🏛️📷 Conheça o Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s: o mais antigo estúdio de fotografia em Portugal (1852-1978).

📷Uma viagem pelos primórdios da Arte Fotográfica em Portugal. Já imaginou um museu dentro de um antigo estúdio fotográfico oitocentista? Localizado na capital insular, no Funchal, o Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s é um espaço museológico aberto ao público desde 1982. Fechado durante muitos anos, entre 2014 e 2019, este museu instalado no antigo “studio” fotográfico de Vicente Gomes da Silva (1827-1906) reúne um vasto espólio composto por cenários, máquinas fotográficas, molduras com fotografias originais, livros sobre técnicas fotográficas e um valioso conjunto de 800 mil negativos, datados de 1876 a 1982, à guarda do Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira. Foi considerado o Museu Português do Ano em 2020, pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), a premiar a paixão e o carinho do seu director, funcionários e de todos os madeirenses pelo legado patrimonial e imagético das quatro gerações da Photographia Vicente. Ainda hoje, a “Photograhia Vicente” representa, no panorama do património cultural da Ilha da Madeira, uma das mais prestigiadas e principais casas fotográficas, quer pela sua antiguidade, quer pela sua atividade na mesma família ao longo de quatro gerações. Vamos conhecer o mais antigo estúdio de fotografia do país e venha celebrar connosco o Dia Mundial da Fotografia!

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A Fotografia nasceu há 182 anos!

O Dia Mundial Fotografia é comemorado, anualmente, a 19 de Agosto. Apesar da primeira imagem fotográfica ter sido produzida em 1826 (Joseph Nicéphore Niépce empregando elementos da química e da física, tendo criado a héliographie, em 1826. Nessa experiência, ele aliou o princípio da “camara obscura” à característica fotossensível dos sais de prata), só nos finais dos anos 40 do século XIX o processo fotográfico foi suficientemente divulgado para se assumir como um meio dotado de possibilidades estéticas, através de um sistema de captação de imagem permanente, devidamente aprimorado e oficializado. O dia 19 de agosto de 1839 acordou com uma notícia: o governo de França anunciou, oficialmente, a invenção da fotografia: um presente “grátis para o mundo”, após ter adquirido a patente deste processo fotográfico. Na verdade, a 6 de Janeiro de 1839, a Academia Francesa de Ciências já havia anunciado a invenção do daguerreótipo (a primeira notícia saiu no jornal Gazette de France – ver em francês e em inglês). O autor da proeza foi Louis Daguerre, um físico, pintor, cenógrafo e inventor francês que inventou o daguerreótipo – daguerreotype -, um processo fotográfico desenvolvido em 1837. A era romântica da fotografia feita a preto e branco dava os primeiros passos! Uma estória curiosa e uma invenção tecnológica da Revolução Industrial que mudou o mundo e que inspirou a instituição do Dia Mundial da Fotografia.

Como celebra um dia especial para todos os fotógrafos profissionais e amadores?

Aproveite para ser “turista na sua própria cidade”, faça uma viagem fotográfica pelo nosso país, fazer um retrato de estúdio em família (Silverbox), fazer um Workshop no Arquivo Municipal de Lisboa, visitar uma exposição fotográfica do Centro Português de Fotografia (CPF), acompanhar o lançamento de um livro técnico/catálogo exposição, conhecer a Casa-Estúdio Carlos Relvas (Golegã) ou assistir a um webinar com o seu fotógrafo ou influencer preferido! Porque o ato de fotografar, já é sinónimo de celebração!

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Atelier Vicente`s”: um pouco de história…

A Ilha da Madeira, particularmente a cidade do Funchal, tornou-se um dos destinos exóticos mais procurados pela burguesia e elite europeia da segunda metade do século XIX, em virtude do seu clima ameno, natureza exuberante e a hospitalidade das suas gentes. Com os navios a vapor que aportavam à Madeira chegavam também as novas ideias e técnicas revolucionárias. Foi o caso da fotografia, uma invenção tecnológica do tempo da revolução industrial. Ao longo do século XIX estabelecem-se no Funchal os primeiros “studios” fotográficos, nomeadamente: Vicentes Photographos, João Francisco Camacho, Augusto Maria Camacho, Perestrellos Photographos, Augusto César dos Santos e o seu sócio Joaquim Augusto de Sousa.

Em 1846 Vicente Gomes da Silva iniciou a sua atividade profissional como gravador e em 1853, a 27 abril, recebeu a mercê de “gravador de sua Majestade a Imperatriz do Brasil, Duquesa de Bragança”. Em 1856, iniciou a “arte de fotografar” na residência particular.

Em pleno centro da cidade do Funchal, na Rua da Carreira, existe um emblemático edifício que alberga, desde 1865,  um dos estúdios fotográficos mais antigos do Mundo: o Atelier Vicente`s. Em Portugal apenas subsistem dois – o Atelier Vicente`s (Funchal) e a Casa-Estúdio Carlos Relvas (Golegã) -, ambos da segunda metade do século XIX. Este imóvel era uma antiga propriedade do morgado João Câmara Carvalhal Esmeraldo, negociado e adquirido a 27 de maio de 1865 por Vicente Gomes da Silva (1827-1906). Mais tarde, entre 1886 e 1887, o Atelier é alvo de uma profunda remodelação com colunas de ferro e construção de uma varanda corrida sobre o pátio e ampliação da residência para norte – nascente e do “estúdio” para Sul. O objetivo era instalar a nova morada e o atelier fotográfico num único espaço, com boas condições para acolher um público diverso e democrático, “tornando-se num dos mais antigos estúdios abertos ao público no nosso país” e um dos ex-libris do Funchal que muito contribuiu para a transformação da fotografia em produto de consumo, “permitindo que as classes menos abastadas se pudessem retratar, outrora privilégio de ricos”, lê-se na História Familiar/Administrativa/Biográfica do seu espólio documental.

Ao longo da sua história, o Atelier Vicente’s recebeu duas importantes distinções pelos seus trabalhos fotográficos, sendo que a primeira foi concedida em 1866 pelo império Austro-húngaro, na sequência do retrato da Imperatriz Elizabeth D’Aústria (1837–1898), mais comumente conhecida por “Sissi”, que Vicente Gomes da Silva captou em 1860, na Quinta Vigia, tendo sido agraciado com o título de “Photographe de Sa Majesté I’Impératrice d’Austriche”. Em 1903, o seu filho, Vicente Júnior (1857-1933), foi agraciado com o título de “Photographo da Casa Real Portuguesa”, pelos seus registos fotográficos da primeiro monarca português a visitar possessões ultramarinas: D.Carlos de Bragança (1863-1908) e da Rainha D. Amélia de Orleães (1865-1951) por ocasião da visita régia à ilha da Madeira em 1901. Por aqui passaram, por exemplo, os exploradores Hermenegildo Cabelo e Roberto Ivens, em 1885, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1921, para efectuar, e imortalizar, um retrato de estúdio a caminho da suas aventuras ultramarinas e explorações cientificas que tanto orgulho deram a Portugal e as lusitanas gentes.

Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s

Inaugurado no ano de 1982, o antigo “Photographia-Museu Vicentes” esteve fechado ao público durante cinco anos (2014-2019). Em julho de 2019, em função das obras de requalificação do edifício e do espaço museológico, que a devolveram ao traçado e características originais, passou a denominar-se “Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s (MFM-AV)”. Reabriu, com pompa e circunstância, para delicia dos amantes da história e arte fotográfica, com com uma exposição temporária intitulada “Tesouros da Fotografia Portuguesa do século XIX”. Foi eleito Museu Português do Ano em 2020, pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), a premiar a paixão e o carinho do seu diretor, funcionários e de todos os madeirenses pelo legado patrimonial e imagético das quatro gerações da Photographia Vicente. Recentemente, entre abril e julho de 2021, esteve patente uma exposição temporária sobre a retrospectiva da vida e a obra fotográfica do funchalense João Pestana (1929-2017).

Entre 1852 e 1978, as quatro gerações da família Vicentes documentaram acontecimentos históricos da Ilha da Madeira e retrataram os habitantes, ilustres e menos ilustres, da sociedade madeirense, monarcas portugueses e europeus, presidentes ou aventureiros que passavam  por estas latitudes. Além de manter o “studio” fotográfico original do fotógrafo insular Vicente Gomes da Silva, a Exposição permanente conta com uma vasta e interessante coleção fotográfica de inúmeros fotógrafos, profissionais e amadores, madeirenses: João Francisco Camacho, Vicente Photographos e Perestrellos Photographos. No mais antigo estúdio de fotografia existente em Portugal, os visitantes têm a possibilidade de observar de perto os cenários e adereços utilizados para fazer um retrato de estúdio, uma coleção de máquinas fotográficas, livros relativos às técnicas fotográficas e ainda mobiliário de época do antigo ateliê. Contém ainda a explicação dos diversos processos fotográficos que fizeram a história da arte fotográfica desde o séc. XIX e XX e de uma sala multimédia onde podemos visualizar um vídeo sobre a fotografia na Ilha da Madeira, materializando os anos de atividade da família de fotógrafos insulares: os Vicentes.

É de salutar e louvar a recuperação deste património edificado secular para a sociedade madeirense e para as comunidades de outras latitudes que visitam a Ilha da Madeira. Visitá-lo é reavivar a memória insular e a História da Fotografia no continente Europeu, imaginando como seria o quotidiano  e a vivência de um fotógrafo do séc. XIX. 

Deixo-vos, abaixo, um conjunto de imagens que ilustram a minha visita ao espaço e as peças museológicas que mais prenderam a minha atenção:

A agitação quotidiana da Rua da Carreira: o estúdio fotográfico, imóvel rosa à esquerda, situa-se no coração da urbe funchalense | OLIRAF ®Direitos reservados
Publicidade à “Casa Vicente” na Rua da Carreira | OLIRAF ®Direitos reservados
Pátio de entrada para o Atelier do Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s. ¬ OLIRAF ®Direitos reservados
Vicente Gomes da Silva, Júnior, que foi agraciado com o título de “Photographo da Casa Real Portuguesa”, em 1903, no âmbito da visita do casal real D. Carlos de Bragança e de D. Maria Amélia de Orleães à cidade do Funchal (1901). Tinha o direito de usar na fachada as armas reais portuguesa ¬ OLIRAF ®Direitos reservados
Aspeto parcial de uma Sala para Exposições Temporárias. As visitas são gratuitas. ¬ OLIRAF ®Direitos reservados
Vista geral do Estúdio Fotográfico e com os respetivos cenários oitocentistas ¬ OLIRAF ®Direitos reservados
Antigas máquinas fotográficas e respetivas objetivas ¬ OLIRAF ®Direitos reservados
Exemplo de um Daguerreótipo, um dos primeiros processos fotográficos que esteve em voga nos anos 40 e 50 do séc.XIX. ¬ OLIRAF ®Direitos reservados
NÃO PERCA AS MINHAS AVENTURAS E OLHARES FOTOGRÁFICOS NO INSTAGRAM E NO SAPO VIAGENS! UM ENCONTRO COM A HISTÓRIA, AO SABOR DAS IMAGENS…

📝Nota Informativa:

Em nome do Blogue OLIRAF, um agradecimento ao Museu de Fotografia da Madeira- Atelier Vicentes’s, na pessoa do diretor Filipe Bettencourt, pela forma como fomos recebidos neste novo espaço cultural madeirense.

🔗Para mais informações:

O Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s [Facebook e Instagram | @mfmvicentes] é um organismo tutelado pela  Secretaria Regional do Turismo e Cultura (SRTC) da Região Autónoma da Madeira (RAM) dispõe de uma loja, sala multimédia (onde se encontra a passar um pequeno “slide show” sobre visitantes ilustres e um filme documentário, normalmente sobre a ilha da Madeira), uma biblioteca e um serviço educativo (dinamiza visita guiadas ao seu acervo e às exposições temporárias desde que estas sejam previamente agendadas e que sejam cumpridos os requisitos de segurança impostos). 

A 13 de junho de 1979, o Governo Regional da Madeira ( RAM) adquiriu o valioso e riquíssimo arquivo fotográfico, com cerca de 800 mil negativos, datáveis entre 1876 e 1982. com posterior integração no Photographia-Museu Vicentes.  É um espólio documental detido pelo Photographia-Museu Vicentes (atual Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s), em depósito [desde 23 de junho de 2016, no Arquivo e Biblioteca Pública da Madeira (ABM), a fim de garantir melhores condições de conservação. O fundo está parcialmente disponível ao público em formato digital (poderá ser consultado online aqui), visto que o tratamento arquivístico deste espólio fotográfico encontra-se [ainda] em curso. 

Horário de funcionamento
De terça a sábado: 10.00h às 17.00h
Encerra aos domingos e segundas-feiras e dias feriados nacionais, regionais e municipais

Ingresso
Geral: 3 €
Grupos organizados por agências de viagens ou associações:  2,50 €
Portadores do Cartão Jovem: 1,5 €
Reformados: 1,5 €

Entrada Livre
Crianças
Membros da APOM / ICOM ou de quaisquer entidades públicas ou privadas afins, nacionais ou internacionais
Estudantes
Jornalistas e profissionais do Turismo no desempenho das suas funções e devidamente identificados
Guias
Professores desde que devidamente identificados
Funcionários da Secretaria Regional que tutela o Museu

O acesso às Exposições Temporárias é gratuito.

Contactos e Localização

Tutela: Direção de Serviços de Museus e Património Cultural – Direção Regional da Cultura

Endereço: Rua da Carreira, n.º 43, 9000-042 Funchal

GPS: Lat: 32,6490036 Long: -16,910297600000035

Telf(s): +351 291 145 325

E-mail: mfm-avicentes@madeira.gov.pt

Uma escapadinha à Ilha da Madeira está nos seus planos?

A página VISIT MADEIRA é o Site Oficial do Turismo da Madeira. Trata-se de um organismo regional – Associação de Promoção da Madeira – que promove e divulga o destino Madeira no mercado internacional e interno. Nele, o leitor, poderá encontrar inúmeras informações da oferta, extensa e diversificada, de onde dormir, o que fazer, as levadas, passeios de barco, empresas de animação turística, restaurantes, alojamentos  e os eventos que a Madeira e o Porto Santo têm para oferecer.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. As recomendações de produtos turísticos baseiam-se nas experiências [reais] de viagem e o conteúdo editorial é independente de terceiros.  Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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💻  Texto: Rafael Oliveira  📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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 FOTOGRAFIA✈︎VIAGENS✈︎PORTUGAL©OLIRAF (2021)

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🏺Tavira, o legado islâmico (713-1242).

📜Situada no sul de Portugal, no Sotavento Algarvio, Tavira foi a primeira povoação do Algarve a ser elevada a Cidade, a 16 de março de 1520, em carta outorgada por D.Manuel I (1495-1521). Durante o dominio islâmico (713-1242), a vila algarvia foi um próspero e independente Reino Taifa do Al-Andalus (Séc.XII): uma comunidade marítima de piratas. Foi o porto de mar que deu a fortuna e nobreza a Tavira. Era a cidade mais populosa do Algarve nos séculos XV/XVI e detinha um importante porto fluvial para apoio às armadas reais e da defesa das praças conquistadas no Norte de África (Marrocos) pelos portugueses. Tavira é um ponto obrigatório para incluir num roteiro histórico-cultural pela região algarvia. A Cristandade e o Islão foram essenciais na formação e na identidade tavirense e algarvia.

Em árabe, Tabîra quer dizer “a escondida”. Esta cidade do Sotavento Algarvio possui muitas curiosidades e é um regalo para os nossos olhos. E porquê? Vejamos, Tavira possui a beleza do seu rio Gilão, das suas salinas, da ria formosa, as suas antigas muralhas donde podemos avistar a arquitetura urbana e religiosa e os museus que contam o seu dinamismo comercial e estratégico ao longos dos tempos. A partir do Século XII, esta localidade algarvia tornou-se um dos principais centros marítimos e comerciais da costa algarvia. Havia dois factores: um porto defensável e a posição estratégica da estrada que ligava, através da ponte do rio Gilão, Sevilha a Silves. Juntamente com Xilb (Silves) e Ossónoba (Faro), a Tabîra islâmica era uma das mais importantes cidades do Gharb Al-Andalus. Ao percorrer o centro histórico da cidade, podemos comprovar esta importância pela dimensão do seu Castelo e, mais tarde, com as inúmeras Igrejas em diversos estilos arquitectónicos são como uma viagem pela História de Arte em Portugal.

Ponte Velha, datada do séc.XVII, sobre o rio Gilão, e os célebres “telhados de tesoura” de Tavira

Tavira islâmica: um resumo histórico…

Aquando da chegada dos seguidores de Maomé, ao Al Garb al Andaluz, em 712, Tavira estaria deserta ou, na melhor das hipóteses, perdera o fulgor económico e mercantil de outras épocas, particularmente, na época os fenícios. Durante os séculos de domínio árabe, a fortaleza de Cacela, por exemplo, detinha um estatuto de maior importância militar por, ser aí a barra do Rio Gilão. Assim, Tavira seria uma urbe muçuçulmana tardia na história da presença da civilização islâmica da Península Ibérica (711-1492), a comprovar pela falta de elementos materiais anteriores ao século XI. Os muçulmanos conferem à urbe um novo ânimo social, económico, comerical e militar nos séc.XI-XII, chegando esta a ser capital de um Reino Taifa e, durante período almóada, capital de um distrito. Em finais do séc. X/inícios do XI, o castelo é construido no topo da colina de Santa Maria. Entre 1151 e 1167, sob o comando de Amil b. Munib, resistiu com êxito a dois cercos do califa almóada Abu Muhammad ‘Abd al-Mu’mim al-Qa’im. As gentes de tavira eram conhecidas pelas sua forte resistência a poderes centralizadores e movimentos expansionistas do Magrebe, tais como, os almorávidas e os almóadas. Com o avanço da reconquista cristã, a urbe islâmica vai aumentar siginificativamente a dimensão do recinto muralhado com a fixação de população vindos do norte da Peninsula Ibérica em busca de refúgio para áreas com fronteiras mais estáveis a sul e longe da fronteira beligerante entre as hostes cristãos e mouriscas. Os almorávidas dotam Tavira de uma primeira muralha, nos finais do século XI, e mais tarde, os Almóadas fazem uma reforma profunda durante a segunda metade do séc.XII, passando esta a integrar a rede de castelos defensivos do Algarve. Ainda hoje, existem inúmeros vestígios de restos de muralhas construidas em taipa e na alcáçova, conserva-se um exemplar de uma torre albarrã hexagonal.

Torre do Relógio da Igreja de Santa Maria do Castelo – Tavira

A Igreja de Santa Maria do Castelo foi construída após a conquista de Tavira pela Ordem de Santiago (1242) na segunda metade do século XIII e XIV, em estilo gótico, no local onde anteriormente se situara a mesquita maior de Tavira- Estava localizada, no coração da urbe islâmica, dentro do perímetro muralhado e nas proximidades da antiga alcáçova. Mais do que falar sobre as raízes da História da cidade de Tavira, o Núcleo Museológico Islâmico desta cidade é um convite à descoberta do legado material e imaterial da época islâmica. Este núcleo do Museu Municipal de Tavira foi inaugurado em 2012 precisamente no local onde foi achado o famoso “Vaso de Tavira” (1996). Tem na sua exposição permanente – Tavira Islâmica – uma abordagem histórica sobre  a cidade no período islâmico até à reconquista cristã. Resultou, assim, das intervenções arqueológicas efectuadas em vários locais do centro histórico da cidade como, por exemplo, a identificação de um bairro almóada, datado dos finais do século XII/inícios do século XIII, durante as obras de requalificação e adaptação do antigo convento de Nossa Senhora da Graça a Pousada da Enatur (Empresa Nacional de Turismo).

 Núcleo Museológico Islâmico – as origens e o auge da Dinastia Omíada (713-1031) – Museu Municipal de Tavira

Encontro-me com a Dr.ª Sandra Cavaco, a arqueóloga do Município de Tavira, que será a minha guia nesta viagem pela máquina do tempo. A sua linguagem é simples e direta, indo ao encontro dos meus interesses. Fala-me do passado milenar desta cidade, habitada por civlizações antigas, em virtude da sua posição estratégica (oceano atlântico) e comercial (porto de pesca e salinas). Na época islâmica, a cidade de Tabîra era uma “República” de Piratas que atacavam o comércio maritimo muçulmano ou cristão, dando guarida a gentes de má fama. Por esta razão, o poder centralizado e unificado islâmico – os Almorávidas e Almóadas – por sucessivas ocasiões intentou submeter esta cidade de piratas à sua lei. Os Tavirenses só submeteram-se as hostes cristãs no final da primeira metade do séc.XIII à Ordem Militar de Santiago. De acordo com a Crónica da Conquista do Algarve, Tavira foi conquistada aos mouros, em 1242, pelas hostes cristãs de D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago, como represália pela morte de sete dos seus cavaleiros hospitalários – D. Pedro Pires (Peres ou Rodrigues, comendador da Ordem de Santiago de Castela), Mem do Vale, Durão (ou Damião) Vaz, Álvoro (Álvaro) Garcia (ou Garcia Estevam), Estêvão (Estevam) Vaz (Vasques), Beltrão de Caia e mais um mercador judeu de nome Garcia Roiz (ou Rodrigues) – que caçavam nas imediações da cidade islâmica durante um período de tréguas entre as forças cristãs e a guarnição islâmica. O acordo de paz foi quebrado quando os cavaleiros se aproximaram de Tavira. No interior da Igreja de Santa Maria do Castelo, concretamente nas paredes laterais da capela-mor, estão sepultados estes guerreiros e mártires cristãos que morreram na reconquista cristã de Tavira. Aqui, denotamos a importância crucial da Ordem Militar de Santiago na promoção da reconquista cristã do Alentejo e do Algarve, bem como na afirmação e estabelecimento de Portugal como nação independente.

Vaso islâmico decorado com figuras e animais, datado do séc.XI

Vaso de Tavira é um dos mais expressivos testemunhos da vida na região do Al Andaluz durante o século XI.. É o ex-libris deste espaço museológico e da sua exposição permanente. Trata-se do mais famoso vestígio islâmico da cidade. Segundo os académicos, o vaso cerâmicom de cariz popular, parece representar um rapto nupcial. Apresenta no bordo onze figuras e nas paredes, linhas, retículas, peixes e outros elementos pintados a branco. Destaca-se a noiva com a face descoberta e o noivo com um turbante, ambos a cavalo; um besteiro e um cavaleiro; um tocador de tambor e de adufe; uma tartaruga e várias pombas; e o dote, constituído por um bovídeo, um caprídeo, um camelo e um ovino. Importa também destacar, a torre em Taipa Militar, os restos da muralha islâmica do século XII e o capitel em mármore branco datado da época califal omíada, originária das oficinas da Madinat al-Zahra em Córdoba. Os Muçulmanos foram expulsos, em conjunto com a comunidade judaíca, no final do séc. XV. Ainda hoje, as marcas islâmicas são, ainda, visíveis no centro histórico. Veja-se o topo da antiga colina de Santa Maria – os restos da antiga muralha e castelo islâmico e a mesquita maior – as icónicas portas de reixa, de finos entrelaçados de madeira, evocadoras da herança árabe presente na cultura algarvia.

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📝Nota Informativa:

No âmbito da iniciativa «Redescobrir os Segredos do Algarve | Rota Omíada», promovida pelo Turismo do Algarve com o apoio da Direção Regional de Cultura e do Município de Vila do Bispo, o Blogue OLIRAF relizou um roteiro histórico-cultural pelos 11 municípios, onde se inclui o concelho de Tavira, e 14 localidades que integran a Rota Omíada do Algarve durante o mês de Dezembro de 2016.

🚏 Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

🔗Para mais informações:

Consulte o nosso artigo sobre a Rota Omíada do Algarve (Blogue OLIRAF) para preparar um roteiro histórico-cultural durante as suas férias algarvias, com base no legado omíada no Algarve, onde disponibilizamos inúmeras sugestões, dicas e experiências temáticas de descoberta e exploração da diversidade territorial desta região portuguesa. As experiências disponibilizadas desafiam os turistas a explorar o território e a aumentar o seu tempo de estada na região, com flexibilidade para parar, contemplar e experimentar o muito que há para conhecer, desde os vestígios de castelos e muralhas urbana, testemunhos arqueológicos, espaços museológicos e a diversidade da gastronomia local. Para mais informações sobre a Rota Omíada e a cidade de Tavira, clique nos seguintes links:

Região de Turismo do Algarve – Rota Omíada

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Projeto Umayyad Route (Site) | Roteiro Omíada Algarve (PDF)

Museu Municipal de Tavira

Centros históricos de influência islâmica : Tavira, Faro, Loulé, Silves. [ed.] Instituto de Cultura Íbero-Atlântica; coord. Valdemar Coutinho. Portimão : I.C.I.-A., 2001. 55, [3] p. : il. ; 23 cm + 4 f. desdobr. em bolsa resguard.

DOMINGUES, José D. Garcia – O Gharb al-Andalus. Silves : Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves, 2011-. v. : il. ; 21 cm

CORREIA, Fernando M. R. Branco. Fortificações urbanas da época islâmica no Algarve, Património islâmico dos centros urbanos do Algarve: contributos para o futuro, 2002, pp.81-90

FERNANDES, Carla Varela.- A Igreja de Santa Maria do Castelo de Tavira. Lisboa: Colibri e Câmara Municipal de Tavira, 2000. 160 pp.: il.; 260 mm

MAIA, Maria Adelaide Garcia Pereira Andrade, MAIA, Manuel Maria da Fonseca Andrade. As muralhas medievais e post-medievais de Tavira, Património islâmico dos centros urbanos do Algarve:contributos para o futuro, 2002, pp.66-80

TAVIRA. Museu Municipal. Núcleo Islâmico – Tavira islâmica. Coord. Maria Maia… [et al.]; textos Ahmed Tahiri… [et al.]; fot. António Cunha, Ana Vieira, Susana Gonçalves. Tavira : M.M. : Câmara Municipal, 2012. 125 p. a 2 colns. : il. ; 29 cm. Contém bibliografia. ISBN 978-972-8705-45-9

TORRES, Cláudio – O vaso de Tavira : uma proposta de interpretação. Fot. António Cunha. Mértola : Campo Arqueológico de Mértola, 2004. 25, [1] p. : il. ; 22 cm. Contém bibliografia. ISBN 972-9375-22-4

VAZ, Adérito Fernandes – Uma visão de Tavira islâmica. [S.l.] : Jornal do Sotavento, 2001 (Tavira : Tip. Tavirense). 264 p. : il. ; 21 cm. Bibliografia, p. 261. ISBN 972-95621-1-3


Nota importante [🔍]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. As recomendações de produtos turísticos baseiam-se nas experiências [reais] de viagem e o conteúdo editorial é independente de terceiros. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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🖋 Texto: Rafael Oliveira   📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 

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FOTOGRAFIA✈︎VIAGENS✈︎PORTUGAL©OLIRAF (2020)

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📌 À descoberta do Museu Militar de Elvas: um olhar fotográfico…

Elvas foi a “sentinela” do Reino de Portugal. Segundo o historiador Rafael Moreira (1986:80), “Do rigor teórico à urgência prática: a arquitectura militar, História da Arte em Portugal, vol. 8”, a cidade alentejana de Elvas foi o primeiro espaço fronteiriço a ser “fortificado de modo permanente” durante e depois da Guerra da Restauração em 1640, sendo então designada capital militar do Alentejo e a mais importante praça-forte que assegurava a Independência de Portugal, em virtude de estar a menos de 10 km da fronteira luso-espanhola. Esta vila alentejana, citando J.H.Saraiva (RTP Ensina), é um dos  lugares “mais ensanguentados e mais martirizados” do território português. Afinal, a 14 de Janeiro de 1659, foi aqui que ocorreu a Batalha das Linhas de Elvas.

O Museu Militar de Elvas é um reflexo desta importância histórico-militar para o nosso país. De facto, este espaço museológico contém um dos mais importantes acervos bélicos de Portugal Continental, onde podemos contactar com o passado histórico-militar com mais de três séculos. Importa salientar que, em 2012, a cidade de Elvas foi classificada Património Mundial da Humanidade como “CIDADE-QUARTEL FRONTEIRIÇA DE ELVAS E SUAS FORTIFICAÇÕES”, tendo recebido mais de um milhão de visitantes desde a sua distinção pelo comité da UNESCO.

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Incorporado no seio das fortificações abaluartadas (1645-1653), da autoria do jesuíta João de Cosmander, designadamente nas antigas instalações do Regimento de Infantaria 8 (Convento de São Domingos, a Muralha Fernandina e parte das muralhas e baluartes Seiscentistas), este espaço museológico tem inúmeros pontos e elementos  expositivos de interesse, tais como, o Centro de Interpretação do Património de Elvas, a História do Serviço de Saúde do Exército, o salão de Hipomóveis e Arreios Militares e inúmeras viaturas bélicas que fizeram parte da história-militar de Portugal do séc. XX. Tem como missão a “a promoção, a valorização, o enriquecimento e a exposição do património histórico-militar à sua guarda”, pode ler-se no site. Faz parte da Rede Portuguesa de Museus (RPM) da Direção Geral do Património Cultural (DGPC).

Trata-se do maior museu em área de implantação de Portugal. Ao todo são 150.000m2 e uma área coberta de 14.000m2. Actualmente a área deste espaço museológico ultrapassa os 3.500m2. Com uma elevada carga arquitectónica e histórica, este espaço tem um valiosíssimo património onde se História da cidade de Elvas e de Portugal. Pedras com História. O Quartel do Casarão faz parte de antigas dependências construídas no séc. XVIII, depois da campanha de 1762-63 pelo engenheiro militar Valleré, autor da traça do Forte de Nossa Senhora da Graça. Trata-se de um conjunto de antigas Casernas do Quartel da Cavalaria, hoje ocupadas por circuito expositivo sobre as comunicações do Exército Português. Cada uma ostenta um nome de um combate onde a arma de cavalaria se notabilizou, designadamente nos sertões de África nos finais do séc.XIX. mantendo ainda hoje a sua traça original.

O Salão Hipomóvel está localizado numa sala do inicio do séc XIX, quando uma parte do espaço era ocupado quartel de cavalaria, houve a necessidade de construir cavalariças para alojar 500 cavalos e milhares de soldados, estas desenvolviam se ao longo de toda a atual parada Mouzinho de Albuquerque, num comprimento total de 120 metros. Chegados a meados do séc XX, com a sucessiva substituição da força motora dos equinos pelos automóveis, e com a necessidade de proporcionar condições mais dignas aos militares que aqui prestavam serviço, foi desanexada parte da cavalariça para adaptação a refeitório de praças.

As salas de dedicadas ao armamento rebocado por animais (Hipomóveis), na sua quase totalidade artilharia, podemos encontrar exposto os seguintes objectos bélicos: tiro de Artilharia composto por 3 parelhas, armão de transporte de munições e peça“Scheneider Canet” de 7,5 mm Modelo 1904; Canhão revolve “Hotckiss”de 40mm Modelo 1904. Carro de Ferramenta de Esquadrão Modelo 1907. Peça de Artilharia 11,4 cm tiro rápido Modelo 1917; Ambulância de Campanha Modelo Francês do ano 1890; Peça “AB Bofors” calibre 75mm. Modelo 1934; Caixa de Cirurgia de Campanha com instrumentos e material sanitário.

O “amarelo militar” é uma constante ao longo do espaço exterior do Museu de Elvas, à excepção de um pequeno troço que contém as antigas muralhas fernandinas do séc.XIV. Ainda no exterior, o visitante poderá contactar com armamento pesado exposto ao ar livre, com inúmeras peças de artilharia rebocada. Em primeiro plano, obus de campanha 150mm, “Bofors”, de fabrico sueco, no ano de 1885. Em segundo plano, um obus de campanha de 150mm modelo 1937, de origem nipónica, desconhecendo-se a sua chegada ao nosso país. Ao fundo, podemos visualizar dois obuses de campanha de 140mm modelo 1942, de origem inglesa.

No espaço exterior do Museu Militar, o visitante pode contemplar a área envolvente das fortificações e muralhas abaluartadas da cidade de Elvas. É o caso do Forte de Nossa Senhora da Graça. Para mim, uma das mais belas fortificações do nosso país e, quiçá, do Mundo. De facto, a vista aérea deste fortificação do séc.XVIII espelha a beleza arquitectónica, enquadrada estrategicamente com a paisagem à sua volta. À primeira vista, desde o Quartel do Casarão, esta fortificação parece-nos “inofensiva” à distância. Foi erigido a pensar para resistir a cercos prolongados, atestando a sua solidez e à prova de bomba.

A “Coleção de Viaturas Militares do Museu Militar de Elvas” contém inúmeras viaturas histórico-militares que fizeram parte da História Militar de Portugal.  Na imagem, temos o “burro do mato” Mercedes Benz UNIMOG 411, de fabrico alemão,  foram intensamente usados desde 1957 até aos anos 80. Também esta é uma das viaturas emblemáticas das campanhas de África, podia transportar 10 militares, sem qualquer protecção, mas dispostos (costas com costas) de modo a poderem saltar rapidamente da viatura e reagir a emboscadas.  A icónica CHAIMITE V-200, veiculo da Revolução de 25 de Abril de 1974, que fazia uma visita-guiada pelos espaços do acervo do Museu Militar de Elvas.

Durante o “XI Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos / Um Dia no Museu Militar – Elvas 2017”, organizado pelo Exército e pela Associação Portuguesa de Veículos Militares, tive a oportunidade de fotografar e andar em inúmeros veículos militares que fizeram parte da História Militar de Portugal. Com entrada livre, este  evento proporciona um conjunto de actividades pouco vulgares com esta dimensão em Portugal, onde podemos visualizar os veículos e carros de combate que pertenciam ao Exército e que foram recuperadas pela Associação Portuguesa de Veiculos Militares (APVM), em colaboração com o Exército Português. A maioria faz parte do nosso imaginário colectivo (Chaimite, Berliet-Tramagal, UMM, Unimogs,etc), especialmente para os apaixonados por temas bélicos, visto que muitas delas ajudaram a escrever as páginas da História de Portugal.

Os visitantes e os amantes de veículos militares poderão visualizar inúmeras demonstrações dinâmicas de todos os tipos de veículos militares, jipes, pesados de transporte, tratores de artilharia e blindados de combate (alguns exemplares raros), a reconstituição de cenários militares da Guerra colonial Portuguesa, II Guerra Mundial e Vietname, a iniciação à prática de slide e rapel, realizar visitas orientadas por guias especializados às coleções de transmissões e viaturas militares do MME, bem como passeios em veículos militares nos espaços do Museu. Na imagem podemos visualizar duas viaturas: do lado esquerdo um Unimog 404, de origem alemã, e do lado direito o AEC MATADOR 4X4 MA/40/44/46 com reboque de um obus de 140mm M1943, de origem britânica. Estes “clássicos bélicos” foram usadas no contexto africano, como veículos de transporte de pessoal, material e de  tracção de artilharia, respectivamente.

A Berliet-Tramagal GBC8KT 4X4 com uma metralhadora quádrupla de artilharia antiaérea 12,7 mm m/953, de origem norte-americana. Estes veículos foram adaptados no contexto da Guerra Colonial (1961-1974) e foram chamados a participar em inúmeras operações militares, em virtude da sua extraordinária capacidade em termos de ângulo e capacidade de tiro, sendo capazes de disparar contra alvos aéreos e terrestres. Foi possível comprovar que o material está em perfeita condições.

As reservas do Museu Militar de Elvas: junto às muralhas e baluartes seiscentistas existem inúmeras “carcaças” e peças de antigos carros de combate, veículos de transporte de tropas e artilharia rebocada que fizeram, e fazem, parte do nosso imaginário colectivo e alguns escreveram as páginas da História de Portugal e do Mundo. A maioria das reservas chegou dos inúmeros depósitos de material bélico do Exército Português, encontram-se a céu aberto aguardando a sua hora para recuperação, bem como outras estão colocadas em armazéns. Aguardam colocação na área visitável, consoante a disponibilidade dos voluntários da APVM e do recursos financeiros para comprar material para a sua reabilitação.

Na imagem acima podemos visualizar o icónico carro de combate M4 Sherman, de origem norte-americana, utilizado pelas forças aliadas em vários cenários da IIªGuerra Mundial contra as forças do Eixo. Neste caso, trata-se de um carro de combate do exército português aguardando a sua recuperação pelos associados da APVM, onde o objectivo é “manter a rolar”, evitando assim o esquecimento ou a sua condenação à sucata. Para quem nunca viu ou andou numa Chaimite, por exemplo, o trabalho da APVM proporciona (re) viver os tempos das picadas de África e os acontecimentos do 25 de Abril de 1974.

A Viatura Blindada de Reconhecimento Panhard EBR 75 17 Ton. 7,5cm 8X8 M/1959 é uma dos carros de combate icónicos da Revolução dos Cravos. Ao todo, em 1959, Portugal adquiriu 50 unidades  com a torre FL 10 e peça de 75 mm à França (Anciens Établissements Panhard-Levassor SA) Destas 21 foram enviadas para Angola (ficaram sediadas em Luanda e Silva Porto) e as restantes ficaram em Portugal Continental. Esta viatura esteve ao serviço do nosso país entre 1959 e 1984.

Na imagem acima temos o carro de combate M47 ‘Patton’, de origem norte-americana, que serviu no Exército Português, entre 1952 e 1984, na Escola Prática de Cavalaria. Fez parte de um episódios da Rua do Arsenal e da Ribeira das Naus, espaços onde ficou “decidido” o 25 de Abril de 1974. É gratificante aperceber-me que as autoridades militares estão conscientes da importância da preservação e valorização do património histórico-militar, bem como da sua abertura à comunidade civil. De facto, estes eventos proporcionam momentos lúdicos que nos ensinam a admirar e a olhar para a importância da salvaguarda do material circulante do Exército Português, bem como possibilita um incremento de visitantes para a temática do turismo militar na cidade de Elvas.

Em suma, este olhar fotográfico foi pequeníssima amostra das reservas, dos espaços e elementos que dão corpo ao Museu Militar de Elvas. A meu ver, a Associação Portuguesa de Veículos Militares tem feito um trabalho notável, tendo em conta, os parcos recursos humanos e financeiros à sua disposição. A maioria dos associados faz trabalho voluntário. Acima de tudo, estes nutrem uma grande paixão por veículos que fizeram parte dos episódios da História de Portugal, visto que uma vez por mês passa um fim-de-semana nas oficinas de Elvas a recuperarem os  veículos militares fabricados ou montados em Portugal: os icónicos camiões Berliet-Tramagal, blindados Chaimite, jipes Cournil e Alter da UMM.

Para mais informações:

Turismo do Alentejo

Câmara Municipal de Elvas

Museu Militar de Elvas

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Dia de encerramento: 2ª feira e feriados de 25 de Dezembro e 1º de Janeiro. Para mais informações sobre o Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos / Um Dia no Museu Militar – Elvas 2017, contacte a Associação Portuguesa de Veículos Militares pelo email apvmilitares@gmail.com.

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linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷

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