🌏Le maroc que J´aime: Chefchaouen…

Marrocos é um país pitoresco que por estar tão perto de Portugal e ser tão exótico merece uma visita de qualquer viajante andarilho. Estreei-me na região do Magrebe (Marrocos) em 2013. E sabem uma coisa? Nenhum homem pisa e olha a mesma cidade duas vezes.  As ruas são as mesmas, mas o homem não! E sempre que volto a este reino islâmico (sunita), faço com o mesmo entusiasmo, empenhamento e divertimento com o que fiz pela primeira vez. E espero voltar sempre que puder, seja em trabalho ou em férias,mas sempre com prazer. No total, são duas vezes, duas experiências sempre diferentes. Além de Portugal, é o país onde me sinto mais à vontade, ou seja, mais em casa. É por isso que escrevo este artigo na primeira pessoa. Este é o relato da minha experiência de viagem entre Portugal e Marrocos.
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Aspecto do porto de Tânger: nas proximidades de Chefchaouen

Para quem nunca pôs o pé fora do continente europeu, como foi o meu caso em 2013, entrar em Marrocos é mais ou menos como descobrir um novo mundo ou ser transportado para uma nova dimensão. Não é preciso sequer ver os minaretes das mesquitas que rasgam o horizonte para perceber que se está num país islâmico. Basta ouvir o canto “hipnótico” amplificado pelos altifalantes das mesquitas guiando os fiéis para a oração. Como dizia o poeta Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se, depois entranha-se…”

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Paisagem Humanizada do Rife (Marrocos)

Com a publicação deste artigo – Le maroc que J´aime – acabo de iniciar um conjunto de crónicas sobre a minha experiência de viagem pelo Reino de Marrocos. Assim, irei mensalmente falar aos leitores sobre as diversas cidades marroquinas por onde tive oportunidade de visitar e, claro, fotografar.

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Cenas quotidianas de uma aldeia no Rife de Marrocos

Le Maroc que J´aime: Chefchaouen…

Nesta viagem propomos mais que uma simples visita, sugerimos uma aventura pela cidade azul inserida nas Montanhas do Rife. Um viajante que percorra Marrocos tem que passar OBRIGATORIAMENTE por esta cidade. No meu caso, serviu de paragem para almoço antes de mais de cinco horas de viagem até ao destino final do segundo dia de viagem por Marrocos: a cidade imperial de Meknès.

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Mercado de rua em pleno centro histórico da cidade
 O que dizer sobre Chefchaouen? Bem, em primeiro lugar, esta cidade do Norte de Marrocos é única e bastante singular. E Porquê? Apresenta cores azuis turquesa na maioria das suas casas e na sua antiga medina antiga. De facto, é uma cidade muito fotogénica. Para quem vem da Europa, na minha opinião, esta é a cidade ideal para se ambientar com Marrocos e para aqueles que querem conhecer as Montanhas do Rife.
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Em Chefchaouen pode explorar a cidade pelas ruelas e descobrir pontos únicos, interagir com os locais e almoçar num dos imensos restaurantes, fazer compras no souk local e adquirir artesanato local com padrões tipicos da região. Esta cidade, sem termos de comparações, faz-me lembrar a nossa alfama com as ruelas.

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O Azul é uma constante

Importa salientar que não irei recomendar nenhum restaurante nem local. Deixo isso ao critério de cada viajante. E porquê? Na minha opinião, quando partimos em viagem procuramos a busca das gentes, dos locais e paisagens que fazem a essência de uma determinada país ou cidade.

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 Mergulhar no espaço interior desta cidade é descobrir um labirinto de ruas azuis, num anil que aguça a curiosidade de qualquer visitante. O sobe e desce é constante , as crianças que passam a correr, os homens nos seus ofícios tradicionais, as mulheres de cabeça coberta fazem parte do retrato e da minha memória fotográfica.

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Gato: um companheiro habitual nas visitas a esta cidade do Rife.

Chefchaouen pode ser um ponto de partida para conhecer a região  das Montanhas do Rife, conhecidas pela sua beleza, imponência e pela agricultura tradicional, bem como de outras cidades como Tânger, Tétouan e Fez,por exemplo.

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Spice (s) do Souk de Chefchaouen

Viajar é um caminho, em que a cada passo estamos a descobrir verdadeiramente quem somos, o que fomos e o que queremos ser. Se ainda não tem as suas férias  marcadas, Chefchaouen seria uma boa opção para mergulhar em África!

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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🌏Marraquexe, a cidade-coração de Marrocos…

Salaam alaikum. Nenhum homem pisa a mesma cidade duas vezes. As ruas não são as mesmas, tão pouco o mesmo homem!

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Depois de «andar às voltas» em linha recta por lugares tão diferentes como Chefchaouen, Ifrane, Merzouga, Zagora, finalmente a conhecida Marraquexe. Perto de nós pela geografia, Marrocos fica longe de tudo. Em pouco mais de umas horas «aterramos» num mundo desconhecido.Depois de deixar a mala no Hotel Oudaya não resisti em sentir a essência da Marraquexe de Delacroix: a Praça Jemaa El Fna e ouvir o chamamento para a oração da noite. Sem palavras!

MARRAQUEXE: a cidade de destino estava próxima. Sentia-se o caótico trânsito com os carros,motas e bicicletas em constante movimento. Calor Abafado. E um magnifico fim de tarde, onde o pôr-do-sol é o prenúncio de uma bela noite na maior praça de África: a Jemaa El Fna. 

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O segundo dia em Marraquexe começou cedo. E da varanda do meu quarto senti, pela primeira vez em muito tempo, um calor diferente do que estou habituado a viver. Quente e doce. Depois de tomar um pequeno-almoço reforçado, parti rumo à aventura em Marraquexe com várias visitas programadas: Jemaa El Fna, Souk Marraquexe, Escola Corânica Medersa Ibn Youssef, Pharmacie Berbere e Jardim Majorelle.

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Marraquexe é uma das quatro “cidades imperiais”. Na foto, podemos ver a Mesquita de Koutoubia, um dos símbolos desta cidade, além da Praça Jemaa-el-Fana e da antiga Medina. Salienta-se a Beleza do Interior da Mesquita que pude comprovar do exterior com inúmeras naves. Infelizmente, só está aberta a crentes islâmicos.

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No meio da agitação da Medina de Marraquexe, encontra-se um oásis:a antiga escola corânica Medersa Ibn Youssef. Um local espiritual para fugir ao rebuliço do quotidiano habitual e ao calor da cidade de ocre. Para mim, Marraquexe é onde tudo acontece…uma cidade que mexe com qualquer viajante.

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A Praça Jemaa El Fna é outro dos pontos obrigatórios numa visita a esta cidade muçulmana. É praça mais movimentada de Marraquexe e um grande circo a céu aberto. O Coração de África é neste local. Respira-se. Vive-se. Inspira-se. África. Diria que a cereja no topo do Bolo são barracas de comida e o reboliço da montagem das tendas.

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Perder-se no Souk de Marraquexe é abrir a boca de espanto. De facto, para quem gosta de aventura e de explorar becos e vielas é aconselhável. Para os menos aventureiros, o souk torna-se um labirinto e, por vezes, é necessário um Guia. E foi esse o caso do meu Grupo. Também é importante, pois o guia dá indicações sobre os melhores sítios para comprar e,claro, regatear. Antes de viajar, vejam os inúmeros programas que aparecem na programação do canal National Geographic, especialmente o Burlar Turistas de Marraquexe.

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Depois da visita ao Souk de Marraquexe, seguiu-se a hora de almoço. Optei por almoçar num dos inúmeros restaurantes com vista panorâmica para a Praça Jemma El Fna. De salientar, que paga-se 10 Dirhams (1€) pela taxa de utilização da restauração com vista panorâmica para a referida praça. De seguida, optou-se por um programa diferente: visitar o famoso Jardim Majorelle e o Musée Berbère com uma colecção riquíssima sobre a Cultura Berbere.

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A arquitectura de Marrakech é surpreendente com as milhares de parabólicas no topo dos terraços, bem como a imponência das montanhas do Alto Altas como pano de fundo. Poucas viagens oferecem tantas oportunidades fotográficas como uma viagem a Marrocos. De facto, a experiência da viagem permite-nos contactar com um mosaico riquíssimo de beleza e variedade paisagística urbana e cultural.

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A experiência de «mergulhar» no centenário souk da cidade, deambulando pelas inúmeras e estreitas ruelas da antiga medina com personagens vestidas de djellabas, constantes motorizadas a cruzar-se no nosso caminho, burros que passam carregados com mercadorias e,de seguida, entrar numa loja onde nos oferecem um chá de menta enquanto fazemos compras exóticas. E, claro, o prazer de regatear um produto.

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O meu olhar «fotográfico» perdeu-se nesta cidade imperial que proporciona experiências sem fim. Na minha opinião, Marraquexe oferece uma das melhores experiências para conhecer e sentir o pulsar da agitação de África e do misticismo da Civilização Muçulmana.

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Marraquexe. Cidade de influências  culturais africanas, berberes, andaluzes, muçulmanas e europeias, onde podemos sentir na atmosfera colorida e exótica a essência desta cidade marroquina. É engraçado voltar para casa. Tudo têm a mesma cara, o mesmo cheiro. Nada muda. Nos damos conta de que quem mudou, fomos nós…

Shukran Marrocos!

Nota importante [👤]

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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📌 Pedras com História: à descoberta da Aldeia Histórica de Castelo Mendo…

Poucas ocasiões oferecem tantas oportunidades fotográficas como as férias de Verão. Como tal, decidi fazer algo diferente no longínquo Verão de 2013: Voluntariado Social numa IPSS do concelho de Almeida (Guarda): a Associação Sócio terapêutica de Almeia (ASTA).  Durante esta experiência, resolvi tirar um dia para fazer uma escapadinha fotográfica a uma das doze aldeias históricas de Portugal: a bucólica aldeia de Castelo Mendo.

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A Aldeia Histórica de Castelo Mendo localiza-se a cerca de 20 km de Almeida (Guarda), sede de concelho,na ala Sudoeste do concelho,sobre um maciço granítico a cerca de 700 metros de altitude. É circundado a leste e a sul pelo rio Côa. É uma das doze aldeias históricas de Portugal. É um sítio recôndito como outros há nesta região que, apesar da pouca densidade populacional, nos reserva surpresas como esta, lugares especiais, mas tão próximos e tão distantes.

Panorâmica da Aldeia Histórica de Castelo Mendo © Oliraf Fotografia 2013
Panorâmica da Aldeia Histórica de Castelo Mendo © Oliraf Fotografia 2013

Ao longo da História, os Castelos e cercas medievais foram importantes e imponentes locais de refúgio, de defesa e de local de residência. Situados nas próprias povoações, em montes ermos ou no alto de colinas/penhascos, sempre o Homem os concebeu em articulação com o espaço físico envolvente. A partir do Castelo Mendo verifica-se a presença de elementos em valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. Deste património histórico podemos salientar a sua importância para a definição das fronteiras ao longo dos séculos,nomeadamente, nos conflitos fronteiriços com Castela, Guerra da Restauração (1640-1668), Invasões Francesas (1807-1811) e nas Lutas Liberais (1828-1834).

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Como tantas outras praças de armas raianas, a praça de Castelo Mendo, situada na margem esquerda do Côa, teve certamente um papel importante na defesa da fronteira portuguesa contra as incursões castelhanas. Foi-lhe entregue uma carta de foral pelo rei D.Sancho II, em 1229, e outra por D.Manuel I, em 1510. Quando ocorreu a reforma administrativa, no Século XIX, já a povoação se devia encontrar em franco declínio, sendo-lhe retirados então os poderes municipais que ainda detinha.

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A entrada nesta aldeia história de Portugal é efectuada pelas Portas da Vila, ladeadas por dois torreões e por dois Berrões ou Verrascos, esculturas zoomórficas em granito, representando pela observação das partes intimas, um macho e uma fêmea de porcos ou javalis. Segundo fontes, a sua datação decorre entre o séc.IV e I a.C. e as esculturas estão ligadas possivelmente ao culto da fertilidade do povo Vetão.

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Quando chegamos a um local novo há tanto para absorver que a nossa atenção pode desviar-se do que é realmente essencial. Fiquei intrigado com uma lenda local, a Lenda do Mendo e a Menda. Segundo uma Lenda popular, a Menda e o Mendo são dois elementos decorativos integrados em dois edifícios frontais.

A Menda é uma gárgula em pedra.
A Menda é uma gárgula em pedra.

A Igreja de Santa Maria do Castelo, em ruínas, mas em bom estado de conservação, é datada do séc.XIII, sendo um belo exemplar em estilo românico.

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Antes de perder-se por vielas e ruas desta aldeia secular, bem como desfrutar da beleza da paisagem circundante, importa referir que há um restaurante, um café e alojamentos de Turismo Rural na própria aldeia. Olhar para um Castelo é como virar uma página de um livro imenso de memórias e histórias que fazem parte do nosso imaginário, do nosso passado.

Panorâmica do interior da Vila de Castelo Mendo

Se estiver a planear uma escapadela dentro de Portugal, coloque este guia/roteiro na bagagem, siga os meus conselhos e capte momentos fotográficos da sua viagem das quais se vai relembrar…

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Com a primavera quase cá, um bom pretexto para ir visitar a Vila Medieval de Castelo Mendo. Para mim, a Fotografia é uma forma de interpretar o que me rodeia, de lhe dar um sentido coerente, proporcionando-me um conhecimento mais amplo da Natureza e da História.

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💡 Sabia que…❓❓❓

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é castelo-mendo.jpg

Perto do recinto muralhado do antigo Castelo Medieval, há uma campa com pedra de cabeceira, datada da primeira metade do século XIX, que é motivo de curiosidade para os habitantes locais e forasteiros. Na pedra granítica, o olhar mais atento descobre uma extensa inscrição, quase ilegível, que conta o destino do oficial que ali foi sepultado:

Aqui jaz Miguel Augusto de Sousa Mendonça Corte Real, fidalgo da Casa Real e Comendador das Ordens de: São Bento de Avis e de Nossa Senhora da Conceição, condecorado com a medalha da Torre Espada, de Valor, Lealdade e Mérito, e com a Cruz de S. Fernando, dada por sua Majestade Católica, Tenente Coronel, Comandante de Infantaria n.º 6, filho do Tenente General e Conselheiro de Guerra, João de Sousa Mendonça Corte-Real. Nasceu em 23 de agosto de 1803, foi barbaramente assassinado pelos seus próprios soldados em 12 de setembro de 1840”, conforme consta do epitáfio. 

Qual terá sido a causa para este brutal homicídio? Consta que foi o eventual incumprimento de uma promessa [de um pagamento de soldo] que fizera aos seus soldados. Após ter recebido uma elevada quantia, e como recusa do pagamento aos últimos, o antigo alcaide de Castelo Mendo foi morto [a tiro de fuzil] pelas suas tropas no seu domicilio. Esta é mais uma curiosa estória que demonstra quão ricas são as Aldeias Históricas de Portugal em vestígios que encerram a importante História do povo português.

Há pedras que contam muitas estórias…da nossa História!

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🛈 Para mais informações:

📚 BIBLIOGRAFIA 📚

ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL. Associação de Desenvolvimento Turístico – GR 22, grande rota das aldeias históricas de Portugal. Fot. Fernando Romão. 1ª ed. [S.l.] : Foge Comigo!, 2015. 63, [1] p. : il. ; 21 cm. ISBN 978-989-98230-3-7

BELO, Duarte; DAVEAU, Suzanne, MATTOSO, José – PORTUGAL: o Sabor da Terra. Um RETRATO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO POR REGIÕES, 2ªEdição, Lisboa: Tema &Debates, 2010.

CAMPOS, João – Almeida : projectos para a regeneração da Praça-Forte. Pref. Rui Ramos Loza. Almeida : Câmara Municipal de Almeida, 2021. 227, [1] p. : il. ; 31 cm. Ed. bilingue em português e inglês. ISBN 978-989-99229-4-5

CARVALHO, José Vilhena de – 𝐴𝑙𝑚𝑒𝑖𝑑𝑎: 𝑠𝑢𝑏𝑠𝑖́𝑑𝑖𝑜𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎 𝑠𝑢𝑎 ℎ𝑖𝑠𝑡𝑜́𝑟𝑖𝑎. 2.ª ed. [S.l.]: [s.n.], 1988. Vol. 1, p. 423-425.

CARVALHO, A. de (1995). Castelo Mendo: um conjunto histórico a preservar. Braga: Edição de Autor.

PORTUGAL. Comissão de Coordenação da Região Centro – Aldeias históricas de Portugal : um património com futuro. Coord. Isabel Boura. Coimbra : CCRC, 2002. [28] p. : il. ; 30 cm. ISBN 972-569-128-8

RAU, Virgínia, Feiras, in SERRÃO, Joel, dir., Dicionário de História de Portugal, Porto, 1984, vol. II, pp. 539 – 542;

🌐 Sítios web 💻

Aldeias Históricas de Portugal (Visit Portugal)

Aldeias Históricas de Portugal (Página Oficial)

Município de Almeida (Castelo Mendo)

Alpendre de Feira em Castelo Mendo– SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: < http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1580 >

Fonte, A. B. B. (2016). Arqueologia, património e museus na Câmara Municipal de Almeida. (Tese de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa). Repositório da Universidade Nova de Lisboa. Disponível na  internet URL: <http://hdl.handle.net/10362/17303 >

Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-03-07 00:11:56]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/$castelo-mendo

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📌À descoberta do Castelo de Torres Vedras…

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Nas minhas aventuras pelo Oeste  sempre tive a curiosidade sobre a importância e o papel desta fortificação militar na História Local, Nacional e Europeia. Ora, decide-me, de uma vez por todas, visitar o Castelo de Torres Vedras. Aqui a História de Portugal cruzou-se com a História Local…Vamos entrar?

O Castelo de Torres Vedras fica situado na cidade, e sede de concelho, de Torres Vedras, no Distrito de Lisboa. Encontra-se envolvido pela malha urbana e por arborização, erguendo-se numa posição dominantes sobre a cidade que lhe dá nome.

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Ao longo da História, os Castelos e cercas medievais foram importantes e imponentes locais de refúgio, de defesa e de local de residência. Situados nas próprias povoações, em montes ermos ou no alto de colinas/penhascos, sempre o Homem os concebeu em articulação com o espaço físico envolvente.

Panorama Cidade Torres Vedras A partir do Castelo de Torres Vedras verifica-se a presença de elementos com valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. Deste património histórico podemos salientar a sua importância nos diversos acontecimentos relevantes da História de Portugal, tais como, no contexto da Guerra Civil de (1383-1385), nas Invasões Napoleónicas (1807-1811) e, finalmente, nas Guerras Liberais da 1ªMetade do Séc. XIX.
Construído numa colina, cujo sopé corre o leito do rio Sizandro, ergue-se o Castelo de Torres Vedras. Há diversas razões históricas, monumentais, naturais e paisagísticas que fazem desta edificação militar um conjunto patrimonial impar de visita imprescindível. Do seu topo, é possível visualizar uma excelente paisagem sobre o meio que nos envolve. Panorama CasteloTVD A ocupação humana da colina, onde está actualmente o Castelo de Torres Vedras remonta, segundo fontes históricas, ao III milénio a.C, beneficiando das notáveis condições naturais de defesa (colina) e de abastecimento (rio). Mais tarde, os Romanos e os Árabes reforçaram o complexo militar edificado, neste caso, as muralhas e a Alcáçova do Castelo, deixando inúmeros vestígios da sua presença ancestral. Do Castelo Medieval restam apenas os vestígios arquitectónicos da Igreja de Santa Maria do Castelo[1] e a cerca oval, que foi reforçada por ordem de D.Manuel I (1495-1521), comprovada pela porta de armas com a esfera armilar. Portugal-1-30HDR

Durante o Século XVI, o complexo do interior do Castelo foi renovado com a construção do Palácio dos Alcaides (1519) pelo alcaide-mor D.João Soares de Alarcão. Para a construção da mesma, foi destruída a torre de menagem de origem medieval.


Situada no interior do Castelo de Torres Vedras, a Igreja de Santa Maria do Castelo é uma das antigas quatro matrizes da Cidade de Torres Vedras. Segundo fontes históricas, a construção desta edificação religiosa deverá remontar à 2ªmetade do Século XII, pouco tempo da tomada do Castelo aos Mouros, em 1148, por D.Afonso Henriques. É provável que tenha sido erguida sobre algum templo islâmico, ai existente durante o período de ocupação árabe. Portugal-1-26 O Castelo de Torres Vedras esteve envolvido em inúmeras datas e acontecimentos de enorme importância no decurso da História de Portugal. Por exemplo, no contexto da Guerra Civil de 1383-1385, o Castelo esteve cercado durante dois meses pelo Mestre de Avis, futuro D. João I, pois estava sob o domínio dos partidários de Castela. Mais tarde, em 1414, o Conselho Régio do monarca D.João I decidiu tomar a praça do Norte de Africa (Ceuta). Assim, a cidade de Torres Vedras encontra-se intimamente ligada ao inicio da expansão portuguesa.
No contexto das Invasões Francesas (1807-1811) integrou a 1ªlinha das denominadas Linhas de Torres Vedras (reduto n.º27 do 1ºDistrito). Portugal, e neste caso, a cidade de Torres Vedras  foram transformadas num campo de Batalha para as «superpotências da época»: a França e a Inglaterra. Em virtude do Bloqueio Continental, Portugal foi usado pelo Império Britânico como testa de ponte para iniciar a derrota de Napoleão Bonaparte, uma espécie de Dia D. Como consequência, Portugal foi saqueado e sujeito a uma politica de terra queimada. Portugal-1-27

Em Dezembro de 1846, no contexto da Guerra Civil da Patuleia (1846-1847), a cidade de Torres Vedras foi palco de uma sangrenta batalha entre as forças governamentais  sob o comando do Duque de Saldanha e as forças da Junta do Porto, os patuleias, do Conde do Bonfim. De seguida, o Castelo foi utilizado como quartel das tropas sob o comando do Conde de Bonfim, depois de terem sido expulsas do Forte de São Vicente, tendo sido bombardeado, a partir do Varatojo, pelas forças do Marechal Saldanha, sendo que nessa altura o paiol de pólvora explodiu, o que resultou na sua rendição e, como consequência, na destruição do Palácio dos Alcaides.

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A Fotografia, de facto, tem valor documental, a partir do momento que ilustra um determinado acontecimento, facto ou objecto. Permitiu às pessoas obterem consciência do seu próprio pais ou região, através da visualização de gentes, paisagens e monumentos. Valorizou o sentimento patriota e nacionalista. Digamos, uma ideia romântica do património. Tenho um grande apreço pela técnica e arte fotográfica. Como aprendiz de Clio, a musa da História, gosto de registar e documentar visualmente o património militar e religioso edificado no território português. Um dos meus objectivos , é registar «todos os castelos de Portugal».

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📷 Roteiro Fotográfico pelas fortificações de origem portuguesa em Marrocos…

Salaam alaikum…

No contexto da 5ª visita de estudo ao Reino de Marrocos, organizada pelo Departamento de Geografia e Planeamento Regional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tive a oportunidade de conhecer, estudar e fotografar inúmeros locais de Marrocos.

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Panorâmica da Fortaleza de Mazagão

Foram, no total, nove dias de viagem com 3270 km de autocarro que me permitiu partir em busca da essência de África, das suas gentes, paisagens, da sua cultura, experiências e memórias de um pais africano com uma extensão territorial quase cinco vezes superior à de Portugal e com 30 milhões de Habitantes. Todavia, o percurso pelo litoral atlântico de Marrocos permitiu-me contactar com alguns lugares com vestígios da arquitectura militar de origem portuguesa, nomeadamente, Essaouira, Safi, El Jadida e Asilah.. De facto, esta viagem permitiu-me elucidar que Portugal e Marrocos partilham legados culturais e interesses comuns. Aliás, a nossa História cruzou-se por várias vezes com este continente…Somos Países Vizinhos!

Após mais de 600 km de estrada entre Lisboa e Algeciras, pelo meio a travessia do Estreito de Gibraltar, cheguei a Marrocos (Tânger). Em linha recta, capital mais próxima do Reino de Marrocos (Rabat) é Lisboa. Marrocos é um pais com mais de 446 mil Km2 de área, com 2500 km de costa atlântica de extensão e 300 km de costa Mediterrânica. Na minha opinião, descobrir este Reino é quase como reviver memórias de outros tempos, uma espécie de regresso a casa.

A ver pela sua História, Marrocos e Portugal partilham em comum uma herança civilizacional e cultural que sempre me fascinou, apesar das diferenças religiosas. Tal como nas moedas, coexistem duas faces distintas mas com um elo inseparável entre si.

O Norte de África, em especial Marrocos, à época chamava-se Reino de Fez (Merínidas), foi a primeira tentação de um Portugal sedento de afirmação internacional e em busca de grandeza, após Aljubarrota. A presença portuguesa em Marrocos durou mais de trezentos anos (1415-1769). Como se sabe, aventura dos Descobrimentos Portugueses iniciou-se a 14 de Agosto de 1415, quando uma armada de 200 navios, 50 mil homens, um rei D.João I (e três príncipes, D.Duarte, D.Pedro e D.Henrique) tomaram a cidade portuária de Ceuta.

Ao longo do litoral norte africano – mediterrâneo e atlântico -, os portugueses conquistaram e construíram inúmeras fortificações. São exemplos, Ceuta (1415-1668), Alcácer-Ceguer (1458-1550), Tânger (1471-1662), Arzila (1471-1550; 1577-1589),Safim (1488-1541), Aguz (1506-1525),Mogador (1506-1526), Azamor (1513-1541), Santa Cruz do Cabo de Guê (1505-1541) e Mazagão (1506-1769).

A maioria das fortificações construídas pelos portugueses foi no período de conquistas lusitanas no litoral norte-africano (séc. XV e XVI). Segundo o Historiador Rafael Moreira, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Marrocos durante a 1ªMetade do Século XVI era um campo de experimentação das inovações, ensaios e soluções da arquitectura militar fora do continente europeu.

As fortalezas portuguesas existentes no Norte de África, ao longo da costa atlântica de Marrocos, atestam o plano da Dinastia de Avis de as tornar praças de guerra. Desde a conquista de Ceuta (1415) até ao Desastre de Mamora (1515), o palco principal das ambições e decisões políticas da monarquia portuguesa é o Norte de África. De facto, as possessões portuguesas em Marrocos eram praças de guerra. As suas muralhas conservadas até hoje, algumas em ruinas, atestam a sua solidez e as ambições do Venturoso era tornar a costa marroquina numa couraça de praças-fortes que ia desgastando os adversários e o obrigariam a render-se.

O objectivo das autoridades portuguesas ao longo dos séculos que estiveram presentes em Marrocos eram as questões bélicas, ideológicas, politicas e comerciais. O controlo dos principais portos marroquinos, tendo em vista, a neutralização da pirataria – defesa das embarcações do Império Português -, a realização de actividades comerciais com as autoridades locais (cavalos, tecidos, arroz,etc), a necessidade de um território para manter a nobreza ocupada longe de querelas internas e externas e, finalmente, a promoção da Guerra Santa contra os Infiéis para afirmação da Dinastia de Avis junto do Papado. De referir, que a Nobreza Portuguesa considerava Marrocos vital para o prestigio e reputação pela força das armas, sendo essencial a sua manutenção sob égide das forças portuguesas.

O fim do ciclo português em Marrocos ocorreu com o abandono do último bastião fortificado: a praça-forte de Mazagão em 1769. Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.

Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.

Ao longo desta aventura em Marrocos, acompanha-me um profundo conhecimento do legado lusitano nestas paragens. Aqui penso que foi aqui que Portugal construiu e iniciou a sua epopeia além-mar, sentindo um pouco da nossa alma ligada às pedras, aos baluartes, as muralhas, as ruas que foram levantadas com tanto esforço e orgulho, à custa de sangue lusitano!

📌Fortaleza de Arzila (1471-1550; 1577-1589)

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A Fortaleza de Arzila constitui um belo exemplar da fortificação manuelina. Fica situada num pitoresco porto de mar, entre Larache e Tânger, no Garbe Marroquino. O Baluarte de São Francisco (em primeiro plano) e Baluarte da Pata de Aranha, ao fundo, destinavam-se a bater com fogo cruzado o ancoradouro do melhor porto do litoral marroquino até Mazagão.

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A Torre de Menagem de Arzila é uma típica estrutura feudal. Foi erguida, em 1509, pelo arquitecto-mor do Reino, Diogo Boytac, durante o intervalo à frente do Mosteiro dos Jerónimos. Segundo a tradição, terá sido nesta torre que terá pernoitado o rei D.Sebastião antes da fatídica Batalha de Alcácer-Quibir.

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📌Fortaleza de Safim (1488-1541)

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Situada no Marrocos Atlântico, entre Essaouira e El Jadida, Safim (Safi) foi um importante porto atlântico durante a 1ªmetade do Século XVI para o projecto imperial  marroquino da Coroa Portuguesa. Desde 1491, que os Portugueses mantinham uma pequena feitoria fortificada para as transacções comerciais com os habitantes locais e tribos berberes. Também era um importante centro produtor de alambéis (tapetes coloridos) que eram essenciais nas trocas comerciais com as tribos africanos da região da Fortaleza de São Jorge da Mina (no actual Gana).

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Em virtude da necessidade de defesa da mesma, em 1516, a Coroa ordenou a construção de uma fortificação, de origem manuelina, o conhecido Castelo do Mar. Foi recentemente restaurado pelo Serviço dos Monumentos Históricos de Marrocos, fazendo jus a uma das fortificações manuelinas mais grandiosas e mais bem conservadas do continente africano. De referir, que o Nuno Fernandes de Ataíde, capitão desta praça africana entre 1510 a 1516, ficou com a alcunha do «Nunca está Quedo», em virtude de ter sido um homem de acção – irrequieto e voluntarista – durante as constantes surtidas na região.

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O perímetro amuralhado desta cidade do litoral marroquino é de origem manuelina, sendo erguidas em 1511 pelo arquitecto Diogo de Arruda. Tive oportunidade de constatar a sua vastidão, grandeza e estado impecável de conservação. De Salientar, que a Torre de Menagem de Arzila e o Castelo do Mar de Safim são as únicas estruturas arquitectónicas de traça medieval que subsistem no continente africano construídas pelos portugueses.

📌Castelo de Aguz (1506-1525)

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O Castelo de Aguz (Souira Kedima) foi construído em 1519 na foz do rio Tensift, a 35 km a sul da cidade de Safi. Era uma base de apoio táctico ao porto atlântico e fortaleza de Safi. Encontramos semelhanças, na sua arquitetura militar, no castelo roqueiro de Vila Viçosa e as ruinas do antigo Palácio dos Alcaides de Torres Vedras, com um pátio central e torreões ultra-circulares nos ângulos. Trata-se de um exemplar da fortificação costeira manuelina simplificada.

📌Antiga Mogador (1506-1526)

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A cidade portuária de Essaouira, situada entre Safi e El Jadida, foi no Século XVI uma antiga possessão portuguesa denominada de Mogador (1506-1526). O Castelo de Mogador, construído em 1506, por Diogo de Azambuja, já não existe. Esta fortificação, segundo fontes, durante o curto período nas mãos lusitanas, era dependente das provisões com origem na Ilha da Madeira, nomeadamente, o vinho, azeite, trigo ou madeira.

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Se visitarmos a medina, as muralhas e o porto da «cidade do vento» podemos constatar a antiga presença lusitana, apesar das actuais fortificações, de origem marroquina, terem sido construídas durante o Século XVIII por ordem do sultão alauita Bem Abbala, quando pretendeu fazer deste local um importante porto exportador do ouro trazido pelas caravanas atravessavam o Saara desde Tombuctu (Mali).

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📌Fortaleza Mazagão (1506-1769)

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A Cidade-fortaleza de Mazagão, oficialmente fundada como vila a 1 de Agosto de 1541, apesar da existência de uma pequena fortaleza construída pelo arquitecto Diogo de Arruda, em 1514, actual Cisterna Portuguesa, como ponto de apoio a Azamor. Mais tarde, em 1541, João de Castilho adaptaria para uma cisterna e celeiros. Foi desenhada pelo engenheiro italiano Benedetto da Ravenna, em conjunto com Miguel de Arruda e Diogo de Torralva. De referir, que a construção desta fortificação marca o inicio da adaptação das novas formas de combate no Magrebe – construções com baluartes de traça italiana -, em virtude pela utilização da artilharia por parte das forças islâmicas. A partir da 2ª Metade do Século XVI dá-se a adaptação das velhas fortificações de cariz medieval para esta nova arquitectura militar.

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 O seu porto de acesso fácil e a traça abaluartada das muralhas, em alguns pontos com mais de dez metros de espessura, tornavam-na numa inexpugnável. Mais tarde, seria abandonada por Portugal, em 1769, por decisão do «valido» do Rei D.José I, o então Marquês de Pombal. Actualmente, a Cité Portugaise de El-Jadida está restaurada, como se comprova pelas fotos da minha autoria. A enorme extensão do perímetro muralhado da antiga Mazagão mostram a tradição da arquitectura militar italiana e da importância do estilo renascentista durante o Reinado de D.João III (1521-1557). De Salientar que o Baluarte de São Sebastião, lado do mar, mostra a escala grandiosa da fortificação.

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A famosa cisterna da antiga Mazagão é uma das atracções turísticas de Marrocos. Foi construída sob a direcção de João de Castilho em estilo renascentista sobre o pátio de armas do antigo Castelo de origem Manuelina. O catalisador da construção desta imponente fortificação militar foram os constantes raides e conquistadas dos xarifes do Sul de Marrocos, equipados com moderna tecnologia pirobalística e com conselheiros militares europeus (mercenários italianos/germânicos). Mazagão era, assim, uma alternativa viável ao abandono das possessões costeiras fortificadas de Santa Cruz do Cabo Gué (Agadir), Safim e Azamor. A concentração de meios humanos, materiais e bélicos numa única praça permitia uma melhor resistência aos constantes e numerosos assédios das forças sob o signo de Alá.

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Em 1769, a cidade-fortaleza de Mazagão foi abandonada pela Coroa Portuguesa. Em virtude deste abandono, a Coroa ordenou que os seus habitantes – nobreza local, soldados, etc – fossem para Lisboa. Aqui chegados, foram reenviados para uma nova missão: a fundação de uma Nova Mazagão, na fronteira Norte do Brasil, no actual estado de Amapá. Era o fim de mais de três séculos de presença portuguesa em Marrocos (1415-1769), em virtude de as possessões norte-africanas serem um sorvedouro de recursos humanos, monetários e bélicos, sem qualquer retorno (à excepção das questões ideológicas, Guerra Santa).

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A antiga fortificação de Mazagão constitui – hoje uma importante atracção turística de Marrocos – um dos melhores exemplos conservados da arquitectura militar do Renascimento fora do Continente Europeu, que resistiu ao teste do tempo e da própria acção humana. De Salientar, que as fortificações portuguesas de Mazagão foram inscritas na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 2004 e, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O litoral atlântico de Marrocos oferece-nos uma grande variedade de grandes e pequenas fortificações costeiras com grande impacto visual e plástico, como em nenhum outro lugar. Nas mesmas, podemos encontrar o estilo de fortificar de Diogo de Arruda e dos seus familiares.

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Em Conclusão, uma visita ao Norte de África  – Marrocos – não é para um português um mero passeio como qualquer outro.  É uma espécie de regresso a casa. Para quem possua alguns conhecimentos de Geografia e História e tenha o sentido do valor dos passado lusitano, visitar o actual Reino de Marrocos é ir a um dos nossos lugares predilectos, ir afervorar o amor pátrio e retemperar a alma, como afirma Urbano Rodrigues (RODRIGUES, 1935). De facto, diante de património edificado pelos nossos antepassados  em diversas cidades costeiras como Asilah, Tânger, Essaouira, Safi, El Jadida, podemos sentir bem o que fomos e o que podemos ainda ser…

BIBLIOGRAFIA

Carita, Rui, “A arquitectura abaluartada de origem portuguesa”, in Relações luso-marroquinas 230 anos, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, nº 17-18, Lisboa, Instituto Camões, Novembro 2004, pp. 135-138, 143-145.

Correia, Jorge, “Mazagão: A última praça Portuguesa no Norte de África”, in Revista de História da Arte, Lisboa, IHA – FCSH-UNL, nº 4 , 2007, pp. 185-209.

Dias Farinha, António,  “Os Portugueses em Marrocos”, Instituto Camões, Colecção Lazúli, 1999,pp.3-103.

LOPES, David – A Expansão em Marrocos, Colecção Cabo a Cabo, Lisboa: Teorema /O Jornal, 1989.

Moreira, Rafael, “Arquitectura militar do Renascimento”, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Dir. Rafael Moreira, Lisboa, Pub. Alfa S.A., 1989, pp. 150-157.

RODRIGUES, Urbano – Passeio a Marrocos, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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📓Ensaio sobre o conceito de paisagem…

Pequeno artigo sobre o conceito de Paisagem. Como sabem, a  Paisagem é uma das temáticas que gosto de abordar nas minhas fotografias dos locais por onde tenho oportunidade de estar e passar.

Porquê a Fotografia de Paisagem? Na Paisagem fascina-me a beleza da diversidade da paisagem natural e urbana , mas também o modo como as populações locais interagiram, e interagem, com o seu meio físico ao longos dos tempos. Através, da Fotografia  procuro uma maior transversalidade temporal (Histórica) e Geográfica possíveis. Por um lado, a Fotografia, enquanto objecto documental, permite regista um espaço num tempo cronológico definido que é o nosso. Através da Fotografia, procuro captar a essência e sentidos dos objectos fotografados, o espírito do lugar, tendo como objectivo final, a sua representação e alertar para uma consciência da preservação ambiental e patrimonial do território.

Serra de Sintra

A Paisagem é o elemento-chave para a compreensão e análise do território na sua dimensão física, perceptual e cultural. De facto, a paisagem é uma comunicação lógica entre o espaço físico e a ocupação humana, onde a primeira influencia a segunda e esta a molda a primeira, tornando perceptível uma perspectiva ideográfica da Geografia. Segundo Orlando Ribeiro (2001), toda a «paisagem está organizada e é a trama das regiões concebidas como áreas de extensão de determinada paisagem, que constitui o objectivo último das investigações devidamente conduzidas pelos Geógrafos.» O espaço natural e os modos de vida sempre foram uma constante na História da Ciência Geográfica. Por exemplo, os conceitos e métodos da tradição possibilista vidaliana, dão à paisagem uma importância para a compreensão da relação entre o espaço físico e o homem (CLAVAL, 2006, p.91).

Panorama do Castelo Alcácer do Sal

A paisagem surgiu no seio da língua germânica, Landschaft, e foi traduzida para inúmeras línguas, o que deu origem a inúmeras concepções sobre o sentido da mesma (SALGUEIRO,2001). Deste modo, a generalização do termo paisagem ocorre durante o século XVIII, através da ruptura com a visão religiosa medieval. Antes da Modernidade, a observação e a apreciação da paisagem era realizada através de quadros de grandes pintores dos Países Baixos, por exemplo, Rubens. Aliás, Teresa Alves (2001), afirma que o termo paisagem era o culminar da representação do produto final de uma pintura num dado acontecimento enquadrado numa determinada realidade geográfica e não para designar um facto geográfico. De facto, a pintura da paisagem foi essencial para a compreensão, descrição e observação da natureza, valorizando o espaço, isto é, o território (SALGUEIRO,2001). Também é de referir que o interesse pela paisagem foi estimulado pelas viagens marítimas e terrestres realizadas por inúmeros aventureiros e navegadores pelo Mundo, afirma Jorge Gaspar (2001).

Paisagem da Madeira

 Os estudos sobre o conceito sobre a paisagem, desde os primórdios da Geografia, sempre foram focados na descrição das características morfológicas dos vários elementos que constituem a superfície terrestre, incorporando progressivamente elementos da transformação das sociedades no ambiente ao longo dos tempos. O Estudo da paisagem foi essencialmente realizado através da observação. Contudo, para uma análise mais rigorosa e científica, houve a necessidade da explicação do conjunto – território – com recurso a outro saberes científicos como a história, a economia ou a política.

Pescadores do Rio Tejo

Dentro da Geografia, o conceito de paisagem foi sofrendo rupturas epistemológicas ao longo dos tempos, conforme a percepção e evolução do próprio objecto de estudo da própria Geografia. Assim, a paisagem é, por natureza, o objecto de estudo da Geografia desde a sua «fundação» como disciplina científica. Para tal, importa salientar os contributos de dois geógrafos alemães, Alexander von Humbolt (1769-1859) e Carl Ritter (1779-1859), para a preocupação em encontrar uma explicação científica para os factos observados pelos geógrafos, ausentes da geografia tradicional praticada até ai (CLAVAL, 2006). Note-se que o conceito de paisagem era fundamental para os geógrafos possibilistas do início do século XX, pois impedia a divisão entre a geografia física e geografia humana. No fundo, o objecto de estudo da Geografia era a análise da paisagem, o que dava um objecto diferente de outras disciplinas científicas.

Panorâmica do Ksar Ait Benhaddou (Ouzazarte), Oásis do Sul, Berberian lands, Marrocos © Oliraf Fotografia 2013

 

BIBLIOGRAFIA

ALVES, Teresa – Paisagem: em busca do lugar perdido. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 67-74. Lisboa, 2001.

CLAVAL, Paul, História da Geografia, Lisboa: Edições 70, 2006.

GASPAR, Jorge – O retorno da paisagem à Geografia. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 83-99. Lisboa, 2001.

RIBEIRO, Orlando – Paisagens, Regiões e Organização do Espaço, Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 27-35. Lisboa, 2001.

RIBEIRO, Orlando – Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, Lisboa: Sá da Costa Editora, 1945.

SALGUEIRO, Teresa Barata – Paisagem e Geografia. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 37-53. Lisboa, 2001.

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