📌À descoberta do Porto: um roteiro fotográfico pela cidade invicta 📷

Explorando a cidade do Porto, Portugal, em poucos dias…

Na minha incursão ao Norte de Portugal, tirei dois dias para fotografar uma das mais belas cidades de Portugal Continental: a cidade do Porto. Qual o resultado? O resultado é um mosaico riquíssimo de beleza e variedade paisagística urbana e cultural. Siga-me nesta aventura passo a passo, onde poderá visualizar os meus «spots» favoritos e saber um pouco da história destes locais, através das minhas imagens.

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A cidade do Porto e o rio Douro são duas constantes, que de mãos dadas, sob um céu nublado, nos acompanham permanentemente. De facto, nesta cidade milenar os edifícios são marcados por uma arquitectura civil e religiosa de diversas épocas – Romana, Medieval, Renascença, Barroca, Neoclássica e Contemporânea.
A intensa procura comercial e do investimento estrangeiro no vinho desta região assim determinou a tomada deste gesto político. Os ingleses procuravam vinho nestas paragens, como alternativa aos vinhos franceses, por exemplo, da região de Bordéus. O Tratado de Methuen ajudou ao fomento comercial e económico desta região.

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Farto da rotina do trabalho? Precisa de Inspiração para um trabalho académico? Ou simplesmente quer conhecer uma cidade Portuguesa? E sem gastar muito? Então, faça uma «City break». No meu caso, parti à aventura pela cidade de que dá o nome a Portugal: a cidade do Porto.

1. Centro Histórico do Porto

O Centro Histórico do Porto, a área mais antiga da cidade do Porto, foi classificado como Património Cultural da Humanidade, pela UNESCO, em 1996. Nele se encontra o testemunho das origens medievais da cidade, num conjunto urbano granítico que apresenta uma imagem de rara beleza em diversos estilos arquitectónicos.

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Percorrer a pé as típicas ruelas deste núcleo é deparar em cada passo com um monumento de valor incontestável, a reconhecida hospitalidade das gentes da cidade e uma panorâmica deslumbrante sobre o casario e sobre o rio Douro. A descoberta do centro histórico faz-se de muitas formas e daqui partem múltiplos caminhos que conduzem às restantes zonas da cidade. A pé, de autocarro, de eléctrico, de mota, de funicular, de carro, de barco ou de metro…

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2. Caves do Vinho do Porto (Gaia)

A Região do Douro é, numa palavra, vinho. Vinho e Vinha. Como em qualquer região de Portugal, os Durienses participaram na História de Portugal. Portugal começou aqui. Foi aqui. Influenciaram-na e por ela foram condicionados. Ajudaram a consolidar a nacionalidade (espanhóis, contra os exércitos franceses e nas lutas liberais ao longo do Século XIX), por inúmeras vezes e, claro, deram o seu contributo para os descobrimentos marítimos com as suas famosas «tripas».

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O centro histórico do Porto e a margem do rio Douro do lado de Gaia, onde ficam as famosas caves do Vinho do Porto estão classificados Património Mundial. Visitar as caves do vinho do Porto e provar o vinho no seu ambiente peculiar. A partir da Ribeira, podemos atravessar a pé a ponte D. Luís e ver deste lado, uma das mais bonitas vistas sobre o Porto. E ainda se pode passear no teleférico de Gaia, que sobe e desce deste lado do rio, para apreciar uma bela vista do Jardim do Morro.

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O Vinho do Porto faz-se numa região demarcada. Demarcar significa dar identidade. É um produto singular, com personalidade e identidade, fruto da capacidade e da relação do Homem e o Meio. A Forma e o feitio. Segundo Jaime Cortesão, o Douro «é o mais belo e mais doloroso monumento ao trabalho do povo português», in António Barreto, Douro: Rio, Gente e Vinho (2014).

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3. Miradouro da Serra do Pilar e Jardim do Morro

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A Estação de Metro do Jardim do Morro é ideal para contemplar a cidade do Porto, a partir de Gaia. Dali podemos  subir até ao Mosteiro da Serra do Pilar ou ao Jardim do Morro para visualizarmos uma paisagem urbana exemplar e única.

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4. Igrejas e Conventos da Cidade do Porto

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Vale a pena perder um pouco do seu tempo para sentir  a magnificência do «poder da pedra granítica»   destes edifícios eclesiásticos, muitos em estilo barroco, onde  espera-nos o interior com talha dourada e as paredes o exteriores revestidas com fabulosos azulejos. Se quiser ter uma vista panorâmica sobre o centro histórico do Porto, pode subir a torre dos clérigos,por cerca de 3 €.

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5. Centro Português de Fotografia (C.P.F)

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O Centro Português de Fotografia (CPF) foi um organismo criado e inserido na orgânica do extinto Ministério da Cultura, em 1997, pelo Decreto-Lei n.º160/97 de 25 de Junho, com sede na antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, onde agregou os diversos espólios fotográficos do Arquivo de Fotografia do Porto e de Lisboa. Esta instituição referência para o panorama arquivístico e cultural nacional surgiu em virtude da «cultura fotográfica começava então a reanimar-se pelo aparecimento de escolas de fotografia, festivais e galerias que recuperavam fotógrafos “malditos” ou afastados no regime salazarista e divulgavam a obra de importantes fotógrafos internacionais.» [1]

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Hoje em dia é uma unidade orgânica da Direcção-Geral de Arquivo (DGARQ). As Competências deste «Arquivo Nacional da Fotografia Portuguesa» visam divulgar o conhecimento do património fotográfico que custodia, bem como a sua salvaguarda, tratamento arquivístico e a valorização do espólio fotográfico. De salientar, que o CPF é a autoridade, dentro da DGLAB, que elabora os respectivos instrumentos de descrição e pesquisa – orientações normativas – para a documentação fotográfica, de acordo com as orientações da Direcção Geral do Livro, Arquivo e Bibliotecas. [2]  Este arquivo conta com cerca de 2 milhões de documentos fotográficos, com importantes fundos e colecções de personalidades, fotógrafos, empresas particulares, casas fotográficas, entre outras.

6. Jardim das Virtudes e do antigo Palácio de Cristal

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O Palácio de Cristal foi inaugurado em setembro em 1865 pelo rei D. Luís, para receber a Exposição Internacional do Porto. Em 1951, durante a vigência, do Estado Novo foi demolido para dar lugar ao actual Pavilhão Rosa Mota. Hoje em dia, os jardins são o único legado deste património. A partir daqui, podemos apreciar uma bela vista sobre a cidade do porto e o rio Douro.

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7. Passeio da Foz do Porto até ao Castelo do Queijo

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Um passeio pela Foz é uma boa sugestão se pretende caminhar e observar belas vistas sobre o mar e para apreciar o pôr do sol num final de tarde solarengo. Ao longo do percurso entre a Pérgola e o Forte do Castelo do Queijo, pode sempre parar para nas dezenas de  café e esplanadas nas proximidades  para relaxar ou saborear a gastronomia local.

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E a citação da viagem:

«(…) A fotografia desenvolve-se em consonância com uma das actividades mais características da actualidade: o turismo. Pela primeira vez na história, um largo sector da população sai regularmente do seu meio habitual por curtos períodos de tempo . E parece bem pouco natural passear sem levar a câmera fotográfica. A fotografia será a prova indiscutível de que a viagem foi feita, de que o programa se cumpriu e de que as pessoas se divertiram.».

in SONTAG, Susan (2012) – Ensaios sobre Fotografia. Lisboa: Quetzal, pp.16-17

Locais que deve ainda visitar…

  • visitar a Casa do Infante, junto à Ribeira
  • admirar a vista noctura do Miradouro do Jardim do Morro (Gaia)
  • de dia ou à noite, passear pela rua Galeria de Paris e adjacentes, perto da Torre dos Clérigos e Livraria Lello.
  • Mercado do Bulhão
  • Museu Serralves e Soares dos Reis
  • Casa da Música
  • provar uma francesinha, uma das especialidades do Porto
  • provar os peixes frescos e mariscos, ou os bolinhos de bacalhau
  • conhecer um pouco da frente marítima do Porto
  • Passeio no Parque da Cidade

Como chegar:

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A compra da viagem foi com um mês de antecedência na companhia low-cost irlandesa Ryanair e custou, sensivelmente, 30 €.  A ida foi 20 € e a vinda por 10 €. Se comparamos com o meio de transporte ferroviário, o avião tem uma melhor relação custo/tempo. Demoramos cerca de 40 minutos até ao Porto, ao contrário das quase 3h no comboio.

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Cartão Andante (24h/7 €)

Onde ficar:

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Rivoli Cinema Hostel (15 €/Noite + Peq.almoço incluído)

Onde Comer:

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Restaurante A Tasquinha  – Rua do Carmo, Nº23,Porto (10 €/Refeição)


Não deixe de visitar alguns miradouros e monumentos da cidade do Porto. A Estação de São Bento é ideal para iniciar o percurso pelo centro histórico do Porto. Esta contém um átrio forrado a azulejos com alguns acontecimentos que fizeram a história de Portugal. Um pouco mais à frente fica a Sé do Porto, a não perder, onde é possível avistar uma excelente panorâmica sobre o douro, as caves do vinho do Porto e Gaia. Deste ponto, podemos descer umas escadinhas e ruas medievais até à Ribeira do Porto, que contém restauração e locais pitorescos, e onde podemos admirar a Ponte Luís (Gustavo Eiffel, 1889) e, de seguida, subir para o Miradouro do Convento da Serra do Pilar onde poderemos admirar uma bela vista sobre o Centro Histórico do Porto. Bem próximo do Centro Histórico do Porto, pode subir à Igreja dos Clérigos e visitar o Centro Português de Fotografia (CPF) na antiga Cadeira da Relação da Cidade do Porto.

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Na minha opinião, a cidade invicta pode ser um ponto de partida para conhecer a região do Douro Vinhateiro, conhecidas pela sua beleza, imponência e pela agricultura tradicional, bem como de outras cidades como a Régua, por exemplo. E o que levo desta viagem? Apenas recordações. Com elas,  o Mundo deixa de estar «lá fora» para passar a estar «dentro» das fotografias. Então, vai seguir o meu conselho? Faça uma «city break»…e deixe-se surpreender por Portugal! Enjoy it.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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FONTES

[1] In História do Centro Português de Fotografia http://www.cpf.pt/historia.htm

[2] In Guia de Fundos e Colecções Fotográficos 07, DGARQ, CPF, 2007,p.8

🌏Le maroc que J´aime: Chefchaouen…

Marrocos é um país pitoresco que por estar tão perto de Portugal e ser tão exótico merece uma visita de qualquer viajante andarilho. Estreei-me na região do Magrebe (Marrocos) em 2013. E sabem uma coisa? Nenhum homem pisa e olha a mesma cidade duas vezes.  As ruas são as mesmas, mas o homem não! E sempre que volto a este reino islâmico (sunita), faço com o mesmo entusiasmo, empenhamento e divertimento com o que fiz pela primeira vez. E espero voltar sempre que puder, seja em trabalho ou em férias,mas sempre com prazer. No total, são duas vezes, duas experiências sempre diferentes. Além de Portugal, é o país onde me sinto mais à vontade, ou seja, mais em casa. É por isso que escrevo este artigo na primeira pessoa. Este é o relato da minha experiência de viagem entre Portugal e Marrocos.
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Aspecto do porto de Tânger: nas proximidades de Chefchaouen

Para quem nunca pôs o pé fora do continente europeu, como foi o meu caso em 2013, entrar em Marrocos é mais ou menos como descobrir um novo mundo ou ser transportado para uma nova dimensão. Não é preciso sequer ver os minaretes das mesquitas que rasgam o horizonte para perceber que se está num país islâmico. Basta ouvir o canto “hipnótico” amplificado pelos altifalantes das mesquitas guiando os fiéis para a oração. Como dizia o poeta Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se, depois entranha-se…”

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Paisagem Humanizada do Rife (Marrocos)

Com a publicação deste artigo – Le maroc que J´aime – acabo de iniciar um conjunto de crónicas sobre a minha experiência de viagem pelo Reino de Marrocos. Assim, irei mensalmente falar aos leitores sobre as diversas cidades marroquinas por onde tive oportunidade de visitar e, claro, fotografar.

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Cenas quotidianas de uma aldeia no Rife de Marrocos

Le Maroc que J´aime: Chefchaouen…

Nesta viagem propomos mais que uma simples visita, sugerimos uma aventura pela cidade azul inserida nas Montanhas do Rife. Um viajante que percorra Marrocos tem que passar OBRIGATORIAMENTE por esta cidade. No meu caso, serviu de paragem para almoço antes de mais de cinco horas de viagem até ao destino final do segundo dia de viagem por Marrocos: a cidade imperial de Meknès.

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Mercado de rua em pleno centro histórico da cidade
 O que dizer sobre Chefchaouen? Bem, em primeiro lugar, esta cidade do Norte de Marrocos é única e bastante singular. E Porquê? Apresenta cores azuis turquesa na maioria das suas casas e na sua antiga medina antiga. De facto, é uma cidade muito fotogénica. Para quem vem da Europa, na minha opinião, esta é a cidade ideal para se ambientar com Marrocos e para aqueles que querem conhecer as Montanhas do Rife.
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Em Chefchaouen pode explorar a cidade pelas ruelas e descobrir pontos únicos, interagir com os locais e almoçar num dos imensos restaurantes, fazer compras no souk local e adquirir artesanato local com padrões tipicos da região. Esta cidade, sem termos de comparações, faz-me lembrar a nossa alfama com as ruelas.

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O Azul é uma constante

Importa salientar que não irei recomendar nenhum restaurante nem local. Deixo isso ao critério de cada viajante. E porquê? Na minha opinião, quando partimos em viagem procuramos a busca das gentes, dos locais e paisagens que fazem a essência de uma determinada país ou cidade.

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 Mergulhar no espaço interior desta cidade é descobrir um labirinto de ruas azuis, num anil que aguça a curiosidade de qualquer visitante. O sobe e desce é constante , as crianças que passam a correr, os homens nos seus ofícios tradicionais, as mulheres de cabeça coberta fazem parte do retrato e da minha memória fotográfica.

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Gato: um companheiro habitual nas visitas a esta cidade do Rife.

Chefchaouen pode ser um ponto de partida para conhecer a região  das Montanhas do Rife, conhecidas pela sua beleza, imponência e pela agricultura tradicional, bem como de outras cidades como Tânger, Tétouan e Fez,por exemplo.

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Spice (s) do Souk de Chefchaouen

Viajar é um caminho, em que a cada passo estamos a descobrir verdadeiramente quem somos, o que fomos e o que queremos ser. Se ainda não tem as suas férias  marcadas, Chefchaouen seria uma boa opção para mergulhar em África!

Nota importante

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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📌À descoberta do Regimento de Artilharia da Costa: a 2ª Bateria da Parede…

Num instante… o Património! 

A seguinte reportagem fotográfica centra-se nas ruínas da antiga unidade militar do Regimento de Artilharia de Costa (RAC); a 2ªBataria da Parede, localizada em Cascais. De modo a possibilitar ao leitor um conhecimento da importância histórica, estratégica e bélica da Bataria da Parede, considerada ex-libris de artilharia de costa em Portugal, optou-se por realizar breve introdução do Regimento de Artilharia de Costa (RAC), do Plano Barron, a ela subjacente, e uma análise descritiva e pormenorizada sobre o património da 2ªBataria da Parede.

A razão da escolha desta Bateria de Artilharia de Costa deveu-se à sua localização geográfica, à riqueza da sua construção arquitetónica, ao papel que desempenhou na defesa na barra de Lisboa e da Linha de Costa do Estoril, sendo considerada um ex-libris da defesa costa de Portugal.

O que era o Regimento de Artilharia de Costa (RAC)?

O Regimento de Artilharia de Costa (RAC) ffoi uma unidade militar criada pelas Forças Armadas Portuguesas, nomeadamente, o Exército Português, após a 2ªGuerra Mundial, através do Plano luso-britânico – o Plano Barron (1939).

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A sua missão era assegurar a defesa da linha de costa de acesso aos portos de Lisboa e de Setúbal.  Tínhamos ,assim, uma força especializada em impedir o desembarque de uma força convencional apoiadas por unidades navais, nas imediações dos estuários do Tejo e do Sado. As construções decorreram entre 1944 e 1958, estando operacionais corria o ano 1958.

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O RAC baseava-se em fortificações de betão armado com baterias fixas localizadas estrategicamente ao longo das costa da Península de Setúbal – Grupo Sul – e da Linha do Estoril – Grupo Norte. Era constituído por um posto de comando, situado em Oeiras, por 8 Batarias com 36 peças de artilharia  naval pesada de origem alemã (Krupp)  e inglesa (Vickers) de diversos calibres (152mm e 234mm) com alcance considerável para a época. Esta unidade militar foi desativada em 1998.

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A 2ª Bataria da Parede, situada no Alto da Parede, concelho de Cascais, nas proximidades de Lisboa, pertencia ao Grupo Norte – 1ª Bataria de Alcabideche, 3ª da Bataria da Lage (Oeiras) e 4ªBataria do Forte do Bom Sucesso (Belém) – do Regimento de Artilharia de Costa (RAC). O Grupo Sul era o responsável pela defesa da entrada da foz do Rio Tejo e da Linha de Costa do Estoril, em conjunto com a 5ªBataria da Trafaria e Alpena.  A construção desta unidade militar de defesa da costa sadina iniciou-se entre 1944 e ficou operacional em 1954. O material que compunha a Bataria da Parede, sendo do mais moderno da época em que foi implementada, eram 3 baterias de Vickers 152mm, de fabrico inglês, de médio alcance (10 – 20 km), com os aquartelamentos para o pessoal e respectivo depósito de munições, bem como de um conjunto de bunkers. Importa salientar que as mesmas nunca participaram em situações de conflito, sendo utilizadas, apenas, para exercícios de fogo real.

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Em certos países, como Gibraltar ou Malta, as autoridades preservam e promovem  o seu património militar para fins turísticos e culturais. Na minha opinião, o Turismo Militar seria um bom exemplo a ser seguido para as nossas baterias do antigo regimento de artilharia de costa (RAC), pois parte delas estão ao abandonadas há décadas num estado deplorável, sendo cada vez mais urgente garantir que a Bateria da Parede, não tenha o mesmo destino. Segundo noticias do ano 2014, o município de Cascais irá executar, em concordância com o Ministério da Defesa, um projecto para este espaço com beneficiação de obras de conservação e beneficiação de equipamentos necessários à sustentação económica de um futuro espaço museológico: o Museu Militar de Artilharia de Costa.  A Bataria da Parede assim o merece.

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Nos nossos dias, os canhões da «memória» estão calados pelo Homem e em decomposição pelo tempo. Na memória persistem as estruturas, a arquitectura e a vista deslumbrante que se tem das baterias para a Linha do Estoril. Ao longo do ano de 2015, irei realizar mais uma aventura ruinosa pelas ruínas da 5ªBataria da Trafaria (Grupo Sul), onde irei captar o interior dos espaços subterrâneos que fazem deste local, um património impar que deveria, e merecia, ser preservado e posto ao serviço da população local.

Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material nos seguintes artigos e links:

Nuno Valdez dos Santos – “Campo Entrincheirado”, in Dicionário da História de Lisboa, direcção de Francisco Santana e Eduardo Sucena. Lisboa: Carlos Quintas & Associados, 1994: pp. 208-209

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011

Disponível na internet URL:http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039

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⚓Dia da Marinha 2015 em Lisboa⚓

🌊🛳️ Passaram 517 anos desde que o navegador e explorador português, Vasco da Gama com a sua Armada, alcançou, no dia 20 de maio de 1498, Calecute na Índia.  Para comemorar este facto histórico, todos os anos, nesta data, assinala-se também o Dia da Marinha.para prestar homenagem ao navegador português Vasco da Gama, que nesse dia, pela primeira vez na história, concretizou a ligação marítima entre a Europa e o médio Oriente, com chegada à Índia. Estava,assim, inaugurada uma novo capitulo para a História da Humanidade: a globalização.

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A Marinha Portuguesa (www.marinha.pt) celebra anualmente esta efeméride, através de um conjunto de comemorações que incidem numa cidade  do litoral de Portugal Continental, ou nas Ilhas, pela tradição, pela ligação ao mar e à Marinha.

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As comemorações, este ano, centradas na capital portuguesa, decorreram entre os dias 16 e 24 de maio e incluíram actividades  diferentes de cariz militar, cultural, religioso e desportivo. A minha reportagem fotográfico optou pelas actividades de cariz militar e cultural. As comemorações deste ano têm por objetivo promover e apresentar à comunidade civil, a missão, meios, capacidades e o produto institucional que torna a Marinha indispensável para o País.

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Panorama da frente ribeirinha da cidade de Lisboa. Em primeiro plano, temos o navio escola Sagres e a fragata Bartolomeu Dias. Lisboa, Santa Apolónia. All Works @ OLIRAF (2015)

Em estreita colaboração com Câmara Municipal de Lisboa, a Marinha Portuguesa,  promoveu diversos eventos, destacando-se as cerimónias militares, o desfile naval e os baptismos de mar. O programa das comemorações do #DiadaMarinha2015, ao contrário de outros anos, não houve o cancelamento da demonstração naval, do desfile de navios e da coluna motorizada durante a cerimónia militar. É louvável esta atitude da Marinha Portuguesa, e do Ministério da Defesa Nacional, em proporcionar à comunidade civil o contacto com as actividades operacionais deste ramo militar das Forças Armadas Portuguesas (FAP).

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Os navios NRP Sagres e o NRP Bartolomeu Dias, estiveram abertos a visitas durante toda a semana no jardim do Cais do Tabaco – Santa Apolónia. O estuário do Tejo assegura as condições ideais ao desenvolvimento de actividades ligadas ao Mar e este facto está na origem da formação da cidade de Lisboa como importante ponto estratégico de ligação entre o Sul e Norte da Europa.

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Barco Tradicional do Rio Tejo: Cana de Leme de Varino

A conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques aos muçulmanos, em 1147,  permitiu a afirmação de Portugal enquanto nação. É de Lisboa também que, a partir de 1415, partem as caravelas e naus rumo a um mundo desconhecido: a revolução geográfica. De facto, o Oceano é um factor estruturante ao longo da História de Portugal e elemento formador da própria identidade de ser português: a essência do nosso eu.

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Navio Escola Sagres

A Marinha marcou a sua presença com diversos navios que simbolizam a cultura marinheira do nosso país, designadamente o Navio Escola Sagres e Navio Treino de Mar Creoula.

   O Navio de Treino de Mar Creoula é operado pela Marinha com o objetivo de proporcionar experiência e contacto com o mar à generalidade da população nacional, podendo qualquer organização submeter propostas para embarcar no navio.

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No âmbito das comemorações do Dia da Marinha, em Lisboa, o NRP Álvares Cabral (F331) encontrou-se fundeado no rio Tejo, em frente à Av.Ribeira das Naus, no passado dia 20 de Maio.
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Reabastecedor Bérrio (A5210)
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Navio hidrográfico NRP D.Carlos I (A 522)

A partir da  Doca da Marinha foram efectuados Baptimos de Mar na vedeta «Zêzere» e na Lancha de Fiscalização Rápida NRP Centauro e NRP Dragão. transportando várias centenas de civis e militares em várias viagens em redor das unidades navais da Marinha Portuguesa que se encontravam fundeados no Rio Tejo, tais como: o navio hidrográfico NRP D.Carlos I, o reabastecedor NRP Bérrio, a Fragata Vasco da Gama, Creoula, entre outros.

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Junto ao Museu da Marinha esteve presente o “Núcleo Museológico de Viaturas Antigas da Marinha”  com uma fabulosa exposição estática da colecção de 13 viaturas antigas que em tempos fizeram parte do efectivo activo da Armada e,claro, parte do nosso imaginário de outras épocas. Na mesma, poderiamos encontrar diversas viaturas clássicas civis e militares, tais como, um Mercedes Unimog 411 da DT 1, um Jeep Willys ou Dodge WC51.

Núcleo Museológico de Viaturas Antigas da Marinha (DTM)
Exposição do Núcleo Museológico de Viaturas Antigas da Marinha (DTM)

A Marinha Portuguesa mantém viva a memória desse passado salvaguardando pedaços de história únicos e singulares. Peças únicas do nosso passado de navegadores, como o espólio documental e material à guarda do Museu e Arquivo da Marinha. De facto, a Marinha é herdeira das naus e caravelas que deram «novos mundos ao mundo».

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As festividades encerraram no dia 24 de maio com as cerimónias religiosa e militar, com uma demonstração de capacidades da Marinha e com os navios a desfilar no rio Tejo. Infelizmente, não tive oportunidade de estar presente. De salientar que a proximidade da Base Naval de Lisboa (Alfeite, Almada) proporcionou um excelente contacto com a actividade  operacional da Marinha Portuguesa a todos os alfacinhas, portugueses e visitantes estrangeiros.

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O Mar tem, para os portugueses, uma dimensão identitária e cultural única. Nos últimos anos, temos visto a Marinha Portuguesa reforçar sua ligação ao mar com a aquisição de novas unidades navais e a construção de outras em estaleiros navais nacionais.

«O Mar por vocação, o país como horizonte»

E foi assim as comemorações do Dia da Marinha 2015 em Lisboa. Agradeço a todos os que me acompanharam nesta reportagem fotográfica e acederem ao meu blog. Bem hajam!

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📷Recriação Histórica da Batalha do Vimeiro (1808): Adeus, Junot!

📝 A Região do Oeste presenteia-nos com paisagens únicas que combinam entre si o oceano atlântico, os rios, os campos de cultivo, os vinhedos, os montes e vales. O seu litoral atlântico é banhado, em toda a sua extensão, pelo Oceano Atlântico, formando um conjunto extenso de areais, intercalados por uma orla costeira com falésias vivas de imponente beleza.

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Nas minhas aventuras pelo Oeste, sempre tive a curiosidade sobre a importância da Batalha do Vimeiro (1808) para a História local, nacional e europeia. Ora, decide-me, de uma vez por todas, fotografar uma recriação Histórica ocorrida nos 200 anos da Batalha do Vimeiro. Aqui, a História de Portugal e da Europa cruzou-se com a História Local.

As Invasões Francesas…

A Tomada da Bastilha, a 14 Julho de 1789, marcou o início simbólico da Revolução Francesa. Este acontecimento abalou os alicerces das monarquias absolutas europeias e do Antigo Regime Europeu. Em virtude deste acontecimento revolucionário, o tradicional equilíbrio europeu dos Séculos XVII-XVIII foi abalado, nomeadamente, o precário status quo militar e diplomático, pelos ideais da França Revolucionária.

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Portugal não estava alheio a esta situação internacional no contexto europeu e, no nosso caso específico, a própria Ilha da Madeira. A importância estratégica e comercial deste território ultramarino português «teve mais a ver com aquilo que podia facultar às grandes potências» beligerantes no contexto das Guerras Revolucionárias Francesas e depois com as Guerras Napoleónicas e não tanto a ver com o Reino de Portugal. De facto, a nosso ponto de partida para este trabalho, é o final do século XVIII e a 1ªdécada do século XIX.

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É nesta conjuntura dos finais do Século XVIII e inícios de XIX, reveladora de uma ambiguidade diplomática e militar no seio do Continente Europeu que o Reino de Portugal vai ter que redefinir a sua estratégia diplomática nunca antes vista na sua História. Ou Portugal optava por uma das duas áreas de hegemonia em confronto: uma continental ou marítima, Inglaterra ou França e, num sentido mais especifico, Portugal ou o Império. A escolha de um dos campos promovia enormes consequências humanas, bélicas, económicas e comercias para Portugal. Portugal perdia o seu estatuto de neutralidade, face aos conflitos europeus.  Após o decreto do Bloqueio Continental (Novembro 1806), na Europa não havia lugar para potências neutrais face ao conflito entre o Reino Unido e a França.

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Segundo Isabel Luna (2010), “ao longo da primeira metade do Século XIX, estas duas grandes potências iriam utilizar o território português para disputarem a hegemonia da Europa. Portugal, velho aliado dos ingleses, após um longo período de hesitações desafia o Bloqueio e, em 1801, com o apoio francês, a Espanha invade o país, pelo Alentejo. Os portugueses conseguem derrotar o invasor, mas perdem Olivença. Em 1803 são os ingleses que ocupam a Ilha da Madeira (Funchal) e os territórios do Estado Português da Índia (Goa), com o pretexto de protecção dos interesses ingleses face a uma hipotética agressão francesa.”

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A importância estratégica da ilha da Madeira era o resultado da sua localização geográfica no atlântico (Rodrigues,1998). Com efeito, a Cidade do Funchal era um importante centro de passagem das frotas mercantes da Europa para o hemisfério Sul e também era o último ponto de abastecimento antes de Cabo Verde ou até mesmo do continente americano. Por exemplo, ainda hoje, é um dos portos com elevada frequência de cruzeiros turísticos. Era um importante apoio para as frotas mercantes europeias no eixo comercial asiático, atlântico e americano. Ora, para os Ingleses ainda mais estratégica era, pois articulava o controlo do estreito de Cádiz, em articulação com a base naval de Gibraltar, e da Rota do Cabo, numa altura que a frota franco francesa estava no seu auge de construção naval.

A Batalha do Vimeiro…

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A primeira invasão do Grand Armée ao Reino de Portugal ocorre, em Novembro de 1807, sob o comando do General Junot. Face ao perigo iminente da captura da Familia Real Portuguesa, a conselho dos ingleses, esta foge para a colónia do Brasil. Junot ocupa Lisboa, apesar de ter falhado o seu objectivo final – a captura da realeza portuguesa – ficando “a ver navios” ao largo de Belém. Mais tarde, apesar dos tumultos da população lisboeta face à ocupação francesa, este assume a presidência do conselho de Governo de Portugal, em nome do Imperador dos Franceses: Napoleão Bonaparte.

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Segundo Isabel Luna (2010), durante o mês de Agosto de 1808, “o grosso da força naval expedicionária britânica, comandada pelo General Wellesley, desembarca junto à foz do rio Mondego e dirige-se para Lisboa. De facto, era aqui que estavam as principais forças militares do Grand Armée. As tropas francesas, comandadas pelo General Delaborde, sofrem a sua primeira derrota, frente ao exército anglo-português, na batalha da Roliça, a 17 de Agosto. O que restou das tropas francesas retirou-se para a cidade de Torres Vedras, onde estava o quartel-general de Junot, totalizando uma força de cerca de 12.000 homens. Ao mesmo tempo, aos 14.000 soldados anglo-portugueses, juntavam-se mais 4.000 soldados ingleses, desembarcados na praia do Porto Novo, junto ao Vimeiro, onde se travou uma nova batalha, a 21 de Agosto, que marcou a derrota definitiva do exército francês.

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Após o desfecho final da Batalha do Vimeiro, a 22 de Agosto, os Generais Wellesley (Exército Luso-Inglês) e Kellermann (Grand Armée) assinaram, na Maceira, “o acordo de cessar-fogo, depois ratificado sob a designação de Convenção de Sintra, que permitiu às tropas francesas saírem do país e levarem consigo os saques feitos durante a ocupação“, afirma Isabel Luna (2010). Chegava, assim, a 1ªInvasão Francesa (1807-1808) ao antigo Reino de Portugal. Todavia, os Franceses só seriam expulsos definitivamente em 1811 com a derrota do General Massena diante das Linhas de Torres Vedras.

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Em Suma, visite o Oeste e surpreenda-se com a rota histórica das Linhas de Torres Vedras, onde poderá ter uma oferta turístico-cultural diferenciada, a poucos quilómetros de Lisboa. E segundo o Slogan da promoção desta rota cultural: “Mude o seu destino, onde mudámos o de Napoleão…”

Para mais informações:

Recriação Histórica da Batalha do Vimeiro 1808

Associação para a Memória da Batalha do Vimeiro 1808 (Facebook)

Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro (Facebook)

Câmara Municipal da Lourinhã

Centro de Interpretação das Linhas de Torres Vedras (Rota Histórica)

Histórias de Torres Vedras (Blogue)

Bibliografia temática 👇🏻

ARÁUJO, Ana Cristina Bartolomeu de, «As Invasões Francesas e a afirmação das ideias liberais», in Luis Miguel Torgal; João Lourenço Roque (coord.), O Liberalismo (1807- 1890), vol. V de José Mattoso (dir.), História de Portugal, Lisboa, Circulo de Leitores, 1993.

BARATA, Manuel Themudo, TEIXEIRA, Nuno Severiano (dir.) – Nova História Militar de Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores, 2004, vol. 3

Linhas de Defesa de Lisboa durante as Invasões Francesas / Linhas de Torres Vedras SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=34579

LUNA, Isabel de – Linhas de Torres Vedras. Torres Vedras: Museu Municipal Leonel Trindade, 1997 (2ª ed. 2000; 3ª ed. 2003); ed. revista, 2010. FRÉMEAUX, Jacques, France: Empire and the Mère-Patrie, The Age of Empires, Edited by Robert Aldrich, Thames & Hudson, 2007, pp.152-155.

NEWITT, Malyn; ROBSON, Martin – Lord Beresford e a Intervenção Britânica em Portugal 1807-1820, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais,2004 GOTTERI, Nicole – Napoleão e Portugal, Lisboa, Edições Teorema,2006. RODRIGUES, Paulo Miguel Fagundes de Freitas, A Ilha da Madeira e o Atlântico durante as Guerras Napoleónicas: a importância estratégica e a defesa, Dissertação de Mestrado em História Contemporânea, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Lisboa, Julho de 1998

PEDREIRA, Jorge, COSTA; Fernando Dores, D.João VI, Colecção Reis de Portugal, Temas & Debates, 1ªEdição, Lisboa,2009

NEVES, José Acúrsio das, História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e a Restauração Deste Reino, Off. de Simão Thaddeo Ferreira, 1810-1811. 5 v, disponível  em  Biblioteca Nacional  http://purl.pt/12098 >

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As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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📌 Pedras com História: à descoberta da Aldeia Histórica de Castelo Mendo…

Poucas ocasiões oferecem tantas oportunidades fotográficas como as férias de Verão. Como tal, decidi fazer algo diferente no longínquo Verão de 2013: Voluntariado Social numa IPSS do concelho de Almeida (Guarda): a Associação Sócio terapêutica de Almeia (ASTA).  Durante esta experiência, resolvi tirar um dia para fazer uma escapadinha fotográfica a uma das doze aldeias históricas de Portugal: a bucólica aldeia de Castelo Mendo.

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A Aldeia Histórica de Castelo Mendo localiza-se a cerca de 20 km de Almeida (Guarda), sede de concelho,na ala Sudoeste do concelho,sobre um maciço granítico a cerca de 700 metros de altitude. É circundado a leste e a sul pelo rio Côa. É uma das doze aldeias históricas de Portugal. É um sítio recôndito como outros há nesta região que, apesar da pouca densidade populacional, nos reserva surpresas como esta, lugares especiais, mas tão próximos e tão distantes.

Panorâmica da Aldeia Histórica de Castelo Mendo © Oliraf Fotografia 2013
Panorâmica da Aldeia Histórica de Castelo Mendo © Oliraf Fotografia 2013

Ao longo da História, os Castelos e cercas medievais foram importantes e imponentes locais de refúgio, de defesa e de local de residência. Situados nas próprias povoações, em montes ermos ou no alto de colinas/penhascos, sempre o Homem os concebeu em articulação com o espaço físico envolvente. A partir do Castelo Mendo verifica-se a presença de elementos em valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. Deste património histórico podemos salientar a sua importância para a definição das fronteiras ao longo dos séculos,nomeadamente, nos conflitos fronteiriços com Castela, Guerra da Restauração (1640-1668), Invasões Francesas (1807-1811) e nas Lutas Liberais (1828-1834).

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Como tantas outras praças de armas raianas, a praça de Castelo Mendo, situada na margem esquerda do Côa, teve certamente um papel importante na defesa da fronteira portuguesa contra as incursões castelhanas. Foi-lhe entregue uma carta de foral pelo rei D.Sancho II, em 1229, e outra por D.Manuel I, em 1510. Quando ocorreu a reforma administrativa, no Século XIX, já a povoação se devia encontrar em franco declínio, sendo-lhe retirados então os poderes municipais que ainda detinha.

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A entrada nesta aldeia história de Portugal é efectuada pelas Portas da Vila, ladeadas por dois torreões e por dois Berrões ou Verrascos, esculturas zoomórficas em granito, representando pela observação das partes intimas, um macho e uma fêmea de porcos ou javalis. Segundo fontes, a sua datação decorre entre o séc.IV e I a.C. e as esculturas estão ligadas possivelmente ao culto da fertilidade do povo Vetão.

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Quando chegamos a um local novo há tanto para absorver que a nossa atenção pode desviar-se do que é realmente essencial. Fiquei intrigado com uma lenda local, a Lenda do Mendo e a Menda. Segundo uma Lenda popular, a Menda e o Mendo são dois elementos decorativos integrados em dois edifícios frontais.

A Menda é uma gárgula em pedra.
A Menda é uma gárgula em pedra.

A Igreja de Santa Maria do Castelo, em ruínas, mas em bom estado de conservação, é datada do séc.XIII, sendo um belo exemplar em estilo românico.

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Antes de perder-se por vielas e ruas desta aldeia secular, bem como desfrutar da beleza da paisagem circundante, importa referir que há um restaurante, um café e alojamentos de Turismo Rural na própria aldeia. Olhar para um Castelo é como virar uma página de um livro imenso de memórias e histórias que fazem parte do nosso imaginário, do nosso passado.

Panorâmica do interior da Vila de Castelo Mendo

Se estiver a planear uma escapadela dentro de Portugal, coloque este guia/roteiro na bagagem, siga os meus conselhos e capte momentos fotográficos da sua viagem das quais se vai relembrar…

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Com a primavera quase cá, um bom pretexto para ir visitar a Vila Medieval de Castelo Mendo. Para mim, a Fotografia é uma forma de interpretar o que me rodeia, de lhe dar um sentido coerente, proporcionando-me um conhecimento mais amplo da Natureza e da História.

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💡 Sabia que…❓❓❓

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é castelo-mendo.jpg

Perto do recinto muralhado do antigo Castelo Medieval, há uma campa com pedra de cabeceira, datada da primeira metade do século XIX, que é motivo de curiosidade para os habitantes locais e forasteiros. Na pedra granítica, o olhar mais atento descobre uma extensa inscrição, quase ilegível, que conta o destino do oficial que ali foi sepultado:

Aqui jaz Miguel Augusto de Sousa Mendonça Corte Real, fidalgo da Casa Real e Comendador das Ordens de: São Bento de Avis e de Nossa Senhora da Conceição, condecorado com a medalha da Torre Espada, de Valor, Lealdade e Mérito, e com a Cruz de S. Fernando, dada por sua Majestade Católica, Tenente Coronel, Comandante de Infantaria n.º 6, filho do Tenente General e Conselheiro de Guerra, João de Sousa Mendonça Corte-Real. Nasceu em 23 de agosto de 1803, foi barbaramente assassinado pelos seus próprios soldados em 12 de setembro de 1840”, conforme consta do epitáfio. 

Qual terá sido a causa para este brutal homicídio? Consta que foi o eventual incumprimento de uma promessa [de um pagamento de soldo] que fizera aos seus soldados. Após ter recebido uma elevada quantia, e como recusa do pagamento aos últimos, o antigo alcaide de Castelo Mendo foi morto [a tiro de fuzil] pelas suas tropas no seu domicilio. Esta é mais uma curiosa estória que demonstra quão ricas são as Aldeias Históricas de Portugal em vestígios que encerram a importante História do povo português.

Há pedras que contam muitas estórias…da nossa História!

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🛈 Para mais informações:

📚 BIBLIOGRAFIA 📚

ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL. Associação de Desenvolvimento Turístico – GR 22, grande rota das aldeias históricas de Portugal. Fot. Fernando Romão. 1ª ed. [S.l.] : Foge Comigo!, 2015. 63, [1] p. : il. ; 21 cm. ISBN 978-989-98230-3-7

BELO, Duarte; DAVEAU, Suzanne, MATTOSO, José – PORTUGAL: o Sabor da Terra. Um RETRATO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO POR REGIÕES, 2ªEdição, Lisboa: Tema &Debates, 2010.

CAMPOS, João – Almeida : projectos para a regeneração da Praça-Forte. Pref. Rui Ramos Loza. Almeida : Câmara Municipal de Almeida, 2021. 227, [1] p. : il. ; 31 cm. Ed. bilingue em português e inglês. ISBN 978-989-99229-4-5

CARVALHO, José Vilhena de – 𝐴𝑙𝑚𝑒𝑖𝑑𝑎: 𝑠𝑢𝑏𝑠𝑖́𝑑𝑖𝑜𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎 𝑠𝑢𝑎 ℎ𝑖𝑠𝑡𝑜́𝑟𝑖𝑎. 2.ª ed. [S.l.]: [s.n.], 1988. Vol. 1, p. 423-425.

CARVALHO, A. de (1995). Castelo Mendo: um conjunto histórico a preservar. Braga: Edição de Autor.

PORTUGAL. Comissão de Coordenação da Região Centro – Aldeias históricas de Portugal : um património com futuro. Coord. Isabel Boura. Coimbra : CCRC, 2002. [28] p. : il. ; 30 cm. ISBN 972-569-128-8

RAU, Virgínia, Feiras, in SERRÃO, Joel, dir., Dicionário de História de Portugal, Porto, 1984, vol. II, pp. 539 – 542;

🌐 Sítios web 💻

Aldeias Históricas de Portugal (Visit Portugal)

Aldeias Históricas de Portugal (Página Oficial)

Município de Almeida (Castelo Mendo)

Alpendre de Feira em Castelo Mendo– SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: < http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1580 >

Fonte, A. B. B. (2016). Arqueologia, património e museus na Câmara Municipal de Almeida. (Tese de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa). Repositório da Universidade Nova de Lisboa. Disponível na  internet URL: <http://hdl.handle.net/10362/17303 >

Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-03-07 00:11:56]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/$castelo-mendo

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📌 À descoberta do Regimento de Artilharia de Costa: a 7ªBataria de Outão…

♜★♜ Quantas vezes passamos por uma determinada ruína, sem que o nosso olhar se detenha para as admirar? Que Histórias e segredos guardam estes locais? Como sabem sempre tive um gosto pela História, pela preservação da memória e o gosto pela aventura, adquirido ao longo de uma década de Escutismo. Ora, a Fotografia deu-me a possibilidade de conciliar a minha paixão pessoal pela História, através do registo do património edificado em Portugal, seja ele em bom estado de conservação ou em ruínas. O objecto de estudo/documental que vos trago aqui são as ruínas da antiga unidade militar do Regimento de Artilharia de Costa (RAC), designadamente, a 7ªBataria de Outão.

=★=

Onde o mar acaba e a Europa começa. Foi a minha primeira incursão fotográfica numa Bataria do antigo, e extinto, Regimento de Artilharia de Costa (RAC) do Exército Português. Já conhecia a existências de diversos complexos do RAC pela Internet e pelos meios audiovisuais, tais como, o projecto Ruin’Arte, Lugares Esquecidos, Monumentos (SIPA) e do programa Abandonados da SIC. Todavia, desconhecia a sua localização precisa na Serra da Arrábida. Como fiquei com vontade de conhecer e fotografar este local, e aproveitando uma Sessão Fotográfica na Arrábida, decidi meter a mochila e o material às costas e partir para a aventura.

Vista exterior do complexo militar com as 3 peças Vickers de 152 mm
Vista exterior do complexo militar com as 3 peças Vickers de 152 mm

O Regimento de Artilharia de Costa (RAC) foi criada pelas Forças Armadas Portuguesas, após a 2ªGuerra Mundial, através do Plano luso-britânico – o Plano Barron (1939) -, onde o objectivo era criar uma força especializada em impedir o desembarque de uma força convencional apoiadas por unidades navais, nas imediações dos estuários do Tejo e do Sado. As construções decorreram entre 1944 e 1958, estando operacionais corria o ano 1958. Estiveram ao serviço da Nação, sensivelmente, cinquenta anos. Era constituído por um posto de comando, 8 Batarias com 36 peças de artilharia (Krupp e Vickers) de diversos calibres (152mm e 234mm) com alcance considerável para a época.

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Para a construção da 7.ª Bataria, localizada a meio da encosta da serra, próximo da Secil, foi aproveitado o antigo Forte do Outão (Século XVII)

A 7ª Bataria de Outão, situada na Serra da Arrábida, Outão Setúbal, pertencia ao Grupo Sul ( 5ª Bataria da Raposeira, 6ª da Bataria Fonte da Telha e 8ªBataria de Albarquel) do Regimento de Artilharia de Costa (RAC) cujo objectivo era defender a entrada da foz do Porto de Setúbal, em conjunto com os outros redutos.  A construção desta unidade militar de defesa da costa sadina iniciou-se entre 1944 e ficou operacional em 1954. Era composta por 3 baterias de Vickers 152mm, de fabrico inglês, de médio alcance (10 – 20 km), pelo antigo forte Velho de Outão e os aquartelamentos. Importa salientar que as mesmas nunca participaram em situações de conflito, sendo utilizadas, apenas, para exercícios de fogo real.

Peça Vickers 152mm
Bateria Vickers 152mm – 7ªBataria do Regimento de Artilharia de Costa (Outão)
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A RAC de Outão estava equipada com três canhões Vickers, de 152 mm, de médio alcance, ou seja, entre 10 a 20 quilómetros de precisão
Hoje, os canhões estão calados pela paz e em decomposição pelo tempo. Na memória persistem as estruturas e a vista deslumbrante que se tem das baterias para a barra do Sado.
Hoje, os canhões estão calados pela paz e em decomposição pelo tempo. Na memória persistem as estruturas e a vista deslumbrante que se tem das baterias para a barra do Sado.

Em virtude, das mudanças tecnológicas introduzidas na forma de fazer a guerra nos finais do Século XX – misseis ar-terra, aviões a jacto e artilharia portátil-, a existência do RAC tornou-se obsoleta (alvo estático e vulnerável) e, como consequência, foi desativado em 1998 e, finalmente, extinto corria o ano de 2001. Chegava, assim, o projecto delineado pelo General Barrow durante a IIªGuerra Mundial e, também, o fim da História da Artilharia de Costa em Portugal iniciada no final do Século XIV.

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Forte de Santiago do Outão

Actualmente, apesar de ser um local com estruturas bélicas impressionantes e com vistas deslumbrantes para o estuário do Sado, os «canhões da memória» travam uma espécie de última guerra contra a destruição, contra o esquecimento e contra o tempo. Ao longo do ano de 2015, irei realizar uma segunda incursão pelas ruínas desta unidade militar, onde irei captar o interior dos espaços subterrâneos que fazem deste local, um património impar. Também irei aproveitar para visitar a 8ªBataria de Albarquel (Setúbal) e a 5ªBataria da Raposeira e da Alpena (Almada).

Estas antigas instalações militares defensivas na costa portuguesa [e o Forte Velho de Outão (Século XVII) e a 7ª Bateria de Costa (Século XX) são, na nossa opinião, um dos melhores miradouros do estuário do Sado, da cidade de Setúbal e do Parque Natural da Arrábida.

Sabia que…❗❓

As antigas instalações militares da 7ª Bateria do Outão (RAC), com uma área de cerca de 5,15 hectares, deixarão de estar em situação de abandono. A concessão foi atribuída, por concurso público, à Real Bolhão, Restaurantes, Unipessoal, Lda, por um período de 50 anos e com uma renda mínima anual de 130.987,32 €. Será transformada numa unidade hoteleira de cinco estrelas (com 35 quartos) no âmbito do programa REVIVE, revela o Município de Setúbal. Trata-se de uma excelente notícia para a preservação da memória perene desta antiga unidade militar para fruição de todos os cidadãos. Prevê-se ainda o início da exploração até setembro de 2027. Para informações adicionais, consulte a página do Programa REVIVE.

🛈 Para mais informações:

A artilharia antiaérea em Portugal. Rcoord. José Augusto Oliveira Costa dos Reis. 1ª ed. Lisboa : Fronteira do Caos, 2016. 274 p. : il. ; 27 cm. ISBN 978-989-8647-73-3

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

BERGER, José Paulo Ribeiro – A artilharia e a defesa da Costa da Barra do Tejo de Cascais nos séculos XIX e XX : o Museu da Artilharia de Costa. Rev. cient. José Augusto Moura Soares, Nuno Guilherme Catarino Anselmo. Queluz : Regimento de Artilharia Antiaérea nº 1, 2005. 40 p. : il. ; 21 cm. Sep. de: Boletim da Artilharia Antiaérea, s. 2, nº 5 (out. 2005).

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

SILVA, Samuel Filipe Costa – Da defesa ao lazer nas Baterias da Raposeira : Centro Transdisciplinar de Artes.-Lisboa: FA, 2020. Dissertação de Mestrado.

SOUSA, Pedro Marquês de (Tenente-Coronel), “A Artilharia de Costa na Defesa de Lisboa na 1ª Guerra Mundial (1914-1919)”, in Revista de Artilharia, n.1100-1102, Abril-Junho de 2017, pp.83-100.

💻 sítios web

📎RTP Play. (2021). Visita Guiada: Artilharia de Defesa da Costa de Lisboa, Plano Barron. Disponível em: https://www.rtp.pt/play/p8647/e536716/visita-guiada %5BAcessado em 11 de fevereiro de 2025].

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📌À descoberta do Castelo de Torres Vedras…

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Nas minhas aventuras pelo Oeste  sempre tive a curiosidade sobre a importância e o papel desta fortificação militar na História Local, Nacional e Europeia. Ora, decide-me, de uma vez por todas, visitar o Castelo de Torres Vedras. Aqui a História de Portugal cruzou-se com a História Local…Vamos entrar?

O Castelo de Torres Vedras fica situado na cidade, e sede de concelho, de Torres Vedras, no Distrito de Lisboa. Encontra-se envolvido pela malha urbana e por arborização, erguendo-se numa posição dominantes sobre a cidade que lhe dá nome.

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Ao longo da História, os Castelos e cercas medievais foram importantes e imponentes locais de refúgio, de defesa e de local de residência. Situados nas próprias povoações, em montes ermos ou no alto de colinas/penhascos, sempre o Homem os concebeu em articulação com o espaço físico envolvente.

Panorama Cidade Torres Vedras A partir do Castelo de Torres Vedras verifica-se a presença de elementos com valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. Deste património histórico podemos salientar a sua importância nos diversos acontecimentos relevantes da História de Portugal, tais como, no contexto da Guerra Civil de (1383-1385), nas Invasões Napoleónicas (1807-1811) e, finalmente, nas Guerras Liberais da 1ªMetade do Séc. XIX.
Construído numa colina, cujo sopé corre o leito do rio Sizandro, ergue-se o Castelo de Torres Vedras. Há diversas razões históricas, monumentais, naturais e paisagísticas que fazem desta edificação militar um conjunto patrimonial impar de visita imprescindível. Do seu topo, é possível visualizar uma excelente paisagem sobre o meio que nos envolve. Panorama CasteloTVD A ocupação humana da colina, onde está actualmente o Castelo de Torres Vedras remonta, segundo fontes históricas, ao III milénio a.C, beneficiando das notáveis condições naturais de defesa (colina) e de abastecimento (rio). Mais tarde, os Romanos e os Árabes reforçaram o complexo militar edificado, neste caso, as muralhas e a Alcáçova do Castelo, deixando inúmeros vestígios da sua presença ancestral. Do Castelo Medieval restam apenas os vestígios arquitectónicos da Igreja de Santa Maria do Castelo[1] e a cerca oval, que foi reforçada por ordem de D.Manuel I (1495-1521), comprovada pela porta de armas com a esfera armilar. Portugal-1-30HDR

Durante o Século XVI, o complexo do interior do Castelo foi renovado com a construção do Palácio dos Alcaides (1519) pelo alcaide-mor D.João Soares de Alarcão. Para a construção da mesma, foi destruída a torre de menagem de origem medieval.


Situada no interior do Castelo de Torres Vedras, a Igreja de Santa Maria do Castelo é uma das antigas quatro matrizes da Cidade de Torres Vedras. Segundo fontes históricas, a construção desta edificação religiosa deverá remontar à 2ªmetade do Século XII, pouco tempo da tomada do Castelo aos Mouros, em 1148, por D.Afonso Henriques. É provável que tenha sido erguida sobre algum templo islâmico, ai existente durante o período de ocupação árabe. Portugal-1-26 O Castelo de Torres Vedras esteve envolvido em inúmeras datas e acontecimentos de enorme importância no decurso da História de Portugal. Por exemplo, no contexto da Guerra Civil de 1383-1385, o Castelo esteve cercado durante dois meses pelo Mestre de Avis, futuro D. João I, pois estava sob o domínio dos partidários de Castela. Mais tarde, em 1414, o Conselho Régio do monarca D.João I decidiu tomar a praça do Norte de Africa (Ceuta). Assim, a cidade de Torres Vedras encontra-se intimamente ligada ao inicio da expansão portuguesa.
No contexto das Invasões Francesas (1807-1811) integrou a 1ªlinha das denominadas Linhas de Torres Vedras (reduto n.º27 do 1ºDistrito). Portugal, e neste caso, a cidade de Torres Vedras  foram transformadas num campo de Batalha para as «superpotências da época»: a França e a Inglaterra. Em virtude do Bloqueio Continental, Portugal foi usado pelo Império Britânico como testa de ponte para iniciar a derrota de Napoleão Bonaparte, uma espécie de Dia D. Como consequência, Portugal foi saqueado e sujeito a uma politica de terra queimada. Portugal-1-27

Em Dezembro de 1846, no contexto da Guerra Civil da Patuleia (1846-1847), a cidade de Torres Vedras foi palco de uma sangrenta batalha entre as forças governamentais  sob o comando do Duque de Saldanha e as forças da Junta do Porto, os patuleias, do Conde do Bonfim. De seguida, o Castelo foi utilizado como quartel das tropas sob o comando do Conde de Bonfim, depois de terem sido expulsas do Forte de São Vicente, tendo sido bombardeado, a partir do Varatojo, pelas forças do Marechal Saldanha, sendo que nessa altura o paiol de pólvora explodiu, o que resultou na sua rendição e, como consequência, na destruição do Palácio dos Alcaides.

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A Fotografia, de facto, tem valor documental, a partir do momento que ilustra um determinado acontecimento, facto ou objecto. Permitiu às pessoas obterem consciência do seu próprio pais ou região, através da visualização de gentes, paisagens e monumentos. Valorizou o sentimento patriota e nacionalista. Digamos, uma ideia romântica do património. Tenho um grande apreço pela técnica e arte fotográfica. Como aprendiz de Clio, a musa da História, gosto de registar e documentar visualmente o património militar e religioso edificado no território português. Um dos meus objectivos , é registar «todos os castelos de Portugal».

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📷 Roteiro Fotográfico pelas fortificações de origem portuguesa em Marrocos…

Salaam alaikum…

No contexto da 5ª visita de estudo ao Reino de Marrocos, organizada pelo Departamento de Geografia e Planeamento Regional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tive a oportunidade de conhecer, estudar e fotografar inúmeros locais de Marrocos.

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Panorâmica da Fortaleza de Mazagão

Foram, no total, nove dias de viagem com 3270 km de autocarro que me permitiu partir em busca da essência de África, das suas gentes, paisagens, da sua cultura, experiências e memórias de um pais africano com uma extensão territorial quase cinco vezes superior à de Portugal e com 30 milhões de Habitantes. Todavia, o percurso pelo litoral atlântico de Marrocos permitiu-me contactar com alguns lugares com vestígios da arquitectura militar de origem portuguesa, nomeadamente, Essaouira, Safi, El Jadida e Asilah.. De facto, esta viagem permitiu-me elucidar que Portugal e Marrocos partilham legados culturais e interesses comuns. Aliás, a nossa História cruzou-se por várias vezes com este continente…Somos Países Vizinhos!

Após mais de 600 km de estrada entre Lisboa e Algeciras, pelo meio a travessia do Estreito de Gibraltar, cheguei a Marrocos (Tânger). Em linha recta, capital mais próxima do Reino de Marrocos (Rabat) é Lisboa. Marrocos é um pais com mais de 446 mil Km2 de área, com 2500 km de costa atlântica de extensão e 300 km de costa Mediterrânica. Na minha opinião, descobrir este Reino é quase como reviver memórias de outros tempos, uma espécie de regresso a casa.

A ver pela sua História, Marrocos e Portugal partilham em comum uma herança civilizacional e cultural que sempre me fascinou, apesar das diferenças religiosas. Tal como nas moedas, coexistem duas faces distintas mas com um elo inseparável entre si.

O Norte de África, em especial Marrocos, à época chamava-se Reino de Fez (Merínidas), foi a primeira tentação de um Portugal sedento de afirmação internacional e em busca de grandeza, após Aljubarrota. A presença portuguesa em Marrocos durou mais de trezentos anos (1415-1769). Como se sabe, aventura dos Descobrimentos Portugueses iniciou-se a 14 de Agosto de 1415, quando uma armada de 200 navios, 50 mil homens, um rei D.João I (e três príncipes, D.Duarte, D.Pedro e D.Henrique) tomaram a cidade portuária de Ceuta.

Ao longo do litoral norte africano – mediterrâneo e atlântico -, os portugueses conquistaram e construíram inúmeras fortificações. São exemplos, Ceuta (1415-1668), Alcácer-Ceguer (1458-1550), Tânger (1471-1662), Arzila (1471-1550; 1577-1589),Safim (1488-1541), Aguz (1506-1525),Mogador (1506-1526), Azamor (1513-1541), Santa Cruz do Cabo de Guê (1505-1541) e Mazagão (1506-1769).

A maioria das fortificações construídas pelos portugueses foi no período de conquistas lusitanas no litoral norte-africano (séc. XV e XVI). Segundo o Historiador Rafael Moreira, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Marrocos durante a 1ªMetade do Século XVI era um campo de experimentação das inovações, ensaios e soluções da arquitectura militar fora do continente europeu.

As fortalezas portuguesas existentes no Norte de África, ao longo da costa atlântica de Marrocos, atestam o plano da Dinastia de Avis de as tornar praças de guerra. Desde a conquista de Ceuta (1415) até ao Desastre de Mamora (1515), o palco principal das ambições e decisões políticas da monarquia portuguesa é o Norte de África. De facto, as possessões portuguesas em Marrocos eram praças de guerra. As suas muralhas conservadas até hoje, algumas em ruinas, atestam a sua solidez e as ambições do Venturoso era tornar a costa marroquina numa couraça de praças-fortes que ia desgastando os adversários e o obrigariam a render-se.

O objectivo das autoridades portuguesas ao longo dos séculos que estiveram presentes em Marrocos eram as questões bélicas, ideológicas, politicas e comerciais. O controlo dos principais portos marroquinos, tendo em vista, a neutralização da pirataria – defesa das embarcações do Império Português -, a realização de actividades comerciais com as autoridades locais (cavalos, tecidos, arroz,etc), a necessidade de um território para manter a nobreza ocupada longe de querelas internas e externas e, finalmente, a promoção da Guerra Santa contra os Infiéis para afirmação da Dinastia de Avis junto do Papado. De referir, que a Nobreza Portuguesa considerava Marrocos vital para o prestigio e reputação pela força das armas, sendo essencial a sua manutenção sob égide das forças portuguesas.

O fim do ciclo português em Marrocos ocorreu com o abandono do último bastião fortificado: a praça-forte de Mazagão em 1769. Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.

Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.

Ao longo desta aventura em Marrocos, acompanha-me um profundo conhecimento do legado lusitano nestas paragens. Aqui penso que foi aqui que Portugal construiu e iniciou a sua epopeia além-mar, sentindo um pouco da nossa alma ligada às pedras, aos baluartes, as muralhas, as ruas que foram levantadas com tanto esforço e orgulho, à custa de sangue lusitano!

📌Fortaleza de Arzila (1471-1550; 1577-1589)

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A Fortaleza de Arzila constitui um belo exemplar da fortificação manuelina. Fica situada num pitoresco porto de mar, entre Larache e Tânger, no Garbe Marroquino. O Baluarte de São Francisco (em primeiro plano) e Baluarte da Pata de Aranha, ao fundo, destinavam-se a bater com fogo cruzado o ancoradouro do melhor porto do litoral marroquino até Mazagão.

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A Torre de Menagem de Arzila é uma típica estrutura feudal. Foi erguida, em 1509, pelo arquitecto-mor do Reino, Diogo Boytac, durante o intervalo à frente do Mosteiro dos Jerónimos. Segundo a tradição, terá sido nesta torre que terá pernoitado o rei D.Sebastião antes da fatídica Batalha de Alcácer-Quibir.

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📌Fortaleza de Safim (1488-1541)

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Situada no Marrocos Atlântico, entre Essaouira e El Jadida, Safim (Safi) foi um importante porto atlântico durante a 1ªmetade do Século XVI para o projecto imperial  marroquino da Coroa Portuguesa. Desde 1491, que os Portugueses mantinham uma pequena feitoria fortificada para as transacções comerciais com os habitantes locais e tribos berberes. Também era um importante centro produtor de alambéis (tapetes coloridos) que eram essenciais nas trocas comerciais com as tribos africanos da região da Fortaleza de São Jorge da Mina (no actual Gana).

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Em virtude da necessidade de defesa da mesma, em 1516, a Coroa ordenou a construção de uma fortificação, de origem manuelina, o conhecido Castelo do Mar. Foi recentemente restaurado pelo Serviço dos Monumentos Históricos de Marrocos, fazendo jus a uma das fortificações manuelinas mais grandiosas e mais bem conservadas do continente africano. De referir, que o Nuno Fernandes de Ataíde, capitão desta praça africana entre 1510 a 1516, ficou com a alcunha do «Nunca está Quedo», em virtude de ter sido um homem de acção – irrequieto e voluntarista – durante as constantes surtidas na região.

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O perímetro amuralhado desta cidade do litoral marroquino é de origem manuelina, sendo erguidas em 1511 pelo arquitecto Diogo de Arruda. Tive oportunidade de constatar a sua vastidão, grandeza e estado impecável de conservação. De Salientar, que a Torre de Menagem de Arzila e o Castelo do Mar de Safim são as únicas estruturas arquitectónicas de traça medieval que subsistem no continente africano construídas pelos portugueses.

📌Castelo de Aguz (1506-1525)

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O Castelo de Aguz (Souira Kedima) foi construído em 1519 na foz do rio Tensift, a 35 km a sul da cidade de Safi. Era uma base de apoio táctico ao porto atlântico e fortaleza de Safi. Encontramos semelhanças, na sua arquitetura militar, no castelo roqueiro de Vila Viçosa e as ruinas do antigo Palácio dos Alcaides de Torres Vedras, com um pátio central e torreões ultra-circulares nos ângulos. Trata-se de um exemplar da fortificação costeira manuelina simplificada.

📌Antiga Mogador (1506-1526)

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A cidade portuária de Essaouira, situada entre Safi e El Jadida, foi no Século XVI uma antiga possessão portuguesa denominada de Mogador (1506-1526). O Castelo de Mogador, construído em 1506, por Diogo de Azambuja, já não existe. Esta fortificação, segundo fontes, durante o curto período nas mãos lusitanas, era dependente das provisões com origem na Ilha da Madeira, nomeadamente, o vinho, azeite, trigo ou madeira.

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Se visitarmos a medina, as muralhas e o porto da «cidade do vento» podemos constatar a antiga presença lusitana, apesar das actuais fortificações, de origem marroquina, terem sido construídas durante o Século XVIII por ordem do sultão alauita Bem Abbala, quando pretendeu fazer deste local um importante porto exportador do ouro trazido pelas caravanas atravessavam o Saara desde Tombuctu (Mali).

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📌Fortaleza Mazagão (1506-1769)

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A Cidade-fortaleza de Mazagão, oficialmente fundada como vila a 1 de Agosto de 1541, apesar da existência de uma pequena fortaleza construída pelo arquitecto Diogo de Arruda, em 1514, actual Cisterna Portuguesa, como ponto de apoio a Azamor. Mais tarde, em 1541, João de Castilho adaptaria para uma cisterna e celeiros. Foi desenhada pelo engenheiro italiano Benedetto da Ravenna, em conjunto com Miguel de Arruda e Diogo de Torralva. De referir, que a construção desta fortificação marca o inicio da adaptação das novas formas de combate no Magrebe – construções com baluartes de traça italiana -, em virtude pela utilização da artilharia por parte das forças islâmicas. A partir da 2ª Metade do Século XVI dá-se a adaptação das velhas fortificações de cariz medieval para esta nova arquitectura militar.

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 O seu porto de acesso fácil e a traça abaluartada das muralhas, em alguns pontos com mais de dez metros de espessura, tornavam-na numa inexpugnável. Mais tarde, seria abandonada por Portugal, em 1769, por decisão do «valido» do Rei D.José I, o então Marquês de Pombal. Actualmente, a Cité Portugaise de El-Jadida está restaurada, como se comprova pelas fotos da minha autoria. A enorme extensão do perímetro muralhado da antiga Mazagão mostram a tradição da arquitectura militar italiana e da importância do estilo renascentista durante o Reinado de D.João III (1521-1557). De Salientar que o Baluarte de São Sebastião, lado do mar, mostra a escala grandiosa da fortificação.

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A famosa cisterna da antiga Mazagão é uma das atracções turísticas de Marrocos. Foi construída sob a direcção de João de Castilho em estilo renascentista sobre o pátio de armas do antigo Castelo de origem Manuelina. O catalisador da construção desta imponente fortificação militar foram os constantes raides e conquistadas dos xarifes do Sul de Marrocos, equipados com moderna tecnologia pirobalística e com conselheiros militares europeus (mercenários italianos/germânicos). Mazagão era, assim, uma alternativa viável ao abandono das possessões costeiras fortificadas de Santa Cruz do Cabo Gué (Agadir), Safim e Azamor. A concentração de meios humanos, materiais e bélicos numa única praça permitia uma melhor resistência aos constantes e numerosos assédios das forças sob o signo de Alá.

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Em 1769, a cidade-fortaleza de Mazagão foi abandonada pela Coroa Portuguesa. Em virtude deste abandono, a Coroa ordenou que os seus habitantes – nobreza local, soldados, etc – fossem para Lisboa. Aqui chegados, foram reenviados para uma nova missão: a fundação de uma Nova Mazagão, na fronteira Norte do Brasil, no actual estado de Amapá. Era o fim de mais de três séculos de presença portuguesa em Marrocos (1415-1769), em virtude de as possessões norte-africanas serem um sorvedouro de recursos humanos, monetários e bélicos, sem qualquer retorno (à excepção das questões ideológicas, Guerra Santa).

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A antiga fortificação de Mazagão constitui – hoje uma importante atracção turística de Marrocos – um dos melhores exemplos conservados da arquitectura militar do Renascimento fora do Continente Europeu, que resistiu ao teste do tempo e da própria acção humana. De Salientar, que as fortificações portuguesas de Mazagão foram inscritas na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 2004 e, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O litoral atlântico de Marrocos oferece-nos uma grande variedade de grandes e pequenas fortificações costeiras com grande impacto visual e plástico, como em nenhum outro lugar. Nas mesmas, podemos encontrar o estilo de fortificar de Diogo de Arruda e dos seus familiares.

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Em Conclusão, uma visita ao Norte de África  – Marrocos – não é para um português um mero passeio como qualquer outro.  É uma espécie de regresso a casa. Para quem possua alguns conhecimentos de Geografia e História e tenha o sentido do valor dos passado lusitano, visitar o actual Reino de Marrocos é ir a um dos nossos lugares predilectos, ir afervorar o amor pátrio e retemperar a alma, como afirma Urbano Rodrigues (RODRIGUES, 1935). De facto, diante de património edificado pelos nossos antepassados  em diversas cidades costeiras como Asilah, Tânger, Essaouira, Safi, El Jadida, podemos sentir bem o que fomos e o que podemos ainda ser…

BIBLIOGRAFIA

Carita, Rui, “A arquitectura abaluartada de origem portuguesa”, in Relações luso-marroquinas 230 anos, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, nº 17-18, Lisboa, Instituto Camões, Novembro 2004, pp. 135-138, 143-145.

Correia, Jorge, “Mazagão: A última praça Portuguesa no Norte de África”, in Revista de História da Arte, Lisboa, IHA – FCSH-UNL, nº 4 , 2007, pp. 185-209.

Dias Farinha, António,  “Os Portugueses em Marrocos”, Instituto Camões, Colecção Lazúli, 1999,pp.3-103.

LOPES, David – A Expansão em Marrocos, Colecção Cabo a Cabo, Lisboa: Teorema /O Jornal, 1989.

Moreira, Rafael, “Arquitectura militar do Renascimento”, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Dir. Rafael Moreira, Lisboa, Pub. Alfa S.A., 1989, pp. 150-157.

RODRIGUES, Urbano – Passeio a Marrocos, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.

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📌À descoberta do antigo Convento de Penafirme: um encontro com a História e com o Tempo…

📷Apontamentos fotográficos de uma aventura ruinosa pela concelho de Torres Vedras. Viajar e fotografar numa das mais belas regiões costeiras de Portugal Continental, a Região do Oeste presenteia-nos com paisagens únicas que combinam entre si o oceano atlântico, os rios, os campos de cultivo, os vinhedos, os montes e vales. Todavia, devemos também salientar o património edificado existente (e abandonado) nesta região, como é o caso das ruínas do antigo Convento de Penafirme.

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Ruinas do Antigo Convento de Penafirme, Torres Verdas @ Oliraf Fotografia

Num instante de tempo, o património emerge ao sabor das imagens: o antigo Convento de Penafirme foi construído no Século XVI (1547) pela comunidade de frades eremitas de Santo Agostinho, sendo destinado ao culto de Nossa Senhora da Assunção. A sua construção foi finalidade no decorrer da 1ªmetade do Século XVII (1638). Actualmente, as estruturas do antigo complexo quinhentista encontram-se em ruinas, em virtude, da invasão do mar, do avanço das areias e, a principal consequência do abandono, o terramoto de 1755. (Foi abandonado, definitivamente, após o terramoto de 1755)

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Os actuais vestígios do antigo convento de Penafirme remontam à primeira metade do Século XVI (1547), em virtude da necessidade de substituição do antigo complexo medieval e, também, fruto da nova reforma da província portuguesa da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, a pedido do monarca D.João III (1521-1557)) durante o ano 1535. As obras foram realizadas até à 1ªMetade do Século XVII (1638), aproveitando as pedras e cantarias do antigo convento medieval. Este Convento Quinhentista veio substituir o anterior e, para tal, que já contava com diversos apoios de monarcas portugueses, tais como, D. Manuel I (1495-1521) e D.João III.

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Pequeno Aqueduto do Antigo Convento

Segundo tradições, o mosteiro de Penafirme foi fundado no Séc.IX (ano 840), por um eremita de origem germânica, Ancirado, da Ordem de Santo Agostinho, aquando da sua fuga de Santarém dos constantes raides das forças islâmicas do Al-Andalus. Actualmente, podemos encontrar inúmeros vestígios da organização arquitectónica do complexo conventual, nomeadamente, o muro que circundava o perímetro do mosteiro, a Igreja e outras dependências (sacristia, o claustro e as celas).

Vista Frontal
Vista Frontal

O antigo complexo conventual é composto por uma planta longitudinal formada por dois corpos distintos entre si, um orientado de oeste para leste (Igreja) e outro orientado de Norte para Sul (Celas dos Frades). De Salientar, que no lado Sul do convento é possível encontrar o vestígio de um pequeno «aqueduto» que transportaria água para este complexo edificado. Verifica-se , pelas fotos, que o convento é desprovido de blocos de cantaria em todos os seus cantos.

Vista Oeste do Convento
Vista Oeste do Convento

Na minha opinião, devemos  despertar o nosso sentido estético para a beleza do nosso património, construído ou não, o avivar a memória dos lugares e dos pormenores que também fazem parte da nossa identidade histórica e que, por isso mesmo, devem ser preservados documentalmente.

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Quantas vezes passamos por uma rua, ruína ou paisagem sem que o nosso olhar se detenha para as admirar? Interrogue-se e parta à descoberta como eu. E deixe-se surpreender-se. Aventure-se na região Oeste!

・・・ 🛈 Sabia que…❓❓❓ As Termas do Vimeiro estavam sob jurisdição do antigo “Convento Velho de Penafirme”. Dai, a toponímia local dos balneários das Termas do Vimeiro: a Fonte dos Frades. ・・・

🛈 Para mais informações

📍 Póvoa de Penafirme, Torres Vedras.

Apenas a 50 km de Lisboa, as ruínas do Convento Velho de Penafirme estão situadas a meio caminho entre a povoação da Maceira e Póvoa de Penafirme, a escassos 500 metros do areal da praia de Santa Rita, no concelho de Torres Vedras.

📚 BIBLIOGRAFIA 📚
Azevedo, C. M. (2013). SILVA, Paula Correia da – O Convento da Graça de Torres Vedras: a comunidade eremítica e o património. Torres Vedras: Livro do Dia Ed., 2007. 172 p. Lusitania Sacra, (28), 278-279. https://doi.org/10.34632/lusitaniasacra.2013.6654 João Luís Inglês, coord. – A dos Cunhados: Itinerários da Memória. A dos Cunhados: Pró-Memória, 2002. MANGORRINHA, Jorge, O Lugar das Termas – Património e Desenvolvimento Regional. As Estâncias da Região do Oeste, Livros Horizonte, Lisboa, 2000. Silva, Carlos Guardado. Os Eremitas de Santo Agostinho: O Convento de Nossa Senhora da Assunção de Penafirme, Mosteiro de Penafirme. Arquivo de Torres Vedras. SILVA, Paula Correia da – O Convento da Graça de Torres Vedras : a comunidade eremítica e o património. Torres Vedras : Câmara Municipal de Torres Vedras : Livrododia Editores, 2007. 172 p. : il. ; 26 cm. (Linhas de Torres ; H9). Bibliografia, p.159 -171. ISBN 978-972-8979-12-6 “Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico”. Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 430.
🌐 sítios web 💻
📎 Geoparque Oeste | Ruínas do Antigo Convento de Penafirme 📎 Arquivo Nacional da Torre do Tombo | Convento de Nossa Senhora da Assunção de Penafirme 📎 Ruínas do Convento Velho de Penafirme – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 28 de Junho. 2014]. Disponível na internet URL: <l> 📎 Patriarcado de Lisboa | Seminários | História | Penafirme 📎 Termas do Vimeiro História  | Turismo do Centro de Portugal ========== [ℹ️] Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria. ==========

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