📌 Pedras com História: à descoberta da Aldeia Histórica de Castelo Mendo…

Poucas ocasiões oferecem tantas oportunidades fotográficas como as férias de Verão. Como tal, decidi fazer algo diferente no longínquo Verão de 2013: Voluntariado Social numa IPSS do concelho de Almeida (Guarda): a Associação Sócio terapêutica de Almeia (ASTA).  Durante esta experiência, resolvi tirar um dia para fazer uma escapadinha fotográfica a uma das doze aldeias históricas de Portugal: a bucólica aldeia de Castelo Mendo.

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A Aldeia Histórica de Castelo Mendo localiza-se a cerca de 20 km de Almeida (Guarda), sede de concelho,na ala Sudoeste do concelho,sobre um maciço granítico a cerca de 700 metros de altitude. É circundado a leste e a sul pelo rio Côa. É uma das doze aldeias históricas de Portugal. É um sítio recôndito como outros há nesta região que, apesar da pouca densidade populacional, nos reserva surpresas como esta, lugares especiais, mas tão próximos e tão distantes.

Panorâmica da Aldeia Histórica de Castelo Mendo © Oliraf Fotografia 2013
Panorâmica da Aldeia Histórica de Castelo Mendo © Oliraf Fotografia 2013

Ao longo da História, os Castelos e cercas medievais foram importantes e imponentes locais de refúgio, de defesa e de local de residência. Situados nas próprias povoações, em montes ermos ou no alto de colinas/penhascos, sempre o Homem os concebeu em articulação com o espaço físico envolvente. A partir do Castelo Mendo verifica-se a presença de elementos em valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. Deste património histórico podemos salientar a sua importância para a definição das fronteiras ao longo dos séculos,nomeadamente, nos conflitos fronteiriços com Castela, Guerra da Restauração (1640-1668), Invasões Francesas (1807-1811) e nas Lutas Liberais (1828-1834).

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Como tantas outras praças de armas raianas, a praça de Castelo Mendo, situada na margem esquerda do Côa, teve certamente um papel importante na defesa da fronteira portuguesa contra as incursões castelhanas. Foi-lhe entregue uma carta de foral pelo rei D.Sancho II, em 1229, e outra por D.Manuel I, em 1510. Quando ocorreu a reforma administrativa, no Século XIX, já a povoação se devia encontrar em franco declínio, sendo-lhe retirados então os poderes municipais que ainda detinha.

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A entrada nesta aldeia história de Portugal é efectuada pelas Portas da Vila, ladeadas por dois torreões e por dois Berrões ou Verrascos, esculturas zoomórficas em granito, representando pela observação das partes intimas, um macho e uma fêmea de porcos ou javalis. Segundo fontes, a sua datação decorre entre o séc.IV e I a.C. e as esculturas estão ligadas possivelmente ao culto da fertilidade do povo Vetão.

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Quando chegamos a um local novo há tanto para absorver que a nossa atenção pode desviar-se do que é realmente essencial. Fiquei intrigado com uma lenda local, a Lenda do Mendo e a Menda. Segundo uma Lenda popular, a Menda e o Mendo são dois elementos decorativos integrados em dois edifícios frontais.

A Menda é uma gárgula em pedra.
A Menda é uma gárgula em pedra.

A Igreja de Santa Maria do Castelo, em ruínas, mas em bom estado de conservação, é datada do séc.XIII, sendo um belo exemplar em estilo românico.

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Antes de perder-se por vielas e ruas desta aldeia secular, bem como desfrutar da beleza da paisagem circundante, importa referir que há um restaurante, um café e alojamentos de Turismo Rural na própria aldeia. Olhar para um Castelo é como virar uma página de um livro imenso de memórias e histórias que fazem parte do nosso imaginário, do nosso passado.

Panorâmica do interior da Vila de Castelo Mendo

Se estiver a planear uma escapadela dentro de Portugal, coloque este guia/roteiro na bagagem, siga os meus conselhos e capte momentos fotográficos da sua viagem das quais se vai relembrar…

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Com a primavera quase cá, um bom pretexto para ir visitar a Vila Medieval de Castelo Mendo. Para mim, a Fotografia é uma forma de interpretar o que me rodeia, de lhe dar um sentido coerente, proporcionando-me um conhecimento mais amplo da Natureza e da História.

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💡 Sabia que…❓❓❓

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é castelo-mendo.jpg

Perto do recinto muralhado do antigo Castelo Medieval, há uma campa com pedra de cabeceira, datada da primeira metade do século XIX, que é motivo de curiosidade para os habitantes locais e forasteiros. Na pedra granítica, o olhar mais atento descobre uma extensa inscrição, quase ilegível, que conta o destino do oficial que ali foi sepultado:

Aqui jaz Miguel Augusto de Sousa Mendonça Corte Real, fidalgo da Casa Real e Comendador das Ordens de: São Bento de Avis e de Nossa Senhora da Conceição, condecorado com a medalha da Torre Espada, de Valor, Lealdade e Mérito, e com a Cruz de S. Fernando, dada por sua Majestade Católica, Tenente Coronel, Comandante de Infantaria n.º 6, filho do Tenente General e Conselheiro de Guerra, João de Sousa Mendonça Corte-Real. Nasceu em 23 de agosto de 1803, foi barbaramente assassinado pelos seus próprios soldados em 12 de setembro de 1840”, conforme consta do epitáfio. 

Qual terá sido a causa para este brutal homicídio? Consta que foi o eventual incumprimento de uma promessa [de um pagamento de soldo] que fizera aos seus soldados. Após ter recebido uma elevada quantia, e como recusa do pagamento aos últimos, o antigo alcaide de Castelo Mendo foi morto [a tiro de fuzil] pelas suas tropas no seu domicilio. Esta é mais uma curiosa estória que demonstra quão ricas são as Aldeias Históricas de Portugal em vestígios que encerram a importante História do povo português.

Há pedras que contam muitas estórias…da nossa História!

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🛈 Para mais informações:

📚 BIBLIOGRAFIA 📚

ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL. Associação de Desenvolvimento Turístico – GR 22, grande rota das aldeias históricas de Portugal. Fot. Fernando Romão. 1ª ed. [S.l.] : Foge Comigo!, 2015. 63, [1] p. : il. ; 21 cm. ISBN 978-989-98230-3-7

BELO, Duarte; DAVEAU, Suzanne, MATTOSO, José – PORTUGAL: o Sabor da Terra. Um RETRATO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO POR REGIÕES, 2ªEdição, Lisboa: Tema &Debates, 2010.

CAMPOS, João – Almeida : projectos para a regeneração da Praça-Forte. Pref. Rui Ramos Loza. Almeida : Câmara Municipal de Almeida, 2021. 227, [1] p. : il. ; 31 cm. Ed. bilingue em português e inglês. ISBN 978-989-99229-4-5

CARVALHO, José Vilhena de – 𝐴𝑙𝑚𝑒𝑖𝑑𝑎: 𝑠𝑢𝑏𝑠𝑖́𝑑𝑖𝑜𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎 𝑠𝑢𝑎 ℎ𝑖𝑠𝑡𝑜́𝑟𝑖𝑎. 2.ª ed. [S.l.]: [s.n.], 1988. Vol. 1, p. 423-425.

CARVALHO, A. de (1995). Castelo Mendo: um conjunto histórico a preservar. Braga: Edição de Autor.

PORTUGAL. Comissão de Coordenação da Região Centro – Aldeias históricas de Portugal : um património com futuro. Coord. Isabel Boura. Coimbra : CCRC, 2002. [28] p. : il. ; 30 cm. ISBN 972-569-128-8

RAU, Virgínia, Feiras, in SERRÃO, Joel, dir., Dicionário de História de Portugal, Porto, 1984, vol. II, pp. 539 – 542;

🌐 Sítios web 💻

Aldeias Históricas de Portugal (Visit Portugal)

Aldeias Históricas de Portugal (Página Oficial)

Município de Almeida (Castelo Mendo)

Alpendre de Feira em Castelo Mendo– SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: < http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1580 >

Fonte, A. B. B. (2016). Arqueologia, património e museus na Câmara Municipal de Almeida. (Tese de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa). Repositório da Universidade Nova de Lisboa. Disponível na  internet URL: <http://hdl.handle.net/10362/17303 >

Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-03-07 00:11:56]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/$castelo-mendo

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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📌 À descoberta do Regimento de Artilharia de Costa: a 7ªBataria de Outão…

♜★♜ Quantas vezes passamos por uma determinada ruína, sem que o nosso olhar se detenha para as admirar? Que Histórias e segredos guardam estes locais? Como sabem sempre tive um gosto pela História, pela preservação da memória e o gosto pela aventura, adquirido ao longo de uma década de Escutismo. Ora, a Fotografia deu-me a possibilidade de conciliar a minha paixão pessoal pela História, através do registo do património edificado em Portugal, seja ele em bom estado de conservação ou em ruínas. O objecto de estudo/documental que vos trago aqui são as ruínas da antiga unidade militar do Regimento de Artilharia de Costa (RAC), designadamente, a 7ªBataria de Outão.

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Onde o mar acaba e a Europa começa. Foi a minha primeira incursão fotográfica numa Bataria do antigo, e extinto, Regimento de Artilharia de Costa (RAC) do Exército Português. Já conhecia a existências de diversos complexos do RAC pela Internet e pelos meios audiovisuais, tais como, o projecto Ruin’Arte, Lugares Esquecidos, Monumentos (SIPA) e do programa Abandonados da SIC. Todavia, desconhecia a sua localização precisa na Serra da Arrábida. Como fiquei com vontade de conhecer e fotografar este local, e aproveitando uma Sessão Fotográfica na Arrábida, decidi meter a mochila e o material às costas e partir para a aventura.

Vista exterior do complexo militar com as 3 peças Vickers de 152 mm
Vista exterior do complexo militar com as 3 peças Vickers de 152 mm

O Regimento de Artilharia de Costa (RAC) foi criada pelas Forças Armadas Portuguesas, após a 2ªGuerra Mundial, através do Plano luso-britânico – o Plano Barron (1939) -, onde o objectivo era criar uma força especializada em impedir o desembarque de uma força convencional apoiadas por unidades navais, nas imediações dos estuários do Tejo e do Sado. As construções decorreram entre 1944 e 1958, estando operacionais corria o ano 1958. Estiveram ao serviço da Nação, sensivelmente, cinquenta anos. Era constituído por um posto de comando, 8 Batarias com 36 peças de artilharia (Krupp e Vickers) de diversos calibres (152mm e 234mm) com alcance considerável para a época.

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Para a construção da 7.ª Bataria, localizada a meio da encosta da serra, próximo da Secil, foi aproveitado o antigo Forte do Outão (Século XVII)

A 7ª Bataria de Outão, situada na Serra da Arrábida, Outão Setúbal, pertencia ao Grupo Sul ( 5ª Bataria da Raposeira, 6ª da Bataria Fonte da Telha e 8ªBataria de Albarquel) do Regimento de Artilharia de Costa (RAC) cujo objectivo era defender a entrada da foz do Porto de Setúbal, em conjunto com os outros redutos.  A construção desta unidade militar de defesa da costa sadina iniciou-se entre 1944 e ficou operacional em 1954. Era composta por 3 baterias de Vickers 152mm, de fabrico inglês, de médio alcance (10 – 20 km), pelo antigo forte Velho de Outão e os aquartelamentos. Importa salientar que as mesmas nunca participaram em situações de conflito, sendo utilizadas, apenas, para exercícios de fogo real.

Peça Vickers 152mm
Bateria Vickers 152mm – 7ªBataria do Regimento de Artilharia de Costa (Outão)
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A RAC de Outão estava equipada com três canhões Vickers, de 152 mm, de médio alcance, ou seja, entre 10 a 20 quilómetros de precisão
Hoje, os canhões estão calados pela paz e em decomposição pelo tempo. Na memória persistem as estruturas e a vista deslumbrante que se tem das baterias para a barra do Sado.
Hoje, os canhões estão calados pela paz e em decomposição pelo tempo. Na memória persistem as estruturas e a vista deslumbrante que se tem das baterias para a barra do Sado.

Em virtude, das mudanças tecnológicas introduzidas na forma de fazer a guerra nos finais do Século XX – misseis ar-terra, aviões a jacto e artilharia portátil-, a existência do RAC tornou-se obsoleta (alvo estático e vulnerável) e, como consequência, foi desativado em 1998 e, finalmente, extinto corria o ano de 2001. Chegava, assim, o projecto delineado pelo General Barrow durante a IIªGuerra Mundial e, também, o fim da História da Artilharia de Costa em Portugal iniciada no final do Século XIV.

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Forte de Santiago do Outão

Actualmente, apesar de ser um local com estruturas bélicas impressionantes e com vistas deslumbrantes para o estuário do Sado, os «canhões da memória» travam uma espécie de última guerra contra a destruição, contra o esquecimento e contra o tempo. Ao longo do ano de 2015, irei realizar uma segunda incursão pelas ruínas desta unidade militar, onde irei captar o interior dos espaços subterrâneos que fazem deste local, um património impar. Também irei aproveitar para visitar a 8ªBataria de Albarquel (Setúbal) e a 5ªBataria da Raposeira e da Alpena (Almada).

Estas antigas instalações militares defensivas na costa portuguesa [e o Forte Velho de Outão (Século XVII) e a 7ª Bateria de Costa (Século XX) são, na nossa opinião, um dos melhores miradouros do estuário do Sado, da cidade de Setúbal e do Parque Natural da Arrábida.

Sabia que…❗❓

As antigas instalações militares da 7ª Bateria do Outão (RAC), com uma área de cerca de 5,15 hectares, deixarão de estar em situação de abandono. A concessão foi atribuída, por concurso público, à Real Bolhão, Restaurantes, Unipessoal, Lda, por um período de 50 anos e com uma renda mínima anual de 130.987,32 €. Será transformada numa unidade hoteleira de cinco estrelas (com 35 quartos) no âmbito do programa REVIVE, revela o Município de Setúbal. Trata-se de uma excelente notícia para a preservação da memória perene desta antiga unidade militar para fruição de todos os cidadãos. Prevê-se ainda o início da exploração até setembro de 2027. Para informações adicionais, consulte a página do Programa REVIVE.

🛈 Para mais informações:

A artilharia antiaérea em Portugal. Rcoord. José Augusto Oliveira Costa dos Reis. 1ª ed. Lisboa : Fronteira do Caos, 2016. 274 p. : il. ; 27 cm. ISBN 978-989-8647-73-3

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

BERGER, José Paulo Ribeiro – A artilharia e a defesa da Costa da Barra do Tejo de Cascais nos séculos XIX e XX : o Museu da Artilharia de Costa. Rev. cient. José Augusto Moura Soares, Nuno Guilherme Catarino Anselmo. Queluz : Regimento de Artilharia Antiaérea nº 1, 2005. 40 p. : il. ; 21 cm. Sep. de: Boletim da Artilharia Antiaérea, s. 2, nº 5 (out. 2005).

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

SILVA, Samuel Filipe Costa – Da defesa ao lazer nas Baterias da Raposeira : Centro Transdisciplinar de Artes.-Lisboa: FA, 2020. Dissertação de Mestrado.

SOUSA, Pedro Marquês de (Tenente-Coronel), “A Artilharia de Costa na Defesa de Lisboa na 1ª Guerra Mundial (1914-1919)”, in Revista de Artilharia, n.1100-1102, Abril-Junho de 2017, pp.83-100.

💻 sítios web

📎RTP Play. (2021). Visita Guiada: Artilharia de Defesa da Costa de Lisboa, Plano Barron. Disponível em: https://www.rtp.pt/play/p8647/e536716/visita-guiada %5BAcessado em 11 de fevereiro de 2025].

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📌À descoberta do Castelo de Torres Vedras…

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Nas minhas aventuras pelo Oeste  sempre tive a curiosidade sobre a importância e o papel desta fortificação militar na História Local, Nacional e Europeia. Ora, decide-me, de uma vez por todas, visitar o Castelo de Torres Vedras. Aqui a História de Portugal cruzou-se com a História Local…Vamos entrar?

O Castelo de Torres Vedras fica situado na cidade, e sede de concelho, de Torres Vedras, no Distrito de Lisboa. Encontra-se envolvido pela malha urbana e por arborização, erguendo-se numa posição dominantes sobre a cidade que lhe dá nome.

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Ao longo da História, os Castelos e cercas medievais foram importantes e imponentes locais de refúgio, de defesa e de local de residência. Situados nas próprias povoações, em montes ermos ou no alto de colinas/penhascos, sempre o Homem os concebeu em articulação com o espaço físico envolvente.

Panorama Cidade Torres Vedras A partir do Castelo de Torres Vedras verifica-se a presença de elementos com valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. Deste património histórico podemos salientar a sua importância nos diversos acontecimentos relevantes da História de Portugal, tais como, no contexto da Guerra Civil de (1383-1385), nas Invasões Napoleónicas (1807-1811) e, finalmente, nas Guerras Liberais da 1ªMetade do Séc. XIX.
Construído numa colina, cujo sopé corre o leito do rio Sizandro, ergue-se o Castelo de Torres Vedras. Há diversas razões históricas, monumentais, naturais e paisagísticas que fazem desta edificação militar um conjunto patrimonial impar de visita imprescindível. Do seu topo, é possível visualizar uma excelente paisagem sobre o meio que nos envolve. Panorama CasteloTVD A ocupação humana da colina, onde está actualmente o Castelo de Torres Vedras remonta, segundo fontes históricas, ao III milénio a.C, beneficiando das notáveis condições naturais de defesa (colina) e de abastecimento (rio). Mais tarde, os Romanos e os Árabes reforçaram o complexo militar edificado, neste caso, as muralhas e a Alcáçova do Castelo, deixando inúmeros vestígios da sua presença ancestral. Do Castelo Medieval restam apenas os vestígios arquitectónicos da Igreja de Santa Maria do Castelo[1] e a cerca oval, que foi reforçada por ordem de D.Manuel I (1495-1521), comprovada pela porta de armas com a esfera armilar. Portugal-1-30HDR

Durante o Século XVI, o complexo do interior do Castelo foi renovado com a construção do Palácio dos Alcaides (1519) pelo alcaide-mor D.João Soares de Alarcão. Para a construção da mesma, foi destruída a torre de menagem de origem medieval.


Situada no interior do Castelo de Torres Vedras, a Igreja de Santa Maria do Castelo é uma das antigas quatro matrizes da Cidade de Torres Vedras. Segundo fontes históricas, a construção desta edificação religiosa deverá remontar à 2ªmetade do Século XII, pouco tempo da tomada do Castelo aos Mouros, em 1148, por D.Afonso Henriques. É provável que tenha sido erguida sobre algum templo islâmico, ai existente durante o período de ocupação árabe. Portugal-1-26 O Castelo de Torres Vedras esteve envolvido em inúmeras datas e acontecimentos de enorme importância no decurso da História de Portugal. Por exemplo, no contexto da Guerra Civil de 1383-1385, o Castelo esteve cercado durante dois meses pelo Mestre de Avis, futuro D. João I, pois estava sob o domínio dos partidários de Castela. Mais tarde, em 1414, o Conselho Régio do monarca D.João I decidiu tomar a praça do Norte de Africa (Ceuta). Assim, a cidade de Torres Vedras encontra-se intimamente ligada ao inicio da expansão portuguesa.
No contexto das Invasões Francesas (1807-1811) integrou a 1ªlinha das denominadas Linhas de Torres Vedras (reduto n.º27 do 1ºDistrito). Portugal, e neste caso, a cidade de Torres Vedras  foram transformadas num campo de Batalha para as «superpotências da época»: a França e a Inglaterra. Em virtude do Bloqueio Continental, Portugal foi usado pelo Império Britânico como testa de ponte para iniciar a derrota de Napoleão Bonaparte, uma espécie de Dia D. Como consequência, Portugal foi saqueado e sujeito a uma politica de terra queimada. Portugal-1-27

Em Dezembro de 1846, no contexto da Guerra Civil da Patuleia (1846-1847), a cidade de Torres Vedras foi palco de uma sangrenta batalha entre as forças governamentais  sob o comando do Duque de Saldanha e as forças da Junta do Porto, os patuleias, do Conde do Bonfim. De seguida, o Castelo foi utilizado como quartel das tropas sob o comando do Conde de Bonfim, depois de terem sido expulsas do Forte de São Vicente, tendo sido bombardeado, a partir do Varatojo, pelas forças do Marechal Saldanha, sendo que nessa altura o paiol de pólvora explodiu, o que resultou na sua rendição e, como consequência, na destruição do Palácio dos Alcaides.

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A Fotografia, de facto, tem valor documental, a partir do momento que ilustra um determinado acontecimento, facto ou objecto. Permitiu às pessoas obterem consciência do seu próprio pais ou região, através da visualização de gentes, paisagens e monumentos. Valorizou o sentimento patriota e nacionalista. Digamos, uma ideia romântica do património. Tenho um grande apreço pela técnica e arte fotográfica. Como aprendiz de Clio, a musa da História, gosto de registar e documentar visualmente o património militar e religioso edificado no território português. Um dos meus objectivos , é registar «todos os castelos de Portugal».

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🏄Região Oeste (Torres Vedras): 20 km de costa atlântica para desfrutar

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Nestas férias de Verão, fiquei um mês a fotografar numa das mais belas regiões de Portugal Continental: a Estremadura ou região Oeste. Qual o resultado? O resultado é um mosaico riquíssimo de beleza e variedade paisagística, natural e cultural. Siga-me nesta aventura passo a passo, onde poderá visualizar os meus «spots» favoritos e saber um pouco da História dos Locais, através das minhas imagens.

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Panorama da Vila de Santa Cruz, Miradouro do do Alto da Vela, Freguesia da Silveira, Concelho de Torres Vedras, 2014. All Works @ Rafael Oliveira (OLIRAF)

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A Região do Oeste presenteia-nos com paisagens únicas que combinam entre si o oceano atlântico, os rios, os campos de cultivo, os vinhedos, os montes e vales. O seu litoral atlântico é banhado, em toda a sua extensão, pelo Oceano Atlântico, formando um conjunto extenso de areais, intercalados por uma orla costeira com falésias vivas de imponente beleza.

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Santa Cruz, pertence à freguesia da Silveira, concelho de Torres Vedras, é uma pitoresca vila com uma grande densidade populacional durante os meses de verão, devido à fama das suas praias. Segundo o Município de Torres Vedras, o concelho “conta com 22 praias, muitas com uma vasta extensão de areal para desfrutar em segurança. Com 10 zonas balneares distinguidas, este é o concelho do país com mais praias “Zero Poluição”, além de 12 praias “Qualidade de Ouro” e 12 praias que irão hastear a Bandeira Azul. Praias, concessionários, restaurantes e hotéis estão prontos para o receber. Em Torres Vedras, há muito para descobrir com saúde, segurança e sustentabilidade.”

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Na minha opinião, qualquer que seja a opção escolhida para uma «escapadinha» de veraneio em Portugal. Santa cruz é uma boa opção, principalmente, nos meses de Julho e Agosto, onde podemos aproveitar para descontrair, para contemplar inúmeros locais de interesse patrimonial e natural e, claro, apreciar os belos areais que nos fazem perder a vista. No Fundo, respire a natureza e bom passeio!

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Praia Azul, Torres Vedras

Torres Vedras, e a região Oeste, continua a ser uma referência nacional, e até internacional, em termos de turismo balnear de qualidade. Ao todo, os turistas e viajantes podem desfrutar de 20 km de costa atlântica. Em virtude dos seus extensos areais e praias, tais como, a Praia Azul, Formosa, Fisica, Mirante, Pisão, Santa Helena e Santa Rita são exemplos de referência na região oeste, enquanto símbolos de qualidade e distinção das mesmas. De referir, que as mesmas são anualmente distinguidas pela qualidade de água e dos acessos, onde são exemplo as inúmeras bandeiras Praia-Azul. De Salientar, que a vila de Santa Cruz oferece excelentes condições para a prática de desportos de mar, o que é comprovada pela organização de um Festival Internacional de Desportos de Ondas: o Santa Cruz Ocean Spirit.

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📷 Roteiro Fotográfico pelas fortificações de origem portuguesa em Marrocos…

Salaam alaikum…

No contexto da 5ª visita de estudo ao Reino de Marrocos, organizada pelo Departamento de Geografia e Planeamento Regional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tive a oportunidade de conhecer, estudar e fotografar inúmeros locais de Marrocos.

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Panorâmica da Fortaleza de Mazagão

Foram, no total, nove dias de viagem com 3270 km de autocarro que me permitiu partir em busca da essência de África, das suas gentes, paisagens, da sua cultura, experiências e memórias de um pais africano com uma extensão territorial quase cinco vezes superior à de Portugal e com 30 milhões de Habitantes. Todavia, o percurso pelo litoral atlântico de Marrocos permitiu-me contactar com alguns lugares com vestígios da arquitectura militar de origem portuguesa, nomeadamente, Essaouira, Safi, El Jadida e Asilah.. De facto, esta viagem permitiu-me elucidar que Portugal e Marrocos partilham legados culturais e interesses comuns. Aliás, a nossa História cruzou-se por várias vezes com este continente…Somos Países Vizinhos!

Após mais de 600 km de estrada entre Lisboa e Algeciras, pelo meio a travessia do Estreito de Gibraltar, cheguei a Marrocos (Tânger). Em linha recta, capital mais próxima do Reino de Marrocos (Rabat) é Lisboa. Marrocos é um pais com mais de 446 mil Km2 de área, com 2500 km de costa atlântica de extensão e 300 km de costa Mediterrânica. Na minha opinião, descobrir este Reino é quase como reviver memórias de outros tempos, uma espécie de regresso a casa.

A ver pela sua História, Marrocos e Portugal partilham em comum uma herança civilizacional e cultural que sempre me fascinou, apesar das diferenças religiosas. Tal como nas moedas, coexistem duas faces distintas mas com um elo inseparável entre si.

O Norte de África, em especial Marrocos, à época chamava-se Reino de Fez (Merínidas), foi a primeira tentação de um Portugal sedento de afirmação internacional e em busca de grandeza, após Aljubarrota. A presença portuguesa em Marrocos durou mais de trezentos anos (1415-1769). Como se sabe, aventura dos Descobrimentos Portugueses iniciou-se a 14 de Agosto de 1415, quando uma armada de 200 navios, 50 mil homens, um rei D.João I (e três príncipes, D.Duarte, D.Pedro e D.Henrique) tomaram a cidade portuária de Ceuta.

Ao longo do litoral norte africano – mediterrâneo e atlântico -, os portugueses conquistaram e construíram inúmeras fortificações. São exemplos, Ceuta (1415-1668), Alcácer-Ceguer (1458-1550), Tânger (1471-1662), Arzila (1471-1550; 1577-1589),Safim (1488-1541), Aguz (1506-1525),Mogador (1506-1526), Azamor (1513-1541), Santa Cruz do Cabo de Guê (1505-1541) e Mazagão (1506-1769).

A maioria das fortificações construídas pelos portugueses foi no período de conquistas lusitanas no litoral norte-africano (séc. XV e XVI). Segundo o Historiador Rafael Moreira, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Marrocos durante a 1ªMetade do Século XVI era um campo de experimentação das inovações, ensaios e soluções da arquitectura militar fora do continente europeu.

As fortalezas portuguesas existentes no Norte de África, ao longo da costa atlântica de Marrocos, atestam o plano da Dinastia de Avis de as tornar praças de guerra. Desde a conquista de Ceuta (1415) até ao Desastre de Mamora (1515), o palco principal das ambições e decisões políticas da monarquia portuguesa é o Norte de África. De facto, as possessões portuguesas em Marrocos eram praças de guerra. As suas muralhas conservadas até hoje, algumas em ruinas, atestam a sua solidez e as ambições do Venturoso era tornar a costa marroquina numa couraça de praças-fortes que ia desgastando os adversários e o obrigariam a render-se.

O objectivo das autoridades portuguesas ao longo dos séculos que estiveram presentes em Marrocos eram as questões bélicas, ideológicas, politicas e comerciais. O controlo dos principais portos marroquinos, tendo em vista, a neutralização da pirataria – defesa das embarcações do Império Português -, a realização de actividades comerciais com as autoridades locais (cavalos, tecidos, arroz,etc), a necessidade de um território para manter a nobreza ocupada longe de querelas internas e externas e, finalmente, a promoção da Guerra Santa contra os Infiéis para afirmação da Dinastia de Avis junto do Papado. De referir, que a Nobreza Portuguesa considerava Marrocos vital para o prestigio e reputação pela força das armas, sendo essencial a sua manutenção sob égide das forças portuguesas.

O fim do ciclo português em Marrocos ocorreu com o abandono do último bastião fortificado: a praça-forte de Mazagão em 1769. Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.

Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.

Ao longo desta aventura em Marrocos, acompanha-me um profundo conhecimento do legado lusitano nestas paragens. Aqui penso que foi aqui que Portugal construiu e iniciou a sua epopeia além-mar, sentindo um pouco da nossa alma ligada às pedras, aos baluartes, as muralhas, as ruas que foram levantadas com tanto esforço e orgulho, à custa de sangue lusitano!

📌Fortaleza de Arzila (1471-1550; 1577-1589)

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A Fortaleza de Arzila constitui um belo exemplar da fortificação manuelina. Fica situada num pitoresco porto de mar, entre Larache e Tânger, no Garbe Marroquino. O Baluarte de São Francisco (em primeiro plano) e Baluarte da Pata de Aranha, ao fundo, destinavam-se a bater com fogo cruzado o ancoradouro do melhor porto do litoral marroquino até Mazagão.

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A Torre de Menagem de Arzila é uma típica estrutura feudal. Foi erguida, em 1509, pelo arquitecto-mor do Reino, Diogo Boytac, durante o intervalo à frente do Mosteiro dos Jerónimos. Segundo a tradição, terá sido nesta torre que terá pernoitado o rei D.Sebastião antes da fatídica Batalha de Alcácer-Quibir.

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📌Fortaleza de Safim (1488-1541)

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Situada no Marrocos Atlântico, entre Essaouira e El Jadida, Safim (Safi) foi um importante porto atlântico durante a 1ªmetade do Século XVI para o projecto imperial  marroquino da Coroa Portuguesa. Desde 1491, que os Portugueses mantinham uma pequena feitoria fortificada para as transacções comerciais com os habitantes locais e tribos berberes. Também era um importante centro produtor de alambéis (tapetes coloridos) que eram essenciais nas trocas comerciais com as tribos africanos da região da Fortaleza de São Jorge da Mina (no actual Gana).

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Em virtude da necessidade de defesa da mesma, em 1516, a Coroa ordenou a construção de uma fortificação, de origem manuelina, o conhecido Castelo do Mar. Foi recentemente restaurado pelo Serviço dos Monumentos Históricos de Marrocos, fazendo jus a uma das fortificações manuelinas mais grandiosas e mais bem conservadas do continente africano. De referir, que o Nuno Fernandes de Ataíde, capitão desta praça africana entre 1510 a 1516, ficou com a alcunha do «Nunca está Quedo», em virtude de ter sido um homem de acção – irrequieto e voluntarista – durante as constantes surtidas na região.

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O perímetro amuralhado desta cidade do litoral marroquino é de origem manuelina, sendo erguidas em 1511 pelo arquitecto Diogo de Arruda. Tive oportunidade de constatar a sua vastidão, grandeza e estado impecável de conservação. De Salientar, que a Torre de Menagem de Arzila e o Castelo do Mar de Safim são as únicas estruturas arquitectónicas de traça medieval que subsistem no continente africano construídas pelos portugueses.

📌Castelo de Aguz (1506-1525)

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O Castelo de Aguz (Souira Kedima) foi construído em 1519 na foz do rio Tensift, a 35 km a sul da cidade de Safi. Era uma base de apoio táctico ao porto atlântico e fortaleza de Safi. Encontramos semelhanças, na sua arquitetura militar, no castelo roqueiro de Vila Viçosa e as ruinas do antigo Palácio dos Alcaides de Torres Vedras, com um pátio central e torreões ultra-circulares nos ângulos. Trata-se de um exemplar da fortificação costeira manuelina simplificada.

📌Antiga Mogador (1506-1526)

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A cidade portuária de Essaouira, situada entre Safi e El Jadida, foi no Século XVI uma antiga possessão portuguesa denominada de Mogador (1506-1526). O Castelo de Mogador, construído em 1506, por Diogo de Azambuja, já não existe. Esta fortificação, segundo fontes, durante o curto período nas mãos lusitanas, era dependente das provisões com origem na Ilha da Madeira, nomeadamente, o vinho, azeite, trigo ou madeira.

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Se visitarmos a medina, as muralhas e o porto da «cidade do vento» podemos constatar a antiga presença lusitana, apesar das actuais fortificações, de origem marroquina, terem sido construídas durante o Século XVIII por ordem do sultão alauita Bem Abbala, quando pretendeu fazer deste local um importante porto exportador do ouro trazido pelas caravanas atravessavam o Saara desde Tombuctu (Mali).

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📌Fortaleza Mazagão (1506-1769)

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A Cidade-fortaleza de Mazagão, oficialmente fundada como vila a 1 de Agosto de 1541, apesar da existência de uma pequena fortaleza construída pelo arquitecto Diogo de Arruda, em 1514, actual Cisterna Portuguesa, como ponto de apoio a Azamor. Mais tarde, em 1541, João de Castilho adaptaria para uma cisterna e celeiros. Foi desenhada pelo engenheiro italiano Benedetto da Ravenna, em conjunto com Miguel de Arruda e Diogo de Torralva. De referir, que a construção desta fortificação marca o inicio da adaptação das novas formas de combate no Magrebe – construções com baluartes de traça italiana -, em virtude pela utilização da artilharia por parte das forças islâmicas. A partir da 2ª Metade do Século XVI dá-se a adaptação das velhas fortificações de cariz medieval para esta nova arquitectura militar.

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 O seu porto de acesso fácil e a traça abaluartada das muralhas, em alguns pontos com mais de dez metros de espessura, tornavam-na numa inexpugnável. Mais tarde, seria abandonada por Portugal, em 1769, por decisão do «valido» do Rei D.José I, o então Marquês de Pombal. Actualmente, a Cité Portugaise de El-Jadida está restaurada, como se comprova pelas fotos da minha autoria. A enorme extensão do perímetro muralhado da antiga Mazagão mostram a tradição da arquitectura militar italiana e da importância do estilo renascentista durante o Reinado de D.João III (1521-1557). De Salientar que o Baluarte de São Sebastião, lado do mar, mostra a escala grandiosa da fortificação.

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A famosa cisterna da antiga Mazagão é uma das atracções turísticas de Marrocos. Foi construída sob a direcção de João de Castilho em estilo renascentista sobre o pátio de armas do antigo Castelo de origem Manuelina. O catalisador da construção desta imponente fortificação militar foram os constantes raides e conquistadas dos xarifes do Sul de Marrocos, equipados com moderna tecnologia pirobalística e com conselheiros militares europeus (mercenários italianos/germânicos). Mazagão era, assim, uma alternativa viável ao abandono das possessões costeiras fortificadas de Santa Cruz do Cabo Gué (Agadir), Safim e Azamor. A concentração de meios humanos, materiais e bélicos numa única praça permitia uma melhor resistência aos constantes e numerosos assédios das forças sob o signo de Alá.

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Em 1769, a cidade-fortaleza de Mazagão foi abandonada pela Coroa Portuguesa. Em virtude deste abandono, a Coroa ordenou que os seus habitantes – nobreza local, soldados, etc – fossem para Lisboa. Aqui chegados, foram reenviados para uma nova missão: a fundação de uma Nova Mazagão, na fronteira Norte do Brasil, no actual estado de Amapá. Era o fim de mais de três séculos de presença portuguesa em Marrocos (1415-1769), em virtude de as possessões norte-africanas serem um sorvedouro de recursos humanos, monetários e bélicos, sem qualquer retorno (à excepção das questões ideológicas, Guerra Santa).

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A antiga fortificação de Mazagão constitui – hoje uma importante atracção turística de Marrocos – um dos melhores exemplos conservados da arquitectura militar do Renascimento fora do Continente Europeu, que resistiu ao teste do tempo e da própria acção humana. De Salientar, que as fortificações portuguesas de Mazagão foram inscritas na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 2004 e, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O litoral atlântico de Marrocos oferece-nos uma grande variedade de grandes e pequenas fortificações costeiras com grande impacto visual e plástico, como em nenhum outro lugar. Nas mesmas, podemos encontrar o estilo de fortificar de Diogo de Arruda e dos seus familiares.

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Em Conclusão, uma visita ao Norte de África  – Marrocos – não é para um português um mero passeio como qualquer outro.  É uma espécie de regresso a casa. Para quem possua alguns conhecimentos de Geografia e História e tenha o sentido do valor dos passado lusitano, visitar o actual Reino de Marrocos é ir a um dos nossos lugares predilectos, ir afervorar o amor pátrio e retemperar a alma, como afirma Urbano Rodrigues (RODRIGUES, 1935). De facto, diante de património edificado pelos nossos antepassados  em diversas cidades costeiras como Asilah, Tânger, Essaouira, Safi, El Jadida, podemos sentir bem o que fomos e o que podemos ainda ser…

BIBLIOGRAFIA

Carita, Rui, “A arquitectura abaluartada de origem portuguesa”, in Relações luso-marroquinas 230 anos, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, nº 17-18, Lisboa, Instituto Camões, Novembro 2004, pp. 135-138, 143-145.

Correia, Jorge, “Mazagão: A última praça Portuguesa no Norte de África”, in Revista de História da Arte, Lisboa, IHA – FCSH-UNL, nº 4 , 2007, pp. 185-209.

Dias Farinha, António,  “Os Portugueses em Marrocos”, Instituto Camões, Colecção Lazúli, 1999,pp.3-103.

LOPES, David – A Expansão em Marrocos, Colecção Cabo a Cabo, Lisboa: Teorema /O Jornal, 1989.

Moreira, Rafael, “Arquitectura militar do Renascimento”, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Dir. Rafael Moreira, Lisboa, Pub. Alfa S.A., 1989, pp. 150-157.

RODRIGUES, Urbano – Passeio a Marrocos, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.

Nota importante [👤]

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📌À descoberta do antigo Convento de Penafirme: um encontro com a História e com o Tempo…

📷Apontamentos fotográficos de uma aventura ruinosa pela concelho de Torres Vedras. Viajar e fotografar numa das mais belas regiões costeiras de Portugal Continental, a Região do Oeste presenteia-nos com paisagens únicas que combinam entre si o oceano atlântico, os rios, os campos de cultivo, os vinhedos, os montes e vales. Todavia, devemos também salientar o património edificado existente (e abandonado) nesta região, como é o caso das ruínas do antigo Convento de Penafirme.

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Ruinas do Antigo Convento de Penafirme, Torres Verdas @ Oliraf Fotografia

Num instante de tempo, o património emerge ao sabor das imagens: o antigo Convento de Penafirme foi construído no Século XVI (1547) pela comunidade de frades eremitas de Santo Agostinho, sendo destinado ao culto de Nossa Senhora da Assunção. A sua construção foi finalidade no decorrer da 1ªmetade do Século XVII (1638). Actualmente, as estruturas do antigo complexo quinhentista encontram-se em ruinas, em virtude, da invasão do mar, do avanço das areias e, a principal consequência do abandono, o terramoto de 1755. (Foi abandonado, definitivamente, após o terramoto de 1755)

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Os actuais vestígios do antigo convento de Penafirme remontam à primeira metade do Século XVI (1547), em virtude da necessidade de substituição do antigo complexo medieval e, também, fruto da nova reforma da província portuguesa da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, a pedido do monarca D.João III (1521-1557)) durante o ano 1535. As obras foram realizadas até à 1ªMetade do Século XVII (1638), aproveitando as pedras e cantarias do antigo convento medieval. Este Convento Quinhentista veio substituir o anterior e, para tal, que já contava com diversos apoios de monarcas portugueses, tais como, D. Manuel I (1495-1521) e D.João III.

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Pequeno Aqueduto do Antigo Convento

Segundo tradições, o mosteiro de Penafirme foi fundado no Séc.IX (ano 840), por um eremita de origem germânica, Ancirado, da Ordem de Santo Agostinho, aquando da sua fuga de Santarém dos constantes raides das forças islâmicas do Al-Andalus. Actualmente, podemos encontrar inúmeros vestígios da organização arquitectónica do complexo conventual, nomeadamente, o muro que circundava o perímetro do mosteiro, a Igreja e outras dependências (sacristia, o claustro e as celas).

Vista Frontal
Vista Frontal

O antigo complexo conventual é composto por uma planta longitudinal formada por dois corpos distintos entre si, um orientado de oeste para leste (Igreja) e outro orientado de Norte para Sul (Celas dos Frades). De Salientar, que no lado Sul do convento é possível encontrar o vestígio de um pequeno «aqueduto» que transportaria água para este complexo edificado. Verifica-se , pelas fotos, que o convento é desprovido de blocos de cantaria em todos os seus cantos.

Vista Oeste do Convento
Vista Oeste do Convento

Na minha opinião, devemos  despertar o nosso sentido estético para a beleza do nosso património, construído ou não, o avivar a memória dos lugares e dos pormenores que também fazem parte da nossa identidade histórica e que, por isso mesmo, devem ser preservados documentalmente.

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Quantas vezes passamos por uma rua, ruína ou paisagem sem que o nosso olhar se detenha para as admirar? Interrogue-se e parta à descoberta como eu. E deixe-se surpreender-se. Aventure-se na região Oeste!

・・・ 🛈 Sabia que…❓❓❓ As Termas do Vimeiro estavam sob jurisdição do antigo “Convento Velho de Penafirme”. Dai, a toponímia local dos balneários das Termas do Vimeiro: a Fonte dos Frades. ・・・

🛈 Para mais informações

📍 Póvoa de Penafirme, Torres Vedras.

Apenas a 50 km de Lisboa, as ruínas do Convento Velho de Penafirme estão situadas a meio caminho entre a povoação da Maceira e Póvoa de Penafirme, a escassos 500 metros do areal da praia de Santa Rita, no concelho de Torres Vedras.

📚 BIBLIOGRAFIA 📚
Azevedo, C. M. (2013). SILVA, Paula Correia da – O Convento da Graça de Torres Vedras: a comunidade eremítica e o património. Torres Vedras: Livro do Dia Ed., 2007. 172 p. Lusitania Sacra, (28), 278-279. https://doi.org/10.34632/lusitaniasacra.2013.6654 João Luís Inglês, coord. – A dos Cunhados: Itinerários da Memória. A dos Cunhados: Pró-Memória, 2002. MANGORRINHA, Jorge, O Lugar das Termas – Património e Desenvolvimento Regional. As Estâncias da Região do Oeste, Livros Horizonte, Lisboa, 2000. Silva, Carlos Guardado. Os Eremitas de Santo Agostinho: O Convento de Nossa Senhora da Assunção de Penafirme, Mosteiro de Penafirme. Arquivo de Torres Vedras. SILVA, Paula Correia da – O Convento da Graça de Torres Vedras : a comunidade eremítica e o património. Torres Vedras : Câmara Municipal de Torres Vedras : Livrododia Editores, 2007. 172 p. : il. ; 26 cm. (Linhas de Torres ; H9). Bibliografia, p.159 -171. ISBN 978-972-8979-12-6 “Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico”. Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 430.
🌐 sítios web 💻
📎 Geoparque Oeste | Ruínas do Antigo Convento de Penafirme 📎 Arquivo Nacional da Torre do Tombo | Convento de Nossa Senhora da Assunção de Penafirme 📎 Ruínas do Convento Velho de Penafirme – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 28 de Junho. 2014]. Disponível na internet URL: <l> 📎 Patriarcado de Lisboa | Seminários | História | Penafirme 📎 Termas do Vimeiro História  | Turismo do Centro de Portugal ========== [ℹ️] Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria. ==========

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📓Ensaio sobre o conceito de paisagem…

Pequeno artigo sobre o conceito de Paisagem. Como sabem, a  Paisagem é uma das temáticas que gosto de abordar nas minhas fotografias dos locais por onde tenho oportunidade de estar e passar.

Porquê a Fotografia de Paisagem? Na Paisagem fascina-me a beleza da diversidade da paisagem natural e urbana , mas também o modo como as populações locais interagiram, e interagem, com o seu meio físico ao longos dos tempos. Através, da Fotografia  procuro uma maior transversalidade temporal (Histórica) e Geográfica possíveis. Por um lado, a Fotografia, enquanto objecto documental, permite regista um espaço num tempo cronológico definido que é o nosso. Através da Fotografia, procuro captar a essência e sentidos dos objectos fotografados, o espírito do lugar, tendo como objectivo final, a sua representação e alertar para uma consciência da preservação ambiental e patrimonial do território.

Serra de Sintra

A Paisagem é o elemento-chave para a compreensão e análise do território na sua dimensão física, perceptual e cultural. De facto, a paisagem é uma comunicação lógica entre o espaço físico e a ocupação humana, onde a primeira influencia a segunda e esta a molda a primeira, tornando perceptível uma perspectiva ideográfica da Geografia. Segundo Orlando Ribeiro (2001), toda a «paisagem está organizada e é a trama das regiões concebidas como áreas de extensão de determinada paisagem, que constitui o objectivo último das investigações devidamente conduzidas pelos Geógrafos.» O espaço natural e os modos de vida sempre foram uma constante na História da Ciência Geográfica. Por exemplo, os conceitos e métodos da tradição possibilista vidaliana, dão à paisagem uma importância para a compreensão da relação entre o espaço físico e o homem (CLAVAL, 2006, p.91).

Panorama do Castelo Alcácer do Sal

A paisagem surgiu no seio da língua germânica, Landschaft, e foi traduzida para inúmeras línguas, o que deu origem a inúmeras concepções sobre o sentido da mesma (SALGUEIRO,2001). Deste modo, a generalização do termo paisagem ocorre durante o século XVIII, através da ruptura com a visão religiosa medieval. Antes da Modernidade, a observação e a apreciação da paisagem era realizada através de quadros de grandes pintores dos Países Baixos, por exemplo, Rubens. Aliás, Teresa Alves (2001), afirma que o termo paisagem era o culminar da representação do produto final de uma pintura num dado acontecimento enquadrado numa determinada realidade geográfica e não para designar um facto geográfico. De facto, a pintura da paisagem foi essencial para a compreensão, descrição e observação da natureza, valorizando o espaço, isto é, o território (SALGUEIRO,2001). Também é de referir que o interesse pela paisagem foi estimulado pelas viagens marítimas e terrestres realizadas por inúmeros aventureiros e navegadores pelo Mundo, afirma Jorge Gaspar (2001).

Paisagem da Madeira

 Os estudos sobre o conceito sobre a paisagem, desde os primórdios da Geografia, sempre foram focados na descrição das características morfológicas dos vários elementos que constituem a superfície terrestre, incorporando progressivamente elementos da transformação das sociedades no ambiente ao longo dos tempos. O Estudo da paisagem foi essencialmente realizado através da observação. Contudo, para uma análise mais rigorosa e científica, houve a necessidade da explicação do conjunto – território – com recurso a outro saberes científicos como a história, a economia ou a política.

Pescadores do Rio Tejo

Dentro da Geografia, o conceito de paisagem foi sofrendo rupturas epistemológicas ao longo dos tempos, conforme a percepção e evolução do próprio objecto de estudo da própria Geografia. Assim, a paisagem é, por natureza, o objecto de estudo da Geografia desde a sua «fundação» como disciplina científica. Para tal, importa salientar os contributos de dois geógrafos alemães, Alexander von Humbolt (1769-1859) e Carl Ritter (1779-1859), para a preocupação em encontrar uma explicação científica para os factos observados pelos geógrafos, ausentes da geografia tradicional praticada até ai (CLAVAL, 2006). Note-se que o conceito de paisagem era fundamental para os geógrafos possibilistas do início do século XX, pois impedia a divisão entre a geografia física e geografia humana. No fundo, o objecto de estudo da Geografia era a análise da paisagem, o que dava um objecto diferente de outras disciplinas científicas.

Panorâmica do Ksar Ait Benhaddou (Ouzazarte), Oásis do Sul, Berberian lands, Marrocos © Oliraf Fotografia 2013

 

BIBLIOGRAFIA

ALVES, Teresa – Paisagem: em busca do lugar perdido. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 67-74. Lisboa, 2001.

CLAVAL, Paul, História da Geografia, Lisboa: Edições 70, 2006.

GASPAR, Jorge – O retorno da paisagem à Geografia. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 83-99. Lisboa, 2001.

RIBEIRO, Orlando – Paisagens, Regiões e Organização do Espaço, Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 27-35. Lisboa, 2001.

RIBEIRO, Orlando – Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, Lisboa: Sá da Costa Editora, 1945.

SALGUEIRO, Teresa Barata – Paisagem e Geografia. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 37-53. Lisboa, 2001.

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📌À descoberta da Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT): o Forte São Vicente e o reduto de Olheiros.

📷 “Atreva-se e mude o seu destino, onde mudamos o de Napoleão!” é o mote da Rota Histórica das Linhas de Torres para visitar e relembrar o mais barato, rápido e eficiente sistema defensivo da História Militar. Seduzidos pela história e pelo impacto da paisagem envolvente, vamos conhecer o Forte de São Vicente e o reduto de Olheiros, obras militares que integravam a 1ª Linha. Este sistema defensivo, construído entre 1809 e 1810, no contexto da III Invasão Francesa (1810-11), é demonstrativo da capacidade técnico-militar luso-britânica e da resiliência do povo português em manter a sua Liberdade, face a uma das mais temidas forças bélicas da História Militar: o Grande Armée de Napoleão! Uma História feita de Fortes. E de vistas Fortes! 
Panorama Cidade Torres VedrasAs Linhas de Torres Vedras foram mandadas construir, entre 1809 e 1810, por Sir Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, comandante do exército luso-britânico, com o intuito de travar as sucessivas incursões bélicas do exército de Napoleão Bonaparte e de proteger o acesso à cidade de Lisboa. Esta decisão ocorreu após o fim da retirada das tropas tricolores (II Invasão francesa), comandada pelo marechal Soult. Consistia num sistema defensivo fortificado com um conjunto de fortes e redutos em pontos  estrategicamente colocados no topo de colinas/cumes da região da Península de Lisboa. Eram constituídas por três linhas defensivas, entre o oceano Atlântico e o rio Tejo (85 km de extensão), totalizando 152 obras militares, armadas com 600 peças de artilharia e defendidas por uma força – 140 000 homens – mista de tropas de linha e de guarnição. A maioria das bocas de fogo e o material de sapadores foram fabricadas em Arsenais Portugueses. As obras militares só foram finalizadas em 1812, após a definitiva expulsão do Grande Armée  do Reino de Portugal.

SãoVicente_Forte_TVD (4)As designadas Linhas de Torres travaram, após a Batalha do  Buçaco (1810),  o avanço vitorioso das 65 mil tropas francesas do general Massena, comandante enviado por Napoleão para liderar a III Invasão (1810-1811). Era o principio do fim da supremacia militar do Império Napoleónico. O Reino de Portugal, e os portugueses, foram maniatados e subjugados pela França e pela Inglaterra, as duas superpotências de inícios do século XIX, para disputar a hegemonia europeia e a manutenção dos equilíbrios europeus.

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💣Forte e Capela de São Vicente (Obra militar nº 20, 21 e 22)

Construído em 1809, no Monte de São Vicente (a 118 m de altitude). o Forte de São Vicente é um vasto complexo fortificado constituído por três redutos abaluartados, com  uma praça de armas protegida por longos travezes, reparos, muros em talude, canhoeiras, rodeado de fossos profundos, com revestimento de pedra. Tem planta em Y, e era composto por um conjunto de trincheiras, fossos, traveses, paióis, e estava artilhado para uma capacidade de 39 bocas de fogo. Estava dotado com 3 paióis, de planta circular. Era considerado o mais importante forte das Linhas de Torres, mas perdia  em dimensão para o forte ou reduto grande do Sobral. Tinha capacidade para uma guarnição militar de 2000 a 2200 soldados. Era a fortificação e o ponto mais a norte, da 1ª Linha de defesa, entre a localidade de Alhandra e a foz do rio Sisandro, que defendia a estrada real entre Coimbra e Lisboa. Encontra-se atualmente em bom estado de conservação. Foi finalizado em 1810.

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Vista geral do reduto Nº22: canhoeiras, paióis, Travezes, reparos, capela medieval e fossos

Trata-se de um dos melhores pontos paisagísticos para admirar o complexo, pontificado e continuo sistema defensivo erguido a norte da península de Lisboa. São um excelente exemplo da articulação entre o Homem e o Meio. De facto, a construção das mesmas reflete o estudo do Meio pelo Homem, isto é, o aproveitamento da morfologia do terreno para retardar o avanço, pela estrada e atravessamento dos rios, das tropas napoleónicas que se dirigiam a Lisboa. E sem recurso a tecnologia, por exemplo, o uso de fotografia aérea para estudar o terreno. Quem contempla a paisagem envolvente ao monte de S. Vicente percebe a importância e o significado desta fantástica obra de engenharia militar!

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Os Travezes, estruturas em terra, do Forte de São Vicente

Um dos três redutos deste forte – obra militar Nº 21 estava equipado com um posto de sinais / telégrafo que comunicava com o principal posto de difusão das comunicações das Linhas de Torres: a Serra do Socorro. No CILT (Torres Vedras) podemos ver uma maqueta – Telégrafo de Balões – com este dispositivo de telegrafia visual inspirado no sistema de comunicações da marinha de guerra britânica (Royal Navy). Trata-se de um bom exemplo da importância da comunicação  e da passagem rápida de informações entre os inúmeros fortes e redutos, que estavam na 1ª e 2ª Linha do sistema defensivo das Linhas de Torres Vedras, sobre o constante movimento de tropas francesas.

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Posto de Sinais / telégrafo do Forte de São Vicente

Durante a Guerra da Patuleia (1846-1847), o forte de São Vicente foi alvo de um confronto bélico entre as tropas insurretas do conde do Bonfim, membro da junta revolucionária do Porto, e das tropas governamentais do marechal Saldanha, apoiadas pela Rainha D.Maria II, para o controlo de Lisboa. Aliás, foi único confronto bélico da sua curta existência desta obra militar das Guerras Peninsulares. O controlo militar da vila de Torres Vedras e dos fortes da Península de Lisboa eram vitais para dominar, militarmente, a capital do Reino de Portugal. Esta estratégia foi abandonada e tornou-se irrelevante na última metade do século XIX (Campo Entrincheirado de Lisboa) e, principalmente, na segunda metade do século XX (Plano Barrow). As tropas “patuleias” do conde das Antas decidiram escolher Torres Vedras para aguardar pelo confronto decisivo com as tropas governamentais, antes de avançar para ocupar Lisboa, visto que esta localidade tinha aderido à insurreição da “Patuleia”. As tropas do conde de Bonfim, sem apoio logístico e militar do conde das Antas, foram facilmente vencidas pelas tropas governamentais do marechal Saldanha, apesar da enorme vantagem de bocas-de-fogo dos derrotados.

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O Centro de Interpretação das Linhas de Torres (CILT), do concelho de Torres Vedras, fica localizado na antiga capela do Forte de S. Vicente, inaugurado no Verão de 2017. No interior, o visitante poderá compreender a importância das Linhas de Torres na vitória do exército luso-britânico sobre as tropas francesas de Napoleão Bonaparte, com a exibição de um documentário para enquadramento histórico da época. Existe uma maqueta de um posto de telegrafia da época das Linhas de Torres e de um circuito expositivo recheado de recursos audiovisuais e multimédia, mapas, gravuras e peças museológicas alusivas à época das Invasões Francesas, com foco particular, na terceira invasão ao território português, comandada pelo general Massena, o exílio da população (devido à imposição da política de terra queimada) e a construção deste sistema defensivo no concelho de Torres Vedras.

💣Reduto de Olheiros (Obra militar nº23)

O Forte ou reduto de Olheiros, também conhecido como Forte do Canudo, em virtude da sua localização geográfica e topográfica: o Monte do Canudo. A sua utilização inicial era prestar apoio ao fronteiro Forte de São Vicente,  protegendo o lado poente da vila e do vale de Torres Vedras. Foi concebido para uma guarnição de 180 soldados e estava equipada com onze canhoeiras nas cortinas. Segundo o capitão britânico J. T. Jones, estas estavam guarnecidas com 7 bocas de fogo, 4 peças de calibre 9 e 3 peças de calibre 6. No centro, coberto de laje de betão armado, encontra-se um paiol de pólvora e de munições.

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Paiol e muralha em alvenaria do Forte de Olheiros

Em 2001, com apoio da Escola Prática de Infantaria, o município de Torres Vedras realiza uma campanha de limpeza completa e um diagnóstico do estado de conservação da obra militar. Mais tarde, em 2011, sofreu obras de restauro que incluíram a consolidação da sua estrutura-militar, nomeadamente, desobstrução/reconstrução do fosso e das canhoeiras, reconstituição das estruturas em terra (travezes e reparos),  desmatação e abate de árvores de grande porte e a recuperação do paiol de pólvora.

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Canhoeiras para artilharia e reparo de proteção (ao centro) para fogo de infantaria

As Linhas de Torres são o mais internacional dos monumentos militar portugueses. É um monumento que perdeu o seu valor militar, mas adquiriu um valor histórico que importa preservar e divulgar para as gerações vindouras. A forma e a rapidez, por mais de 150 mil portugueses e britânicos, revela bem a importância e o sacrifício de um povo pela manutenção da independência nacional e, não mais importante, da sua Liberdade.

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Não deixe de fazer…

  • conhecer o Museu Municipal Leonel Trindade e o CILT de Torres Vedras;
  • explorar os encantos e recantos do património do centro histórico de Torres Vedras;
  • percorrer o património da Linha do Oeste: Estação de Runa;
  • provar a doçaria local: o famoso pastel de feijão da Serra da Vila;
  • assistir as recriações históricas do festival das Novas Invasões
  • caminhar pelos trilhos e jardins das antigas Termas dos Cucos;
  • conhecer os areais dourados de Santa Cruz e provar uma sapateira em Porto Novo;
  • petiscar, no Parque Verde da Várzea, o famoso Beef de Wellington no Roots Restaurante;
  • participar na caminha anual da Marcha dos Fortes;
  • aventurar-se num passeio pelas colinas e serras de Jipe UMM, com as Rotas do Oeste;
  • conhecer o Convento de Santo António do Varatojo;
  • fazer uma prova de vinhos na Adega Cooperativa da Carvoeira;
NÃO PERCA AS MINHAS AVENTURAS E OLHARES FOTOGRÁFICOS NO INSTAGRAM! UM ENCONTRO COM A HISTÓRIA, AO SABOR DAS IMAGENS…

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✈ Como chegar:

🚗

  • Lisboa a Torres Vedras: pela A8 tomar a direção de Leiria até à saída 7 – Torres Vedras Sul.Em alternativa, siga pela N8 por Venda do Pinheiro e Turcifal até Torres Vedras.
  • Porto a Torres Vedras: pela A1 sair na direção de Aveiro, convergir com a A25, continuar na A17 na direção de Leiria. Tomar a A8 até à saída 8 – Torres Vedras Norte.Em alternativa pode tomar a N1 por Leiria até Rio Maior. De Rio Maior tome o IC2 para Alcoentre e a N115 até Torres Vedras.

🚌 |🚉

  • Comboio (Linha do Oeste) Figueira da Foz – Lisboa (Santa Apolónia) |Horários
  • Autocarros: Barraqueiro Oeste (A8 – Diretas) | Horários

🏠 Onde ficar:

Em Torres Vedras existem inúmeras opções económicas de alojamentos, consoante o número de dias que irá ficar no concelho da região Oeste. O Dolce Campo Real perto do Turcifal, parece-nos uma boa opção para explorar a Rota Histórica das Linhas de Torres. Trata-se de uma uma excelente opção para quem queira ter acesso rápido a todas as actividades relacionadas com o turismo de natureza e histórico-cultural, onde está perfeitamente integrado na área protegida da Serra da Archeira e do Socorro e da cidade de Torres Vedras.Na minha opinião, os seus pontos fortes são a localização, o campo de golfe, a piscina, uma área para crianças e as ofertas de atividades de tempos livres.

🍜 Onde comer:

Porque não saborear uma ceia oitocentista, a pós uma visita ao património das Linhas de Torres Vedras, o visitante poderá ter uma experiência gastronómica: uma sopa de canja e um Bife Wellington* com Chips de Batata Doce e Espargos. Trata-se de um prato Oitocentista alusivo à época das Invasões Francesas. E para sobremesa uma deliciosa “Barriguinha de Freira”. E não se esqueça de acompanhar com um belo tinto DOC de Torres Vedras (CVRLisboa).

🔗Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial  nos seguintes links:

“Os percursos da Rota Histórica das Linhas de Torres são temáticos e refletem cada um dos aspetos mais marcantes do território onde estão inseridos. Podem ser visitados em parte ou no seu todo, deixando ao viajante a liberdade de construir a sua própria visita.”, lê-se no sitio web da Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT)

A Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT) oferece informação atualizada para conhecer os locais e percursos dos inúmeros fortes e redutos militares dos concelhos (Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Torres Vedras, Sobral de Monte Agraço e Vila Franca de Xira) que integram esta rota histórico-militar. Poderá informar-se junto dos vários Centros de Interpretação das Linhas de Torres (CILT) de cada município ou descarregar o mapa e o guia da Rota Histórica das Linhas de Torres. Se for um leitor mais exigente, deixo-lhe uma sugestão de leitura de uma publicação de referência, a Revista INVADE, sobre o que melhor há para ver e fazer na Rota Histórica das Linhas de Torres. Recomendo, também, a consulta do sitio digital do Turismo Centro de Portugal, visto que permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, rotas turísticas, património edificado e gastronomia associado à região Oeste de Portugal.

A Batalha de Torres Vedras – 22 de dezembro de 1846 in Revista Militar N.º2459, Dezembro de 2006 [em linha]. Lisboa: CMG Armando Dias Correia, 1849-2020.[consult. 2020-05-26 11:58:58]. Disponível na Internet: https://www.revistamilitar.pt/artigo/170#

A Ferro e Fogo (Invasões Napoleónicas) in RTP Arquivos [em linha]. Lisboa: RTP – Rádiotelevisão portuguesa, 2015-2020. [consult. 2020-05-26 21:12:46].Disponível na Internet: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/a-ferro-e-fogo-invasoes-napoleonicas/

Batalha de Torres Vedras in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-05-26 19:28:50]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/$batalha-de-torres-vedras 

Forte de São Vicente / Obra Grande de São Vicente – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=6346 >

NORRIS, A. H., BREMNER, R. W. – As Linhas de Torres Vedras, as três primeiras linhas e as fortificações ao sul do Tejo. Torres Vedras: Câmara Municipal de Torres Vedras, Museu Municipal Leonel Trindade, British Historical Society de Portugal, outubro 2001.

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💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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