Passaram 517 anos desde que o navegador e explorador português, Vasco da Gama com a sua Armada, alcançou, no dia 20 de maio de 1498, Calecute na Índia. Para comemorar este facto histórico, todos os anos, nesta data, assinala-se também o Dia da Marinha.para prestar homenagem ao navegador português Vasco da Gama, que nesse dia, pela primeira vez na história, concretizou a ligação marítima entre a Europa e o médio Oriente, com chegada à Índia. Estava,assim, inaugurada uma novo capitulo para a História da Humanidade: a globalização.
A Marinha Portuguesa (www.marinha.pt) celebra anualmente esta efeméride, através de um conjunto de comemorações que incidem numa cidade do litoral de Portugal Continental, ou nas Ilhas, pela tradição, pela ligação ao mar e à Marinha.
As comemorações, este ano, centradas na capital portuguesa, decorreram entre os dias 16 e 24 de maio e incluíram actividades diferentes de cariz militar, cultural, religioso e desportivo. A minha reportagem fotográfico optou pelas actividades de cariz militar e cultural. As comemorações deste ano têm por objetivo promover e apresentar à comunidade civil, a missão, meios, capacidades e o produto institucional que torna a Marinha indispensável para o País.
Panorama da frente ribeirinha da cidade de Lisboa. Em primeiro plano, temos o navio escola Sagres e a fragata Bartolomeu Dias. Lisboa, Santa Apolónia. All Works @ OLIRAF (2015)
Em estreita colaboração com Câmara Municipal de Lisboa, a Marinha Portuguesa, promoveu diversos eventos, destacando-se as cerimónias militares, o desfile naval e os baptismos de mar. O programa das comemorações do #DiadaMarinha2015, ao contrário de outros anos, não houve o cancelamento da demonstração naval, do desfile de navios e da coluna motorizada durante a cerimónia militar. É louvável esta atitude da Marinha Portuguesa, e do Ministério da Defesa Nacional, em proporcionar à comunidade civil o contacto com as actividades operacionais deste ramo militar das Forças Armadas Portuguesas (FAP).
Os navios NRP Sagres e o NRP Bartolomeu Dias, estiveram abertos a visitas durante toda a semana no jardim do Cais do Tabaco – Santa Apolónia. O estuário do Tejo assegura as condições ideais ao desenvolvimento de actividades ligadas ao Mar e este facto está na origem da formação da cidade de Lisboa como importante ponto estratégico de ligação entre o Sul e Norte da Europa.
Barco Tradicional do Rio Tejo: Cana de Leme de Varino
A conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques aos muçulmanos, em 1147, permitiu a afirmação de Portugal enquanto nação. É de Lisboa também que, a partir de 1415, partem as caravelas e naus rumo a um mundo desconhecido: a revolução geográfica. De facto, o Oceano é um factor estruturante ao longo da História de Portugal e elemento formador da própria identidade de ser português: a essência do nosso eu.
Navio Escola Sagres
A Marinha marcou a sua presença com diversos navios que simbolizam a cultura marinheira do nosso país, designadamente o Navio Escola Sagres e Navio Treino de Mar Creoula.
O Navio de Treino de Mar Creoula é operado pela Marinha com o objetivo de proporcionar experiência e contacto com o mar à generalidade da população nacional, podendo qualquer organização submeter propostas para embarcar no navio.
No âmbito das comemorações do Dia da Marinha, em Lisboa, o NRP Álvares Cabral (F331) encontrou-se fundeado no rio Tejo, em frente à Av.Ribeira das Naus, no passado dia 20 de Maio.Reabastecedor Bérrio (A5210)Navio hidrográfico NRP D.Carlos I (A 522)
A partir da Doca da Marinha foram efectuados Baptimos de Mar na vedeta «Zêzere» e na Lancha de Fiscalização Rápida NRP Centauro e NRP Dragão. transportando várias centenas de civis e militares em várias viagens em redor das unidades navais da Marinha Portuguesa que se encontravam fundeados no Rio Tejo, tais como: o navio hidrográfico NRP D.Carlos I, o reabastecedor NRP Bérrio, a Fragata Vasco da Gama, Creoula, entre outros.
Junto ao Museu da Marinha esteve presente o “Núcleo Museológico de Viaturas Antigas da Marinha” com uma fabulosa exposição estática da colecção de 13 viaturas antigas que em tempos fizeram parte do efectivo activo da Armada e,claro, parte do nosso imaginário de outras épocas. Na mesma, poderiamos encontrar diversas viaturas clássicas civis e militares, tais como, um Mercedes Unimog 411 da DT 1, um Jeep Willys ou Dodge WC51.
Exposição do Núcleo Museológico de Viaturas Antigas da Marinha (DTM)
A Marinha Portuguesa mantém viva a memória desse passado salvaguardando pedaços de história únicos e singulares. Peças únicas do nosso passado de navegadores, como o espólio documental e material à guarda do Museu e Arquivo da Marinha. De facto, a Marinha é herdeira das naus e caravelas que deram «novos mundos ao mundo».
As festividades encerraram no dia 24 de maio com as cerimónias religiosa e militar, com uma demonstração de capacidades da Marinha e com os navios a desfilar no rio Tejo. Infelizmente, não tive oportunidade de estar presente. De salientar que a proximidade da Base Naval de Lisboa (Alfeite, Almada) proporcionou um excelente contacto com a actividade operacional da Marinha Portuguesa a todos os alfacinhas, portugueses e visitantes estrangeiros.
O Mar tem, para os portugueses, uma dimensão identitária e cultural única. Nos últimos anos, temos visto a Marinha Portuguesa reforçar sua ligação ao mar com a aquisição de novas unidades navais e a construção de outras em estaleiros navais nacionais.
«O Mar por vocação, o país como horizonte»
E foi assim as comemorações do Dia da Marinha 2015 em Lisboa. Agradeço a todos os que me acompanharam nesta reportagem fotográfica e acederem ao meu blog. Bem hajam!
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💻Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
📝 A Região do Oeste presenteia-nos com paisagens únicas que combinam entre si o oceano atlântico, os rios, os campos de cultivo, os vinhedos, os montes e vales. O seu litoral atlântico é banhado, em toda a sua extensão, pelo Oceano Atlântico, formando um conjunto extenso de areais, intercalados por uma orla costeira com falésias vivas de imponente beleza.
Nas minhas aventuras pelo Oeste, sempre tive a curiosidade sobre a importância da Batalha do Vimeiro (1808) para a História local, nacional e europeia. Ora, decide-me, de uma vez por todas, fotografar uma recriação Histórica ocorrida nos 200 anos da Batalha do Vimeiro. Aqui, a História de Portugal e da Europa cruzou-se com a História Local.
As Invasões Francesas…
A Tomada da Bastilha, a 14 Julho de 1789, marcou o início simbólico da Revolução Francesa. Este acontecimento abalou os alicerces das monarquias absolutas europeias e do Antigo Regime Europeu. Em virtude deste acontecimento revolucionário, o tradicional equilíbrio europeu dos Séculos XVII-XVIII foi abalado, nomeadamente, o precário status quo militar e diplomático, pelos ideais da França Revolucionária.
Portugal não estava alheio a esta situação internacional no contexto europeu e, no nosso caso específico, a própria Ilha da Madeira. A importância estratégica e comercial deste território ultramarino português «teve mais a ver com aquilo que podia facultar às grandes potências» beligerantes no contexto das Guerras Revolucionárias Francesas e depois com as Guerras Napoleónicas e não tanto a ver com o Reino de Portugal. De facto, a nosso ponto de partida para este trabalho, é o final do século XVIII e a 1ªdécada do século XIX.
É nesta conjuntura dos finais do Século XVIII e inícios de XIX, reveladora de uma ambiguidade diplomática e militar no seio do Continente Europeu que o Reino de Portugal vai ter que redefinir a sua estratégia diplomática nunca antes vista na sua História. Ou Portugal optava por uma das duas áreas de hegemonia em confronto: uma continental ou marítima, Inglaterra ou França e, num sentido mais especifico, Portugal ou o Império. A escolha de um dos campos promovia enormes consequências humanas, bélicas, económicas e comercias para Portugal. Portugal perdia o seu estatuto de neutralidade, face aos conflitos europeus. Após o decreto do Bloqueio Continental (Novembro 1806), na Europa não havia lugar para potências neutrais face ao conflito entre o Reino Unido e a França.
Segundo Isabel Luna (2010), “ao longo da primeira metade do Século XIX, estas duas grandes potências iriam utilizar o território português para disputarem a hegemonia da Europa. Portugal, velho aliado dos ingleses, após um longo período de hesitações desafia o Bloqueio e, em 1801, com o apoio francês, a Espanha invade o país, pelo Alentejo. Os portugueses conseguem derrotar o invasor, mas perdem Olivença. Em 1803 são os ingleses que ocupam a Ilha da Madeira (Funchal) e os territórios do Estado Português da Índia (Goa), com o pretexto de protecção dos interesses ingleses face a uma hipotética agressão francesa.”
A importância estratégica da ilha da Madeira era o resultado da sua localização geográfica no atlântico (Rodrigues,1998). Com efeito, a Cidade do Funchal era um importante centro de passagem das frotas mercantes da Europa para o hemisfério Sul e também era o último ponto de abastecimento antes de Cabo Verde ou até mesmo do continente americano. Por exemplo, ainda hoje, é um dos portos com elevada frequência de cruzeiros turísticos. Era um importante apoio para as frotas mercantes europeias no eixo comercial asiático, atlântico e americano. Ora, para os Ingleses ainda mais estratégica era, pois articulava o controlo do estreito de Cádiz, em articulação com a base naval de Gibraltar, e da Rota do Cabo, numa altura que a frota franco francesa estava no seu auge de construção naval.
A primeira invasão do Grand Armée ao Reino de Portugal ocorre, em Novembro de 1807, sob o comando do General Junot. Face ao perigo iminente da captura da Familia Real Portuguesa, a conselho dos ingleses, esta foge para a colónia do Brasil. Junot ocupa Lisboa, apesar de ter falhado o seu objectivo final – a captura da realeza portuguesa – ficando “a ver navios” ao largo de Belém. Mais tarde, apesar dos tumultos da população lisboeta face à ocupação francesa, este assume a presidência do conselho de Governo de Portugal, em nome do Imperador dos Franceses: Napoleão Bonaparte.
Segundo Isabel Luna (2010), durante o mês de Agosto de 1808, “o grosso da força naval expedicionária britânica, comandada pelo General Wellesley, desembarca junto à foz do rio Mondego e dirige-se para Lisboa. De facto, era aqui que estavam as principais forças militares do Grand Armée. As tropas francesas, comandadas pelo General Delaborde, sofrem a sua primeira derrota, frente ao exército anglo-português, na batalha da Roliça, a 17 de Agosto. O que restou das tropas francesas retirou-se para a cidade de Torres Vedras, onde estava o quartel-general de Junot, totalizando uma força de cerca de 12.000 homens. Ao mesmo tempo, aos 14.000 soldados anglo-portugueses, juntavam-se mais 4.000 soldados ingleses, desembarcados na praia do Porto Novo, junto ao Vimeiro, onde se travou uma nova batalha, a 21 de Agosto, que marcou a derrota definitiva do exército francês.“
Após o desfecho final da Batalha do Vimeiro, a 22 de Agosto, os Generais Wellesley (Exército Luso-Inglês) e Kellermann (Grand Armée) assinaram, na Maceira, “o acordo de cessar-fogo, depois ratificado sob a designação de Convenção de Sintra, que permitiu às tropas francesas saírem do país e levarem consigo os saques feitos durante a ocupação“, afirma Isabel Luna (2010). Chegava, assim, a 1ªInvasão Francesa (1807-1808) ao antigo Reino de Portugal. Todavia, os Franceses só seriam expulsos definitivamente em 1811 com a derrota do General Massena diante das Linhas de Torres Vedras.
Em Suma, visite o Oeste e surpreenda-se com a rota histórica das Linhas de Torres Vedras, onde poderá ter uma oferta turístico-cultural diferenciada, a poucos quilómetros de Lisboa. E segundo o Slogan da promoção desta rota cultural: “Mude o seu destino, onde mudámos o de Napoleão…”
ARÁUJO, Ana Cristina Bartolomeu de, «As Invasões Francesas e a afirmação das ideias liberais», in Luis Miguel Torgal; João Lourenço Roque (coord.), O Liberalismo (1807- 1890), vol. V de José Mattoso (dir.), História de Portugal, Lisboa, Circulo de Leitores, 1993.
BARATA, Manuel Themudo, TEIXEIRA, Nuno Severiano (dir.) – Nova História Militar de Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores, 2004, vol. 3
Linhas de Defesa de Lisboa durante as Invasões Francesas / Linhas de Torres Vedras – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=34579
LUNA, Isabel de – Linhas de Torres Vedras. Torres Vedras: Museu Municipal Leonel Trindade, 1997 (2ª ed. 2000; 3ª ed. 2003); ed. revista, 2010. FRÉMEAUX, Jacques, France: Empire and the Mère-Patrie, The Age of Empires, Edited by Robert Aldrich, Thames & Hudson, 2007, pp.152-155.
NEWITT, Malyn; ROBSON, Martin – Lord Beresford e a Intervenção Britânica em Portugal 1807-1820, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais,2004 GOTTERI, Nicole – Napoleão e Portugal, Lisboa, Edições Teorema,2006. RODRIGUES, Paulo Miguel Fagundes de Freitas, A Ilha da Madeira e o Atlântico durante as Guerras Napoleónicas: a importância estratégica e a defesa, Dissertação de Mestrado em História Contemporânea, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Lisboa, Julho de 1998
PEDREIRA, Jorge, COSTA; Fernando Dores, D.João VI, Colecção Reis de Portugal, Temas & Debates, 1ªEdição, Lisboa,2009
NEVES, José Acúrsio das, História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e a Restauração Deste Reino, Off. de Simão Thaddeo Ferreira, 1810-1811. 5 v, disponível em Biblioteca Nacional http://purl.pt/12098 >
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Texto: Rafael Oliveira Fotografia: Oliraf Fotografia
Salaam alaikum. Nenhum homem pisa a mesma cidade duas vezes. As ruas não são as mesmas, tão pouco o mesmo homem!
Depois de «andar às voltas» em linha recta por lugares tão diferentes como Chefchaouen, Ifrane, Merzouga, Zagora, finalmente a conhecida Marraquexe. Perto de nós pela geografia, Marrocos fica longe de tudo. Em pouco mais de umas horas «aterramos» num mundo desconhecido.Depois de deixar a mala no Hotel Oudaya não resisti em sentir a essência da Marraquexe de Delacroix: a Praça Jemaa El Fna e ouvir o chamamento para a oração da noite. Sem palavras!
MARRAQUEXE: a cidade de destino estava próxima. Sentia-se o caótico trânsito com os carros,motas e bicicletas em constante movimento. Calor Abafado. E um magnifico fim de tarde, onde o pôr-do-sol é o prenúncio de uma bela noite na maior praça de África: a Jemaa El Fna.
O segundo dia em Marraquexe começou cedo. E da varanda do meu quarto senti, pela primeira vez em muito tempo, um calor diferente do que estou habituado a viver. Quente e doce. Depois de tomar um pequeno-almoço reforçado, parti rumo à aventura em Marraquexe com várias visitas programadas: Jemaa El Fna, Souk Marraquexe, Escola Corânica Medersa Ibn Youssef, Pharmacie Berbere e Jardim Majorelle.
Marraquexe é uma das quatro “cidades imperiais”. Na foto, podemos ver a Mesquita de Koutoubia, um dos símbolos desta cidade, além da Praça Jemaa-el-Fana e da antiga Medina. Salienta-se a Beleza do Interior da Mesquita que pude comprovar do exterior com inúmeras naves. Infelizmente, só está aberta a crentes islâmicos.
No meio da agitação da Medina de Marraquexe, encontra-se um oásis:a antiga escola corânica Medersa Ibn Youssef. Um local espiritual para fugir ao rebuliço do quotidiano habitual e ao calor da cidade de ocre. Para mim, Marraquexe é onde tudo acontece…uma cidade que mexe com qualquer viajante.
A Praça Jemaa El Fna é outro dos pontos obrigatórios numa visita a esta cidade muçulmana. É praça mais movimentada de Marraquexe e um grande circo a céu aberto. O Coração de África é neste local. Respira-se. Vive-se. Inspira-se. África. Diria que a cereja no topo do Bolo são barracas de comida e o reboliço da montagem das tendas.
Perder-se no Souk de Marraquexe é abrir a boca de espanto. De facto, para quem gosta de aventura e de explorar becos e vielas é aconselhável. Para os menos aventureiros, o souk torna-se um labirinto e, por vezes, é necessário um Guia. E foi esse o caso do meu Grupo. Também é importante, pois o guia dá indicações sobre os melhores sítios para comprar e,claro, regatear. Antes de viajar, vejam os inúmeros programas que aparecem na programação do canal National Geographic, especialmente o Burlar Turistas de Marraquexe.
Depois da visita ao Souk de Marraquexe, seguiu-se a hora de almoço. Optei por almoçar num dos inúmeros restaurantes com vista panorâmica para a Praça Jemma El Fna. De salientar, que paga-se 10 Dirhams (1€) pela taxa de utilização da restauração com vista panorâmica para a referida praça. De seguida, optou-se por um programa diferente: visitar o famoso Jardim Majorelle e o Musée Berbère com uma colecção riquíssima sobre a Cultura Berbere.
A arquitectura de Marrakech é surpreendente com as milhares de parabólicas no topo dos terraços, bem como a imponência das montanhas do Alto Altas como pano de fundo. Poucas viagens oferecem tantas oportunidades fotográficas como uma viagem a Marrocos. De facto, a experiência da viagem permite-nos contactar com um mosaico riquíssimo de beleza e variedade paisagística urbana e cultural.
A experiência de «mergulhar» no centenário souk da cidade, deambulando pelas inúmeras e estreitas ruelas da antiga medina com personagens vestidas de djellabas, constantes motorizadas a cruzar-se no nosso caminho, burros que passam carregados com mercadorias e,de seguida, entrar numa loja onde nos oferecem um chá de menta enquanto fazemos compras exóticas. E, claro, o prazer de regatear um produto.
O meu olhar «fotográfico» perdeu-se nesta cidade imperial que proporciona experiências sem fim. Na minha opinião, Marraquexe oferece uma das melhores experiências para conhecer e sentir o pulsar da agitação de África e do misticismo da Civilização Muçulmana.
Marraquexe. Cidade de influências culturais africanas, berberes, andaluzes, muçulmanas e europeias, onde podemos sentir na atmosfera colorida e exótica a essência desta cidade marroquina. É engraçado voltar para casa. Tudo têm a mesma cara, o mesmo cheiro. Nada muda. Nos damos conta de que quem mudou, fomos nós…
Shukran Marrocos!
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Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
Poucas ocasiões oferecem tantas oportunidades fotográficas como as férias de Verão. Como tal, decidi fazer algo diferente no longínquo Verão de 2013: Voluntariado Social numa IPSS do concelho de Almeida (Guarda): a Associação Sócio terapêutica de Almeia (ASTA). Durante esta experiência, resolvi tirar um dia para fazer uma escapadinha fotográfica a uma das doze aldeias históricas de Portugal: a bucólica aldeia de Castelo Mendo.
A Aldeia Histórica de Castelo Mendo localiza-se a cerca de 20 km de Almeida (Guarda), sede de concelho,na ala Sudoeste do concelho,sobre um maciço granítico a cerca de 700 metros de altitude. É circundado a leste e a sul pelo rio Côa. É uma das doze aldeias históricas de Portugal. É um sítio recôndito como outros há nesta região que, apesar da pouca densidade populacional, nos reserva surpresas como esta, lugares especiais, mas tão próximos e tão distantes.
Ao longo da História, os Castelos e cercas medievais foram importantes e imponentes locais de refúgio, de defesa e de local de residência. Situados nas próprias povoações, em montes ermos ou no alto de colinas/penhascos, sempre o Homem os concebeu em articulação com o espaço físico envolvente. A partir do Castelo Mendo verifica-se a presença de elementos em valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. Deste património histórico podemos salientar a sua importância para a definição das fronteiras ao longo dos séculos,nomeadamente, nos conflitos fronteiriços com Castela, Guerra da Restauração (1640-1668), Invasões Francesas (1807-1811) e nas Lutas Liberais (1828-1834).
Como tantas outras praças de armas raianas, a praça de Castelo Mendo, situada na margem esquerda do Côa, teve certamente um papel importante na defesa da fronteira portuguesa contra as incursões castelhanas. Foi-lhe entregue uma carta de foral pelo rei D.Sancho II, em 1229, e outra por D.Manuel I, em 1510. Quando ocorreu a reforma administrativa, no Século XIX, já a povoação se devia encontrar em franco declínio, sendo-lhe retirados então os poderes municipais que ainda detinha.
A entrada nesta aldeia história de Portugal é efectuada pelas Portas da Vila, ladeadas por dois torreões e por dois Berrões ou Verrascos, esculturas zoomórficas em granito, representando pela observação das partes intimas, um macho e uma fêmea de porcos ou javalis. Segundo fontes, a sua datação decorre entre o séc.IV e I a.C. e as esculturas estão ligadas possivelmente ao culto da fertilidade do povo Vetão.
Quando chegamos a um local novo há tanto para absorver que a nossa atenção pode desviar-se do que é realmente essencial. Fiquei intrigado com uma lenda local, a Lenda do Mendo e a Menda. Segundo uma Lenda popular, a Menda e o Mendo são dois elementos decorativos integrados em dois edifícios frontais.
A Menda é uma gárgula em pedra.
A Igreja de Santa Maria do Castelo, em ruínas, mas em bom estado de conservação, é datada do séc.XIII, sendo um belo exemplar em estilo românico.
Antes de perder-se por vielas e ruas desta aldeia secular, bem como desfrutar da beleza da paisagem circundante, importa referir que há um restaurante, um café e alojamentos de Turismo Rural na própria aldeia. Olhar para um Castelo é como virar uma página de um livro imenso de memórias e histórias que fazem parte do nosso imaginário, do nosso passado.
Se estiver a planear uma escapadela dentro de Portugal, coloque este guia/roteiro na bagagem, siga os meus conselhos e capte momentos fotográficos da sua viagem das quais se vai relembrar…
Com a primavera quase cá, um bom pretexto para ir visitar a Vila Medieval de Castelo Mendo. Para mim, a Fotografia é uma forma de interpretar o que me rodeia, de lhe dar um sentido coerente, proporcionando-me um conhecimento mais amplo da Natureza e da História.
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💡 Sabia que…❓❓❓
Perto do recinto muralhado do antigo Castelo Medieval, há uma campa com pedra de cabeceira, datada da primeira metade do século XIX, que é motivo de curiosidade para os habitantes locais e forasteiros. Na pedra granítica, o olhar mais atento descobre uma extensa inscrição, quase ilegível, que conta o destino do oficial que ali foi sepultado:
“Aqui jaz Miguel Augusto de Sousa Mendonça Corte Real, fidalgo da Casa Real e Comendador das Ordens de: São Bento de Avis e de Nossa Senhora da Conceição, condecorado com a medalha da Torre Espada, de Valor, Lealdade e Mérito, e com a Cruz de S. Fernando, dada por sua Majestade Católica, Tenente Coronel, Comandante de Infantaria n.º 6, filho do Tenente General e Conselheiro de Guerra, João de Sousa Mendonça Corte-Real. Nasceu em 23 de agosto de 1803, foi barbaramente assassinado pelos seus próprios soldados em 12 de setembro de 1840”, conforme consta do epitáfio.
Qual terá sido a causa para este brutal homicídio? Consta que foi o eventual incumprimento de uma promessa [de um pagamento de soldo] que fizera aos seus soldados. Após ter recebido uma elevada quantia, e como recusa do pagamento aos últimos, o antigo alcaide de Castelo Mendo foi morto [a tiro de fuzil] pelas suas tropas no seu domicilio. Esta é mais uma curiosa estória que demonstra quão ricas são as Aldeias Históricas de Portugal em vestígios que encerram a importante História do povo português.
Há pedras que contam muitas estórias…da nossa História!
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🛈 Para mais informações:
📚 BIBLIOGRAFIA 📚
ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL. Associação de Desenvolvimento Turístico – GR 22, grande rota das aldeias históricas de Portugal. Fot. Fernando Romão. 1ª ed. [S.l.] : Foge Comigo!, 2015. 63, [1] p. : il. ; 21 cm. ISBN 978-989-98230-3-7
BELO, Duarte; DAVEAU, Suzanne, MATTOSO, José – PORTUGAL: o Sabor da Terra. Um RETRATO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO POR REGIÕES, 2ªEdição, Lisboa: Tema &Debates, 2010.
CAMPOS, João – Almeida : projectos para a regeneração da Praça-Forte. Pref. Rui Ramos Loza. Almeida : Câmara Municipal de Almeida, 2021. 227, [1] p. : il. ; 31 cm. Ed. bilingue em português e inglês. ISBN 978-989-99229-4-5
CARVALHO, José Vilhena de – 𝐴𝑙𝑚𝑒𝑖𝑑𝑎: 𝑠𝑢𝑏𝑠𝑖́𝑑𝑖𝑜𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎 𝑠𝑢𝑎 ℎ𝑖𝑠𝑡𝑜́𝑟𝑖𝑎. 2.ª ed. [S.l.]: [s.n.], 1988. Vol. 1, p. 423-425.
CARVALHO, A. de (1995). Castelo Mendo: um conjunto histórico a preservar. Braga: Edição de Autor.
PORTUGAL. Comissão de Coordenação da Região Centro – Aldeias históricas de Portugal : um património com futuro. Coord. Isabel Boura. Coimbra : CCRC, 2002. [28] p. : il. ; 30 cm. ISBN 972-569-128-8
RAU, Virgínia, Feiras, in SERRÃO, Joel, dir., Dicionário de História de Portugal, Porto, 1984, vol. II, pp. 539 – 542;
Fonte, A. B. B. (2016). Arqueologia, património e museus na Câmara Municipal de Almeida. (Tese de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa). Repositório da Universidade Nova de Lisboa. Disponível na internet URL: <http://hdl.handle.net/10362/17303 >
Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-03-07 00:11:56]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/$castelo-mendo
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Texto: Rafael Oliveira Fotografia: Oliraf Fotografia
♜★♜ Quantas vezes passamos por uma determinada ruína, sem que o nosso olhar se detenha para as admirar? Que Histórias e segredos guardam estes locais? Como sabem sempre tive um gosto pela História, pela preservação da memória e o gosto pela aventura, adquirido ao longo de uma década de Escutismo. Ora, a Fotografia deu-me a possibilidade de conciliar a minha paixão pessoal pela História, através do registo do património edificado em Portugal, seja ele em bom estado de conservação ou em ruínas. O objecto de estudo/documental que vos trago aqui são as ruínas da antiga unidade militar do Regimento de Artilharia de Costa (RAC), designadamente, a 7ªBataria de Outão.
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Onde o mar acaba e a Europa começa. Foi a minha primeira incursão fotográfica numa Bataria do antigo, e extinto, Regimento de Artilharia de Costa (RAC) do Exército Português. Já conhecia a existências de diversos complexos do RAC pela Internet e pelos meios audiovisuais, tais como, o projecto Ruin’Arte, Lugares Esquecidos, Monumentos (SIPA) e do programa Abandonados da SIC. Todavia, desconhecia a sua localização precisa na Serra da Arrábida. Como fiquei com vontade de conhecer e fotografar este local, e aproveitando uma Sessão Fotográfica na Arrábida, decidi meter a mochila e o material às costas e partir para a aventura.
Vista exterior do complexo militar com as 3 peças Vickers de 152 mm
O Regimento de Artilharia de Costa (RAC) foi criada pelas Forças Armadas Portuguesas, após a 2ªGuerra Mundial, através do Plano luso-britânico – o Plano Barron (1939) -, onde o objectivo era criar uma força especializada em impedir o desembarque de uma força convencional apoiadas por unidades navais, nas imediações dos estuários do Tejo e do Sado. As construções decorreram entre 1944 e 1958, estando operacionais corria o ano 1958. Estiveram ao serviço da Nação, sensivelmente, cinquenta anos. Era constituído por um posto de comando, 8 Batarias com 36 peças de artilharia (Krupp e Vickers) de diversos calibres (152mm e 234mm) com alcance considerável para a época.
Para a construção da 7.ª Bataria, localizada a meio da encosta da serra, próximo da Secil, foi aproveitado o antigo Forte do Outão (Século XVII)
A 7ª Bataria de Outão, situada na Serra da Arrábida, Outão Setúbal, pertencia ao Grupo Sul ( 5ª Bataria da Raposeira, 6ª da Bataria Fonte da Telha e 8ªBataria de Albarquel) do Regimento de Artilharia de Costa (RAC) cujo objectivo era defender a entrada da foz do Porto de Setúbal, em conjunto com os outros redutos. A construção desta unidade militar de defesa da costa sadina iniciou-se entre 1944 e ficou operacional em 1954. Era composta por 3 baterias de Vickers 152mm, de fabrico inglês, de médio alcance (10 – 20 km), pelo antigo forte Velho de Outão e os aquartelamentos. Importa salientar que as mesmas nunca participaram em situações de conflito, sendo utilizadas, apenas, para exercícios de fogo real.
Bateria Vickers 152mm – 7ªBataria do Regimento de Artilharia de Costa (Outão)A RAC de Outão estava equipada com três canhões Vickers, de 152 mm, de médio alcance, ou seja, entre 10 a 20 quilómetros de precisãoHoje, os canhões estão calados pela paz e em decomposição pelo tempo. Na memória persistem as estruturas e a vista deslumbrante que se tem das baterias para a barra do Sado.
Em virtude, das mudanças tecnológicas introduzidas na forma de fazer a guerra nos finais do Século XX – misseis ar-terra, aviões a jacto e artilharia portátil-, a existência do RAC tornou-se obsoleta (alvo estático e vulnerável) e, como consequência, foi desativado em 1998 e, finalmente, extinto corria o ano de 2001. Chegava, assim, o projecto delineado pelo General Barrow durante a IIªGuerra Mundial e, também, o fim da História da Artilharia de Costa em Portugal iniciada no final do Século XIV.
Forte de Santiago do Outão
Actualmente, apesar de ser um local com estruturas bélicas impressionantes e com vistas deslumbrantes para o estuário do Sado, os «canhões da memória» travam uma espécie de última guerra contra a destruição, contra o esquecimento e contra o tempo. Ao longo do ano de 2015, irei realizar uma segunda incursão pelas ruínas desta unidade militar, onde irei captar o interior dos espaços subterrâneos que fazem deste local, um património impar. Também irei aproveitar para visitar a 8ªBataria de Albarquel (Setúbal) e a 5ªBataria da Raposeira e da Alpena (Almada).
Estas antigas instalações militares defensivas na costa portuguesa [e o Forte Velho de Outão (Século XVII) e a 7ª Bateria de Costa (Século XX) são, na nossa opinião, um dos melhores miradouros do estuário do Sado, da cidade de Setúbal e do Parque Natural da Arrábida.
Sabia que…❗❓
As antigas instalações militares da 7ª Bateria do Outão (RAC), com uma área de cerca de 5,15 hectares, deixarão de estar em situação de abandono. A concessão foi atribuída, por concurso público, à Real Bolhão, Restaurantes, Unipessoal, Lda, por um período de 50 anos e com uma renda mínima anual de 130.987,32 €. Será transformada numa unidade hoteleira de cinco estrelas (com 35 quartos) no âmbito do programa REVIVE, revela o Município de Setúbal. Trata-se de uma excelente notícia para a preservação da memória perene desta antiga unidade militar para fruição de todos os cidadãos. Prevê-se ainda o início da exploração até setembro de 2027. Para informações adicionais, consulte a página do Programa REVIVE.
🛈 Para mais informações:
A artilharia antiaérea em Portugal. Rcoord. José Augusto Oliveira Costa dos Reis. 1ª ed. Lisboa : Fronteira do Caos, 2016. 274 p. : il. ; 27 cm. ISBN 978-989-8647-73-3
BERGER, José Paulo Ribeiro – A artilharia e a defesa da Costa da Barra do Tejo de Cascais nos séculos XIX e XX : o Museu da Artilharia de Costa. Rev. cient. José Augusto Moura Soares, Nuno Guilherme Catarino Anselmo. Queluz : Regimento de Artilharia Antiaérea nº 1, 2005. 40 p. : il. ; 21 cm. Sep. de: Boletim da Artilharia Antiaérea, s. 2, nº 5 (out. 2005).
EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247
MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.
SILVA, Samuel Filipe Costa – Da defesa ao lazer nas Baterias da Raposeira : Centro Transdisciplinar de Artes.-Lisboa: FA, 2020. Dissertação de Mestrado.
SOUSA, Pedro Marquês de (Tenente-Coronel), “A Artilharia de Costa na Defesa de Lisboa na 1ª Guerra Mundial (1914-1919)”, in Revista de Artilharia, n.1100-1102, Abril-Junho de 2017, pp.83-100.
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💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
Nas minhas aventuras pelo Oeste sempre tive a curiosidade sobre a importância e o papel desta fortificação militar na História Local, Nacional e Europeia. Ora, decide-me, de uma vez por todas, visitar o Castelo de Torres Vedras. Aqui a História de Portugal cruzou-se com a História Local…Vamos entrar?
O Castelo de Torres Vedras fica situado na cidade, e sede de concelho, de Torres Vedras, no Distrito de Lisboa. Encontra-se envolvido pela malha urbana e por arborização, erguendo-se numa posição dominantes sobre a cidade que lhe dá nome.
Ao longo da História, os Castelos e cercas medievais foram importantes e imponentes locais de refúgio, de defesa e de local de residência. Situados nas próprias povoações, em montes ermos ou no alto de colinas/penhascos, sempre o Homem os concebeu em articulação com o espaço físico envolvente.
A partir do Castelo de Torres Vedras verifica-se a presença de elementos com valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. Deste património histórico podemos salientar a sua importância nos diversos acontecimentos relevantes da História de Portugal, tais como, no contexto da Guerra Civil de (1383-1385), nas Invasões Napoleónicas (1807-1811) e, finalmente, nas Guerras Liberais da 1ªMetade do Séc. XIX. Construído numa colina, cujo sopé corre o leito do rio Sizandro, ergue-se o Castelo de Torres Vedras. Há diversas razões históricas, monumentais, naturais e paisagísticas que fazem desta edificação militar um conjunto patrimonial impar de visita imprescindível. Do seu topo, é possível visualizar uma excelente paisagem sobre o meio que nos envolve. A ocupação humana da colina, onde está actualmente o Castelo de Torres Vedras remonta, segundo fontes históricas, ao III milénio a.C, beneficiando das notáveis condições naturais de defesa (colina) e de abastecimento (rio). Mais tarde, os Romanos e os Árabes reforçaram o complexo militar edificado, neste caso, as muralhas e a Alcáçova do Castelo, deixando inúmeros vestígios da sua presença ancestral. Do Castelo Medieval restam apenas os vestígios arquitectónicos da Igreja de Santa Maria do Castelo[1] e a cerca oval, que foi reforçada por ordem de D.Manuel I (1495-1521), comprovada pela porta de armas com a esfera armilar.
Durante o Século XVI, o complexo do interior do Castelo foi renovado com a construção do Palácio dos Alcaides (1519) pelo alcaide-mor D.João Soares de Alarcão. Para a construção da mesma, foi destruída a torre de menagem de origem medieval.
Situada no interior do Castelo de Torres Vedras, a Igreja de Santa Maria do Castelo é uma das antigas quatro matrizes da Cidade de Torres Vedras. Segundo fontes históricas, a construção desta edificação religiosa deverá remontar à 2ªmetade do Século XII, pouco tempo da tomada do Castelo aos Mouros, em 1148, por D.Afonso Henriques. É provável que tenha sido erguida sobre algum templo islâmico, ai existente durante o período de ocupação árabe. O Castelo de Torres Vedras esteve envolvido em inúmeras datas e acontecimentos de enorme importância no decurso da História de Portugal. Por exemplo, no contexto da Guerra Civil de 1383-1385, o Castelo esteve cercado durante dois meses pelo Mestre de Avis, futuro D. João I, pois estava sob o domínio dos partidários de Castela. Mais tarde, em 1414, o Conselho Régio do monarca D.João I decidiu tomar a praça do Norte de Africa (Ceuta). Assim, a cidade de Torres Vedras encontra-se intimamente ligada ao inicio da expansão portuguesa.
No contexto das Invasões Francesas (1807-1811) integrou a 1ªlinha das denominadas Linhas de Torres Vedras (reduto n.º27 do 1ºDistrito). Portugal, e neste caso, a cidade de Torres Vedras foram transformadas num campo de Batalha para as «superpotências da época»: a França e a Inglaterra. Em virtude do Bloqueio Continental, Portugal foi usado pelo Império Britânico como testa de ponte para iniciar a derrota de Napoleão Bonaparte, uma espécie de Dia D. Como consequência, Portugal foi saqueado e sujeito a uma politica de terra queimada.
Em Dezembro de 1846, no contexto da Guerra Civil da Patuleia (1846-1847), a cidade de Torres Vedras foi palco de uma sangrenta batalha entre as forças governamentais sob o comando do Duque de Saldanha e as forças da Junta do Porto, os patuleias, do Conde do Bonfim. De seguida, o Castelo foi utilizado como quartel das tropas sob o comando do Conde de Bonfim, depois de terem sido expulsas do Forte de São Vicente, tendo sido bombardeado, a partir do Varatojo, pelas forças do Marechal Saldanha, sendo que nessa altura o paiol de pólvora explodiu, o que resultou na sua rendição e, como consequência, na destruição do Palácio dos Alcaides.
A Fotografia, de facto, tem valor documental, a partir do momento que ilustra um determinado acontecimento, facto ou objecto. Permitiu às pessoas obterem consciência do seu próprio pais ou região, através da visualização de gentes, paisagens e monumentos. Valorizou o sentimento patriota e nacionalista. Digamos, uma ideia romântica do património. Tenho um grande apreço pela técnica e arte fotográfica. Como aprendiz de Clio, a musa da História, gosto de registar e documentar visualmente o património militar e religioso edificado no território português. Um dos meus objectivos , é registar «todos os castelos de Portugal».
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💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
Nestas férias de Verão, fiquei um mês a fotografar numa das mais belas regiões de Portugal Continental: a Estremadura ou região Oeste. Qual o resultado? O resultado é um mosaico riquíssimo de beleza e variedade paisagística, natural e cultural. Siga-me nesta aventura passo a passo, onde poderá visualizar os meus «spots» favoritos e saber um pouco da História dos Locais, através das minhas imagens.
Panorama da Vila de Santa Cruz, Miradouro do do Alto da Vela, Freguesia da Silveira, Concelho de Torres Vedras, 2014. All Works @ Rafael Oliveira (OLIRAF)
A Região do Oeste presenteia-nos com paisagens únicas que combinam entre si o oceano atlântico, os rios, os campos de cultivo, os vinhedos, os montes e vales. O seu litoral atlântico é banhado, em toda a sua extensão, pelo Oceano Atlântico, formando um conjunto extenso de areais, intercalados por uma orla costeira com falésias vivas de imponente beleza.
Santa Cruz, pertence à freguesia da Silveira, concelho de Torres Vedras, é uma pitoresca vila com uma grande densidade populacional durante os meses de verão, devido à fama das suas praias. Segundo o Município de Torres Vedras, o concelho “conta com 22 praias, muitas com uma vasta extensão de areal para desfrutar em segurança. Com 10 zonas balneares distinguidas, este é o concelho do país com mais praias “Zero Poluição”, além de 12 praias “Qualidade de Ouro” e 12 praias que irão hastear a Bandeira Azul. Praias, concessionários, restaurantes e hotéis estão prontos para o receber. Em Torres Vedras, há muito para descobrir com saúde, segurança e sustentabilidade.”
Na minha opinião, qualquer que seja a opção escolhida para uma «escapadinha» de veraneio em Portugal. Santa cruz é uma boa opção, principalmente, nos meses de Julho e Agosto, onde podemos aproveitar para descontrair, para contemplar inúmeros locais de interesse patrimonial e natural e, claro, apreciar os belos areais que nos fazem perder a vista. No Fundo, respire a natureza e bom passeio!
Praia Azul, Torres Vedras
Torres Vedras, e a região Oeste, continua a ser uma referência nacional, e até internacional, em termos de turismo balnear de qualidade. Ao todo, os turistas e viajantes podem desfrutar de 20 km de costa atlântica. Em virtude dos seus extensos areais e praias, tais como, a Praia Azul, Formosa, Fisica, Mirante, Pisão, Santa Helena e Santa Rita são exemplos de referência na região oeste, enquanto símbolos de qualidade e distinção das mesmas. De referir, que as mesmas são anualmente distinguidas pela qualidade de água e dos acessos, onde são exemplo as inúmeras bandeiras Praia-Azul. De Salientar, que a vila de Santa Cruz oferece excelentes condições para a prática de desportos de mar, o que é comprovada pela organização de um Festival Internacional de Desportos de Ondas: o Santa Cruz Ocean Spirit.
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No contexto da 5ª visita de estudo ao Reino de Marrocos, organizada pelo Departamento de Geografia e Planeamento Regional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tive a oportunidade de conhecer, estudar e fotografar inúmeros locais de Marrocos.
Panorâmica da Fortaleza de Mazagão
Foram, no total, nove dias de viagem com 3270 km de autocarro que me permitiu partir em busca da essência de África, das suas gentes, paisagens, da sua cultura, experiências e memórias de um pais africano com uma extensão territorial quase cinco vezes superior à de Portugal e com 30 milhões de Habitantes. Todavia, o percurso pelo litoral atlântico de Marrocos permitiu-me contactar com alguns lugares com vestígios da arquitectura militar de origem portuguesa, nomeadamente, Essaouira, Safi, El Jadida e Asilah.. De facto, esta viagem permitiu-me elucidar que Portugal e Marrocos partilham legados culturais e interesses comuns. Aliás, a nossa História cruzou-se por várias vezes com este continente…Somos Países Vizinhos!
Após mais de 600 km de estrada entre Lisboa e Algeciras, pelo meio a travessia do Estreito de Gibraltar, cheguei a Marrocos (Tânger). Em linha recta, capital mais próxima do Reino de Marrocos (Rabat) é Lisboa. Marrocos é um pais com mais de 446 mil Km2 de área, com 2500 km de costa atlântica de extensão e 300 km de costa Mediterrânica. Na minha opinião, descobrir este Reino é quase como reviver memórias de outros tempos, uma espécie de regresso a casa.
A ver pela sua História, Marrocos e Portugal partilham em comum uma herança civilizacional e cultural que sempre me fascinou, apesar das diferenças religiosas. Tal como nas moedas, coexistem duas faces distintas mas com um elo inseparável entre si.
O Norte de África, em especial Marrocos, à época chamava-se Reino de Fez (Merínidas), foi a primeira tentação de um Portugal sedento de afirmação internacional e em busca de grandeza, após Aljubarrota. A presença portuguesa em Marrocos durou mais de trezentos anos (1415-1769). Como se sabe, aventura dos Descobrimentos Portugueses iniciou-se a 14 de Agosto de 1415, quando uma armada de 200 navios, 50 mil homens, um rei D.João I (e três príncipes, D.Duarte, D.Pedro e D.Henrique) tomaram a cidade portuária de Ceuta.
Ao longo do litoral norte africano – mediterrâneo e atlântico -, os portugueses conquistaram e construíram inúmeras fortificações. São exemplos, Ceuta (1415-1668), Alcácer-Ceguer (1458-1550), Tânger (1471-1662), Arzila (1471-1550; 1577-1589),Safim (1488-1541), Aguz (1506-1525),Mogador (1506-1526), Azamor (1513-1541), Santa Cruz do Cabo de Guê (1505-1541) e Mazagão (1506-1769).
A maioria das fortificações construídas pelos portugueses foi no período de conquistas lusitanas no litoral norte-africano (séc. XV e XVI). Segundo o Historiador Rafael Moreira, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Marrocos durante a 1ªMetade do Século XVI era um campo de experimentação das inovações, ensaios e soluções da arquitectura militar fora do continente europeu.
As fortalezas portuguesas existentes no Norte de África, ao longo da costa atlântica de Marrocos, atestam o plano da Dinastia de Avis de as tornar praças de guerra. Desde a conquista de Ceuta (1415) até ao Desastre de Mamora (1515), o palco principal das ambições e decisões políticas da monarquia portuguesa é o Norte de África. De facto, as possessões portuguesas em Marrocos eram praças de guerra. As suas muralhas conservadas até hoje, algumas em ruinas, atestam a sua solidez e as ambições do Venturoso era tornar a costa marroquina numa couraça de praças-fortes que ia desgastando os adversários e o obrigariam a render-se.
O objectivo das autoridades portuguesas ao longo dos séculos que estiveram presentes em Marrocos eram as questões bélicas, ideológicas, politicas e comerciais. O controlo dos principais portos marroquinos, tendo em vista, a neutralização da pirataria – defesa das embarcações do Império Português -, a realização de actividades comerciais com as autoridades locais (cavalos, tecidos, arroz,etc), a necessidade de um território para manter a nobreza ocupada longe de querelas internas e externas e, finalmente, a promoção da Guerra Santa contra os Infiéis para afirmação da Dinastia de Avis junto do Papado. De referir, que a Nobreza Portuguesa considerava Marrocos vital para o prestigio e reputação pela força das armas, sendo essencial a sua manutenção sob égide das forças portuguesas.
O fim do ciclo português em Marrocos ocorreu com o abandono do último bastião fortificado: a praça-forte de Mazagão em 1769. Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.
Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.
Ao longo desta aventura em Marrocos, acompanha-me um profundo conhecimento do legado lusitano nestas paragens. Aqui penso que foi aqui que Portugal construiu e iniciou a sua epopeia além-mar, sentindo um pouco da nossa alma ligada às pedras, aos baluartes, as muralhas, as ruas que foram levantadas com tanto esforço e orgulho, à custa de sangue lusitano!
📌Fortaleza de Arzila (1471-1550; 1577-1589)
A Fortaleza de Arzila constitui um belo exemplar da fortificação manuelina. Fica situada num pitoresco porto de mar, entre Larache e Tânger, no Garbe Marroquino. O Baluarte de São Francisco (em primeiro plano) e Baluarte da Pata de Aranha, ao fundo, destinavam-se a bater com fogo cruzado o ancoradouro do melhor porto do litoral marroquino até Mazagão.
A Torre de Menagem de Arzila é uma típica estrutura feudal. Foi erguida, em 1509, pelo arquitecto-mor do Reino, Diogo Boytac, durante o intervalo à frente do Mosteiro dos Jerónimos. Segundo a tradição, terá sido nesta torre que terá pernoitado o rei D.Sebastião antes da fatídica Batalha de Alcácer-Quibir.
📌Fortaleza de Safim (1488-1541)
Situada no Marrocos Atlântico, entre Essaouira e El Jadida, Safim (Safi) foi um importante porto atlântico durante a 1ªmetade do Século XVI para o projecto imperial marroquino da Coroa Portuguesa. Desde 1491, que os Portugueses mantinham uma pequena feitoria fortificada para as transacções comerciais com os habitantes locais e tribos berberes. Também era um importante centro produtor de alambéis (tapetes coloridos) que eram essenciais nas trocas comerciais com as tribos africanos da região da Fortaleza de São Jorge da Mina (no actual Gana).
Em virtude da necessidade de defesa da mesma, em 1516, a Coroa ordenou a construção de uma fortificação, de origem manuelina, o conhecido Castelo do Mar. Foi recentemente restaurado pelo Serviço dos Monumentos Históricos de Marrocos, fazendo jus a uma das fortificações manuelinas mais grandiosas e mais bem conservadas do continente africano. De referir, que o Nuno Fernandes de Ataíde, capitão desta praça africana entre 1510 a 1516, ficou com a alcunha do «Nunca está Quedo», em virtude de ter sido um homem de acção – irrequieto e voluntarista – durante as constantes surtidas na região.
O perímetro amuralhado desta cidade do litoral marroquino é de origem manuelina, sendo erguidas em 1511 pelo arquitecto Diogo de Arruda. Tive oportunidade de constatar a sua vastidão, grandeza e estado impecável de conservação. De Salientar, que a Torre de Menagem de Arzila e o Castelo do Mar de Safim são as únicas estruturas arquitectónicas de traça medieval que subsistem no continente africano construídas pelos portugueses.
📌Castelo de Aguz (1506-1525)
O Castelo de Aguz (Souira Kedima) foi construído em 1519 na foz do rio Tensift, a 35 km a sul da cidade de Safi. Era uma base de apoio táctico ao porto atlântico e fortaleza de Safi. Encontramos semelhanças, na sua arquitetura militar, no castelo roqueiro de Vila Viçosa e as ruinas do antigo Palácio dos Alcaides de Torres Vedras, com um pátio central e torreões ultra-circulares nos ângulos. Trata-se de um exemplar da fortificação costeira manuelina simplificada.
📌Antiga Mogador (1506-1526)
A cidade portuária de Essaouira, situada entre Safi e El Jadida, foi no Século XVI uma antiga possessão portuguesa denominada de Mogador (1506-1526). O Castelo de Mogador, construído em 1506, por Diogo de Azambuja, já não existe. Esta fortificação, segundo fontes, durante o curto período nas mãos lusitanas, era dependente das provisões com origem na Ilha da Madeira, nomeadamente, o vinho, azeite, trigo ou madeira.
Se visitarmos a medina, as muralhas e o porto da «cidade do vento» podemos constatar a antiga presença lusitana, apesar das actuais fortificações, de origem marroquina, terem sido construídas durante o Século XVIII por ordem do sultão alauita Bem Abbala, quando pretendeu fazer deste local um importante porto exportador do ouro trazido pelas caravanas atravessavam o Saara desde Tombuctu (Mali).
📌Fortaleza Mazagão (1506-1769)
A Cidade-fortaleza de Mazagão, oficialmente fundada como vila a 1 de Agosto de 1541, apesar da existência de uma pequena fortaleza construída pelo arquitecto Diogo de Arruda, em 1514, actual Cisterna Portuguesa, como ponto de apoio a Azamor. Mais tarde, em 1541, João de Castilho adaptaria para uma cisterna e celeiros. Foi desenhada pelo engenheiro italiano Benedetto da Ravenna, em conjunto com Miguel de Arruda e Diogo de Torralva. De referir, que a construção desta fortificação marca o inicio da adaptação das novas formas de combate no Magrebe – construções com baluartes de traça italiana -, em virtude pela utilização da artilharia por parte das forças islâmicas. A partir da 2ª Metade do Século XVI dá-se a adaptação das velhas fortificações de cariz medieval para esta nova arquitectura militar.
O seu porto de acesso fácil e a traça abaluartada das muralhas, em alguns pontos com mais de dez metros de espessura, tornavam-na numa inexpugnável. Mais tarde, seria abandonada por Portugal, em 1769, por decisão do «valido» do Rei D.José I, o então Marquês de Pombal. Actualmente, a Cité Portugaise de El-Jadida está restaurada, como se comprova pelas fotos da minha autoria. A enorme extensão do perímetro muralhado da antiga Mazagão mostram a tradição da arquitectura militar italiana e da importância do estilo renascentista durante o Reinado de D.João III (1521-1557). De Salientar que o Baluarte de São Sebastião, lado do mar, mostra a escala grandiosa da fortificação.
A famosa cisterna da antiga Mazagão é uma das atracções turísticas de Marrocos. Foi construída sob a direcção de João de Castilho em estilo renascentista sobre o pátio de armas do antigo Castelo de origem Manuelina. O catalisador da construção desta imponente fortificação militar foram os constantes raides e conquistadas dos xarifes do Sul de Marrocos, equipados com moderna tecnologia pirobalística e com conselheiros militares europeus (mercenários italianos/germânicos). Mazagão era, assim, uma alternativa viável ao abandono das possessões costeiras fortificadas de Santa Cruz do Cabo Gué (Agadir), Safim e Azamor. A concentração de meios humanos, materiais e bélicos numa única praça permitia uma melhor resistência aos constantes e numerosos assédios das forças sob o signo de Alá.
Em 1769, a cidade-fortaleza de Mazagão foi abandonada pela Coroa Portuguesa. Em virtude deste abandono, a Coroa ordenou que os seus habitantes – nobreza local, soldados, etc – fossem para Lisboa. Aqui chegados, foram reenviados para uma nova missão: a fundação de uma Nova Mazagão, na fronteira Norte do Brasil, no actual estado de Amapá. Era o fim de mais de três séculos de presença portuguesa em Marrocos (1415-1769), em virtude de as possessões norte-africanas serem um sorvedouro de recursos humanos, monetários e bélicos, sem qualquer retorno (à excepção das questões ideológicas, Guerra Santa).
A antiga fortificação de Mazagão constitui – hoje uma importante atracção turística de Marrocos – um dos melhores exemplos conservados da arquitectura militar do Renascimento fora do Continente Europeu, que resistiu ao teste do tempo e da própria acção humana. De Salientar, que as fortificações portuguesas de Mazagão foram inscritas na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 2004 e, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O litoral atlântico de Marrocos oferece-nos uma grande variedade de grandes e pequenas fortificações costeiras com grande impacto visual e plástico, como em nenhum outro lugar. Nas mesmas, podemos encontrar o estilo de fortificar de Diogo de Arruda e dos seus familiares.
Em Conclusão, uma visita ao Norte de África – Marrocos – não é para um português um mero passeio como qualquer outro. É uma espécie de regresso a casa. Para quem possua alguns conhecimentos de Geografia e História e tenha o sentido do valor dos passado lusitano, visitar o actual Reino de Marrocos é ir a um dos nossos lugares predilectos, ir afervorar o amor pátrio e retemperar a alma, como afirma Urbano Rodrigues (RODRIGUES, 1935). De facto, diante de património edificado pelos nossos antepassados em diversas cidades costeiras como Asilah, Tânger, Essaouira, Safi, El Jadida, podemos sentir bem o que fomos e o que podemos ainda ser…
BIBLIOGRAFIA
Carita, Rui, “A arquitectura abaluartada de origem portuguesa”, in Relações luso-marroquinas 230 anos, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, nº 17-18, Lisboa, Instituto Camões, Novembro 2004, pp. 135-138, 143-145.
Correia, Jorge, “Mazagão: A última praça Portuguesa no Norte de África”, in Revista de História da Arte, Lisboa, IHA – FCSH-UNL, nº 4 , 2007, pp. 185-209.
Dias Farinha, António, “Os Portugueses em Marrocos”, Instituto Camões, Colecção Lazúli, 1999,pp.3-103.
LOPES, David – A Expansão em Marrocos, Colecção Cabo a Cabo, Lisboa: Teorema /O Jornal, 1989.
Moreira, Rafael, “Arquitectura militar do Renascimento”, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Dir. Rafael Moreira, Lisboa, Pub. Alfa S.A., 1989, pp. 150-157.
RODRIGUES, Urbano – Passeio a Marrocos, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.
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Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
📷Apontamentos fotográficos de uma aventura ruinosa pela concelho de Torres Vedras. Viajar e fotografar numa das mais belas regiões costeiras de Portugal Continental, a Região do Oeste presenteia-nos com paisagens únicas que combinam entre si o oceano atlântico, os rios, os campos de cultivo, os vinhedos, os montes e vales. Todavia, devemos também salientar o património edificado existente (e abandonado) nesta região, como é o caso das ruínas do antigo Convento de Penafirme.
Ruinas do Antigo Convento de Penafirme, Torres Verdas @ Oliraf Fotografia
Num instante de tempo, o património emerge ao sabor das imagens: o antigo Convento de Penafirme foi construído no Século XVI (1547) pela comunidade de frades eremitas de Santo Agostinho, sendo destinado ao culto de Nossa Senhora da Assunção. A sua construção foi finalidade no decorrer da 1ªmetade do Século XVII (1638). Actualmente, as estruturas do antigo complexo quinhentista encontram-se em ruinas, em virtude, da invasão do mar, do avanço das areias e, a principal consequência do abandono, o terramoto de 1755. (Foi abandonado, definitivamente, após o terramoto de 1755)
Os actuais vestígios do antigo convento de Penafirme remontam à primeira metade do Século XVI (1547), em virtude da necessidade de substituição do antigo complexo medieval e, também, fruto da nova reforma da província portuguesa da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, a pedido do monarca D.João III (1521-1557)) durante o ano 1535. As obras foram realizadas até à 1ªMetade do Século XVII (1638), aproveitando as pedras e cantarias do antigo convento medieval. Este Convento Quinhentista veio substituir o anterior e, para tal, que já contava com diversos apoios de monarcas portugueses, tais como, D. Manuel I (1495-1521) e D.João III.
Pequeno Aqueduto do Antigo Convento
Segundo tradições, o mosteiro de Penafirme foi fundado no Séc.IX (ano 840), por um eremita de origem germânica, Ancirado, da Ordem de Santo Agostinho, aquando da sua fuga de Santarém dos constantes raides das forças islâmicas do Al-Andalus. Actualmente, podemos encontrar inúmeros vestígios da organização arquitectónica do complexo conventual, nomeadamente, o muro que circundava o perímetro do mosteiro, a Igreja e outras dependências (sacristia, o claustro e as celas).
Vista Frontal
O antigo complexo conventual é composto por uma planta longitudinal formada por dois corpos distintos entre si, um orientado de oeste para leste (Igreja) e outro orientado de Norte para Sul (Celas dos Frades). De Salientar, que no lado Sul do convento é possível encontrar o vestígio de um pequeno «aqueduto» que transportaria água para este complexo edificado. Verifica-se , pelas fotos, que o convento é desprovido de blocos de cantaria em todos os seus cantos.
Vista Oeste do Convento
Na minha opinião, devemos despertar o nosso sentido estético para a beleza do nosso património, construído ou não, o avivar a memória dos lugares e dos pormenores que também fazem parte da nossa identidade histórica e que, por isso mesmo, devem ser preservados documentalmente.
Quantas vezes passamos por uma rua, ruína ou paisagem sem que o nosso olhar se detenha para as admirar? Interrogue-se e parta à descoberta como eu. E deixe-se surpreender-se. Aventure-se na região Oeste!
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🛈 Sabia que…❓❓❓
As Termas do Vimeiro estavam sob jurisdição do antigo “Convento Velho de Penafirme”. Dai, a toponímia local dos balneários das Termas do Vimeiro: a Fonte dos Frades.
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🛈 Para mais informações
📍 Póvoa de Penafirme, Torres Vedras.
Apenas a 50 km de Lisboa, as ruínas do Convento Velho de Penafirme estão situadas a meio caminho entre a povoação da Maceira e Póvoa de Penafirme, a escassos 500 metros do areal da praia de Santa Rita, no concelho de Torres Vedras.
📚 BIBLIOGRAFIA 📚
Azevedo, C. M. (2013). SILVA, Paula Correia da – O Convento da Graça de Torres Vedras: a comunidade eremítica e o património. Torres Vedras: Livro do Dia Ed., 2007. 172 p. Lusitania Sacra, (28), 278-279. https://doi.org/10.34632/lusitaniasacra.2013.6654
João Luís Inglês, coord. – A dos Cunhados: Itinerários da Memória. A dos Cunhados: Pró-Memória, 2002.
MANGORRINHA, Jorge, O Lugar das Termas – Património e Desenvolvimento Regional. As Estâncias da Região do Oeste, Livros Horizonte, Lisboa, 2000.
Silva, Carlos Guardado. Os Eremitas de Santo Agostinho: O Convento de Nossa Senhora da Assunção de Penafirme, Mosteiro de Penafirme. Arquivo de Torres Vedras.
SILVA, Paula Correia da – O Convento da Graça de Torres Vedras : a comunidade eremítica e o património. Torres Vedras : Câmara Municipal de Torres Vedras : Livrododia Editores, 2007. 172 p. : il. ; 26 cm. (Linhas de Torres ; H9). Bibliografia, p.159 -171. ISBN 978-972-8979-12-6
“Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico”. Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 430.
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Pequeno artigo sobre o conceito de Paisagem. Como sabem, a Paisagem é uma das temáticas que gosto de abordar nas minhas fotografias dos locais por onde tenho oportunidade de estar e passar.
Porquê a Fotografia de Paisagem? Na Paisagem fascina-me a beleza da diversidade da paisagem natural e urbana , mas também o modo como as populações locais interagiram, e interagem, com o seu meio físico ao longos dos tempos. Através, da Fotografia procuro uma maior transversalidade temporal (Histórica) e Geográfica possíveis. Por um lado, a Fotografia, enquanto objecto documental, permite regista um espaço num tempo cronológico definido que é o nosso. Através da Fotografia, procuro captar a essência e sentidos dos objectos fotografados, o espírito do lugar, tendo como objectivo final, a sua representação e alertar para uma consciência da preservação ambiental e patrimonial do território.
Serra de Sintra
A Paisagem é o elemento-chave para a compreensão e análise do território na sua dimensão física, perceptual e cultural. De facto, a paisagem é uma comunicação lógica entre o espaço físico e a ocupação humana, onde a primeira influencia a segunda e esta a molda a primeira, tornando perceptível uma perspectiva ideográfica da Geografia. Segundo Orlando Ribeiro (2001), toda a «paisagem está organizada e é a trama das regiões concebidas como áreas de extensão de determinada paisagem, que constitui o objectivo último das investigações devidamente conduzidas pelos Geógrafos.» O espaço natural e os modos de vida sempre foram uma constante na História da Ciência Geográfica. Por exemplo, os conceitos e métodos da tradição possibilista vidaliana, dão à paisagem uma importância para a compreensão da relação entre o espaço físico e o homem (CLAVAL, 2006, p.91).
Panorama do Castelo Alcácer do Sal
A paisagem surgiu no seio da língua germânica, Landschaft, e foi traduzida para inúmeras línguas, o que deu origem a inúmeras concepções sobre o sentido da mesma (SALGUEIRO,2001). Deste modo, a generalização do termo paisagem ocorre durante o século XVIII, através da ruptura com a visão religiosa medieval. Antes da Modernidade, a observação e a apreciação da paisagem era realizada através de quadros de grandes pintores dos Países Baixos, por exemplo, Rubens. Aliás, Teresa Alves (2001), afirma que o termo paisagem era o culminar da representação do produto final de uma pintura num dado acontecimento enquadrado numa determinada realidade geográfica e não para designar um facto geográfico. De facto, a pintura da paisagem foi essencial para a compreensão, descrição e observação da natureza, valorizando o espaço, isto é, o território (SALGUEIRO,2001). Também é de referir que o interesse pela paisagem foi estimulado pelas viagens marítimas e terrestres realizadas por inúmeros aventureiros e navegadores pelo Mundo, afirma Jorge Gaspar (2001).
Paisagem da Madeira
Os estudos sobre o conceito sobre a paisagem, desde os primórdios da Geografia, sempre foram focados na descrição das características morfológicas dos vários elementos que constituem a superfície terrestre, incorporando progressivamente elementos da transformação das sociedades no ambiente ao longo dos tempos. O Estudo da paisagem foi essencialmente realizado através da observação. Contudo, para uma análise mais rigorosa e científica, houve a necessidade da explicação do conjunto – território – com recurso a outro saberes científicos como a história, a economia ou a política.
Pescadores do Rio Tejo
Dentro da Geografia, o conceito de paisagem foi sofrendo rupturas epistemológicas ao longo dos tempos, conforme a percepção e evolução do próprio objecto de estudo da própria Geografia. Assim, a paisagem é, por natureza, o objecto de estudo da Geografia desde a sua «fundação» como disciplina científica. Para tal, importa salientar os contributos de dois geógrafos alemães, Alexander von Humbolt (1769-1859) e Carl Ritter (1779-1859), para a preocupação em encontrar uma explicação científica para os factos observados pelos geógrafos, ausentes da geografia tradicional praticada até ai (CLAVAL, 2006). Note-se que o conceito de paisagem era fundamental para os geógrafos possibilistas do início do século XX, pois impedia a divisão entre a geografia física e geografia humana. No fundo, o objecto de estudo da Geografia era a análise da paisagem, o que dava um objecto diferente de outras disciplinas científicas.
ALVES, Teresa – Paisagem: em busca do lugar perdido. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 67-74. Lisboa, 2001.
CLAVAL, Paul, História da Geografia, Lisboa: Edições 70, 2006.
GASPAR, Jorge – O retorno da paisagem à Geografia. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 83-99. Lisboa, 2001.
RIBEIRO, Orlando – Paisagens, Regiões e Organização do Espaço, Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 27-35. Lisboa, 2001.
RIBEIRO, Orlando – Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, Lisboa: Sá da Costa Editora, 1945.
SALGUEIRO, Teresa Barata – Paisagem e Geografia. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 37-53. Lisboa, 2001.
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💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷