal National Geographic, especialmente o Burlar Turistas de Marraquexe.
Depois da visita ao Souk de Marraquexe, seguiu-se a hora de almoço. Optei por almoçar num dos inúmeros restaurantes com vista panorâmica para a Praça Jemma El Fna. De salientar, que paga-se 10 Dirhams (1€) pela taxa de utilização da restauração com vista panorâmica para a referida praça. De seguida, optou-se por um programa diferente: visitar o famoso Jardim Majorelle e o Musée Berbère com uma colecção riquíssima sobre a Cultura Berbere.
A arquitectura de Marrakech é surpreendente com as milhares de parabólicas no topo dos terraços, bem como a imponência das montanhas do Alto Altas como pano de fundo. Poucas viagens oferecem tantas oportunidades fotográficas como uma viagem a Marrocos. De facto, a experiência da viagem permite-nos contactar com um mosaico riquíssimo de beleza e variedade paisagística urbana e cultural.
A experiência de «mergulhar» no centenário souk da cidade, deambulando pelas inúmeras e estreitas ruelas da antiga medina com personagens vestidas de djellabas, constantes motorizadas a cruzar-se no nosso caminho, burros que passam carregados com mercadorias e,de seguida, entrar numa loja onde nos oferecem um chá de menta enquanto fazemos compras exóticas. E, claro, o prazer de regatear um produto.
O meu olhar «fotográfico» perdeu-se nesta cidade imperial que proporciona experiências sem fim. Na minha opinião, Marraquexe oferece uma das melhores experiências para conhecer e sentir o pulsar da agitação de África e do misticismo da Civilização Muçulmana.
Marraquexe. Cidade de influências culturais africanas, berberes, andaluzes, muçulmanas e europeias, onde podemos sentir na atmosfera colorida e exótica a essência desta cidade marroquina. É engraçado voltar para casa. Tudo têm a mesma cara, o mesmo cheiro. Nada muda. Nos damos conta de que quem mudou, fomos nós…
Shukran Marrocos!
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Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
No contexto da 5ª visita de estudo ao Reino de Marrocos, organizada pelo Departamento de Geografia e Planeamento Regional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tive a oportunidade de conhecer, estudar e fotografar inúmeros locais de Marrocos.
Panorâmica da Fortaleza de Mazagão
Foram, no total, nove dias de viagem com 3270 km de autocarro que me permitiu partir em busca da essência de África, das suas gentes, paisagens, da sua cultura, experiências e memórias de um pais africano com uma extensão territorial quase cinco vezes superior à de Portugal e com 30 milhões de Habitantes. Todavia, o percurso pelo litoral atlântico de Marrocos permitiu-me contactar com alguns lugares com vestígios da arquitectura militar de origem portuguesa, nomeadamente, Essaouira, Safi, El Jadida e Asilah.. De facto, esta viagem permitiu-me elucidar que Portugal e Marrocos partilham legados culturais e interesses comuns. Aliás, a nossa História cruzou-se por várias vezes com este continente…Somos Países Vizinhos!
Após mais de 600 km de estrada entre Lisboa e Algeciras, pelo meio a travessia do Estreito de Gibraltar, cheguei a Marrocos (Tânger). Em linha recta, capital mais próxima do Reino de Marrocos (Rabat) é Lisboa. Marrocos é um pais com mais de 446 mil Km2 de área, com 2500 km de costa atlântica de extensão e 300 km de costa Mediterrânica. Na minha opinião, descobrir este Reino é quase como reviver memórias de outros tempos, uma espécie de regresso a casa.
A ver pela sua História, Marrocos e Portugal partilham em comum uma herança civilizacional e cultural que sempre me fascinou, apesar das diferenças religiosas. Tal como nas moedas, coexistem duas faces distintas mas com um elo inseparável entre si.
O Norte de África, em especial Marrocos, à época chamava-se Reino de Fez (Merínidas), foi a primeira tentação de um Portugal sedento de afirmação internacional e em busca de grandeza, após Aljubarrota. A presença portuguesa em Marrocos durou mais de trezentos anos (1415-1769). Como se sabe, aventura dos Descobrimentos Portugueses iniciou-se a 14 de Agosto de 1415, quando uma armada de 200 navios, 50 mil homens, um rei D.João I (e três príncipes, D.Duarte, D.Pedro e D.Henrique) tomaram a cidade portuária de Ceuta.
Ao longo do litoral norte africano – mediterrâneo e atlântico -, os portugueses conquistaram e construíram inúmeras fortificações. São exemplos, Ceuta (1415-1668), Alcácer-Ceguer (1458-1550), Tânger (1471-1662), Arzila (1471-1550; 1577-1589),Safim (1488-1541), Aguz (1506-1525),Mogador (1506-1526), Azamor (1513-1541), Santa Cruz do Cabo de Guê (1505-1541) e Mazagão (1506-1769).
A maioria das fortificações construídas pelos portugueses foi no período de conquistas lusitanas no litoral norte-africano (séc. XV e XVI). Segundo o Historiador Rafael Moreira, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Marrocos durante a 1ªMetade do Século XVI era um campo de experimentação das inovações, ensaios e soluções da arquitectura militar fora do continente europeu.
As fortalezas portuguesas existentes no Norte de África, ao longo da costa atlântica de Marrocos, atestam o plano da Dinastia de Avis de as tornar praças de guerra. Desde a conquista de Ceuta (1415) até ao Desastre de Mamora (1515), o palco principal das ambições e decisões políticas da monarquia portuguesa é o Norte de África. De facto, as possessões portuguesas em Marrocos eram praças de guerra. As suas muralhas conservadas até hoje, algumas em ruinas, atestam a sua solidez e as ambições do Venturoso era tornar a costa marroquina numa couraça de praças-fortes que ia desgastando os adversários e o obrigariam a render-se.
O objectivo das autoridades portuguesas ao longo dos séculos que estiveram presentes em Marrocos eram as questões bélicas, ideológicas, politicas e comerciais. O controlo dos principais portos marroquinos, tendo em vista, a neutralização da pirataria – defesa das embarcações do Império Português -, a realização de actividades comerciais com as autoridades locais (cavalos, tecidos, arroz,etc), a necessidade de um território para manter a nobreza ocupada longe de querelas internas e externas e, finalmente, a promoção da Guerra Santa contra os Infiéis para afirmação da Dinastia de Avis junto do Papado. De referir, que a Nobreza Portuguesa considerava Marrocos vital para o prestigio e reputação pela força das armas, sendo essencial a sua manutenção sob égide das forças portuguesas.
O fim do ciclo português em Marrocos ocorreu com o abandono do último bastião fortificado: a praça-forte de Mazagão em 1769. Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.
Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.
Ao longo desta aventura em Marrocos, acompanha-me um profundo conhecimento do legado lusitano nestas paragens. Aqui penso que foi aqui que Portugal construiu e iniciou a sua epopeia além-mar, sentindo um pouco da nossa alma ligada às pedras, aos baluartes, as muralhas, as ruas que foram levantadas com tanto esforço e orgulho, à custa de sangue lusitano!
📌Fortaleza de Arzila (1471-1550; 1577-1589)
A Fortaleza de Arzila constitui um belo exemplar da fortificação manuelina. Fica situada num pitoresco porto de mar, entre Larache e Tânger, no Garbe Marroquino. O Baluarte de São Francisco (em primeiro plano) e Baluarte da Pata de Aranha, ao fundo, destinavam-se a bater com fogo cruzado o ancoradouro do melhor porto do litoral marroquino até Mazagão.
A Torre de Menagem de Arzila é uma típica estrutura feudal. Foi erguida, em 1509, pelo arquitecto-mor do Reino, Diogo Boytac, durante o intervalo à frente do Mosteiro dos Jerónimos. Segundo a tradição, terá sido nesta torre que terá pernoitado o rei D.Sebastião antes da fatídica Batalha de Alcácer-Quibir.
📌Fortaleza de Safim (1488-1541)
Situada no Marrocos Atlântico, entre Essaouira e El Jadida, Safim (Safi) foi um importante porto atlântico durante a 1ªmetade do Século XVI para o projecto imperial marroquino da Coroa Portuguesa. Desde 1491, que os Portugueses mantinham uma pequena feitoria fortificada para as transacções comerciais com os habitantes locais e tribos berberes. Também era um importante centro produtor de alambéis (tapetes coloridos) que eram essenciais nas trocas comerciais com as tribos africanos da região da Fortaleza de São Jorge da Mina (no actual Gana).
Em virtude da necessidade de defesa da mesma, em 1516, a Coroa ordenou a construção de uma fortificação, de origem manuelina, o conhecido Castelo do Mar. Foi recentemente restaurado pelo Serviço dos Monumentos Históricos de Marrocos, fazendo jus a uma das fortificações manuelinas mais grandiosas e mais bem conservadas do continente africano. De referir, que o Nuno Fernandes de Ataíde, capitão desta praça africana entre 1510 a 1516, ficou com a alcunha do «Nunca está Quedo», em virtude de ter sido um homem de acção – irrequieto e voluntarista – durante as constantes surtidas na região.
O perímetro amuralhado desta cidade do litoral marroquino é de origem manuelina, sendo erguidas em 1511 pelo arquitecto Diogo de Arruda. Tive oportunidade de constatar a sua vastidão, grandeza e estado impecável de conservação. De Salientar, que a Torre de Menagem de Arzila e o Castelo do Mar de Safim são as únicas estruturas arquitectónicas de traça medieval que subsistem no continente africano construídas pelos portugueses.
📌Castelo de Aguz (1506-1525)
O Castelo de Aguz (Souira Kedima) foi construído em 1519 na foz do rio Tensift, a 35 km a sul da cidade de Safi. Era uma base de apoio táctico ao porto atlântico e fortaleza de Safi. Encontramos semelhanças, na sua arquitetura militar, no castelo roqueiro de Vila Viçosa e as ruinas do antigo Palácio dos Alcaides de Torres Vedras, com um pátio central e torreões ultra-circulares nos ângulos. Trata-se de um exemplar da fortificação costeira manuelina simplificada.
📌Antiga Mogador (1506-1526)
A cidade portuária de Essaouira, situada entre Safi e El Jadida, foi no Século XVI uma antiga possessão portuguesa denominada de Mogador (1506-1526). O Castelo de Mogador, construído em 1506, por Diogo de Azambuja, já não existe. Esta fortificação, segundo fontes, durante o curto período nas mãos lusitanas, era dependente das provisões com origem na Ilha da Madeira, nomeadamente, o vinho, azeite, trigo ou madeira.
Se visitarmos a medina, as muralhas e o porto da «cidade do vento» podemos constatar a antiga presença lusitana, apesar das actuais fortificações, de origem marroquina, terem sido construídas durante o Século XVIII por ordem do sultão alauita Bem Abbala, quando pretendeu fazer deste local um importante porto exportador do ouro trazido pelas caravanas atravessavam o Saara desde Tombuctu (Mali).
📌Fortaleza Mazagão (1506-1769)
A Cidade-fortaleza de Mazagão, oficialmente fundada como vila a 1 de Agosto de 1541, apesar da existência de uma pequena fortaleza construída pelo arquitecto Diogo de Arruda, em 1514, actual Cisterna Portuguesa, como ponto de apoio a Azamor. Mais tarde, em 1541, João de Castilho adaptaria para uma cisterna e celeiros. Foi desenhada pelo engenheiro italiano Benedetto da Ravenna, em conjunto com Miguel de Arruda e Diogo de Torralva. De referir, que a construção desta fortificação marca o inicio da adaptação das novas formas de combate no Magrebe – construções com baluartes de traça italiana -, em virtude pela utilização da artilharia por parte das forças islâmicas. A partir da 2ª Metade do Século XVI dá-se a adaptação das velhas fortificações de cariz medieval para esta nova arquitectura militar.
O seu porto de acesso fácil e a traça abaluartada das muralhas, em alguns pontos com mais de dez metros de espessura, tornavam-na numa inexpugnável. Mais tarde, seria abandonada por Portugal, em 1769, por decisão do «valido» do Rei D.José I, o então Marquês de Pombal. Actualmente, a Cité Portugaise de El-Jadida está restaurada, como se comprova pelas fotos da minha autoria. A enorme extensão do perímetro muralhado da antiga Mazagão mostram a tradição da arquitectura militar italiana e da importância do estilo renascentista durante o Reinado de D.João III (1521-1557). De Salientar que o Baluarte de São Sebastião, lado do mar, mostra a escala grandiosa da fortificação.
A famosa cisterna da antiga Mazagão é uma das atracções turísticas de Marrocos. Foi construída sob a direcção de João de Castilho em estilo renascentista sobre o pátio de armas do antigo Castelo de origem Manuelina. O catalisador da construção desta imponente fortificação militar foram os constantes raides e conquistadas dos xarifes do Sul de Marrocos, equipados com moderna tecnologia pirobalística e com conselheiros militares europeus (mercenários italianos/germânicos). Mazagão era, assim, uma alternativa viável ao abandono das possessões costeiras fortificadas de Santa Cruz do Cabo Gué (Agadir), Safim e Azamor. A concentração de meios humanos, materiais e bélicos numa única praça permitia uma melhor resistência aos constantes e numerosos assédios das forças sob o signo de Alá.
Em 1769, a cidade-fortaleza de Mazagão foi abandonada pela Coroa Portuguesa. Em virtude deste abandono, a Coroa ordenou que os seus habitantes – nobreza local, soldados, etc – fossem para Lisboa. Aqui chegados, foram reenviados para uma nova missão: a fundação de uma Nova Mazagão, na fronteira Norte do Brasil, no actual estado de Amapá. Era o fim de mais de três séculos de presença portuguesa em Marrocos (1415-1769), em virtude de as possessões norte-africanas serem um sorvedouro de recursos humanos, monetários e bélicos, sem qualquer retorno (à excepção das questões ideológicas, Guerra Santa).
A antiga fortificação de Mazagão constitui – hoje uma importante atracção turística de Marrocos – um dos melhores exemplos conservados da arquitectura militar do Renascimento fora do Continente Europeu, que resistiu ao teste do tempo e da própria acção humana. De Salientar, que as fortificações portuguesas de Mazagão foram inscritas na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 2004 e, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O litoral atlântico de Marrocos oferece-nos uma grande variedade de grandes e pequenas fortificações costeiras com grande impacto visual e plástico, como em nenhum outro lugar. Nas mesmas, podemos encontrar o estilo de fortificar de Diogo de Arruda e dos seus familiares.
Em Conclusão, uma visita ao Norte de África – Marrocos – não é para um português um mero passeio como qualquer outro. É uma espécie de regresso a casa. Para quem possua alguns conhecimentos de Geografia e História e tenha o sentido do valor dos passado lusitano, visitar o actual Reino de Marrocos é ir a um dos nossos lugares predilectos, ir afervorar o amor pátrio e retemperar a alma, como afirma Urbano Rodrigues (RODRIGUES, 1935). De facto, diante de património edificado pelos nossos antepassados em diversas cidades costeiras como Asilah, Tânger, Essaouira, Safi, El Jadida, podemos sentir bem o que fomos e o que podemos ainda ser…
BIBLIOGRAFIA
Carita, Rui, “A arquitectura abaluartada de origem portuguesa”, in Relações luso-marroquinas 230 anos, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, nº 17-18, Lisboa, Instituto Camões, Novembro 2004, pp. 135-138, 143-145.
Correia, Jorge, “Mazagão: A última praça Portuguesa no Norte de África”, in Revista de História da Arte, Lisboa, IHA – FCSH-UNL, nº 4 , 2007, pp. 185-209.
Dias Farinha, António, “Os Portugueses em Marrocos”, Instituto Camões, Colecção Lazúli, 1999,pp.3-103.
LOPES, David – A Expansão em Marrocos, Colecção Cabo a Cabo, Lisboa: Teorema /O Jornal, 1989.
Moreira, Rafael, “Arquitectura militar do Renascimento”, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Dir. Rafael Moreira, Lisboa, Pub. Alfa S.A., 1989, pp. 150-157.
RODRIGUES, Urbano – Passeio a Marrocos, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.
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As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
📷 “Atreva-se e mude o seu destino, onde mudamos o de Napoleão!” é o mote da Rota Histórica das Linhas de Torres para visitar e relembrar o mais barato, rápido e eficiente sistema defensivo da História Militar. Seduzidos pela história e pelo impacto da paisagem envolvente, vamos conhecer o Forte de São Vicente e o reduto de Olheiros, obras militares que integravam a 1ª Linha. Este sistema defensivo, construído entre 1809 e 1810, no contexto da III Invasão Francesa (1810-11), é demonstrativo da capacidade técnico-militar luso-britânica e da resiliência do povo português em manter a sua Liberdade, face a uma das mais temidas forças bélicas da História Militar: o Grande Armée de Napoleão! Uma História feita de Fortes. E de vistas Fortes! As Linhas de Torres Vedras foram mandadas construir, entre 1809 e 1810, por Sir Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, comandante do exército luso-britânico, com o intuito de travar as sucessivas incursões bélicas do exército de Napoleão Bonaparte e de proteger o acesso à cidade de Lisboa. Esta decisão ocorreu após o fim da retirada das tropas tricolores (II Invasão francesa), comandada pelo marechal Soult. Consistia num sistema defensivo fortificado com um conjunto de fortes e redutos em pontos estrategicamente colocados no topo de colinas/cumes da região da Península de Lisboa. Eram constituídas por três linhas defensivas, entre o oceano Atlântico e o rio Tejo (85 km de extensão), totalizando 152 obras militares, armadas com 600 peças de artilharia e defendidas por uma força – 140 000 homens – mista de tropas de linha e de guarnição. A maioria das bocas de fogo e o material de sapadores foram fabricadas em Arsenais Portugueses. As obras militares só foram finalizadas em 1812, após a definitiva expulsão do Grande Armée do Reino de Portugal.
As designadas Linhas de Torres travaram, após a Batalha do Buçaco (1810), o avanço vitorioso das 65 mil tropas francesas do general Massena, comandante enviado por Napoleão para liderar a III Invasão (1810-1811). Era o principio do fim da supremacia militar do Império Napoleónico. O Reino de Portugal, e os portugueses, foram maniatados e subjugados pela França e pela Inglaterra, as duas superpotências de inícios do século XIX, para disputar a hegemonia europeia e a manutenção dos equilíbrios europeus.
💣Forte e Capela de São Vicente (Obra militar nº 20, 21 e 22)
Construído em 1809, no Monte de São Vicente (a 118 m de altitude). o Forte de São Vicente é um vasto complexo fortificado constituído por três redutos abaluartados, com uma praça de armas protegida por longos travezes, reparos, muros em talude, canhoeiras, rodeado de fossos profundos, com revestimento de pedra. Tem planta em Y, e era composto por um conjunto de trincheiras, fossos, traveses, paióis, e estava artilhado para uma capacidade de 39 bocas de fogo. Estava dotado com 3 paióis, de planta circular. Era considerado o mais importante forte das Linhas de Torres, mas perdia em dimensão para o forte ou reduto grande do Sobral. Tinha capacidade para uma guarnição militar de 2000 a 2200 soldados. Era a fortificação e o ponto mais a norte, da 1ª Linha de defesa, entre a localidade de Alhandra e a foz do rio Sisandro, que defendia a estrada real entre Coimbra e Lisboa. Encontra-se atualmente em bom estado de conservação. Foi finalizado em 1810.
Vista geral do reduto Nº22: canhoeiras, paióis, Travezes, reparos, capela medieval e fossos
Trata-se de um dos melhores pontos paisagísticos para admirar o complexo, pontificado e continuo sistema defensivo erguido a norte da península de Lisboa. São um excelente exemplo da articulação entre o Homem e o Meio. De facto, a construção das mesmas reflete o estudo do Meio pelo Homem, isto é, o aproveitamento da morfologia do terreno para retardar o avanço, pela estrada e atravessamento dos rios, das tropas napoleónicas que se dirigiam a Lisboa. E sem recurso a tecnologia, por exemplo, o uso de fotografia aérea para estudar o terreno. Quem contempla a paisagem envolvente ao monte de S. Vicente percebe a importância e o significado desta fantástica obra de engenharia militar!
Os Travezes, estruturas em terra, do Forte de São Vicente
Um dos três redutos deste forte – obra militar Nº 21 estava equipado com um posto de sinais / telégrafo que comunicava com o principal posto de difusão das comunicações das Linhas de Torres: a Serra do Socorro. No CILT (Torres Vedras) podemos ver uma maqueta – Telégrafo de Balões – com este dispositivo de telegrafia visual inspirado no sistema de comunicações da marinha de guerra britânica (Royal Navy). Trata-se de um bom exemplo da importância da comunicação e da passagem rápida de informações entre os inúmeros fortes e redutos, que estavam na 1ª e 2ª Linha do sistema defensivo das Linhas de Torres Vedras, sobre o constante movimento de tropas francesas.
Posto de Sinais / telégrafo do Forte de São Vicente
Durante a Guerra da Patuleia (1846-1847), o forte de São Vicente foi alvo de um confronto bélico entre as tropas insurretas do conde do Bonfim, membro da junta revolucionária do Porto, e das tropas governamentais do marechal Saldanha, apoiadas pela Rainha D.Maria II, para o controlo de Lisboa. Aliás, foi único confronto bélico da sua curta existência desta obra militar das Guerras Peninsulares. O controlo militar da vila de Torres Vedras e dos fortes da Península de Lisboa eram vitais para dominar, militarmente, a capital do Reino de Portugal. Esta estratégia foi abandonada e tornou-se irrelevante na última metade do século XIX (Campo Entrincheirado de Lisboa) e, principalmente, na segunda metade do século XX (Plano Barrow). As tropas “patuleias” do conde das Antas decidiram escolher Torres Vedras para aguardar pelo confronto decisivo com as tropas governamentais, antes de avançar para ocupar Lisboa, visto que esta localidade tinha aderido à insurreição da “Patuleia”. As tropas do conde de Bonfim, sem apoio logístico e militar do conde das Antas, foram facilmente vencidas pelas tropas governamentais do marechal Saldanha, apesar da enorme vantagem de bocas-de-fogo dos derrotados.
O Centro de Interpretação das Linhas de Torres (CILT), do concelho de Torres Vedras, fica localizado na antiga capela do Forte de S. Vicente, inaugurado no Verão de 2017. No interior, o visitante poderá compreender a importância das Linhas de Torres na vitória do exército luso-britânico sobre as tropas francesas de Napoleão Bonaparte, com a exibição de um documentário para enquadramento histórico da época. Existe uma maqueta de um posto de telegrafia da época das Linhas de Torres e de um circuito expositivo recheado de recursos audiovisuais e multimédia, mapas, gravuras e peças museológicas alusivas à época das Invasões Francesas, com foco particular, na terceira invasão ao território português, comandada pelo general Massena, o exílio da população (devido à imposição da política de terra queimada) e a construção deste sistema defensivo no concelho de Torres Vedras.
💣Reduto de Olheiros (Obra militar nº23)
O Forte ou reduto de Olheiros, também conhecido como Forte do Canudo, em virtude da sua localização geográfica e topográfica: o Monte do Canudo. A sua utilização inicial era prestar apoio ao fronteiro Forte de São Vicente, protegendo o lado poente da vila e do vale de Torres Vedras. Foi concebido para uma guarnição de 180 soldados e estava equipada com onze canhoeiras nas cortinas. Segundo o capitão britânico J. T. Jones, estas estavam guarnecidas com 7 bocas de fogo, 4 peças de calibre 9 e 3 peças de calibre 6. No centro, coberto de laje de betão armado, encontra-se um paiol de pólvora e de munições.
Paiol e muralha em alvenaria do Forte de Olheiros
Em 2001, com apoio da Escola Prática de Infantaria, o município de Torres Vedras realiza uma campanha de limpeza completa e um diagnóstico do estado de conservação da obra militar. Mais tarde, em 2011, sofreu obras de restauro que incluíram a consolidação da sua estrutura-militar, nomeadamente, desobstrução/reconstrução do fosso e das canhoeiras, reconstituição das estruturas em terra (travezes e reparos), desmatação e abate de árvores de grande porte e a recuperação do paiol de pólvora.
Canhoeiras para artilharia e reparo de proteção (ao centro) para fogo de infantaria
As Linhas de Torres são o mais internacional dos monumentos militar portugueses. É um monumento que perdeu o seu valor militar, mas adquiriu um valor histórico que importa preservar e divulgar para as gerações vindouras. A forma e a rapidez, por mais de 150 mil portugueses e britânicos, revela bem a importância e o sacrifício de um povo pela manutenção da independência nacional e, não mais importante, da sua Liberdade.
Lisboa a Torres Vedras: pela A8 tomar a direção de Leiria até à saída 7 – Torres Vedras Sul.Em alternativa, siga pela N8 por Venda do Pinheiro e Turcifal até Torres Vedras.
Porto a Torres Vedras: pela A1 sair na direção de Aveiro, convergir com a A25, continuar na A17 na direção de Leiria. Tomar a A8 até à saída 8 – Torres Vedras Norte.Em alternativa pode tomar a N1 por Leiria até Rio Maior. De Rio Maior tome o IC2 para Alcoentre e a N115 até Torres Vedras.
🚌 |🚉
Comboio (Linha do Oeste) Figueira da Foz – Lisboa (Santa Apolónia) |Horários
Autocarros: Barraqueiro Oeste (A8 – Diretas) | Horários
🏠 Onde ficar:
Em Torres Vedras existem inúmeras opções económicas de alojamentos, consoante o número de dias que irá ficar no concelho da região Oeste. O Dolce Campo Real perto do Turcifal, parece-nos uma boa opção para explorar a Rota Histórica das Linhas de Torres. Trata-se de uma uma excelente opção para quem queira ter acesso rápido a todas as actividades relacionadas com o turismo de natureza e histórico-cultural, onde está perfeitamente integrado na área protegida da Serra da Archeira e do Socorro e da cidade de Torres Vedras.Na minha opinião, os seus pontos fortes são a localização, o campo de golfe, a piscina, uma área para crianças e as ofertas de atividades de tempos livres.
🍜 Onde comer:
Porque não saborear uma ceia oitocentista, a pós uma visita ao património das Linhas de Torres Vedras, o visitante poderá ter uma experiência gastronómica: uma sopa de canja e um Bife Wellington* com Chips de Batata Doce e Espargos. Trata-se de um prato Oitocentista alusivo à época das Invasões Francesas. E para sobremesa uma deliciosa “Barriguinha de Freira”. E não se esqueça de acompanhar com um belo tinto DOC de Torres Vedras (CVRLisboa).
🔗Para mais informações:
Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial nos seguintes links:
“Os percursos da Rota Histórica das Linhas de Torres são temáticos e refletem cada um dos aspetos mais marcantes do território onde estão inseridos. Podem ser visitados em parte ou no seu todo, deixando ao viajante a liberdade de construir a sua própria visita.”, lê-se no sitio web da Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT)
A Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT) oferece informação atualizada para conhecer os locais e percursos dos inúmeros fortes e redutos militares dos concelhos (Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Torres Vedras, Sobral de Monte Agraço e Vila Franca de Xira) que integram esta rota histórico-militar. Poderá informar-se junto dos vários Centros de Interpretação das Linhas de Torres (CILT)de cada município ou descarregar o mapa e o guia da Rota Histórica das Linhas de Torres. Se for um leitor mais exigente, deixo-lhe uma sugestão de leitura de uma publicação de referência, a Revista INVADE, sobre o que melhor há para ver e fazer na Rota Histórica das Linhas de Torres. Recomendo, também, a consulta do sitio digital do Turismo Centro de Portugal, visto que permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, rotas turísticas, património edificado e gastronomia associado à região Oeste de Portugal.
A Batalha de Torres Vedras – 22 de dezembro de 1846 in Revista Militar N.º2459, Dezembro de 2006 [em linha]. Lisboa: CMG Armando Dias Correia, 1849-2020.[consult. 2020-05-26 11:58:58]. Disponível na Internet: https://www.revistamilitar.pt/artigo/170#
NORRIS, A. H., BREMNER, R. W. – As Linhas de Torres Vedras, as três primeiras linhas e as fortificações ao sul do Tejo. Torres Vedras: Câmara Municipal de Torres Vedras, Museu Municipal Leonel Trindade, British Historical Society de Portugal, outubro 2001.
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💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎