📕Blogue OLIRAF associa-se à iniciativa “#EuFicoEmPortugal” e participa no segundo livro da Associação de Bloggers de Viagens Portugueses (ABVP).

✒️ Portugal é um país repleto de inúmeras maravilhas naturais, patrimoniais e humanas. Na impossibilidade de viajar, seja cá dentro e lá para fora, os Livros são ótimas escolhas para viajar sem sair do conforto do lar. 25 bloggers de viagem portugueses aceitaram este desafio, lançado pela ABVP – Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, no âmbito da iniciativa #EuFicoEmPortugal.🇵🇹 . Foi uma das formas encontradas por esta associação sem fins lucrativos para incentivar os seus associados a conhecer as “belezas menos exploradas do nosso país” e a dinamizar o turismo interno no nosso país, procurando criar conteúdos que levem os portugueses a viajar pelo Portugal, particularmente, em territórios de baixa densidade. O resultado dessas experiências deu origem ao segundo livro colaborativo da ABVP, editado pela Idioteque. E nós fomos uma das 25 estórias contempladas. Trata-se de um grito de resistência, e de resiliência e de manter viva essa nobre arte de praticar o ócio: o ato de viajar. É uma espécie de vá-para-fora-cá-dentro.

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A INICIATIVA #EuFicoEmPotugal (ANTENA 1 | RTP PLAY)

A Associação de Bloggers de Viagem Portugueses (ABVP) é fundadora da iniciativa #euficoemportugal que promove experiências de viagens, únicas e diferenciadoras, em Portugal. Neste âmbito, durante o verão de 2020, dezenas de bloggers de viagem portugueses associados da ABVP lançaram-se numa campanha de divulgação do nosso país. Foi um contributo de todos aqueles que acreditam que as viagens têm o poder de mudar o mundo. Percorreram o país de norte a sul, de este a oeste, em todos os distritos e nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. Destas experiências de viagem resultou um podcast na rádio público – Antena 1 – em conversas de viagens com jornalista Tiago Alves.

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Próximo Destino: Portugal. E se fosse desafiado, caro leitor-viajante, por 25 Bloggers de Viagem Portugueses a (re) descobrir o nosso país?

Depois do livro “Viagens de uma vida“, lançado em meados de 2020, a Associação de Bloggers de Viagem Portugueses (ABVP) promove o o segundo livro colaborativo, desta vez, com estórias e crónicas de viagem pelo território português, particularmente, em territórios de baixa densidade. Trata-se de um contributo, inspirado por 25 estórias de viagem, para dinamizar o Turismo em Portugal. Um dos sectores, e um dos motores económicos da economia portuguesa, mais atingidos pela pandemia da Covid-19. Na primeiro livro, como escreveu na badana do livro, Filipe Morato Gomes escreveu o seguinte: “Tal como nós, que o leitor se sinta inspirado para partir, explorar e ‘descobrir-se’”.  É o mote do presidente desta comunidade de bloggers nacionais.

Trata-se da segunda aventura no universo dos livros a cargo da ABVP. O livro surge de uma parceria entre a ABVP (Associação de Bloggers de Viagem Portugueses) e a Idioteque. A Idioteque abraça, novamente, este projecto editorial centrado nas melhores experiências de viagem vividas, por inúmeros bloggers de viagem associados da ABVP, em diversos territórios de baixa densidade de Portugal Continental e Ilhas. A obra é uma selecção de 25 textos, de 25 bloggers, com mais de 150 páginas de estórias e 50 fotografias ilustrativas que dão cor ao segundo livro colaborativo da ABVP. É o epílogo da iniciativa #EuFicoEmPortugal .

“Quanto mais viajo, mais tenho a certeza de viver num país extraordinário, com uma diversidade a todos os níveis notável” diz o autor do blogue Alma de Viajante. O livro é da ABVP – Associação de Bloggers de Viagem Portugueses. O epilogo desta iniciativa e/ou a ideia do selo que está na capa do livro, tipo “um contributo para dinamizar o turismo em Portugal, numa altura tão especial como a que vivemos”.

Também Rui Barbosa Batista, fundador do blogue BornFreee e jornalista da LUSA, refere que “o livro não fala só de lugares”, mas de pessoas – “o maior património” – e experiências vividas por todo o território, de Trás-os-Montes ao Alentejo.

“A Idioteque não poderia passar ao lado desta iniciativa que visa reanimar o turismo português”, diz o editor, Manuel Andrade, que renova a parceria com a ABVP em nome do “lado mais profundo e quantas vezes telúrico e feérico do nosso maravilhoso país”, percorrido de norte a sul, de este a oeste e até às ilhas.

A capa deste livro foi decidida pela editora Idioteque e pela VASP © Créditos Idioteque

Sinopse

Neste livro, pela primeira vez 25 dos mais influentes bloggers de viagem nacionais juntaram-se para um objetivo concreto: com os seus textos promover o turismo em Portugal, atenuando o brutal impacto da pandemia no setor, com especial ênfase nos territórios de baixa densidade.

A obra é uma seleção de duas dezenas e meia de olhares e experiências muito diversificados sobre destinos espalhados pelo território português. Desce de Melgaço, onde um Outro Portugal começa, e segue em busca de histórias encantatórias como a da baleação na Ilha do Pico, apeando-se por várias páginas junto ao calor das gentes e dos sabores alentejanos, enquanto vai regando a narrativa com os ainda pouco conhecidos vinhos da Beira Interior. Passa também pelas minas abandonadas de São Domingos, acenando de caminho aos garranos no Gerês e levando-nos a conhecer os Castelos de Sintra, bem como os montes de Alvarenga, a lagoa de Óbidos, o rio Tejo ou a empreita em Loulé, entre outras inúmeras belezas, menos explorada.

Capa, lombada e verso do livro #EuFicoEmPortugal, com o presidente da ABVP – Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, Filipe Morato Gomes, e editado pela Idioteque © Créditos Idioteque

Sobre a minha crónica de viagem: a lagoa de óbidos.

Existe uma região ainda por descobrir e está mesmo às “portas” de Lisboa. A região Oeste é onde estão as minhas raízes, particularmente, no concelho de Torres Vedras. Dai, a minha escolha afetiva ser uma experiência realizada nesta região bem portuguesa. A minha participação na iniciativa #EuFicoEmPortugal, traduziu-se, assim, numa crónica, escrita e fotográfica, sobre a Lagoa de Óbidos, um dos ex-libris naturais e paisagísticos de uma região muito particular: o Oeste.

Trata-se de uma crónica oestina com sabor a maresia. Há lugares fantásticos, perto de nós, mas longe da multidão. O concelho de Óbidos integra este leque restrito. Considerado um dos destinos nacionais mais turísticos, e não obstante a sua história secular, a verdade é que a vila se tem renovado ano após ano. Os eventos culturais multiplicam-se, de forma a atrair visitantes continuamente, desde os miúdos aos graúdos, e há acontecimentos para todos gostos.

O Centro de Interpretação da Lagoa de Óbidos (CILO), iniciativa liderada pela #LPNatureza, pretende que todas as pessoas usufruam de uma experiência de visitação para descoberta da Lagoa de Óbidos. Trata-se de um novo produto turístico, destinado a pequenos grupos, ideal para famílias, seguro, de conforto ou de aventura, que reúne natureza, cultura e bem-estar numa das mais belas paisagens do Oeste. Nesta crónica de viagem pretendi dar a conhecer a minha experiência [de um dia] no maior sistema lagunar costeiro de Portugal, bem como as suas memórias, património, vivências e objetos, devidamente contextualizados, são fundamentais para conhecer e compreender a história da Lagoa de Óbidos, integrantes do seu património e parte vital da identidade e comunidades locais desta região de Portugal. Estou grato por partilhar as suas memórias, fotografias, objetos e outros testemunhos deste lugar único que é património de todos nós. Foi um gosto colaborar e dar a conhecer um pouco da vossa paixão e divulgação do melhor que se faz em Portugal, ao nível da promoção do turismo de experiências, particularmente, na região Oeste de Portugal.

Excerto do livro #EuFicoEmPortugal, com a crónica de viagem pela Lagoa de ÓBIDOS, escrita pelo autor e blogger Rafael Oliveira © Créditos OLIRAF

Viajar não é apenas passear por países, lugares e paisagens exóticas. Viajar é conhecer. E não há nada que entusiasme mais um viajante do que partilhar com os outros aquilo que vivenciou. Não é um guia de viagem. Não é um Livro de Viagens. É um livro de muitas estórias de experiências em viagem. É isso que pode encontrar neste livro colaborativo da ABVP. Feito de viajantes conhecidos para viajantes anónimos. Para mim, escrever é uma necessidade. Ler é uma viagem. “Querer simplesmente escrever, como andar. A necessidade não é de escrever, mas de querer escrever. Tal como a necessidade não é de amar, mas de querer amar”, lê-se no road movie MOVIMENTO EM FALSO (1974), de Wim Wenders.

Com saudades de viajar? Nós também. Faça História partilhando a sua.

▶️ Livro #EuFicoEmPortugal apresentado em streaming a partir de Montalegre.

O Lançamento, com transmissão online (veja aqui o link), em jeito de conversa foi feito partir do Ecomuseu de Barroso – Espaço Padre Fontes, em Montalegre, um dos municípios retratados na obra. Estavam presentes as mesmas quatro pessoas do primeiro livro: os bloggers de viagem Filipe Mourato Gomes (Alma de Viajante), na qualidade de Presidente da ABVP, Rui Batista Barbosa (Bornfreee), autor do texto que se passa na região, e o representante da editora Idioteque. A moderação foi efetuada pelo jornalista Tiago Alves, da #Antena1. Face aos constrangimentos da pandemia Covid-19, o público não pode assistir presencialmente à apresentação do livro colaborativo da ABVP.

Eis a lista de Blogs/Autores que participaram no livro #EuFicoEmPortugal:

  • 23 Quilos à Justa – Soraia Deus e Pedro Moita
  • 100 Rota – Francisco Agostinho
  • 365 dias no mundo – Raquel Morgado e Tiago Pinto
  • A Crush On – Lígia Gomes
  • Alma de Viajante – Filipe Morato Gomes
  • Bornfreee – Rui Barbosa Batista
  • Carimba o Passaporte – Pedro Costa
  • Continuando à procura – Carla Ferreira
  • Contos Alfacinhas – Filipa Chatillon
  • Daniela Santos Araújo – Daniela Santos Araújo
  • Entre Vinhas – Madalena Vidigal
  • Explorandar – Diana Bencatel e Ricardo Mendes
  • Intrepid Jumpers – Diogo Frias e Filipa Frias
  • LikedPlaces – Maria Antónia Lopes
  • Lugares Incertos – Jorge Duarte Estevão
  • Marlene On The Move – Marlene Marques
  • Menina Mundo – Miriam Pina
  • OLIRAF – Rafael Carvalho de Oliveira
  • Passaporte no Bolso – Mónica Rodrigues Alves
  • Portugal de lés a lés (Hit the Road) – Jorge Montez
  • Sempre entre viagens – Inês Miranda
  • Travel Random Notes – Sónia Dias
  • Viajar entre viagens – Carla Mota e Rui Pinto
  • Viajário Ilustrado – Carlos Brum Melo e Ana Catarina Silva
  • Wandering Life – Catarina Leonardo

🛒 COMO ADQUIRIR A PUBLICAÇÃO #EuFicoEmPortugal?

O livro está com um design muito apelativo, recheado de estórias diferenciadoras, fotografias ilustrativas das experiências e de fácil leitura. São vários rostos, vários percursos e várias experiências Este livro dá a conhecer lugares únicos e extraordinários em Portugal, como as estórias de quem a viveu. Estará à venda nas principais livrarias portuguesas a partir do próximo dia 22 de junho, com o preço de capa de 15€. Por exemplo, na WOOK, o livro já se encontra em pré-venda e disponível para encomendas online. Como bibliófilo, amante de livrarias tradicionais e do comércio local, sugiro que procurem em livrarias alternativas – que tanto precisam da nossa ajuda -, como são o caso da Palavra de Viajante (Lisboa), da Livraria Esperança (Funchal) ou do Insensato | Café-Livraria (Tomar).

📚 Apoie e incentive os autores: adquira uma versão especial do livro.

Caso tenha interesse em receber uma cópia autografada (e personalizada) pelo autor do Blogue OLIRAF, teremos todo o gosto em enviar-lhe um exemplar por correio (via CTT, as moradas exclusivamente em Portugal Continental e Ilhas). Também posso entregar em mão (Lisboa, Torres Vedras e na Madeira). O preço do livro é de 15€ + portes de envio. O preço final ficará por 17€. Poderá, assim, recebê-lo comodamente em sua casa. Para tal, basta enviar-me um e-mail – oliraf89@gmail.com – com a quantidade de exemplares pretendida, o seu nome e a morada do domicilio. Importa referir que ao adquirir esta publicação está a ajudar os Membros da ABVP (Associação de Bloggers de Viagens Portugueses), onde me incluo, a criar, incentivar e a partilhar estórias de viagem em Portugal e no Mundo. Queremos, acima de tudo, chegar ao maior número possível de pessoas, promover a leitura e a viajar de uma forma mais sustentável.

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📝Nota Informativa:

O Blogue OLIRAF agradece o convite dos parceiros do projeto “Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos”, uma iniciativa Orçamento Participativo Portugal (OPP) que conta com o apoio da FCT e da Ciência Viva, e com a participação na sua execução da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, da Câmara Municipal de Óbidos e do Conselho da Cidade – Associação para a Cidadania. Resta-me, também, agradecer as empresas de animação turística – Interdital – Natureza e Aventura e a Passa Montanhas – que dão a conhecer inúmeras experiências sustentáveis pela Lagoa de Óbidos.

Esta crónica de viagem foi efetuada no mês de Setembro de 2021 no terreno. Foi escrita em Março de 2021 durante o confinamento.

Este artigo pode conter links afiliados.

🔗Para mais informações:

A ABVP – Associação de Bloggers de Viagem Portugueses promove o desenvolvimento profissional dos bloggers de viagens e estimula a criação de relações éticas e transparentes com os leitores e com o mercado de viagens em Portugal. Organizamos palestras e workshops para capacitar os associados com ferramentas fundamentais para a melhoria contínua dos seus blogs; Encorajamos ações concertadas entre os bloggers de viagem que sirvam de exemplo e motivem os leitores a tornarem-se viajantes mais conscientes; Estimulamos a criatividade, o pensamento crítico e a produção de conteúdos originais e inspiradores dentro do segmento das viagens e turismo; Incentivamos a partilha de conhecimento e interação entre os bloggers, bem como a participação em eventos do setor. Artigos relevantes para os bloggers de viagem e os parceiros ligados à indústria do turismo.

O Blogue OLIRAF foi aceite, em Outubro de 2020, como membro Associado Colaborador da ABVP – Associação de Bloggers de Viagem Portugueses. Recentemente, o nosso projeto de escrita e fotografia de viagens teve oportunidade falar sobre o nosso nicho de mercado: o Turismo Militar ⚔️. Pode ler aqui, o nosso artigo no blogue da Associação.

Junte-se a esta comunidade digital que inspira as pessoas a viajar! Ética, formação e bom senso em viagem. É trazer o melhor do Jornalismo de Viagem para o Mundo Digital.

Caso tenha um blog de viagens, leia as perguntas frequentes e os benefícios dos associados, e verifique se o seu blog se enquadra nos pré-requisitos e está de acordo com o Código de Ética da ABVP. Se partilhar da nossa filosofia e dos nossos valores, associe-se agora! Se pondera e tem interesse em trabalhar em parceria com bloggers de viagens qualificados, entre em contacto!

Nota importante [🔎]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. As recomendações de produtos turísticos baseiam-se nas experiências [reais] de viagem e o conteúdo editorial é independente de terceiros. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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 🖋️Texto: Rafael Oliveira  📸 Fotografia: Oliraf Fotografia 

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FOTOGRAFIA✈︎VIAGENS✈︎PORTUGAL©OLIRAF (2021)

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🌍OLIRAF Blogger Trips 2020: 12 Experiências, 12 Imagens (Instagram)

🗺Foi um ano de grandes e exigentes desafios para todos os profissionais, particularmente, para o sector das viagens e da cultura. Em dezembro do ano passado, quando estávamos a fazer o balanço de 2019 e a preparar os nossos roteiros de viagem para 2020, não imaginávamos que o ano seria exigente no planeamento, agendamento e cancelamento de viagens, passeios, caminhadas e experiências gastronómicas. Não estávamos preparados para gerir tanta incerteza e, sobretudo, a imprevisibilidade no nosso quotidiano habitual. Porém, face ao “novo normal”, não desistimos e fomos persistentes. Do Turismo Histórico-Militar aos Lugares Abandonados. Dos locais turísticos aos pitorescos. Gostamos de viajar, não porque gostamos de mostrar, mas porque nos dá prazer. Sempre com a curiosidade pela História e com a vontade de inventariar [através da arte fotográfica] o Mundo e de catalogar as estórias das pessoas. Para mais tarde, arquivar na nossa memória. Recordemos, então, o ano 2020 que termina.

Este 2020 tão estranho trouxe-nos aprendizagens fundamentais, por exemplo, o caso do “Faz de conta que ando a viajar”! Cancelamos a nossa viagem à cidade renascentista de Florença (Itália) e as inúmeras recriações históricas das Guerras Peninsulares (1808-1814) em Portugal e Espanha. Face as contingências da pandemia, optamos por viajar por Portugal. Em Março, viajamos ao Norte de Portugal para conhecer os Passadiços do Paiva e viajar na única linha ferroviária de via métrica: a Linha do Vouga. Ao longo do ano, as nossas viagens foram pela região Oeste. Uma região bem familiar que ficamos a conhecer [ainda] melhor. Voltamos as caminhadas pela Arrábida. Fizemos um passeio de barco pela Lagoa de Óbidos. Saímos da nossa zona de conforto – o Turismo Militar – e arriscamos num novo segmento de mercado em ascensão: o Turismo Ferroviário.  No inicio do ano, aderimos à “Guerrilha de Montagraço” da Acr Treze Setembro Associação (Sobral de Monte Agraço). Em julho, fomos aceites como parceiros da SAPO VIAGENS e, no final do ano, como blogger associados efetivos e colaboradores da Associação de Bloggers de Viagens Portugueses (ABVPT). Recentemente, a convite da Associação de Turismo Militar Português (ATMPT), falamos sobre a tendência do Turismo Histórico-Militar e da nossa experiência como viajantes na promoção deste nicho de mercado das viagens. Leia aqui.

#oliraffotografia (Instagram). Eis 12 olhares e experiências para fazer no nosso país!

🏞️Percorrer os Passadiços do Paiva!

🍷Fazer Enoturismo em Torres Vedras!

Percorrer os Castelos da Região Oeste!

🛤️Fotografar a Linha do Oeste, vista do ar!

🏚️ Descobrir Lugares Abandonados!

🏞️Realizar Caminhadas na Natureza!

🌽 Fazer Moinhologia e Trigo Barbela da Região Oeste!

Passear e fazer um passeio de barco pela Lagoa de Óbidos!

⚔️Recriações Históricas das Guerras Peninsulares (1808-1814)

🚉 Viajar na Linha do Vouga!

📍Admirar a Igreja da Válega!

✈️Viajar e descobrir as maravilhas da Ilha da Madeira!

Num ano de distanciamento há sempre alguém a quem agradecer por estar presente! Você, caro, Leitor! Até 2021, 𝘃𝗲𝗺𝗼-𝗻𝗼𝘀 𝗲𝗺 𝗯𝗿𝗲𝘃𝗲!

NÃO PERCA AS MINHAS AVENTURAS E OLHARES FOTOGRÁFICOS NO SAPO VIAGENS! UM ENCONTRO COM A HISTÓRIA, AO SABOR DAS IMAGENS. SIGA-NOS NO INSTAGRAM @OLIRAFFOTOGRAFIA

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são suscetíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. As recomendações de produtos turísticos baseiam-se nas experiências [reais] de viagem e o conteúdo editorial é independente de terceiros.  Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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🖋️Texto: Rafael Oliveira 📸 Fotografia: Oliraf Fotografia

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FOTOGRAFIA✈︎VIAGENS✈︎PORTUGAL © OLIRAF (2020)

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🏺Tavira, o legado islâmico (713-1242).

📜Situada no sul de Portugal, no Sotavento Algarvio, Tavira foi a primeira povoação do Algarve a ser elevada a Cidade, a 16 de março de 1520, em carta outorgada por D.Manuel I (1495-1521). Durante o dominio islâmico (713-1242), a vila algarvia foi um próspero e independente Reino Taifa do Al-Andalus (Séc.XII): uma comunidade marítima de piratas. Foi o porto de mar que deu a fortuna e nobreza a Tavira. Era a cidade mais populosa do Algarve nos séculos XV/XVI e detinha um importante porto fluvial para apoio às armadas reais e da defesa das praças conquistadas no Norte de África (Marrocos) pelos portugueses. Tavira é um ponto obrigatório para incluir num roteiro histórico-cultural pela região algarvia. A Cristandade e o Islão foram essenciais na formação e na identidade tavirense e algarvia.

Em árabe, Tabîra quer dizer “a escondida”. Esta cidade do Sotavento Algarvio possui muitas curiosidades e é um regalo para os nossos olhos. E porquê? Vejamos, Tavira possui a beleza do seu rio Gilão, das suas salinas, da ria formosa, as suas antigas muralhas donde podemos avistar a arquitetura urbana e religiosa e os museus que contam o seu dinamismo comercial e estratégico ao longos dos tempos. A partir do Século XII, esta localidade algarvia tornou-se um dos principais centros marítimos e comerciais da costa algarvia. Havia dois factores: um porto defensável e a posição estratégica da estrada que ligava, através da ponte do rio Gilão, Sevilha a Silves. Juntamente com Xilb (Silves) e Ossónoba (Faro), a Tabîra islâmica era uma das mais importantes cidades do Gharb Al-Andalus. Ao percorrer o centro histórico da cidade, podemos comprovar esta importância pela dimensão do seu Castelo e, mais tarde, com as inúmeras Igrejas em diversos estilos arquitectónicos são como uma viagem pela História de Arte em Portugal.

Ponte Velha, datada do séc.XVII, sobre o rio Gilão, e os célebres “telhados de tesoura” de Tavira

Tavira islâmica: um resumo histórico…

Aquando da chegada dos seguidores de Maomé, ao Al Garb al Andaluz, em 712, Tavira estaria deserta ou, na melhor das hipóteses, perdera o fulgor económico e mercantil de outras épocas, particularmente, na época os fenícios. Durante os séculos de domínio árabe, a fortaleza de Cacela, por exemplo, detinha um estatuto de maior importância militar por, ser aí a barra do Rio Gilão. Assim, Tavira seria uma urbe muçuçulmana tardia na história da presença da civilização islâmica da Península Ibérica (711-1492), a comprovar pela falta de elementos materiais anteriores ao século XI. Os muçulmanos conferem à urbe um novo ânimo social, económico, comerical e militar nos séc.XI-XII, chegando esta a ser capital de um Reino Taifa e, durante período almóada, capital de um distrito. Em finais do séc. X/inícios do XI, o castelo é construido no topo da colina de Santa Maria. Entre 1151 e 1167, sob o comando de Amil b. Munib, resistiu com êxito a dois cercos do califa almóada Abu Muhammad ‘Abd al-Mu’mim al-Qa’im. As gentes de tavira eram conhecidas pelas sua forte resistência a poderes centralizadores e movimentos expansionistas do Magrebe, tais como, os almorávidas e os almóadas. Com o avanço da reconquista cristã, a urbe islâmica vai aumentar siginificativamente a dimensão do recinto muralhado com a fixação de população vindos do norte da Peninsula Ibérica em busca de refúgio para áreas com fronteiras mais estáveis a sul e longe da fronteira beligerante entre as hostes cristãos e mouriscas. Os almorávidas dotam Tavira de uma primeira muralha, nos finais do século XI, e mais tarde, os Almóadas fazem uma reforma profunda durante a segunda metade do séc.XII, passando esta a integrar a rede de castelos defensivos do Algarve. Ainda hoje, existem inúmeros vestígios de restos de muralhas construidas em taipa e na alcáçova, conserva-se um exemplar de uma torre albarrã hexagonal.

Torre do Relógio da Igreja de Santa Maria do Castelo – Tavira

A Igreja de Santa Maria do Castelo foi construída após a conquista de Tavira pela Ordem de Santiago (1242) na segunda metade do século XIII e XIV, em estilo gótico, no local onde anteriormente se situara a mesquita maior de Tavira- Estava localizada, no coração da urbe islâmica, dentro do perímetro muralhado e nas proximidades da antiga alcáçova. Mais do que falar sobre as raízes da História da cidade de Tavira, o Núcleo Museológico Islâmico desta cidade é um convite à descoberta do legado material e imaterial da época islâmica. Este núcleo do Museu Municipal de Tavira foi inaugurado em 2012 precisamente no local onde foi achado o famoso “Vaso de Tavira” (1996). Tem na sua exposição permanente – Tavira Islâmica – uma abordagem histórica sobre  a cidade no período islâmico até à reconquista cristã. Resultou, assim, das intervenções arqueológicas efectuadas em vários locais do centro histórico da cidade como, por exemplo, a identificação de um bairro almóada, datado dos finais do século XII/inícios do século XIII, durante as obras de requalificação e adaptação do antigo convento de Nossa Senhora da Graça a Pousada da Enatur (Empresa Nacional de Turismo).

 Núcleo Museológico Islâmico – as origens e o auge da Dinastia Omíada (713-1031) – Museu Municipal de Tavira

Encontro-me com a Dr.ª Sandra Cavaco, a arqueóloga do Município de Tavira, que será a minha guia nesta viagem pela máquina do tempo. A sua linguagem é simples e direta, indo ao encontro dos meus interesses. Fala-me do passado milenar desta cidade, habitada por civlizações antigas, em virtude da sua posição estratégica (oceano atlântico) e comercial (porto de pesca e salinas). Na época islâmica, a cidade de Tabîra era uma “República” de Piratas que atacavam o comércio maritimo muçulmano ou cristão, dando guarida a gentes de má fama. Por esta razão, o poder centralizado e unificado islâmico – os Almorávidas e Almóadas – por sucessivas ocasiões intentou submeter esta cidade de piratas à sua lei. Os Tavirenses só submeteram-se as hostes cristãs no final da primeira metade do séc.XIII à Ordem Militar de Santiago. De acordo com a Crónica da Conquista do Algarve, Tavira foi conquistada aos mouros, em 1242, pelas hostes cristãs de D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago, como represália pela morte de sete dos seus cavaleiros hospitalários – D. Pedro Pires (Peres ou Rodrigues, comendador da Ordem de Santiago de Castela), Mem do Vale, Durão (ou Damião) Vaz, Álvoro (Álvaro) Garcia (ou Garcia Estevam), Estêvão (Estevam) Vaz (Vasques), Beltrão de Caia e mais um mercador judeu de nome Garcia Roiz (ou Rodrigues) – que caçavam nas imediações da cidade islâmica durante um período de tréguas entre as forças cristãs e a guarnição islâmica. O acordo de paz foi quebrado quando os cavaleiros se aproximaram de Tavira. No interior da Igreja de Santa Maria do Castelo, concretamente nas paredes laterais da capela-mor, estão sepultados estes guerreiros e mártires cristãos que morreram na reconquista cristã de Tavira. Aqui, denotamos a importância crucial da Ordem Militar de Santiago na promoção da reconquista cristã do Alentejo e do Algarve, bem como na afirmação e estabelecimento de Portugal como nação independente.

Vaso islâmico decorado com figuras e animais, datado do séc.XI

Vaso de Tavira é um dos mais expressivos testemunhos da vida na região do Al Andaluz durante o século XI.. É o ex-libris deste espaço museológico e da sua exposição permanente. Trata-se do mais famoso vestígio islâmico da cidade. Segundo os académicos, o vaso cerâmicom de cariz popular, parece representar um rapto nupcial. Apresenta no bordo onze figuras e nas paredes, linhas, retículas, peixes e outros elementos pintados a branco. Destaca-se a noiva com a face descoberta e o noivo com um turbante, ambos a cavalo; um besteiro e um cavaleiro; um tocador de tambor e de adufe; uma tartaruga e várias pombas; e o dote, constituído por um bovídeo, um caprídeo, um camelo e um ovino. Importa também destacar, a torre em Taipa Militar, os restos da muralha islâmica do século XII e o capitel em mármore branco datado da época califal omíada, originária das oficinas da Madinat al-Zahra em Córdoba. Os Muçulmanos foram expulsos, em conjunto com a comunidade judaíca, no final do séc. XV. Ainda hoje, as marcas islâmicas são, ainda, visíveis no centro histórico. Veja-se o topo da antiga colina de Santa Maria – os restos da antiga muralha e castelo islâmico e a mesquita maior – as icónicas portas de reixa, de finos entrelaçados de madeira, evocadoras da herança árabe presente na cultura algarvia.

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS FACEBOOKINSTAGRAM E NO PORTAL SAPO VIAGENS! UM ENCONTRO COM A HISTÓRIA, AO SABOR DAS IMAGENS, ONDE PODE REVER ESTE E OUTROS ARTIGOS DA NOSSA AUTORIA…

📝Nota Informativa:

No âmbito da iniciativa «Redescobrir os Segredos do Algarve | Rota Omíada», promovida pelo Turismo do Algarve com o apoio da Direção Regional de Cultura e do Município de Vila do Bispo, o Blogue OLIRAF relizou um roteiro histórico-cultural pelos 11 municípios, onde se inclui o concelho de Tavira, e 14 localidades que integran a Rota Omíada do Algarve durante o mês de Dezembro de 2016.

🚏 Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

🔗Para mais informações:

Consulte o nosso artigo sobre a Rota Omíada do Algarve (Blogue OLIRAF) para preparar um roteiro histórico-cultural durante as suas férias algarvias, com base no legado omíada no Algarve, onde disponibilizamos inúmeras sugestões, dicas e experiências temáticas de descoberta e exploração da diversidade territorial desta região portuguesa. As experiências disponibilizadas desafiam os turistas a explorar o território e a aumentar o seu tempo de estada na região, com flexibilidade para parar, contemplar e experimentar o muito que há para conhecer, desde os vestígios de castelos e muralhas urbana, testemunhos arqueológicos, espaços museológicos e a diversidade da gastronomia local. Para mais informações sobre a Rota Omíada e a cidade de Tavira, clique nos seguintes links:

Região de Turismo do Algarve – Rota Omíada

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Projeto Umayyad Route (Site) | Roteiro Omíada Algarve (PDF)

Museu Municipal de Tavira

Centros históricos de influência islâmica : Tavira, Faro, Loulé, Silves. [ed.] Instituto de Cultura Íbero-Atlântica; coord. Valdemar Coutinho. Portimão : I.C.I.-A., 2001. 55, [3] p. : il. ; 23 cm + 4 f. desdobr. em bolsa resguard.

DOMINGUES, José D. Garcia – O Gharb al-Andalus. Silves : Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves, 2011-. v. : il. ; 21 cm

CORREIA, Fernando M. R. Branco. Fortificações urbanas da época islâmica no Algarve, Património islâmico dos centros urbanos do Algarve: contributos para o futuro, 2002, pp.81-90

FERNANDES, Carla Varela.- A Igreja de Santa Maria do Castelo de Tavira. Lisboa: Colibri e Câmara Municipal de Tavira, 2000. 160 pp.: il.; 260 mm

MAIA, Maria Adelaide Garcia Pereira Andrade, MAIA, Manuel Maria da Fonseca Andrade. As muralhas medievais e post-medievais de Tavira, Património islâmico dos centros urbanos do Algarve:contributos para o futuro, 2002, pp.66-80

TAVIRA. Museu Municipal. Núcleo Islâmico – Tavira islâmica. Coord. Maria Maia… [et al.]; textos Ahmed Tahiri… [et al.]; fot. António Cunha, Ana Vieira, Susana Gonçalves. Tavira : M.M. : Câmara Municipal, 2012. 125 p. a 2 colns. : il. ; 29 cm. Contém bibliografia. ISBN 978-972-8705-45-9

TORRES, Cláudio – O vaso de Tavira : uma proposta de interpretação. Fot. António Cunha. Mértola : Campo Arqueológico de Mértola, 2004. 25, [1] p. : il. ; 22 cm. Contém bibliografia. ISBN 972-9375-22-4

VAZ, Adérito Fernandes – Uma visão de Tavira islâmica. [S.l.] : Jornal do Sotavento, 2001 (Tavira : Tip. Tavirense). 264 p. : il. ; 21 cm. Bibliografia, p. 261. ISBN 972-95621-1-3


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🖋 Texto: Rafael Oliveira   📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 

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🏺Ruínas romanas de Troia ⛏: uma viagem pela “Pompeia de Setúbal”!

📷 A região do Alentejo presenteia-nos com lugares peculiares, paisagens quentes e estórias sem fim. É o caso da Península de Troia. Um dos pontos mais emblemáticos do litoral Alentejano. Sugestões e impressões pessoais de uma visita fotográfica a um dos sítios arqueológicos mais importantes da época romana de Portugal: o maior centro romano de produção de salga e conserva de Peixe em Troia. A arqueóloga Ana Patrícia Magalhães, do Troiaresort (Arqueologia), foi a nossa guia pelo sitio arqueológico, monumento nacional na lista indicativa a património mundial da UNESCO, onde ficamos a conhecer o resultado das escavações arqueológicas, o património edificado existente, o processo de fabricação do preparado piscícola (o Garum), os achados arqueológicos de cerâmica romana, as curiosidades históricas e os pormenores artísticos desta antiga unidade industrial romana, situada entre o rio Sado e o Oceano Atlântico. 

Setúbal é mais bela vista da baía. Daí se vê a cidade em toda extensão, com as suas casas um tanto descaídas. […].” H. C. AndersenUma visita em Portugal em 1866

Troia de Grândola. Fábrica de Roma. Troia é sinónimo do Turismo dos três “S”: “Sun, Sea and Sand”. Todavia, neste istmo é possível fazer outras atividades de lazer e cultural: o turismo histórico-cultural. Passado e presente vivem lado a lado. Uma viagem ao património português. Como todo o apaixonado da História (e pelo ócio da vida), vibro com o fascínio pelo passado e por ruínas abandonadas. E as ruínas romanas de Troia não são excepção à regra. A minha cabeça já andava a matutar uma ida aos areais da praia da Comporta e, pelo caminho, ficavam as icónicas ruínas desta peninsular restinga arenosa no litoral alentejo. Para mim, custa acreditar que estamos no Alentejo, visto que estamos tão próximos da cidade de Lisboa. Lê-se no sitio web da RTP Arquivos. Monumento Nacional, desde 1910, as ruinas romanas de Troia (não confudir com Tróia da Anatólia) foram um dos maiores centros produtores de salga e conserva de peixe da Civilização Romana. Em virtude deste pormenor, neste sitio arqueológico emergiu um enorme complexo industrial e aglomerado urbano com termas, casas senhoriais, mausoléu e uma basílica paleocristã. Segundo o jornal online Observador, no ano 2018, passaram mais de 10 mil viajantes do tempo.

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Rio Sado. Coração de Setúbal. Embarcamos na Doca do Comércio, na cidade de Setúbal rumo ao Cais Sul da Península de Troia. Antes de embarcarmos, o viajante é brindado por um grupo de ciganos que tentam fazer pela vida. É com um sorriso nos lábios que recusamos um dos inúmeros óculos de sol que nos tentam “impingir”. Nem tentei regatear, à boa maneira magrebina. De seguida, em fila indiana, os veiculos são encaminhados para o Ferry-Boat “Pato Real” da empresa Atlantic Ferries, SA que cruza as margens do azul do Sado rumo as areias brancas de Troia. A viagem dura, aproximadamente, vinte e cinco minutos. Saiamos da Área Metropolitana de Lisboa (AML) e entramos no Alentejo, mais concretamente, no concelho de Grândola. Não foi ao som da “Grândola, Vila Morena”, composta e cantada pelo Setubalense Zeca Afonso. Seguindo a estrada que faz a Ligação Comporta-Tróia N253-1,sinalética “Ruínas Romanas” chegamos a uma barraquinha de madeira. É o “posto de controlo” para a entrada num estradão de terra batida, cerca de 2 a 3 km, que nos leva até às ruínas romanas de Tróia, com a envolvente natural da Lagoa da Caldeira no horizonte.

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A visita guiada, conduzida pela arqueóloga Ana Patrícia Magalhães, ao antigo complexo industrial de salga de peixe da época romana, abertas em 2011, após um longo período de escavação arqueológica, visto que encontrava-se abandonada este Monumento Nacional. Desde o Humanista André Resende, no século XVI, que temos referência a estas ruínas. Mais tarde, a princesa e futura rainha D.Maria I durante um passeio de barco no rio Sado deparou-se com a área residencial dos antigos proprietários romanos. Dai, o nome “Casas da Princesa”. Por iniciativa de uma empresa privada, o Troia Resort, que hoje explora o sitio arqueológico com visitas guiadas e com actividades educativas para escolas e de lazer para os mais graúdos. Constatamos que os museus e os monumentos são lugares únicos que nos proporcionam experiências memoráveis e uma aprendizagem indispensável à formação da identidade. Pela sua beleza e pelo seu enquadramento, pelas suas colecções e pela sua programação cultural, são espaços que transmitem valores, despertam memórias e interagem com a contemporaneidade. [Fonte DGPC]. Este antigo aglomerado urbano da época romana está na lista indicativa de Portugal para Património Mundial da UNESCO.

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As Ruínas Romanas de Troia em que o ilustre escritor dinamarquês Hans Christian Andersen descreveu como «A Pompeia de Setúbal» são uma bela surpresa para qualquer viajante que gosta de viajar pela História. Estendem-se ao longo das margens azuis do Sado e das dunas da Península de Tróia. Um passeio por quase dois milénios de história. As ruínas revelam edifícios de habitação, fábricas, locais de culto, um balneário termal, um porto e suspeita-se que apenas dez por cento da cidade tenha sido escavada ao longo das últimas décadas. Na Lusitânia romana, Troia foi um dos grandes centros industriais de preparação e salga de peixe. Localizada numa zona próxima do oceano, a cidade beneficiava ainda da proximidade de uma forte indústria salineira e outra ligada à olaria, que produzia ânforas para armazenar e exportar o pescado. A sua população era constituída por população indígena, mas também por famílias poderosas originárias do Norte de África, Grécia e escravos de diversas latitudes do Império Romano.

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O sitio arqueológico, segundo os dados recolhidos pelas escavações arqueológicas, sugere que foi fundada no século I d.C. que os romanos construíram um complexo industrial de salgas (e de peixe salgado) e molhos de peixe, conhecido em todo o mundo romano. Uma das razões era a existência de matéria-prima em abundância na região envolvente ao estuário do rio Sado: as olarias de barro, a extração de sal e a pesca. Terá funcionado entre o séc. I e meados do séc. V, caindo no esquecimento. As primeiras escavações ocorreram durante o século XVIII, por iniciativa da infanta D.Maria, futura Rainha D. Maria I, e no século XIX pela Sociedade Arqueológica Lusitana, com os generosos contributos dos patronos: o Duque de Palmela e do rei Dom Fernando II (1816-1885). No século XX, de 1948 até à década de 70, as escavações foram conduzidas pelos diretores do Museu Nacional de Arqueologia.

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Não era uma grande aglomerado urbano, ao contrário das cidades romanas de Salácia (hoje a cidade de Alcácer do Sal) e de Cetóbriga (a atual Setúbal). Todavia, tornou-se um grande aglomerado industrial-urbano em virtude da necessidade das grandes quantidades de mão-de-obra para o processamento do peixe salgado. Havia inúmeros Lotes, com ruelas e ruas estreitas, que deu origem a um grande complexo urbano que fixou população. Nas oficinas de Tróia havia inúmeros tanques de salga de peixe salgado: as cetárias. Ao todo, os arqueológos puseram a descoberto 19 tanques conhecidos. Era aqui que era produzido o “Garum”. Tratava-se de um preparado de vísceras de atum, sardinha ou cavala, misturado com outros peixes que macerava no sal. Este condimento era muito apreciado em todo o mundo Romano. As ânforas, as “embalagens cerâmicos da antiguidade”, eram essenciais para o escoamento do produto final, através de barco, para o Império Romano. A sua maioria era oriunda de três olarias romanas: Setúbal, Abul e Pinheiro. Cerca de 10% do sítio arqueológico já foi alvo de escavações arqueológicas, estando uma grande parte [ainda] coberta pelas areias. Verificamos, assim, que o ilustre povo romano soube ter engenho para aproveitar as características endógenas do território envolvente entre o Estuário do Sado e do Oceano Atlântico, nomeadamente a abundância de matérias-primas: peixe, sal e barro. Roma, apesar de ter diversas colónias no Mediterrâneo, apreciava as qualidades e a frescura do garum atlântico. Era de facto uma “fábrica” à imagem da grandeza da cidade eterna: Roma.

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Existe uma história curiosa sobre um achado arqueológico neste importante aglomerado ubano-industrial da época romana. Em 1814, nas areias de Troia, foi descoberto um cofre de chumbo que continha, entre outros objetos, uma taça de prata ornamentada. Posteriormente, em 1850, foi adquirida pelo Duque de Palmela aos herdeiros do governador de Setúbal para figurar nos «Anaes» da nova sociedade científica, a Sociedade Archeologica Lusitana. Mais tarde, poderá ter sido oferecida ao rei D. Fernando II pelo Duque de Palmela, para a sua coleção privada de antiguidades. Ambos eram patronos da Sociedade Arqueológica Lusitana para fomentar as escavações arqueológicas em Troia. Recentemente, em 2018, foi redescoberta nas coleções da Fundação da Casa de Bragança por um grupo de investigadores portugueses. A “Taça de Troia” está exposta no Museu Nacional de Arqueologia (MNA).

É uma viagem constante (re) descobrir o estuário do Sado e uma parte do Alentejo que se abre ao oceano Atlântico: o Alentejo Litoral. Aqui, o viajante ou o turista poderá avistar uma imensa faixa de costa que, desde a Península de Tróia até ao Cabo de Sines, proporciona exuberantes e convidativas praias com um ininterrupto areal. Trata-se de uma das mais calmas, genuínas e tradicionais regiões de Portugal, onde o património natural e edificado continua bem preservado, e onde encontramos gentes que tornam a experiência de viagem mais enriquecedora.

Afinal, o Alentejo Litoral começa aqui…nos extensos areiais dourados da Peninsula de Tróia! Vai perder esta oportunidade de passear cá dentro?

🚢 Como chegar:

Como fica perto de Lisboa, a cerca de 60 km, Tróia pode ser um destino turístico que tanto pode dar para ir apenas fazer um passeio de fim-de-semana, como também pode ser incluído no roteiro de uma viagem para o Algarve. Há duas formas de chegar a Tróia. A partir de Setúbal, no ‘ferry-boat’ ou em alternativa, utilize a A2 e depois o IP1 e a EN 253. Os 103 quilómetros que separam Setúbal de Tróia ficam por 4,35€. A partir de Lisboa, as portagens custam 5,6€. A viagem fica por 3,95€ por pessoa. A nossa escolha recaiu pelo ferry, em virtude da beleza do trajeto. A Atlantic Ferries -Tráfego Local, Fluvial e Maritimo, SA, empresa privada do grupo Sonae Capital que assegura o serviço público de transporte fluvial de passageiros, veículos ligeiros, pesados e de mercadorias no rio Sado, desde Outubro de 2007, entre o porto de Setúbal e a peninsula de Tróia, com recurso a  uma frota de quatro navios: dois  ferrys (Pato Real e Rola do Mar) e dois catamaran (Garça Branca e Roaz Corvineiro). No nosso caso especifico, optamos por ir no ferry “Pato Real”, com capacidade máxima para 500 passageiros e 60 viaturas ligeiras, para contemplar o Parque Natural da Arrábida, observar os golfinhos roazes do rio Sado, a beleza  urbana da capital sadina – Setúbal – e a envolvente paisagística da Reserva Natural do Estuário do Sado.

📝Nota Informativa:

O Blogue OLIRAF relizou esta visita no mês de Julho de 2018. Agradecemos a visita guiada, dirigida pela Dr.ª Ana Patrícia Magalhães (membro da equipa de arqueologos da Tróia Resort-Investimentos Turísticos, S.A.), pela envolvência do sitio arqueológico da época romana e a respetiva oferta do bilhete para a viagem de transporte fluvial na empresa Atlantic Ferries.

Não deixe de fazer…

  • conhecer a capital do rio Sado: a cidade de Setúbal;
  • fotografar o pôr-do-sol, as águas calmas do Sado atingem o seu nível mais elevado proporcionando imagens singulares do espelho de água envolvente;
  • observar a fauna e a flora da Reserva Natural do Estuário do Sado;
  • explorar os encantos e recantos da Serra da Arrábida;
  • fazer um passeio numa embarcação maritimo-turistica no estuário do rio Sado;
  • visitar o ex-libris do Alentejo Litoral: o cais palafítico da Carrasqueira;
  • petiscar um belo prato de choco frito num restaurante local da Aldeia da Carrasqueira, Carvalhal ou Comporta.
  • visitar, em Setúbal, as ruínas militares de uma Bataria de Artilharia de Costa (Outão);
  • fazer uma caminhada e banhar-se nos extensos areais da Península de Tróia;
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🔗Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, bibliografia e dicas sobre o património material e imaterial nos seguintes links:

O Troia Resort é a empresa responsavél pela conservação, exploração, e divulgação de atividades ligadas ao sítio arqueológico de Tróia. Para consulta de visitas guiadas, eventos temáticos e horários poderá consultar o site http://www.troiaresort.pt/pt/troia-ruinas/visite-nos/horarios/. Recomendo, também, a consulta do sitio digital do Município de Grândola ou do Turismo de Portugal, visto que permite encontrar inúmeras sugestões de passeios, pontos de interesse, museus e gastronomia local e regional, associado ao concelho alentejano. Poderá encontrar mais informações sobre o sitio arqueológico de Tróia na Direcção-Geral do Património Cultural e no SIPA. Se tiver alguma dúvida ou querer saber mais informações sobre actividades, pode sempre utilizar o email arqueologia@troiaresort.pt | Telefone: +351 265 499 400 | Telemóvel: +351 939 031 936.

Cetóbriga in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-15 11:46:00]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$cetobriga
 
 
PINTO, I. V.; MAGALHÃES, A. P.; BRUM, P. (2014) – Ruínas Romanas de Tróia: a valorização de um património singular, Revista Musa 4, MAEDS, Setúbal, p.29-40. Disponível na Internet:
https://www.academia.edu/22438283/Ru%C3%ADnas_Romanas_de_Tr%C3%B3ia_a_valoriza%C3%A7%C3%A3o_de_um_patrim%C3%B3nio_singular
 
Mayet, F., & Silva, C. T. d. (2017). Olarias Romanas do Sado. In C. Fabião, J. Raposo, A. Guerra, & F. Silva (Eds.), Olaria Romana. Seminário Internacional e Ateliê de Arqueologia Experimental / Roman Pottery Works: international seminar and experimental archaeological workshop (pp. 221-237). Lisboa: UNIARQ/CMS/CAA.
 
Mayet, Françoise; Silva, Carlos Tavares da. Abul: Fenícios e Romanos no vale do Sado. Setúbal, Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal e Assembleia Distrital de Setúbal, 2005. ISBN 972-9253-23-4.
 
RIBEIRO, Orlando – A Arrábida : esboço geográfico. Lisboa : [s.n.], 1935. 94 p ; 24 cm. Tese de doutoramento em Ciências Geográficas apresentada à Faculdade de Letras da Univ.de Lisboa.
 
TAVARES DA SILVA, Carlos; SOARES, Antónia Coelho. Escavações arqueológicas no Creiro (Arrábida), Campanha de 1987 in Setúbal Arqueológica, vol. VIII, 1987, pp. 221-237
 

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🍷Enoturismo no Alentejo: três sugestões para provar os melhores vinhos da região do Alentejo

🍇Portugal é sinónimo de excelentes vinhos. Um pequeno país com uma grande diversidade geográfica e humana que reflete-se nos seus vinhos. E o Alentejo é um território vinhateiro por excelência excepcional. Existem inúmeras sugestões e experiências para deliciar-se com o néctar de Baco. Uma sugestiva viagem pela região vinícola do Alentejo, uma região rica, quente, complexa e fascinante. O aprendiz de enófilo, OLIRAF, selecionou três produtores de vinho de paragem obrigatória para descobrir a harmonia perfeita entre a história, a paisagem e as gentes desta região portuguesa. E se cada região tem a sua história, cada vinho também. Saborear um vinho é, no fundo, viajar pelos paladares da região que o produz. Alentejo, Alentejo! Um brinde ao melhor que o Alentejo oferece. ➡ Saiba mais: www.vinhosdoalentejo.pt

🔞Atenção: “Life is too short to drink cheap Wine”. Seja um “Baco” por um dia. Descubra os cinco sentidos do prazer de um Deus Pagão. Beba com Moderação.

🍷O Enoturismo está na moda. Há cada vez mais produtores e empresas vinícolas a apostar forte neste segmento de mercado. Através das nossas experiências e provas de vinhos, ao longo das nossas viagens por Portugal, temos verificado o rápido crescimento e sucesso deste segmento de mercado na área dos vinhos e do turismo em Portugal. Não podemos negar que o desenvolvimento do enoturismo numa determina da região, permite dar a conhecer o sector vitivinícola,os respectivos vinhos DOC (Denominação de Origem Controlada) e,acima de tudo, captar internacionalmente turistas-viajantes enófilos para percorrer a imensa paisagem vinícola portuguesa. A História de inúmeras gerações familiares que passaram o segredo da arte de bem produzir um vinho. Provar, e acima de tudo, saborear os aromas e os paladares de um vinho é viajar pela História secular, por exemplo, de um Quinta. Por detrás de grandes vinhos, há sempre uma grande produtor.

O Alentejo é uma região com condições únicas para fazer Enoturismo em Portugal. Os turistas são convidados a viajar pela história do vinho na região, por exemplo, a tradição milenar da produção de vinho da Talha, trazida pelas legiões romanas há mais de dois mil anos. Os romanos compreenderam as potencialidades deste imenso território com condições únicas para a cultura, consumo e exportação do vinho.  Ainda hoje, existe um saber fazer que nunca se perdeu e manteve-se viva em inúmeras localidades desta região vinícola. Ainda hoje, este povo da Península Itálica teve um grande impacto no desenvolvimento da cultura vínica alentejana, contribuindo para um riquíssimo legado histórico material e imaterial desta região portuguesa., nomeadamente, na gastronomia, na arte, nas tradições e no artesanato.

Disse, e com razão, o poeta-pensador Fernando Pessoa que “Pessoa: “Boa é a vida, mas melhor é o vinho (…).” Agora que nos apetece sair de casa, o Alentejo pode ser um destino privilegiado para umas férias em tempo de pandemia. Há tanto para conhecer no Alentejo! Aqui ficam três sugestões de produtores, quintas e vinhos para celebrar o desconfinamento:

📍Adega de Vila Santa (Estremoz, Alentejo)

Estremoz_JPR-1 copyTem nome de uma rainha-santa: a rainha Isabel de Aragão, mulher de D.Dinis, que faleceu na vila de Estremoz no século XIV. A Adega Vila Santa, no concelho de Estremoz, foi o local eleito para materializar um projecto pessoal, idealizado em 1988, por João Portugal Ramos: a produção dos seus próprios vinhos. É o resultado da longa experiência acumulada de um dos maiores enólogos e consultor na criação de vinhos nas principais regiões vitivinícolas portuguesas. Estávamos em 1997, após sete anos  da plantação dos primeiros cinco hectares de vinha em redor da fortaleza-abaluartada de Estremoz, dá-se a construção de uma moderna Adega – Vila Santa – para acolher modernas instalações de vinificação, sala de engarrafamento e caves para o estágio das barricas de carvalho francês, americano e português, não esquecendo a harmonia paisagística e a arte de fazer vinhos portuguesa. Ainda hoje, uma parte das uvas é destinada aos lagares para ser pisada. Por exemplo, os vinhos tintos mais sofisticados da gama do Grupo João Portugal Ramos. Atualmente,a área de vinha no Alentejo perfaz, aproximadamente, 600 ha.  Há paisagens que puxam por uma fotografia. Venha passar um dia diferente a Estremoz. Faça uma experiência de Enoturismo, descobrindo os contornos da arquitectura tradicional alentejana da Quinta de Vila Santa,através de uma visita guiada pelas vinhas, adega e caves, onde pode optar por uma programa didático e dinâmico: “Seja Enólogo por um dia”. Esta atividade permite ao aprendiz de enófilo criar o o seu próprio vinho, com base em três castas tintas (Aragonez, Alicante Bouschet e Touriga Nacional), e levá-lo para casa para mais tarde saborear em família ou com os amigos.  De seguida, poderá optar por um almoço de gastronomia típica alentejana, uma aula de culinária, ou uma prova de vinhos acompanhado de queijos e outros petiscos da região alentejana. A nossa preferência recaiu para um vinho branco, com um perfil nobre, fresco e com uma grande mineral idade: o Marquês de Borba. Sob o pretexto de descobrir a região vitivinícola do Alentejo, o viajante-enófilo poderá optar por “mergulhar” no centro histórico e nas muralhas do Castelos de Estremoz.

📍Adega da Cartuxa (Évora, Alentejo)

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Uma viagem no tempo. Nas proximidades da cidade de Évora, a cerca de 2 Km, o viajante-enófilo mais entusiasta poderá visitar a Quinta do Valbom e ficar a conhecer a vasta gama de vinhos da Fundação Eugénio de Almeida. Surpreenda-se com a história secular de uma Quinta que pertenceu ao Jesuítas, expulsos em 1759 pelo Marquês de Pombal. Já deve ter ouvido falar do Mosteiro da Cartuxa? O nome da comunidade religiosa que inspirou a família Eugénio de Almeida a criar esta marca-ícone do Alentejo. Ou do vinho Pêra-Manca? Um dos vinhos mais conhecidos do Brasil. Alie o melhor do património histórico-cultural e vitivinícola eborense, através de uma visita guiada à Adega com uma prova de cinco vinhos – Sto. Inácio de Loyola – de toda a gama Adega da Cartuxa. No Centro Histórico de Évora, junto ao Templo Romano, poderá conhecer a Enoteca Cartuxa e ter um “casamento perfeito” entre cozinha regional alentejana e os vinhos da Adega Cartuxa. As visitas guiadas e os almoços são realizados mediante marcação prévia. A nossa sugestão vai para um prato de polvo à lagareiro com batatas a murro acompanhado de um EA Reserva Tinto. Para sobremesa, a nossa recomendação vai para um Pudim de Azeite. Antes de deixar esta cidade-monumento, uma visita ao Paço de São Miguel poderá ser uma bela despedida de uma das cidades mais belas e singulares de Portugal.

📍Adega da Ervideira (Monsaraz, Alentejo)

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Os solos desta sub-região vitivinícola – Reguengos de Monsaraz – são caracterizados pelos granitos e xistos, bem como pela continentalidade do seu clima. Os seus vinhos, em virtude das condições edafo-climáticas, têm características distintas de qualidade e tipicidade. Os castas tintas (Trincadeira) e brancas (Roupeiro) predominam nesta sub-região vitivinícola. Para conhecer mais sobre a história desta marca familiar de vinhos alentejanos, o viajante-enófilo terá de deslocar-se à Herdade da Herdadinha (ou ao Monte da Ribeira). É na primeira que se encontra o “coração” da Adega Ervideira, tendo uma área de produção de vinho com 160 hectares divididos pelos concelhos da Vidigueira (110 ha) e de Reguengos de Monsaraz (50 ha). Foi neste local que, em 1880, o Conde D’Ervideira plantou as primeiras vinhas para produzir um dos mais satisfatórios e famosos néctares de Baco da região do Alentejo. Ainda hoje, a família Leal da Costa é descendente direta deste agricultor de sucesso dos séc. XIX e XX. Sabia que foi nos seus 50 hectares que foi plantada, pela primeira vez, a casta Touriga Nacional no Alentejo? E que as águas frias do maior lago europeu – o Alqueva – são utilizadas para estagiar os seus vinhos a 30 metros de profundidade? Poderá fazer uma visita guiada e uma prova de vinhos pela essência da Adega Ervideira para compreender o processo produtivo, desde a apanha da uva até à expedição final. Poderá optar por fazer a prova de vinhos, por exemplo, na “aldeia-monumento” de Monsaraz. Imagine fazer saborear os vinhos Ervideira numa antiga Escola Primária?  Deixe-se deliciar-se pelos aromas e sentidos de um vinho frutado, enquanto desfrutar de uma vista exuberante para a planície [infinita] alentejana e para o azul da Albufeira do Alqueva. Um brinde, com um vinho “Invisível, ao Alentejo…será a cereja no topo do bolo. Saboreie a tradição e o património. Saboreia o Alentejo. Perca-se e encontre-se nele! Uma visita sugestiva para os  amantes de enoturismo e entusiastas da fotografia de paisagem.

Não deixe de fazer…

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📝Nota Informativa:

As empresas vitivinícolas (e os vinhos) aqui apresentados são, na sua maioria, convites que chegaram ao Blogue OLIRAF por parte de produtores para conhecer a essência da produção vinícola e o património histórico-cultural a eles associado, de acordo com os nossos critérios editoriais.

🔗Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial  nos seguintes links:

O  Instituto da Vinha e do Vinho, I.P., um organismo tutelado pelo Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural,dá-nos uma perspectiva da evolução temporal  da produção, produtores e regiões vinícolas de Portugal.  A Rota dos Vinhos de Portugal oferece informação actualizada sobre as imensas experiências nas diversas regiões vinícolas em Portugal, sendo a melhor opção para começar a planear uma viagem à região. Se for um enófilo mais exigente, deixo-lhe uma sugestão de leitura de uma publicação de referência, a Revista de Vinhos, sobre vinhos e gastronomia em Portugal Continental e Ilhas. Recomendo, também, a consulta do sitio digital da Rota dos Vinhos do Alentejo (Enoturismo) para uma maior planificação da sua viagem para percorrer as inúmeras quintas vinícolas da região do Alentejo.

Conheça-as aqui:https://www.vinhosdoalentejo.pt/pt/rota-dos-vinhos/rota-dos-vinhos-do-alentejo/

Nota importante [👤]

⛔️Alguma vez pediu autorização para publicar uma fotografia?

🔗💻Gostou das nossas fotografias? Se sim, pode partilhá-la na sua conta das redes sociais, blogue ou num sítio web. Para tal, o leitor poderá citar os devidos créditos, segundo o exemplo baixo:

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Agradecemos a divulgação do nosso trabalho. ✔️

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📝À conversa com a Associação de Turismo Militar Portuguesa (AMTPT) sobre Blogues e Turismo Militar.

💻Nos dias de hoje, a Internet é a forma mais rápida de chegar a uma audiência mais vasta num mundo cada vez mais global, onde o mercado global de turismo se caracteriza pela maior oferta de produto e destinos vocacionados para o turismo de massas. O aumento exponencial de novas plataformas de partilha de informação – os blogues – e de partilha de conteúdos – o Facebook e Instagram – tem incrementado a procura de um “nicho de turismo” que prima pela qualidade de oferta turística e pela diversidade de experiências. E há cada vez mais portugueses interessados neste novo mercado e produto turístico mais individualizado, exigente e especializado: o Turismo Histórico-Militar.

“(…) Rafael Oliveira é um “travel blogger” que presta uma atenção muito especial ao património histórico-militar. Escreveu para a nossa parceira Associação de Turismo Militar Português um artigo de opinião sobre a importância deste tipo de blogs para a promoção do turismo militar em Portugal.

Recentemente, a convite da Associação de Turismo Militar Portuguesa, tive oportunidade  de escrever um pequeno artigo de opinião para o blogue da AMTPT sobre a importância dos Travell Bloggers na divulgação e promoção do Turismo Histórico-Militar em Portugal. Deixo, aqui, o link para aceder ao texto de opinião.

OLIRAF_TurismoArtigo

Leia o nosso artigo em www.patrimonio.pt

À conversa no sofá…

Face à atual pandemia de Covid-19, a ATMPT tem promovido uma série de “Conversas de sofá com o Turismo Militar”, entrevistas com inúmeros convidados, de entidades públicas e privadas, que irão falar sobre a importância, a missão e as valências do Turismo Histórico-Militar, através de videoconferência, numa tentativa de fazer frente ao isolamento social que o nosso país e o mundo estão a sofrer.

No passado dia 18 de abril, esta iniciativa denominada, contou com a presença do Diretor do Museu Militar da Madeira, o Coronel Luís Neri. Se perdeu a entrevista, pode assistir à sessão na íntegra no site www.turismomilitar.pt ou no Facebook Turismo Militar. 

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📝Nota Informativa:

O nosso agradecimento à Associação de Turismo Militar Português (ATMPT), na pessoa da Secretária-geral da ATMPT, Dr.ª Lígia Mateus, pelo convite para escrever sobre a nossa experiência como Travelbloggers na promoção da História de Portugal e na divulgação de experiências relacionadas com o Turismo Histórico-Militar, de acordo com os nossos critérios editoriais, junto de um público mais abrangente. 

🔗Para mais informações:

Turismo Militar (Blogue OLIRAF)

Associação de Turismo Militar Português (ATMPT)

Nota importante [👤]

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💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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📌À descoberta de Sevilha (Espanha): três sugestões histórico-culturais para fotografar…

📷 Sevilha: pérola do Guadalquivir, jóia de Espanha. Com o rio Guadalquivir aos seus pés, a capital da Andaluzia preserva um importante legado patrimonial-cultural do Reino de Espanha. Sabia que Carlos V de Habsburgo e Isabel de Portugal, filha de D.Manuel I, casaram-se nestas latitudes? E que a descoberta do Novo Mundo fomentou o crescimento da cidade, em virtude do seu porto ser servido pelo rio Guadalquivir? Afinal, esta cidade andaluza não é apenas o berço do Flamenco. O seu património histórico-cultural revela-nos a importância e a sua beleza secular. Edificios como a Torre del Oro, o Archivo General de las Indias, a Catedral e a Giralda de Sevilha, o Palácio real de Sevilha, a Plaza de Espanã  e, mais recentemente, o Metropol Parasol são visitas obrigatórias. Todavia, o  Archivo General de Indias, construído na 2.ªMetade do Século XVI, impressionou-me pela sua dimensão. Afinal, uma boa parte da documentação histórica – “burocrática” – do Império Espanhol encontra-se nesta urbe colossal e monumental.

O viajante Washington Irving (1783-185) apelidava a região da Andaluzia o “Oriente Europeu”. E com razão. Os ecos da civilização islâmica estão um pouco por toda a parte nesta região e, em especial, na cidade de Sevilha. Se Lisboa deu Novos Mundos ao Mundo, Sevilha construiu o Novo Mundo. Deixo-vos, assim, três sugestões fotográficas para visitar na capital da região espanhola da Andaluzia:

📍Catedral Gótica e La Giralda de Sevilha

Lisboa-1-12Ah, a Giralda! O “Rincone” mais conhecido da capital da região da Andaluzia. Um hino à beleza arquitectónica  das civilizações Islâmica e Cristã. Que belos 104,1 metros de altura! Que verticalidade monumental!  Sabia que a Catedral de Sevilha é o maior templo gótico do Mundo? Sevilha tem a maior catedral do reino de Espanha e a maior catedral gótica do Mundo. É uma obra humanamente colossal e monumental. Daí, este templo-monumento ser considerado, desde 1987, Património Mundial da Unesco. A Catedral de Sevilha [e a sua torre-minarete] são uma autêntica aula de História sobre o legado islâmico desta cidade andaluza. A primeira foi construída entre 1401 e 1506. Já a segunda, construída entre 1184 e 1196, durante o período almóada de Sevilha. Nem o Terramoto de 1755 (Lisboa) desfigurou este templo-monumento. Uma prova da sua robutez construtiva e resiliência perene. Não deixe de subir as inúmeras rampas que dão acesso ao topo do antigo minarete islâmico e sinta-se um verdadeiro “almundem”, imaginando que está a anunciar as cinco chamadas diárias à oração. Pelo caminho, fique a conhecer a história deste minarete islâmico (adaptado a torre sineira no século XVI), através de um circuito expositivo com objectos alusivos à sua construção desta vertical obra. Após a visita, não deixe de conhecer o Pátio das Laranjeiras. Ah, a essência do al-Andalus! Visitar a Catedral e La Giralda é um belo exemplo da tolerância que reinava no antigo al-Andalus.

📍Jardins do Real Alcázar de Sevilha

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Real Alcázar de Sevilha é um dos mais antigos complexos palacianos do continente europeu. Construído no séc. VIII, sob alicerces romanos, pelos descendentes do profeta Maomé e, posteriormente, aumentado pelos reis cristãos de Castela. Foi declarado Património Mundial da UNESCO em 1987. Nas 5.ª e 6.ª temporadas de GOT, é o cenário da exótica e exuberante Casa Martell, com as suas exóticas fontes e os jardins exuberantes do “Water Gardens of Dorne”. Os salões, os pátios e os jardins dão cor e forma à residência palaciana dos governantes do reino de Dorne: a cidade de Sunspear. O Patio de las Doncellas, a Sala de los Embajadores, Baños de Maria Padilla e os jardins são locais cinematográficos que nos transportam para a época do al-Andalus e para a beleza arquitectónica  da Civilização Islâmica na Península Ibérica. Um exemplo da mescla cultural entre muçulmanos e cristãos que deu origem a um estilo artístico: a arte mudéjar.

📍Ruínas da antiga cidade romana de Itálica

Sevilha-7Da ficção para a realidade. Localizada em Santiponce, nas proximidades de Sevilha, a antiga cidade romana de Itálica é um enorme complexo arqueológico de 10 ha. Foi a primeira cidade romana fundada na Península Ibérica pelos Romanos, no ano 206 a.C. Aqui nasceram os Imperadores Adriano e Trajano. Mas, o seu ex-libris é o antigo anfiteatro romano. Tinha uma capacidade para 25 mil espectadores, além dos dez a quinze mil habitantes de Itálica. A plateia deliciava-se com as gloriosas e sanguinárias lutas de gladiadores na arena. Ainda bem que as mentalidades mudaram. Todavia, as pedras ficaram para contar as estórias da História.  Durante a 7.ª temporada de GOT,  a “DragonPit” foi o local de encontro entre a rainha-mãe Cersei e a mãe dos Dragões Daenerys Targaryen, após uma entrada de assustadora beleza do grandioso Drogon. A escolha para visitar este local não foi feita ao acaso. Trata-se do terceiro maior anfiteatro da Roma Antiga, fora da Península Itálica.

Não deixe de fazer…

  • subir ao topo do Metropol Parasol (Plaza de La Encarnación) para contemplar uma das melhores vistas panorâmicas da cidade de Sevilha;
  • conhecer a História da América Espanhola no  Archivo General de Indias;
  • realizar um tour pela Plaza de La Maestranza;
  • percorrer os inúmeros palácios de Sevilha, tais como, Casa Palacio de las Dueñas, Casa de Pilatos, Palacio de la Condessa de Libreja, entre outros;
  • assistir a um espectáculo de Flamenco na Casa de la Memoria;
  • aventurar-se nos bairros tradicionais e sinta o “salero” da cidade de Sevilha: Triana, Santa Cruz, La Marcarena e Los Remedios;
  • conhecer o legado pictórico dos maiores mestres e de obras singulares do barroco espanhol (Pacheco, Zurbarán, Cano, El Greco, Ribera, Murrillo entre outros), no Museo de Bellas Artes de Sevilla;
  • ver o que resta das antigas muralhas da época Almóada (Bairro de Santa Cruz);
  • fazer um passeio de barco pelo rio Guadalquivir (ou na Plaza de España);
  • ver uma partida de futebol do Sevilha FC e Bétis de Sevilha.
  • compre uma recordação tradicional, por exemplo, um abanico sevilhano para oferecer à sua cara-metade.
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✈ Como chegar:

Através da aplicação Go Euro fiz uma comparação das companhias de transporte com melhor relação custo-tempo. Optei por viajar de autocarro para Sevilha com a empresa  rodoviária “low-cost” Flixbus, uma vez que já tenho experimentado o serviço desta empresa na minha escapadinha a Madrid (2018) O autocarro é moderno e com excelentes condições a bordo (Wi-fi & Ar Condicionado). A viagem de ida e volta ficou à volta de 50 €, onde optei por viajar à noite. Aqui está uma excelente opção para quem não queira pagar uma noite de estadia. Mas, não recomendo repetir, muitas vezes, esta experiência.  A partida é feita na estação do Oriente (Lisboa) com destino à Estación de autobuses de Sevilla (Plaza de Armas).

🏠 Onde ficar:

Em Sevilha existem inúmeras opções económicas de alojamentos, consoante o número de dias que irá ficar na capital espanhola. Bem perto do centro histórico de Sevilha, optei por ficar no Koisi Hostel Sevilla. Trata-se uma excelente opção para quem queira ficar no centro da cidade de Sevilha e ter acesso rápido a todas as actividades e locais culturais. Na minha opinião, os seus pontos fortes são a localização e o preço. Há inúmeras actividades, mas todas elas são pagas. O pequeno-almoço não está incluído, mas à sua volta está servido por óptimos cafés.

🍜 Onde comer:

Mercado de Triana (Bairro de Triana), é uma boa sugestão para saborear a gastronomia andaluza, com uma óptima relação custo-qualidade. Entre a Ponte de Triana e a Ponte de San Telmo, a calle Betis tem inúmeros restaurantes e tascas para saborear umas boas tapas, com um ambiente sereno que contagia qualquer um. Para quem quer um sítio calmo e com uma boa vista para a cidade de Sevilha, o Maria Trifulca é uma uma excelente escolha para os viajantes com um paladar mais exigente e que queiram um maior conforto. Todavia, a relação custo-qualidade não é a melhor. A Confitería La Campana (1885) é um marco gastronómico local. Aqui, o forasteiro pode saborear uns deliciosos bolos, chocolates tradicionais ou de um quente café con leche. É uma excelente escolha para tomar um pequeno-almoço sevilhano. E dizem que os reis de Espanha adoram!

🔗Para mais informações:

O website do Turismo de Espanha (Visit Spain) oferece informação atualizada sobre o destino Espanha. É a melhor opção para começar a planear uma viagem a Espanha,  permitindo descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros. Por outro lado, pode consultar, também, os sites do turismo oficial da região da Andaluzia ( e da cidade de Sevilha (Visitasevilla).

Uma escapadinha a Sevilha (ou uma roadtrip por Espanha) está nos seus planos? Se não, é melhor fazer uma lista de locais que tem de conhecer e organizar a agenda para descobrir esta cidade verdadeiramente cultural e vibrante. Poderá encontrar, por exemplo,  alguns artigos escritos por nós com dicas sobre o património histórico-cultural de Espanha.

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🌍OLIRAF Blogger Trips 2019: 12 Experiências, 12 Imagens 📷

📷 Foi uma década de grandes e exigentes desafios que termina. 2019 foi o ano que finaliza uma década recheada de sucessos pessoais e profissionais. Viajamos de Norte a Sul de Portugal, incluindo a Ilha da Madeira. Do Turismo Histórico-Militar ao Enoturismo. Dos locais turísticos aos pitorescos. Recordemos, então, o ano 2019 que termina. Gostamos de viajar, não porque gostamos de mostrar, mas porque nos dá prazer. Sempre com a curiosidade pela História e com a vontade de inventariar o Mundo e de catalogar as experiências. Para mais tarde, arquivar na nossa memória. Fomos um dos nove finalistas dos prémios Discoveries Awards (2019), patrocinado pela Via Verde, em parceria com o Município de Óbidos. Saímos da nossa zona de conforto – a fotografia de viagem – e arriscamos na categoria de Escrita; a Sapo Viagens, seleccionou uma das nossas fotos da aldeia histórica de Piodão, da rede social Instagram, para um artigo online; Recentemente, a convite da Culture Trip, falamos sobre a tendência do Turismo Militar e das ruínas do extinto Regimento de Artilharia de Costa. Leia aqui.

👨🏼‍🏫Conferência sobre Turismo Militar (Lisboa, Portugal)

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Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos © Créditos fotográficos: Carina Palma

 A convite da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos (APAC) realizei, no passado dia 2 de Dezembro de 2019, uma comunicação “O Turismo Militar como forma de preservação e salvaguarda do património histórico-militar: o caso do blogue OLIRAF” no âmbito do Ciclo de Conferências subordinado à temática: Novos Meios de Divulgação Patrimonial. Os Blogs, que decorreram no secretariado da APAC, respectivamente, entre 7 e 21 de Outubro, 4 e 18 de Novembro e 2 de Dezembro de 2019. Agradecemos a oportunidade por falar sobre o nosso projecto de escrita e fotografia de viagens e dar a conhecer a um público mais alargado. Deixo, aqui, o resumo da minha conferência.

🎖Discoveries Awards da Via Verde  (Óbidos, Portugal)

Fomos um dos três blogues finalistas da 2.ª edição do Discoveries Awards (2019), na categoria de Escrita de Viagens. Infelizmente, não ganhamos. Foi a primeira vez que saímos da nossa área de conforto, a fotografia, e apostámos na Escrita. No entanto, vamos continuar a inspirar as pessoas a ter Mundo, a dar a conhecer o nosso Portugal e a incutir o gosto pela História. Sabe sempre bem ver reconhecido a nossa paixão pela escrita e fotografia de Viagens, em especial, pela Via Verde. Parabéns aos nosso amigos Alexandre Anabela Narciso (do Blogue @vagamundos_pt). No final, quem ganhasse, pagava uma Ginginha de Óbidos. E assim foi! 🔝 (Re) leia aqui o nosso artigo sobre a Aldeia Histórica de Monsanto.

Como forma de celebrar o ano que chega ao fim, decidi seleccionar as 12 imagens que reflectissem os lugares que mais gostei de conhecer. Esperamos inspirar os nossos leitores a conhecerem Portugal e a viajar mais pelo Mundo em 2020. Apesar da subjectividade visual reflectir uma escolha pessoal, deixo-vos o Best of das minhas Blogger Trips 2019. Eis a seleção de 12 imagens:

🏡Aldeia do Juízo (Pinhel, Guarda)

AldeiaJuizo (1)--3O quotidiano habitual de uma aldeia beirã chamada Juízo. Reza a lenda que um Juiz habitava nestas latitudes. Aqui, a vida corre sempre vagarosa. A essência desta aldeia do concelho de Pinhel (Guarda) reside neste pequeno grande pormenor: as gentes humildes, trabalhadoras e humanas. O dia tinha começado cedo na acolhedora e quente aldeia do Juízo, no concelho de Pinhel (Guarda). Por uma hora, o enigmático mentor das Casas do Juízo, José Guerra, guia-nos pela História Local e pelos pormenores do Juízo. Se tiver perdido, o próprio irá receber-vos com a sua alegria e simpatia que caraterizam as gentes trabalhadoras e humildes da região da Beira Alta. Através do passeio matinal pelas ruas desta aldeia beirã que ficamos a conhecer o seu percurso de vida e como a paixão pelo Juízo o levou a apostar num projecto de recuperação de casas antigas para fins turísticos. O objectivo é contrariar o Êxodo Rural e apostar no Turismo de Aldeia. No final, o visitante pode deliciar-se na Taberna do Juiz com os sabores e aromas gastronómicos da região da Beira Alta. Para mais informações, pode ler aqui.

🚂 Comboio Histórico do Douro (Régua, Norte)

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Comboios há muitos. Históricos, e a vapor, são casos raros na imensidão geográfica da ferrovia europeia. Todos os anos, a CP – Comboios de Portugal – faz as delicias de milhares de entusiastas dos caminhos de ferro em Portugal.  O Comboio Histórico do Douro percorre a centenária Linha do Douro, uma das mais antigas linhas ferroviárias de Portugal,  entre a Estação da Régua e do Tua, com paragem na aldeia do Pinhão. Realizar esta viagem, a meu ver, é recordar a importância dos caminhos-de-ferro durante a REvolução industrial Inglesa. Antes de haver veículos motorizados,  a única ligação com o progresso do mundo civilizado e com a política da burguesa e humana da cidade do Porto, era feita por estes “monstros mecânicos” .Eis uma forma diferente de conhecer o coração do Vinho generoso do Porto: a região do Alto Douro Vinhateiro. Se gosta de Turismo Ferroviário pode fazer o Comboio Histórico do Vouga (Aveiro) e visitar as instalações do Museu Ferroviário (Entroncamento). Para mais informações, poderá ler aqui.

💣Recriação Histórica do XV Cerco de Almeida (Guarda)

XVCercoAlmeidaAlma até Almeida! Na imagem, a recriação do “Assalto à Fortaleza” que decorreu nas Portas de São Francisco. De um lado, os Franceses. Do outro, os Ingleses, Portugueses e os Espanhóis. No XV Cerco de Almeida (2019), organizado pela Câmara Municipal de Almeida pelo Grupo de Reconstituição Histórica do Municipio de Almeida (GRHMA), com a  participação de centenas de recreadores de Espanha, França, Inglaterra e Portugal, podemos ver um Acampamento Histórico-Militar,  o mercado oitocentista, recriações de batalhas diurnas e nocturnas, desfiles militares e concertos e bailes oitocentistas, entre outras coisas.  A 28 de Agosto de 1810, as tropas do VI Corpo do Grand Armée, comandado pelo Marechal Ney, entram triunfalmente em Almeida, após a explosão do paiol do Castelo de Almeida. Estava, assim, conquistada a mais importante praça-forte entre os rios Douro e Tejo. Massena mostrara ao descendente de César e Alexandre, Napoleão Bonaparte que, em tantos anos, era possível a conquista de Portugal à frente de um temível e numeroso exército. Felizmente, tal não aconteceu. E porquê ? Os ingleses, aliados de longa tradição de Portugal, equiparam e comandaram o exército português que combateu valorosamente nas Guerras Peninsulares. E não esquecer as Linhas de Torres Vedras, bem como os heróis anónimos da Guerrilha Popular que foi quebrando o ânimo do inimigo jacobino…que submetera e saqueou o nosso país a ferro e fogo! O Regimento de Infantaria N.°23, liderado por Pedro Casimiro, do Grupo de Recriação Histórica do Município de Almeida (GRHMA) é um dos muitos rostos anónimos que dão cor,forma, ritmo e autenticidade às recriações Históricas da Guerra Peninsular (1807-1814) em Portugal. Afinal, foi em Almeida que tudo começou. Para mais informações, poderá ler aqui.

✈️ Sevilha (Andaluzia, Espanha)

Sevilha-3 copySevilha é uma autêntica cidade cinematográfica. Os filmes Lawrence of Arabia (1962), a saga Star Wars (2002), Reino dos Céus (2005) e, mas recentemente,a série Game of Thrones (2015) foram imortalizados pela indústria cinematográfica de Hollywood.Com o rio Guadalquivir aos seus pés, a capital da Andaluzia preserva um importante legado patrimonial-cultural do Reino de Espanha. Sabia que Carlos V de Habsburgo e Isabel de Portugal, filha de D. Manuel I, casaram-se nestas latitudes? E que a descoberta do Novo Mundo fomentou o crescimento da cidade, em virtude do seu porto ser servido pelo rio Guadalquivir? Afinal, esta cidade andaluza não é apenas o berço do Flamenco. O seu património histórico-cultural revela-nos a importância e a sua beleza secular. Edifícios como a Torre del Oro, o Archivo General de las Indias, a Catedral e a Giralda de Sevilha, o Palácio real de Sevilha, a Plaza de Espanã  e, mais recentemente, o Metropol Parasol são visitas obrigatórias. Todavia, o Archivo Geral das Índias, construído na 2.ª metade do séc. XVI, impressionou-me pela sua dimensão. Afinal, uma boa parte da documentação histórica – “burocrática” – do Império Espanhol encontra-se aqui. O Real Alcázar de Sevilha é um dos mais antigos complexos palacianos do continente europeu. Construído no séc. VIII, sob alicerces romanos, pelos descendentes do profeta Maomé e, posteriormente, aumentado pelos reis cristãos de Castela. Foi declarado Património Mundial da UNESCO em 1987. Nas 5.ª e 6.ª temporadas de GOT, é o cenário da exótica e exuberante Casa Martell. Os salões, os pátios e os jardins dão cor e forma à residência palaciana dos governantes do reino de Dorne: a cidade de Sunspear. O Patio de las Doncellas, a Sala de los Embajadores, Baños de Maria Padilla e os jardins são locais cinematográficos que nos transportam para a época do al-Andalus e para a beleza arquitectónica  da Civilização Islâmica na Península Ibérica. Um exemplo da mescla cultural entre muçulmanos e cristãos que deu origem a um estilo artístico: a arte mudéjar.

💣Fam Trip pela Rota Histórica das Linhas de Torres  (Sobral, Oeste)

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“Atreva-se e Mude o seu destino, onde mudámos o de Napoleão!” é mote da Rota Histórica das Linhas de Torres para visitar e relembrar o mais barato sistema defensivo da História. Sabia que as Linhas de Torres Vedras foram declaradas Monumento Nacional em 2019? Para nós, as Linhas de TVD já o eram há imenso tempo! Estas Linhas Defensivas, construídas no contexto da III Invasão Francesa (1810-11), são demonstrativas da capacidade técnica da engenharia militar luso-britânica e da resiliência do povo português, em relação às fracas elites que dirigiam Portugal, desde o Brasil.  As caminhadas e o BTT são  um excelente mote para (re) descobrir uma rota histórica, aliando o prazer da actividade física à curiosidade histórica, bem como a contemplação da paisagem envolvente.  Quando estamos saturados da atividade quotidiana alfacinha, rumamos à região do Oeste para admirar e viajar pelos acontecimentos que fazem parte da História de Portugal: as linhas defensivas de Torres. Por exemplo, o Forte do Alqueidão é um dos melhores pontos paisagísticos para admirar o complexo sistema defensivo erguido a norte da península de Lisboa. Uma História de Fortes. E de vistas Fortes! Recentemente, em Outubro de 2019, foi lançada a Revista Invade da RHLT. Para saber mais informações, poderá ler aqui.

📲 Passeios da Instameet Lisboa (Barreiro, Portugal)

Instameet (Barreiro)O que é um Instameet? É um encontro de instagramers, de norte a sul do país, que pretendem dar a conhecer locais de uma cidade. A mentora Catarina Leornado organiza, desde Outubro 2019, com realização mensal, encontros entre instagramers para promover locais dos arredores da cidade Lisboa. Foi o caso do concelho do Barreiro, onde exploramos três rotas turísticas: a industrial (CUF), a de Arte Urbana (Vhils) e a Rota dos Moinhos de Vento e de Maré. Das três, o nosso destaque vai para os passadiços [de madeira] não existem apenas no Rio Paiva. No concelho do Barreiro existe um passadiço ribeirinho que percorre um “oásis” natural e arquitectónico, entre os antigos Moinhos da Maré e de Vento. É o caso do Moinho de Vento Nascente, um dos três moinhos eólicos da praia fluvial da Alburrica, edificados na segunda metade do século XIX. Hoje em dia, são o postal ilustrado da cidade do Barreiro. Há descoberta de uma das Rotas Turísticas do Barreiro: a Arte Urbana. Na imagem, um dos icónicos fotógrafos barreirenses: Augusto Cabrita. Para mais informações, poderá ler aqui.

🍷Open Day da Quinta do Gradil 2019 (Cadaval, Oeste)

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Quer passar um dia rodeado de História e de vinho? Ou um local tranquilo e ideal para escapar à rotina citadina? A uma hora de Lisboa, no coração da região Oeste de Portugal,a encontrámos uma antiga quinta rural que pertenceu ao Marquês de Pombal (1760). É a Quinta do Gradil. A arquitectura barroca e a cor amarela desta antiga residência nobre destacam-se, ao longo da EN115. na paisagem vitivinícola e rural.  A produção de vinho, segundo fontes documentais, remonta ao ano de 1854. A Quinta do Gradil conta com 120 hectares de vinha, tornando-a uma das maiores produtoras vitivinícolas da região de Lisboa. Com um clima fresco e temperado, a escassos 20 Km do Atlântico e a menos de 5 Km da bucólica Serra de Montejunto, é um bom mote para partir à descoberta dos seus Vinhos Brancos e Tintos. Tem como embaixadores os vinhos “Quinta do Gradil”, “Mula Velha” e “Castelo do Sulco”. Com uma forte tradição vitivinícola secular, a Quinta do Gradil é um dos ex-libris da região Oeste, só superada pela majestosa e deslumbrante beleza da Serra de Montejunto. Por trás de um grande produtor, há sempre uma grande vinho. Afinal, estamos numa das mais antigas propriedades agrícolas e dos principais marcos histórico-culturais do concelho do Cadaval. É uma Quinta com [uma magnifica] História! Brindemos a isso!

📍Núcleo Museológico da Artilharia de Costa da Madeira (Funchal)

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Aproveitando as nossas férias natalícias na Ilha da Madeira, fomos para conhecer uma Bataria de Costa que irá integrar a futura Rota de Turismo Militar da Ilha da Madeira, promovida pela Zona Militar da Madeira (ZMM). O Núcleo Museológico da Bataria de Costa (Pico da Cruz),  integrada na unidade militar do exército português, o Regimento de Guarnição N.º3 (RG3), é um excelente exemplo da preservação e divulgação de uma antiga unidade militar de defesa costeira, ao contrário do que sucede em Portugal Continental. A sua construção, iniciada e finalizada em 1940, foi o resultado da débil insegurança marítima e a problemática falta de recursos materiais e estruturas de defesa costeira do Arquipélago da Madeira, mais concretamente, da cidade do Funchal. Face às lições apreendidas com os bombardeamentos  dos submarinos alemães U38 (1916) e (1917)- os icónicos e temidos U-boat da marinha imperial alemã – à cidade do Funchal, no contexto da I Guerra Mundial (1914-1918), as autoridades militares nacionais decidem a construção de uma Bataria de Costa no Pico da Cruz. Estas três “sentinelas de aço”, com material de origem alemã – peças Krupp 15 cm de Tiro Rápido –  zelaram pela segurança da população Funchalense durante a II Guerra Mundial. Afinal, o inimigo vinha do oceano! Além da visita ao Núcleo Museológico da Bataria de Costa, no futuro os turistas e visitantes locais poderão visitar a antiga Bataria Antiáerea do Pico do Bucho, artilhada com 4 peças Vickers 9,4 cm, e o Museu Militar da Madeira (Palácio de São Lourenço). Para mais informações, poderá ler aqui. fez emergir a problemática da defesa da ilha e as consequências económicas e sociais da insegurança daí resultantes.

Moinho da Maré de Corroios  (Seixal, Portugal)

MoinhodaMaré (Seixal)Visitar o Moinho da Maré de Corroios foi , para mim, vivenciar outras épocas. Épocas em que era utilizada a energia das marés pelo Homem para actividades de moagem (cereais). Edificado, no alvor do séc. XV, por iniciativa de Nuno Álvares Pereira, foi o primeiro dos 60 moinhos de moageiros que existiram ao longo do estuário do rio Tejo. Mais tarde, em 1404, foi doado ao frades carmelitas do Convento do Carmo de Lisboa, no âmbito do testamento do Santo Condestável. O zénite dos Moinhos da Maré foi séc. XVI. Os Descobrimentos exigiam enormes quantidades de trigo para alimentar as frotas que partiam para “dar novos Mundos ao Mundo”. O famoso “biscoito” era cozido duas vezes para aguentar a dureza dos mares. Quem disse que a História é uma seca? É tudo uma questão de descoberta e paixão pela constante curiosidade pelo Mundo que nos rodeia. Trata-se de uma actividade gratuita, mas com inscrição obrigatória, promovida pelo Posto de Turismo do Seixal para o público que queira conhecer um pouco da História do concelho da margem sul do Tejo. Para mais informações, leia aqui.

🎞Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s (Funchal)

Museu Vicentes copyEm pleno centro da cidade do Funchal, na Rua da Carreira, existem um emblemático edifício que alberga, desde 1865,  um dos estúdios fotográficos mais antigos do Mundo: o Atelier Vicente`s. Em Portugal apenas subsistem dois do séc.XIX: o já referido Atelier Vicente`s (Funchal) e a Casa-Estúdio Carlos Relvas (Golegã). Aberto, em 1982, o antigo Museu Vicentes, esteve fechado ao público, entre 2014 e 2019. Recentemente, em Julho de 2019, o antigo Museu Vicentes reabriu, com pompa e circunstância, para delicia dos amantes da história e arte fotográfica. Além de manter o estúdio fotográfico original do fotógrafo insular Vicente Gomes da Silva , a Exposição permanente conta com uma vasta e deliciosa coleção fotográfica de inúmeros fotógrafos, profissionais e amadores, madeirenses: João Francisco Camacho, Vicente Photographos e Perestrellos Photographos. É de salutar e louvar a recuperação deste património secular para a sociedade madeirense e para as comunidades de outras latitudes que visitam a Ilha da Madeira. O Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente`sé tutelado pela Direção Regional da Cultura e as coleções fotográficas estão depositadas e inventariadas pelo Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira (ABM). Contém uma extensa coleção de máquinas fotográficas, processos fotográficos, equipamentos ópticos, mobiliário de época, cenários e adereços, entre outras curiosidades, desde o séc. XIX e XX, materializando os anos de atividade da família de fotógrafos insulares: os Vicentes. Visitá-lo é reavivar a memória insular e a História da Fotografia no continente Europeu, imaginando como seria o quotidiano  e a vivência de um fotógrafo do séc. XIX.  Entre 1852 e 1978, as quatro gerações da familia Vicentes documentaram acontecimentos históricos da Ilha da Madeira e retrataram os habitantes, ilustres e menos ilustres, da sociedade madeirense, monarcas portugueses e europeus, presidentes ou aventureiros que passavam  por estas latitudes. Para mais informações, poderá ler aqui.

🏡Aldeia Histórica de Portugal – Piodão (Arganil, Coimbra)

Piodão (Arganil)E agora Piodão, a própria Aldeia! Percorra, demoradamente, as ruelas desta aldeia Histórica bem portuguesa e solte a curiosidade de fotógrafo-viajante que há em si! Deixe-se surpreender pelos pormenores das casas de xisto, das janelas azuis e pelas gentes locais. E se gosta de fazer Turismo de Aldeia, pode pernoitar na Casa da Padaria e ficar a conhecer as estórias de uma antiga professora primária que apaixonou-se por um antigo padeiro local. Surpreenda-se pela natureza exuberante e a orografia envolvente desta aldeia  de xisto, encaixada num vale da Serra do Açor. Para mais informações, pode ler aqui.

📌 Passeio pelo rio Tejo com a Tritejo (Tancos, Portugal)

Tritejo copyE se fosse visitar o Castelo de Almourol nas próximas férias? Já conhece um dos maiores bilhetes-postais ilustrados do nosso país? Em Maio, a convite da empresa de animação Turística Tritejo, fomos conhecer o concelho de Vila Nova da Barquinha.  Tivemos a oportunidade de (re) visitar um dos locais que faz parte da nossa história e identidade colectiva: o castelo de Almourol! Aqui, há História Que bela silhueta de pedra! Todos somos recolectores de alguma coisa, no meu caso, dos pequenos instantes do passado! Ah, se houvesse maneira de fixar na alma imagens destas! Deve dar “gozo” ver com frequência esta obra bélica. Apreciá-lo com mais tempo e contemplar a sua fascinante cintura de muralhas. Para mim, este Guerreiro de pedra medieval é a comunhão perfeita entre a Natureza e o Homem. Já conhece o “guerreiro de pedra” Templário?  Sabia que a única forma de chegar, é de barco? A @tritejo.insta é uma boa opção para fazer um passeio pelas serenas águas do rio Tejo e contemplar a paisagem envolvente deste exemplar da arquitetura militar templária. A Tritejo organiza passeios de barco, com recurso a energia solar, entre o cais de Tancos e o Castelo de Almourol. Para mais informações, poderá ler aqui.

✔️Quais os vossos destinos  [de viagem] para 2020?

Não temos destinos escolhidos para o próximo ano, visto que podem surgir outras prioridades. Mas, existe uma lista de destinos exóticos e fora dos roteiros tradicionais de turismo que gostaríamos de ir na próxima década: São Tomé e Príncipe (África), Teerão (Irão), Fez (Marrocos), Goa (Índia), Svaneti (Geórgia), Dubrovnik (Croácia) Londres (Inglaterra), Viena (Áustria), Cracóvia (Polónia) e Toscânia (Itália). Espero concretizar algumas destas viagens. Em Portugal, irei continuar a dar prioridade ao Turismo Militar e a dedicar-me à publicação de artigos sobre a região do Oeste e da Ilha da Madeira. Estou certo que irão surgir novos projectos aliciantes, outros destinos vão ganhar prioridade. Estou certo que irei fazer a melhor escolha para mim e que agradem aos leitores do nosso blogue. Acima de tudo, deixo um conselho: façam poucas viagens, mas que sejam intensas e generosas em experiências. Viagem, mas devagar. Observem bem, com atenção, os pormenores e o ambiente que vos rodeia. E olhem o outro!

Desejo a todos os leitores as maiores felicidades a nível pessoal e profissional. Há sempre uma forma diferente e irreverente de ver Portugal e o Mundo que nos rodeia. Votos de um excelente 2⃣0⃣2⃣0⃣ com realizações pessoais e profissionais, bem como muitas viagens por Portugal e pelo Mundo! Afinal de contas, o importante é ter MUNDO!

Rafael Carvalho de Oliveira

Começa o ano a viajar com o Blogue OLIRAF 🌍 Se não tiver ideias para uma evasão, férias ou escapadinhas de fim-de-semana, o leitor pode sempre procurar um especialista. Na dúvida, escolha o blogue OLIRAF! Temos um país imenso, com lugares imensos para desbravar. Um pouco por todo o país existem lugares e regiões que merecem uma visita mais atenta. Pelo país fora, e pelo estrangeiro, há muito património histórico-cultural para visitar ao longo da nova década. Meta-se à estrada e siga as nossas sugestões fotográficas que inspiram a alma de viajante adormecida que há em cada um de nós!

📝Nota Informativa:

O Blogue OLIRAF agradece os convites que chegaram por parte de parceiros, empresas de animação turística e entidades de turismo para conhecer as suas experiências e o património histórico-cultural a eles associado, de acordo com os nossos critérios editoriais. Foi um gosto colaborar e dar a conhecer um pouco da vossa paixão e divulgação do melhor que se faz em Portugal, ao nível da promoção do turismo de experiências.

NÃO PERCA AS MINHAS AVENTURAS E OLHARES FOTOGRÁFICOS NO INSTAGRAM! UM ENCONTRO COM A HISTÓRIA, AO SABOR DAS IMAGENS…

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. As recomendações de produtos turísticos baseiam-se nas experiências [reais] de viagem e o conteúdo editorial é independente de terceiros.  Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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FOTOGRAFIA✈︎VIAGENS✈︎PORTUGAL © OLIRAF (2019)

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🍷 Enoturismo em Portugal: oito propostas para viajar pela história de grandes vinhos.

🍇Portugal é sinónimo de excelentes vinhos. Um pequeno país com uma grande diversidade geográfica de vinhos. Afinal, este património imaterial é um verdadeiro embaixador do nosso país no Mundo. Sabia que os portugueses são os maiores consumidores de vinho, per capita, a nível Mundial? E que está no TOP 10 dos maiores exportadores de vinhos do Mundo? O Enoturismo em Portugal vem da procura crescente das salas de provas por turistas-enófilos de todas as latitudes do globo terrestre. Existem inúmeras sugestões e experiências para deliciar-se com o néctar de Baco. Uma viagem por sete produtores de vinho de Portugal, acompanhados, pelo aprendiz de enófilo OLIRAF, com visita às regiões vinícolas do Alentejo, Lisboa, Península de Setúbal e dos Vinhos Verdes. O blogue OLIRAF selecionou 8 quintas vinícolas  de paragem obrigatória para descobrir a harmonia perfeita entre a História, a Paisagem e o Vinho.

O Enoturismo está na moda. Há cada vez mais produtores e empresas vinícolas a apostar forte neste segmento de mercado. Através das nossas experiências e provas de vinhos, temos verificado o rápido crescimento e sucesso deste segmento de mercado na área dos vinhos e do turismo em Portugal. Não podemos negar que o desenvolvimento do enoturismo numa determina da região, permite dar a conhecer o sector vitivinícola,os respectivos vinhos DOC (Denominação de Origem Controlada) e,acima de tudo, captar internacionalmente turistas-viajantes enófilos para percorrer a imensa paisagem vinícola portuguesa. A História de inúmeras gerações familiares que passaram o segredo da arte de bem produzir um vinho. Provar, e acima de tudo, saborear os aromas e os paladares de um vinho é viajar pela História secular, por exemplo, de uma Quinta. Por detrás de grandes vinhos, há sempre uma grande história.

Disse, e com razão, o poeta-pensador Fernando Pessoa que “Pessoa: “Boa é a vida, mas melhor é o vinho (…).” O Blogue OLIRAF convida-o a conhecer os vinhos nobres das regiões do Lisboa, Alentejo, Península de Setúbal e dos Vinhos Verdes, acompanhados por marcos históricos-culturais. Sem Pressas. Hoje falamos do vicio de Dionísio Baco. Eu chamava-lhe virtudes de um Deus pagão que amava saborear uma bela taça de vinho. Seja um Enófilo por um dia. Descubra os cinco sentidos do prazer. Saborear um vinho é, no fundo, viajar pelos paladares da região que o produz.

Atenção: Beba com Moderação. Afinal, já dizia o Tyrion Lannister (Game of Thrones): “I Drink And I Know Things’. 🇵🇹

A produção de vinho em Portugal…

Foram os Romanos que introduziram o vinho em Portugal? Não. Segundo fontes arqueológicas, a plantação e cultivo de vinho remonta ao tempo dos Fenícios. Estávamos no séc.X a.C., quando este povo introduziu algumas castas de videiras na antiga Lusitânia, em especial no vale do Tejo e do Sado. Aproveitaram,assim, o legado comercial dos Tartessos da Península Ibérica. Mais tarde, no século VII a.Cos Gregos deram um novo incremento à arte de produzir vinhos: a viticultura. Os Lusitanos, um povo descendente dos Celtiberos, promove o cultivo de diversas variedades de videira e,sendo provável, algumas técnicas de tanoaria. Definitivamente, os Romanos dão um incremento considerável à produção de vinho na Península Ibérica (Hispânia), em virtude das necessidades de procura da capital imperial Roma. Após a pacificação da Lusitânia, entre 194 a 15 a.C., a romanização introduz novas variedades e técnicas de cultivo (a poda) que contribuíram para a modernização da cultura da vinha. Com as invasões bárbaras (séculos VI e VII d.C) – Visigodos e Suevos – adoptam os costumes romanos e a religião cristã, onde o vinho faz parte do ritual sagrado da comunhão. Com a ocupação Mourisca, nos séc.VIII a XIII,a produção de vinho continua apesar dos preceitos rigorosos religiosos da civilização islâmica.  Com a fundação do Reino de Portugal, em 1143, ocorre um aumento exponencial da cultura da vinha nas regiões povoadas pelas Ordens Religiosas, Monásticas e Militares. Durante os Descobrimentos Portugueses, o vinho faz parte da dieta alimentar das tripulações dos galeões, naus e caravelas portugueses, constituindo lastro nas embarcações referidas anteriormente. Os vinhos de “torna viagem” melhoravam com as condições exigentes no oceano, em virtude do envelhecimento causado pelo balancear das ondas, exposição solar ou o calor dos porões (Linha do Equador). Na segunda metade do séc.XVIII, o Marquês de Pombal cria,  por alvará régio de 10 de Setembro de 1756, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, para regular a produção e comércio de vinhos na região do Douro, em virtude da imensa procura de vinhos do Porto, por parte de comerciantes ingleses, resultante do Tratado de Methwen (1703). Tratou-se da primeira região demarcada do mundo vitivinícola. O século XIX foi marcado pela doença provocada na videira por um insecto: a filoxera. Devastou a maior das regiões vinícolas portuguesas, à excepção do vinho de Colares. E porquê? Esta doença não se desenvolve em terrenos de areia. Actualmente, no território português, existem 33 Denominações de Origem e 8 Indicações Geográficas.

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Créditos Imagem ©️ Instituto da Vinha e do Vinho I.P.

Algumas curiosidades históricas…

Portugal já exportava uma grande parte da produção do vinho Moscatel de Setúbal, no séc.XIV, para o Reino de Inglaterra. Sabia como era conhecido o vinho de Bucelas em Inglaterra? “Lisbon Hock”. William Shakespeare faz referência ao Vinho da Madeira, como uma “essência preciosa”, na sua sua peça “Henrique IV”. Mais tarde, em 1703, com o Tratado de Methwen, assinado entre Portugal e a Grã-Bretanha, contribui para um incremento da cultura vinícola e da divulgação do Vinho do Porto nesse país. Os vinhos portugueses, em especial os licorosos, eram considerados de maior requinte nas sociedades cortesãs do continente Europeu. Por exemplo, o vinho Madeira era considerado, pelo Arquiduque Francisco I (1708/1765) da Áustria, “o mais rico e delicioso de todos os vinhos da Europa”. Na América do Norte, em especial nas cidades de Boston, Nova Iorque e Filadélfia, o vinho Madeira era muito apreciado pelas famílias proeminentes do futuro Estados Unidos da América. Durante as Invasões Francesas (1807-1811), as tropas inglesas, e em especial Sir Arthur Wellesley, apreciavam as qualidades dos vinhos brancos da região de Lisboa, em especial, os de Carcavelos e de Bucelas. No caso do último, o futuro Duque de Wellington levou de presente ao futuro Jorge III de Inglaterra.

Como vê, motivos não faltam para uma viagem pela história de quintas e vinhos. Parta à descoberta…dos melhores vinhos e regiões vinícolas nacionais! Faça Enoturismo, cá dentro! Deixo-lhe sete sugestões para fazer Enoturismo, em Portugal Continental:

📍Quinta da Bacalhôa (Azeitão, Península de Setúbal)

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Palácio da Nobreza. Nobreza de Palácio. O Palácio/Quinta da Bacalhôa, o nome originário de uma mulher – a “Bacalhôa” – do antigo proprietário quinhentista – o “Bacalhau” – que enriqueceu com a pesca de Bacalhau no século XVI, situa-se em plena região vitivinícola da Península de Setúbal. É uma excelente desculpa para um passeio ao sabor da História. Afinal, são mais de cinco séculos de Histórias. Deixe-se deslumbrar pela singular Casa do Lago, datada do século XVI, e por 90 minutos, senti-se um “Albuquerque” das índias. Azeitão tem tanto para ver,conhecer e saborear. De facto, esta vila não é só conhecida pelas suas famosas Tortas de Azeitão e pelo seu afamado vinho moscatel. Na Adega/Museu da Bacalhôa, situada em Vila Nogueira de Azeitão, poderá  encontrar um espaço acolhedor onde cruzamos a arte de produção de um vinho Bacalhôa e as coleções de Art Deco, Art Nouveau e Cultura Africana. Poderá apreciar ainda, a enorme sala onde estão acondicionadas as barricas de estágio do vinho tinto e moscatel acompanhadas pela maior colecção de Azulejos Portugueses  dos séc. XVI ao séc. XX. Tudo isto, com a companhia de um  canto gregoriano que serve para “acalmar o vinho”,segundo a Guia Carlota, e a nossa alma. No final, o enófilo poderá realizar uma prova de vinhos e deliciar-se com o Bacalhôa Moscatel de Setúbal.. Importa referir que a Bacalhôa Vinhos de Portugal, foi criada em 1922, é um grupo de empresas vinícolas, da qual fazem parte a Aliança, Bacalhôa Buddha Eden e a Quinta do Carmo.

📍Quinta da Boavista (Alenquer, Lisboa)

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Os concelhos de Torres Vedras e Alenquer, em 2018, foram a Cidade Europeia do Vinho, uma distinção atribuída pela rede europeia das cidades do vinho (RECEVIN). Com duas Denominações de Origem (DOC) da região de Lisboa, estes dois concelhos da região Oeste possuem uma forte identidade cultural na produção de vinho e na manutenção da paisagem agrícola associada à vinha. No caso particular do concelho de Alenquer, a Quinta da Boavista, localizada na Aldeia Galega da Merceana, mantêm viva esta tradição.  Esta centenária empresa, a Casa Santos Lima, é uma verdadeira embaixadora deste legado, sendo o maior produtor de vinhos da região de Lisboa (40% do total de vendas de Vinho Regional de Lisboa e DOC de Alenquer)Poderá fazer uma visita guiada pela extensa área de produção,através de um passeio de  buggy, e uma prova de três vinhos – “Lisboa” – comentada na loja. A nossa sugestão recaiu nos aromas frutados do “Tinto Leão” 2014. Deixe-se levar pelo bom vinho, pela adega renovada e pelas privilegiadas vistas desta quinta centenária do concelho de Alenquer.

📍Quinta do Soalheiro (Melgaço, Vinhos Verdes)

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Quinta do Soalheiro fica situada na região dos Vinhos Verdes, mais concretamente, na sub-região de Monção e Melgaço. Estamos no coração da mais apreciada e reputada casta de vinho verde: o Alvarinho. A casta de vinho mais a norte de Portugal Continental. A Soalheiro, fundada em 1982, foi a primeira marca de vinho da casta Alvarinho do concelho de Melgaço. Todavia, a primeira vinha com casta Alvarinho foi plantada no ano da Revolução de Abril (1974). Deixe-se contagiar pela essência do enoturismo e pelos aromas dos vinhos da casta Alvarinho. Nada como um belo espumante refrescante e vibrante. A sala de prova de vinhos proporciona uma excelente vista “soalheira” para a região espanhola da Galiza e o curso natural do Rio Minho. No ponto mais a norte de Portugal Continental, as condições climáticas e naturais (Chuva, temperatura e exposição solar) criaram um micro-clima único que favorece um maior amadurecimento das uvas. Faça um passeio pela vinha em produção biológica e às diferentes secções da adega, tias como, a cave do espumante, a sala de estágio das barricas de carvalho, o envelhecimento da aguardente, entre outras. Se pretende aprofundar mais sobre o vinho Alvarinho poderá visitar a Rota do Vinho Verde Alvarinho, o visitante poderá visitar o Solar do Alvarinho , no centro histórico de Melgaço, e ser recebido para degustar uma prova gratuita de três vinhos por um dos embaixadores locais: o Senhor Sabino (Adega Regional Sabino). E, se tiver tempo, aproveite para comprar produtos locais melgacenses.

📍Adega de Vila Santa (Estremoz, Alentejo)

Estremoz_JPR-1 copyTem nome de uma rainha-santa: a rainha Isabel de Aragão, mulher de D.Dinis, que faleceu na vila de Estremoz no século XIV. A Adega Vila Santa, no concelho de Estremoz, foi o local eleito para materializar um projecto pessoal, idealizado em 1988, por João Portugal Ramos: a produção dos seus próprios vinhos. É o resultado da longa experiência acumulada de um dos maiores enólogos e consultor na criação de vinhos nas principais regiões vitivinícolas portuguesas. Estávamos em 1997, após sete anos  da plantação dos primeiros cinco hectares de vinha em redor da fortaleza-abaluartada de Estremoz, dá-se a construção de uma moderna Adega – Vila Santa – para acolher modernas instalações de vinificação, sala de engarrafamento e caves para o estágio das barricas de carvalho francês, americano e português, não esquecendo a harmonia paisagística e a arte de fazer vinhos portuguesa. Ainda hoje, uma parte das uvas é destinada aos lagares para ser pisada. Por exemplo, os vinhos tintos mais sofisticados da gama do Grupo João Portugal Ramos. Actualmente,a área de vinha no Alentejo perfaz, aproximadamente, 600 ha.  Há paisagens que puxam por uma fotografia. Venha passar um dia diferente a Estremoz. Faça uma experiência de Enoturismo, descobrindo os contornos da arquitectura tradicional alentejana da Quinta de Vila Santa,através de uma visita guiada pelas vinhas, adega e caves, onde pode optar por uma programa didáctico e dinâmico: “Seja Enólogo por um dia”. Esta actividade permite ao aprendiz de enófilo criar o o seu próprio vinho, com base em três castas tintas (Aragonez, Alicante Bouschet e Touriga Nacional),e levá-lo para casa para mais tarde saborear em família ou com os amigos.  De seguida, poderá optar por um almoço de gastronomia típica alentejana, uma aula de culinária, ou uma prova de vinhos acompanhado de queijos e outros petiscos da região alentejana. A nossa preferência recaiu para um vinho branco, com um perfil nobre, fresco e com uma grande mineral idade: o Marquês de Borba. Sob o pretexto de descobrir a região vitivinícola do Alentejo, o viajante-enófilo poderá optar por “mergulhar” no centro histórico e nas muralhas do Castelos de Estremoz. Afinal, já diz a citação na Loja de Vinhos: “Life is too short to drink cheap Wine”. Um brinde ao melhor que o Alentejo oferece.

📍Quinta da Aveleda (Penafiel, Vinhos Verdes)

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Os Vinhos Verdes dominam a região norte de Portugal, desde o rio Minho até ao Douro.Afinal, a paisagem que predomina é verde, tal como o nome do vinho.  Trata-se de uma região propicia a escapadinhas culturais e para realizar turismo em ambiente rural. Cidades Históricas, solares e quintas senhoriais são uma constante. Durante a minha viagem pela Rota do Românico, em 2016, optei por conhecer a Quinta da Aveleda e,claro, saborear os paladares e aromas dos seus icónicos vinhos verdes. Se já conhece o vinho, porque não visitar a Quinta que lhe dá o nome? É,assim, desde 1870, os Guedes da Aveleda (os mesmos familiares no grupo Sogrape) têm uma longa tradição familiar na produção de vinho na região dos Vinhos Verdes. Uma excelente sugestão para fazer Enoturismo nas proximidades da urbe portuense e para percorrer a Rota dos Vinhos Verdes Para muitos amantes de Baco, o vinho da Aveleda encontra-se entre os melhores vinhos verdes de Portugal e do Mundo, com castas que dão origem a vinhos leves, jovens e frescos.  A marca Aveleda tem sedimentado a sua presença nas regiões vinícolas do vinho Verde, Douro e da Bairrada. Não se esqueça de saborear, também, os queijos e as compotas produzidas na Quinta da Aveleda. Afinal, uma Quinta não produz apenas vinho. Perca-se no seu exuberante e icónico jardim, em estilo inglês, que apaixona qualquer visitante. Uma Quinta Vintage com vinhos leves, jovens e frescos. Ah, a frescura do Norte de Portugal!

📍Adega da Cartuxa (Évora, Alentejo)

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Uma viagem no tempo. Nas proximidades da cidade de Évora, a cerca de 2 Km, o viajante-enófilo mais entusiasta poderá visitar a Quinta do Valbom e ficar a conhecer a vasta gama de vinhos da Fundação Eugénio de Almeida. Surpreenda-se com a história secular de uma Quinta que pertenceu ao Jesuítas, expulsos em 1759 pelo Marquês de Pombal. Já deve ter ouvido falar do Mosteiro da Cartuxa? O nome da comunidade religiosa que inspirou a família Eugénio de Almeida a criar esta marca-ícone do Alentejo. Ou do vinho Pêra-Manca? Um dos vinhos mais conhecidos do Brasil. Alie o melhor do património histórico-cultural e vitivinícola eborense, através de uma visita guiada à Adega com uma prova de cinco vinhos – Sto. Inácio de Loyola – de toda a gama Adega da Cartuxa. No Centro Histórico de Évora, junto ao Templo Romano, poderá conhecer a Enoteca Cartuxa e ter um “casamento perfeito” entre cozinha regional alentejana e os vinhos da Adega Cartuxa. As visitas guiadas e os almoços são realizados mediante marcação prévia. A nossa sugestão vai para um prato de polvo à lagareiro com batatas a murro acompanhado de um EA Reserva Tinto. Para sobremesa, a nossa recomendação vai para um Pudim de Azeite. Antes de deixar esta cidade-monumento, uma visita ao Paço de São Miguel poderá ser uma bela despedida de uma das cidades mais belas e singulares de Portugal.

📍Quinta do Gradil (Cadaval, Lisboa)

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Quer passar um dia rodeado de História e de vinho? Ou um local tranquilo e ideal para escapar à rotina citadina? A uma hora de Lisboa, no coração da região Oeste de Portugal,a encontrámos uma antiga quinta rural que pertenceu ao Marquês de Pombal (1760). É a Quinta do Gradil. A arquitectura barroca e a cor amarela desta antiga residência nobre destacam-se, ao longo da EN115. na paisagem vitivinícola e rural.  A produção de vinho, segundo fontes documentais, remonta ao ano de 1854. A Quinta do Gradil conta com 120 hectares de vinha, tornando-a uma das maiores produtoras vitivinícolas da região de Lisboa. Com um clima fresco e temperado, a escassos 20 Km do Atlântico e a menos de 5 Km da bucólica Serra de Montejunto, é um bom mote para partir à descoberta dos seus Vinhos Brancos e Tintos. Tem como embaixadores os vinhos “Quinta do Gradil”, “Mula Velha” e “Castelo do Sulco”. Adquirida à família Sampaio de Oliveira, descendentes dos Marqueses de Pombal, em 1999, o CEO do Grupo “Parras Wines”, Luís Vieira, pretendeu dar uma uma nova vida à monumentalidade desta secular quinta. Afinal, estamos numa das mais antigas propriedades agrícolas e dos principais marcos histórico-culturais do concelho do Cadaval. A visita guiada, realizada durante o Open Day da Quinta do Gradil (2019), foi efectuada pelo actual responsável pelo Wine Tourismo & Events Manager da Parras Wine, o Chef Bruno Gomes, que nos elucidou sobre os encantos e os recantos desta Quinta com História. Num futuro próximo, o objectivo é a realização de casamentos na Capela e de eventos para 1200 pessoas no Salão dos Marqueses. É possível, por exemplo, realizar refeições vínicas, programa de vindimas, degustações de vinhos com enólogos, visitas de grupos, passeios de charrete, corridas de Trail Run e de Bicicletas são algumas das experiências de Enoturismo à disposição. E está incluido um chapéu de palha, uma t-shirt e uma garrafa de vinho. Na vertente enoturística, o restaurante da Quinta do Gradil, situado no antigo celeiro de armazenamento de cereais, é um bom casamento entre a produção de vinhos e a cozinha regional. Com capacidade para 30 lugares nos dias habituais (60 para grupos), o chef Daniel Sequeira coordena o menu de degustação Quinta do Gradil  com a harmonia deliciosa dos vinhos da Quinta do Gradil. Com uma forte tradição vitivinícola secular, a Quinta do Gradil é um dos ex-libris da região Oeste, só superada pela majestosa e deslumbrante beleza da Serra de Montejunto. Por trás de um grande produtor, há sempre uma grande vinho. E uma Quinta com História! Brindemos a isso!

📍Adega da Ervideira (Monsaraz, Alentejo)

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Os solos desta sub-região vitivinícola – Reguengos de Monsaraz – são caracterizados pelos granitos e xistos, bem como pela continentalidade do seu clima. Os seus vinhos, em virtude das condições edafo-climáticas, têm características distintas de qualidade e tipicidade. Os castas tintas (Trincadeira) e brancas (Roupeiro) predominam nesta sub-região vitivinícola. Para conhecer mais sobre a história desta marca familiar de vinhos alentejanos, o viajante-enófilo terá de deslocar-se à Herdade da Herdadinha (ou ao Monte da Ribeira). É na primeira que se encontra o “coração” da Adega Ervideira, tendo uma área de produção de vinho com 160 hectares divididos pelos concelhos da Vidigueira (110 ha) e de Reguengos de Monsaraz (50 ha). Foi neste local que, em 1880, o Conde D’Ervideira plantou as primeiras vinhas para produzir um dos mais satisfatórios e famosos néctares de Baco da região do Alentejo. Ainda hoje, a família Leal da Costa é descendente directa deste agricultor de sucesso dos séc. XIX e XX. Sabia que foi nos seus 50 hectares que foi plantada, pela primeira vez, a casta Touriga Nacional no Alentejo? E que as águas frias do maior lago europeu – o Alqueva – são utilizadas para estagiar os seus vinhos a 30 metros de profundidade? Poderá fazer uma visita guiada e uma prova de vinhos pela essência da Adega Ervideira para compreender o processo produtivo, desde a apanha da uva até à expedição final. Poderá optar por fazer a prova de vinhos, por exemplo, na “aldeia-monumento” de Monsaraz. Imagine fazer saborear os vinhos Ervideira numa antiga Escola Primária?  Deixe-se deliciar-se pelos aromas e sentidos de um vinho frutado, enquanto desfrutar de uma vista exuberante para a planície [infinita] alentejana e para o azul da Albufeira do Alqueva. Um brinde, com um vinho “Invisível, ao Alentejo…será a cereja no topo do bolo. Saboreie a tradição e o património. Saboreia o Alentejo. Perca-se e encontre-se nele! Uma visita sugestiva para os  amantes de enoturismo e entusiastas da fotografia de paisagem.

📝Nota Informativa:

As empresas vitivinícolas (e os vinhos) aqui apresentados são, na sua maioria, convites que chegaram ao Blogue OLIRAF por parte de produtores para conhecer a essência da produção vinícola e o património histórico-cultural a eles associado, de acordo com os nossos critérios editoriais.

Não deixe de fazer…

  • conhecer a Rota História das Linhas de Torres Vedras;
  • observar um belo pôr-do-sol no Arquipélago das Berlengas;
  • explorar os encantos e recantos de cidades e vilas históricas da região do Alentejo: Évora, Monsaraz e Estremoz;
  • fazer rafting no rio Minho e saborear uma garrafa de vinho Alvarinho, no Solar do Alvarinho, no concelho de Melgaço;
  • visitar a cidade do Porto e realizar uma prova de vinhos nas inúmeras caves de Vila Nova de Gaia;
  • petiscar, na cidade de Évora, os melhores vinhos alentejanos (e portugueses) no Vinarium (Évora) Tapas & Wine bar;
  • descobrir os inúmeros vinhos dedicados ao vinho, por exemplo, o Museu do Vinho e da Vinha de Bucelas (Loures).
  • realizar ruma viagem num barco tradicional varino nas águas do Rio Tejo;
  • visitar, em Setúbal, as ruínas militares de uma Bataria de Artilharia de Costa (Outão);
  • participar, entre Setembro e Outubro, nas vindimas na Quinta do Gradil;
  • conhecer a Península de Tróia e banhar-se nos extensos areais da Comporta;
  • mergulhar nas águas tranquilas do maior lago artificial da Europa: o Alqueva.
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🔗Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial  nos seguintes links:

O  Instituto da Vinha e do Vinho, I.P., um organismo tutelado pelo Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural,dá-nos uma perspectiva da evolução temporal  da produção, produtores e regiões vinícolas de Portugal.  A Rota dos Vinhos de Portugal oferece informação actualizada sobre as imensas experiências nas diversas regiões vinícolas em Portugal, sendo a melhor opção para começar a planear uma viagem à região. Se for um enófilo mais exigente, deixo-lhe uma sugestão de leitura de uma publicação de referência, a Revista de Vinhos, sobre vinhos e gastronomia em Portugal Continental e Ilhas.. Recomendo, também, a consulta do sitio digital do Turismo de Portugal, visto que permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, rotas, pontos de interesse, museus e gastronomia associado aos vinhos portugueses.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. As recomendações de produtos turísticos baseiam-se nas experiências [reais] de viagem e o conteúdo editorial é independente de terceiros.  Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira  📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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 Fotografia✈︎Viagens✈︎Portugal©OLIRAF (2019)

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📌À descoberta do Forte de São João Baptista: sentinela de Peniche, guardiã da Berlenga.

📷 A região Oeste de Portugal presenteia-nos com paisagens bucólicas verdejantes, areais dourados a perder de vista e locais com monumentos singelos. Situada a escassas sete milhas do Cabo Carvoeiro, cerca de dez quilómetros, o Arquipélago das Berlengas destaca-se como um dos paraísos perdidos da costa portuguesa. É um bom mote para passar uma jornada diferente que contemple actividades de lazer pela natureza e património edificado da Ilha Grande da Berlenga. Deixo-vos, assim, as impressões pessoais e olhares fotográficos de um antigo exemplar fortificado da costa marítima portuguesa. Vamos embarcar nesta viagem?

“É necessário sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.”, afirmou o escritor José Saramago. Seguindo a velha máxima da entidade que promove o destino Portugal, “Vá para fora, cá dentro” , optei por realizar uma incursão fotográfica à Ilha da Berlenga. Trata-se de um dos mais conhecidos e concorridos destinos turísticos na região Oeste de Portugal durante a época de veraneio. Situada numa região de intenso tráfego marítimo, o arquipélago das Berlengas sempre foi um local apelativo e ao mesmo tempo perigoso para a navegação marítima. A ocupação humana da Ilha da Berlenga tem mais de dois mil anos como comprova a investigação arqueológica levada a cabo por Jacinta Bugalhão e Susana Lourenço. Comprovou-se, segundo o estudo citado anteriormente, que a Ilha da Berlenga era utilizada como fundeadouro para embarcações comerciais de médio e longo curso, nomeadamente aquelas que percorriam as rotas de ligação entre o Mediterrâneo e os territórios romanos atlânticos.

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Créditos da Imagem ©️ Projecto LIFE Berlengas

O Forte de São João Baptista ao longo da História…

A ocupação humana da Ilha da Berlenga, ao largo da costa da península de Peniche, remonta à primeira metade do século XVI, mais concretamente, ao ano de 1513. Todavia, alguns arqueólogos e historiadores, admitem a presença humana possa remontar à época Romana (século I a.C.). A ocupação efectiva do território da Ilha Berlenga foi feita por uma  pequena [e corajosa] comunidade de monges Jerónimos (movimento eremítico inspirado em São Jerónimo), com edificação de um espaço monástico – o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga (1513-1548) – para auxiliar os pescadores locais e as vitimas de naufrágio. Governava, então, El-Rei Dom Manuel I (1495-1521), à época Mestre da Ordem de Cristo e  um grande devoto desta ordem religiosa. Em 1449, o rei D.Afonso V cedeu o senhorio das Berlengas e do Baleal ao Infante D.Henrique, Mestre da Ordem de Cristo. Ao todo, o “Venturoso” mandou fundar, também, os Mosteiros de Santa Maria de Belém (Lisboa) e de Nossa Senhora da Pena (Sintra). A Ilha da Berlenga, seguindo os princípios da Ordem dos Jerónimos, promovia a tranquilidade, a contemplação, o silêncio e o recolhimento.  Em 1548, o espaço religioso foi abandonado pelos monges Jerónimos por motivos de força maior: a fome, as doenças e os constantes ataques de piratas e corsários, em particular, os “mouriscos” que raptavam os monges para vender nos mercados do Norte de África.

RumoBerlenga (43)Na segunda metade do século XVI, em 1557, Dom Luís de Ataíde, 3.ºConde de Atouguia, escrevia uma carta ao rei [D.Sebastião?] de Portugal a expor a situação de fragilidade costeira no seu senhorio de Atouguia da Baleia e Peniche, face aos ataques dos corsários e franceses que faziam aguadas e roubavam embarcações na área envolvente do Arquipélago das Berlengas. O nobre fidalgo, um dos futuros Vice-reis da Índia durante o século XVI, chega a referir que os corsários franceses iam “vender trigos a Lisboa”, fruto dessas pilhagens. Face à importância nevrálgica da região costeira de Peniche, e após sugestão do mesmo, a Coroa Portuguesa, em 1557, incube D. Luís de Ataíde de materializar a edificação de uma fortificação marítima na península de Peniche: o Baluarte Redondo (1557-1558). Entre os anos de 1557 e 1562, o 3.ºConde de Atouguia esteve envolvido em diversos combates navais contra piratas e corsários para defender a jurisdição do seu senhorio, visto que à época a pacata aldeia de Peniche, ligada à actividade piscatória, agrícola e comercial, era alvo de cobiça e constantes desembarques de aventureiros europeus e magrebinos.

Panorama ForteBerlenga (2)Os primórdios da construção da Guardiã da Ilha da Berlenga…

No contexto da Guerra da Restauração, o monarca D.João IV (1640-1654) ordenou a construção de uma estrutura militar para complementar a defesa da costa e da cidadela abaluartada de Peniche. Após a visita de João Rodrigues de Sá, entre 1651 e 1654, sobre um dos ilhéus da enseada da Muxinga, na vertente sudeste da Ilha da Berlenga, decorreram as obras de construção, com recurso a cantarias calcárias e reaproveitamento de pedras do antigo Mosteiro da Ordem dos Jerónimos, do único exemplar bélico do Arquipélago das Belengas: o Forte de São João Batista da Berlenga. Com uma planta octogonal irregular, adaptado à morfologia, estava guarnecida com nove peças de artilharias (Canhoiras). Contém um pátio interior, junto as muralhas exteriores foram edificadas o paiol e as casamatas. A ligação entre o ilhéu e a Berlenga é feito através de uma ponte em alvenaria, e um conjunto de arcos,  com um pequeno ancoradouro.

ForteSJBaptista2015BerlengaCabo Avelar Pessoa: um herói da restauração…

Esta fortificação militar do século XVII, do ponto de vista histórico, ganha um maior destaque na defesa de costa em Portugal no papel que desempenhou ao longo da Guerra da Restauração, considerada o seu expoente bélico. Um dos mais conhecidos episódios e marcantes nos anais da História de Portugal foi ataque de uma armada castelhana de 14 navios, comandada pelo almirante Don Diogo Ibarra, que tinha por objetivo raptar a rainha D. Maria Francisca de Sabóia na sua chegada a Portugal, à época do seu casamento com D. Afonso VI. Logrado o objectivo principal, em Junho de 1666, a armada espanhola decidiu atacar o Forte de São João Baptista, tendo efectuado um intenso bombardeado. Ao longo de dois dias,  a guarnição portuguesa, cerca de trinta soldados e oficiais, comandada pelo Cabo Avelar Pessoa, rendeu-se aos castelhanos por falta de comida, de pólvora e pela traição de um dos soldados que, após uma operação anfíbia, abriu as portas às forças sitiantes. Apesar das baixas castelhanas (cerca de 500 mortos, uma nau afundada e duas danificadas), os combatentes portugueses foram capturados e levados para Espanha pelas forças sitiantes. Hoje em dia, a maior embarcação que faz a ligação Peniche-Berlenga, construída em 1993,  tem o nome deste valoroso herói português.

 

RumoBerlenga (19)O impacto das Guerras Peninsulares (1807-1814)…

Após um restauro na terceira metade do século XVII, após o ataque de 1666, o forte adquiriu funções de presídio politico e militar. Durante as Guerras Peninsulares, em especial durante a 1.ª Invasão Francesa (1807-1808),  o forte serviu de base de apoio para a Royal Navy (à época era “dona e senhora dos mares” após a vitória de Trafalgar em 1805) para realizar assédios constantes à guarnição francesa da cidadela de Peniche. Com a retirada destes, foi pilhada pelos franceses. A capela e o forte foram, novamente, restaurados em 1821. No decorrer das lutas entre liberais e absolutistas (1828-1834) foi utilizada de base às tropas de D. Pedro IV para a conquista da fortaleza de Peniche, ocupada por forças miguelistas. Em 1847, esta fortificação militar do século XVII acabou por ser abandonada, visto que já não cumpria as necessidades bélicas. Posteriormente, foi ocupado por um destacamento da Guarda Fiscal até 1889.

RumoBerlenga (16)A visita do Presidente do Conselho  de Ministros no século XX…

Durante a década de 50 do séc. XX, entre 1952 e 1953, a Fortaleza de São João Baptista foi restaurada pela então Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais para uma posterior adaptação do espaço a pousada, servindo de abrigo a quem aí desejasse pernoitar. Aliás, são estas as funções que hoje apresenta. No Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) – Arquivo Oliveira  Salazar (1908-1974) – podemos encontrar documentação referente à situação da Pousada das Berlengas, bem como algumas fotografias (Jornal O Século) desta fortificação marítima na década de 30 do século XX. O “mentor” do Estado Novo (1933-1974), o Dr. Oliveira Salazar, na companhia do então Ministro da Marinha Almirante Américo Tomás, a 9 de Julho de 1952, fez uma das raras deslocações fora do seu quotidiano habitual: uma visita para acompanhar as obras de adaptação a Pousada do Forte de São João Baptista. Quem diria, não é?

RumoBerlenga (17)Da Revolução dos Cravos até aos dias de hoje…

A sua missão já não é a defesa da Ilha da Berlenga. Após a Revolução dos Cravos (1974), este bastião de defesa costeira foi cedido, e bem,  pelo  Estado Português à Associação de Amigos da Berlenga (AAB), com vista à sua reabilitação e, mais tarde, para adaptação a alojamento turístico. Funciona, assim, como Casa-abrigo para os inúmeros visitantes que escolhem ficar nas suas celas seculares. Infelizmente, o aspecto histórico do monumento militar e da pousada histórica estão pouco explorados e desenvolvidos. Se ficou interessado neste exemplar de arquitectura militar português, recomendo a leitura da seguinte tese académica Forte de São João Baptista da Berlenga:um plano de gestão integrada da investigadora Raquel Carteiro (2017).

Um Até já…

Solitário. Isolado. Mágico. Mas, Forte. É este o Forte de São João Baptista da Ilha Berlenga. O guardião desta Ilha. A Berlenga. Uma Memória de Pedra que resta de outros tempos, de outras guerras. Saudades de pedra. A sensação de ver surgir a silhueta das suas muralhas na proa de uma embarcação causa espanto e comoção ao visitante da Ilha da Berlenga. Um verdadeiro “guerreiro de pedra” que combateu ao serviço da nação portuguesa. Iremos voltar, certamente.

Não deixe de fazer…

  • realizar uma visita de barco às inúmeras grutas (Flandres, Azul, Muxinga, Lagosteira, entre outras) do Arquipélago das Berlengas;
  • observar um belo pôr-do-sol no atlântico;
  • explorar os diversos trilhos pedestres da Ilha Velha e da Berlenga;
  • fotografar um dos ícones naturais da Berlenga: a cabeça do Elefante;
  • visitar o Farol Duque de Bragança;
  • observar a fauna e a flora única em Portugal, em especial, as gaivotas de pata amarela, os airos, o corvo-marinho-de-crista, a galheta e a cagarra (Birdwatching);
  • efectuar diversas actividades lúdicas ligadas à natureza e desporto, tais como,  o  snorkeling e canoagem;
  • realizar mergulho nos destroços de navios a vapor nas águas agitadas do Arquipélago das Berlengas, tais como, o SS Primavera e o SS Andrios;
  • conhecer o espaço do projeto LIFE Berlengas que visa contribuir para a gestão sustentável da Zona de Proteção Especial (ZPE) deste Arquipélago Atlântico;
  • mergulhar nas águas tranquilas e transparentes da praia do Carreiro do Mosteiro.
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Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial desta Ilha Atlântica nos seguintes links:

Antes de viajar para a Berlenga, segundo a CM Peniche, é recomendável consultar algumas particularidades desta ilha para planear a sua viagem. Por exemplo, o visitante deve efetuar a reserva do transporte e/ou do alojamento antecipadamente. O website do Turismo do Centro oferece informação atualizada sobre a região Centro de Portugal. É a melhor opção para começar a planear uma viagem à região Oeste. Já o Município de Peniche permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, locais de interesse, museus, gastronomia, entre outros. Importa salientar que poderá encontrar o posto de turismo para saber mais informações e dicas para fazer e planear o seu roteiro pela Reserva Natural das Berlengas (RNB).

✈ Como chegar:

A ligação marítima, entre o Porto de Peniche e a Ilha da Berlenga, têm uma duração aproximada de uma hora. As embarcações de passageiros funcionam entre os meses de Maio e Setembro, fora desse período não existe transporte regular para a Ilha da Berlenga, à excepção dos faroleiros e dos pescadores locais. O “Cabo Avelar Pessoa”, embarcação da empresa VIAMAR, é o transporte marítimo regular com maior capacidade de carga e para o transporte de passageiros. Há também diversas embarcações marítimo-turísticas (Barco Julius, Rumo ao Golfinho, TGV, etc) que levam entre 10 a 40 passageiros, permitindo o acesso à ilha de uma forma cómoda e mais rápida, bem como a organização de passeios às grutas do Arquipélago das Ilhas Berlengas.

🏠 Onde ficar:

Em virtude de ser uma Reserva Natural (Reserva Natural da Biosfera da UNESCO), a Ilha da Berlenga tem três [e únicas] possibilidades de pernoitar para os visitantes: o apoio de campismo (Município de Peniche – Posto de Turismo), na Pousada do Forte São Julião Baptista da Associação de Amigos das Berlengas (AAB) ou no Restaurante Mar e Sol. Aconselha-se a quem quiser pernoitar na ilha a levar lanternas e mantimentos, água doce incluída. No Castelinho existe um pequeno bar e um minimercado com produtos essenciais para a estadia na Ilha. Importa referir que a electricidade é cortada à uma hora da manhã. A torneira de água doce comunitária está aberta entre às 9 e 11 h da manhã todos os dias, visto que é transportada por via marítima pela embarcação “Cabo Avelar Pessoa”.

  • Área de campismo: as reservas são feitas no Posto de Turismo de Peniche (telefone: 262 789 571; email: turismo@cm-peniche.pt)
  • Casa Abrigo do Forte de São João Baptista: reservas feitas junto da Associação Amigos das Berlengas (telefone: 912 631 426; email: berlengareservasforte@gmail.com)
  • Pavilhão Mar e Sol: reservas feita pelo telefone 91 954 31 05

🍜 Onde comer:

Em virtude da Ilha da Berlenga ser um santuário natural, a oferta e diversidade de espaços gastronómicos é [muito] reduzida. A principal área de restauração localiza-se na Berlenga Grande. Trata-se do Restaurante e Alojamento Mar & Sol, localizado no bairro dos Pescadores. Um convite a uma tertúlia pelos sentidos e sabores da cultura gastronómica da região Oeste, em especial, o paladar de uma caldeira de marisco ou um prato de sardinhas com sabor à maresia atlântica. Na minha opinião, a opção mais correta é levar, como se dizia nos escuteiros, “almoço-volante”, isto é, o típico farnel. Nada como uma bela “sandocha” e uma “cervejinha” para desfrutar do descanso de uma caminha pelos trilhos da Berlenga. No Forte da Berlenga, com entrada gratuita, existe também um pequeno bar-restaurante, explorado pela Associação dos Amigos da Berlenga (AAB), que poderá visitar.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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