📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?
👤 Um pouco de História…
Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756, funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).
Vista parcial do Castelo de Alcoutim
Alcoutim. Terra de Fronteira. O Algarve Natural. São os slogan(s) do Município de Alcoutim para promover esta singela vila nas margens do Guadiana. Tal como José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (1998), esteve nestas paragens, em 1980, no âmbito da sua Viagem a Portugal. Deixo-me surpreender pela singularidade do casario branco de Salúncar do Guadiana e do seu “Guerreiro de Pedra” – o Castillo de San Marcos – que domina a paisagem em redor. Esta pequena urbe nasceu da necessidade do controlo e vigilância do transporte de bens alimentares (trigo, azeite e mel) e de minério (ouro,prata e cobre), através do rio Guadiana, pelas ocupações humanas sucessivas que a usavam na transição entre as rotas comerciais do Mediterrâneo e do Atlântico.
Vista parcial da vila de Salúncar do Guadiana (Huelva,Andaluzia)
Depois de fotografar as vistas (e que vistas), dirigi-me para a experiência do slide fronteiriço agendada para a parte de manhã, com a limitezero do inglês David Jarman, radicado à treze anos nesta zona da raia luso-espanhola. Contacto com o responsável da empresa de animação turística Fun River, o Dr.José Cavaco, que me informa que o seu funcionário estava em Espanha e que me iria buscar dentro de momentos. A única ligação entre margens no rio Guadiana entre Alcoutim (Algarve) e Salúncar do Guadiana (Andaluzia) é efectuada por esta empresa. A aventura estava prestes a começar. E a adrenalina a aumentar…
A “Tirolesa” que faz a travessia entre a Andaluzia e o Algarve. Só para os mais aventureiros!
Depois de uma aventura 4×4 num Land Rover até ao local do Slide, onde avistamos a beleza de Salúncar do Guadiana. Do topo, a cerca de 180 metros, temos uma bela vista aérea sobre Alcoutim e o rio Guadiana. O que levamos deste Mundo? Experiências. Aqui, podem ver o video do Slide no YOUTUBE De facto, viajar é descobrir-nos. E,claro, soltar o nosso outro eu. No meu caso, o sentido pela aventura. Já tinha saudades de fazer “Slide”. Nem parece que vamos a 80 Km/h. Em menos de um minuto estamos em Portugal. E o Medo? Esse ficou para segundo plano. E qual a razão? Há sempre uma,certo? A paisagem arrebatadora entre Salúncar do Guadiana e Alcoutim – as duas vilas gémeas do rio Guadiana -, como afirmou José Saramago, permite viver esta experiência devagar e com tempo.
A pitoresca vila de Alcoutim, do topo do Castillo de San Marcos.
O Homem adapta-se ao meio. A cerca de um 1km para Norte da actual vila de Alcoutim, deparamo-nos com uma das melhores vistas do Algarve sobre o rio Guadiana. Aqui,podemos contemplar as três tipos de paisagem algarvia: o litoral, o barrocal e a serra. Do topo do castelo velho de Alcoutim – antigo Alcácer fortificado – do período Omíada (713-1031) edificado com as pedras com maior abundância na região:o xisto e o grauvaque. As suas origens remontam ao Século IX, segundo escavações arqueológicas recentes da Dr.ªHelena Catarino, e é uma das mais importantes estruturas militares islâmicas do Gharb-Al Andaluz. Como se sabe, o domínio muçulmano na Península Ibérica começa a ser ameaçado pela pressão da reconquista cristã, dai a necessidade de criar uma rede de fortificações de vigilância do território. É o caso do Castelo Velho de Alcoutim. Em virtude do seu difícil acesso (utilizado com funções de vigilância e de apoio à mineração), esta estrutura foi abandonada na época dos Almóadas e deu lugar ao actual Castelo Medieval de Alcoutim no Século XIV. A partir daqui, a população foi fixando-se junto ao leito do rio Guadiana.
Ruínas do antigo alcácer fortificado de Alcoutim (Época Omíada)
Em busca das vivências desta região castiça do Guadiana, surgiu uma parceria entre dois vizinhos e estrangeiros de Espanha e Portugal para recriar as memórias históricas e etnográficas comuns de outros tempos: o Festival do Contrabando. O objectivo é a promoção de Alcoutim e de Salúncar do Guadiana como destino turístico de experiências (natureza, eventos, património e gastronomia). Segundo a autarquia de Alcoutim, o “Festival do Contrabando é mais que um Festival, é a junção e fusão da homenagem a uma actividade que ao longo da história foi importante para as gentes da fronteira, com as artes e a cultura. A paisagem fronteiriça que desafiava os destemidos na passagem de mercadorias, agora é palco de vários projectos culturais que transportam para o interior das populações e seus visitantes, os sonhos e ambições, trazendo até à Vila Raiana uma oferta cultural que desafia todas as condicionantes existentes”. Durante os dias deste festival – a primeira edição – poderá reviver a arte de “contrabandear” dos anos 30 e 40 do Século XX, atravessar as duas margens do rio Guadiana numa ponte pedonal e visitar uma região do Baixo Guadiana e do Sotavento Algarvio. Aqui, poderá encontrar um clima mediterrânico e um património edificado e natural genuíno. As praias fluviais – Pego Fundo – e o barrocal são um convite para (e por) desvendar…o castiço Algarve Natural. Para mim, visitar o Algarve das Pontas…é reencontra-me.
Como chegar
A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).
Onde ficar
Estive uma semana no Hotel Faro. Fui recebido por uma equipe fantástica. A meu ver os pontos fortes deste Hotel são o seu restaurante (comida fantástica), os seus funcionários sempre prestáveis e o rooftop com uma vista fantástica sobre a Ria Formosa. A meu ver, o melhor rooftop de Faro. Já imaginaram almoçar com uma autêntica vista para as silhuetas que dão cor e forma à Ria Formosa?
Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
Perguntei ao Dr.Júlio Cardoso, técnico de turismo do Município de Alcoutim, um local típico para almoçar em Alcoutim. Estava nos meus planos almoçar no Centro Histórico de Alcoutim ou Salúncar do Guadiana. Persuadiu-me a ir almoçar à Cantarinha do Guadiana, situada na localidade de Laranjeiras do Guadiana. Não me deixei enganar pelo espaço e pela falta de multibanco. De facto, o paladar conquista-se no prato. E a Senhora Isabel Ribeiros, a singular cozinheira, proporciona verdadeiros petiscos de cozinha regional alentejana e algarvia. Adorei saborear a comida tipicamente caseira e tradicional do interior algarvio, em especial, a sopa de tomate com ovos escalfados e o ensopado de enguias. Uma delicia para os viajantes andarilhos. E para acompanhar o café, nada como um “cheirinho” algarvio: o Medronho. Safa,mas aquece!
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
“Portugal é por excelência um país orientado para o Turismo. A BTL é o salão referência para a indústria do Turismo Nacional. Esta é provavelmente a viagem de negócios mais importante do ano para si e para a sua empresa!”, pode ler-se no sitio oficial da BTL.
A dedicação e o gosto fazem os campeões. Neste caso, as nomeações. Pela 2ª vez, e pelo segundo ano consecutivo, o blogue OLIRAF integra a lista dos melhores blogues de viagem no passatempo“BTL Blogger Travel Awards” da Bolsa de Turismo de Lisboa! Graças ao trabalho desenvolvido por mim e por quem colaborou na imagem gráfica do meu projeto fotográfico – o Designer Gráfico & Multimédia 📷 | 🎬 João Gomes –, foi possível alcançar a nomeação para a categoria Melhor blogue de fotografia de viagens. Nesta categoria, o vencedor é eleito por um Júri de personalidades de diversas áreas do sector do Turismo em Portugal. Importa referir que também encontro-me, tal como os 14 blogues finalistas, nomeado para a categoria de “Melhor blogue de viagens eleito pelo público”. Pode votar, caro leitor, nesta categoria até dia 17 de Março.
Venho, por este meio, “pedinchar” o vosso voto para concorrer à eleição do melhor “Blogue de Viagens Eleito pelo Público”. Basta aceder a este link ou à página abaixo, procurar o meu Blogue “OLIRAF” ou “oliraf”) e inserir o e-mail. Simples, não é? As votações terminam no próximo dia 17 de Março. Saiba mais em http://btl.fil.pt/blogger-travel-awards-votacoes/
Os BTL Blogger Travel Awards, organizado pela BTL, são o mais importante prémio dedicado aos blogs de turismo no nosso país. O objectivo máximo visa premiar os melhores bloggers de viagem em Portugal e de língua portuguesa que se destacaram ao longo do ano 2016. Neste caso, o júri da BTL nomeia os candidatos tendo em conta a importância dos temas abordados, qualidade de informação e escrita, criatividade, inovação e imagem gráfica. E os Prémios? Segundo o site Ambitur, “os vencedores das quatro categorias, para além do reconhecimento público, terão a possibilidade de desfrutar de um cruzeiro de seis dias pelo Mediterrâneo Ocidental a bordo do MSC Magnifica, oferta da MSC Cruzeiros.”. Além disso, a cidade convidada nesta edição da BTL, o Município de Viseu, irá premiar cada um dos vencedores das 4 categorias com um fim de semana, para duas pessoas, que incluirá uma visita guiada pela cidade, uma experiência de enoturismo (Dão) e duas entradas no Museu Nacional Grão Vasco.
A meu ver, é um enorme orgulho ver o meu Fiat 600 entre os melhores “ferraris” da Blogosfera de Viagens em Portugal. E tudo começou, com uma paixão de adolescente em 2006: fotografar todos os castelos e fortalezas de Portugal Continental e Insular. Importa não esquecer que tenho formação em História, arquivista de profissão e viajante por opção. Nunca mais esqueço o meu primeiro devaneio fotográfico em Montemor-o-Novo. E este ano para comemorar essa data, decidi realizar um roteiro fotográfico pelos “Guerreiros de Pedra do Alto Alentejo”, tendo como suporte a obra do historiador-medievalista Miguel Gomes Martins.
Ainda 2016 ia a meio, quando recebi um convite para incorporação de duas fotografias da minha autoria (Créditos Fotográficos por Oliraf Fotografia) numa História de Portugal, Verso da Kapa, lançada por dois colegas de Faculdade, o Diogo Ferreira e o Paulo Dias. Foi com gosto que aceitei dar cor a esta obra historiográfica. Ao longo destas páginas pode percorrer toda a História de Portugal, a meu ver de uma forma sintética. Nas páginas 28 e 48, poderá visualizar as fotografias alusivas a dois monumentos nacionais: o Mosteiro de Aljubarrota e o Castelo de Almourol.
A convite do promotor turístico da região do Algarve – Visit Algarve -, o blogue OLIRAF teve a sua primeira viagem de promoção de uma Rota Cultural: a Rota Omíada do Algarve. Esta escapadinha fotográfica foi agendada para Dezembro de 2016, por motivos profissionais e académicos. Inspire-se no que é nacional para criar roteiros inesquecíveis…
Fomos uma das 80 Histórias seleccionadas para fazer parte do livro “Around the World in 80 pages”, um passatempo do Grupo Navigator. Tem como objectivo premiar as melhores histórias em Inglês e fotografias dos viajantes nacionais e estrangeiros que concorrem a este passatempo de viagens. Tendo em conta o meu portefólio de viagens de 2016, e o meu gosto pela cultura e civilização islâmica, decidi concorrer com as fotografias e um texto da minha viagem a Granada (Andaluzia,Espanha): “Be a Time Traveller in Granada Heritage”.
Dear Rafael Oliveira,
We are pleased to announce that you are among the 80 finalists of the Navigator Around the World in 80 Pages 2016 – Global Writing Contest.
Congratulations!
Your text was selected from over 1300 stories, for its inspiring tone and originality, and will be published in a travel book, that you will later receive.
Navigator would like once more to thank you for sharing your stories with us, and for taking the time to participate.
Stay tuned to our Website and Facebook page to know if you’re one of the lucky winners!
Best Regards,
Navigator Team – Around the World
Note-se que todos os vencedores serão conhecidos na Cerimónia de entrega de prémios da BTL BLOGGER AWARDS 2017 no dia 18 de Março, às 17h no Auditório 3 da BTL – Pavilhão 3, na Feira Internacional de Lisboa – Parque das Nações, Lisboa.
Em baixo a lista dos melhores blogues de viagem nomeados nesta edição:
«Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. Sentir tudo de todas as maneiras.» Álvaro de Campos.
É gratificante estar nomeado como um dos 14 melhores blogues de viagens da BTL Travel Blogger Awards. Agora, é saborear a nomeação. Obrigado a todos que votaram em mim. Bem Hajam. Sou o único blog não profissional a concurso. Para mim, o melhor prémio foi estar nomeado para estar entre os melhores blogues de viagens em Portugal. Agora, é agarrar as portas que se abriram com esta nomeação.
Nota importante []
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
Texto: Rafael Oliveira Fotografia: Oliraf Fotografia
📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?
👤 Um pouco de História…
Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756, funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).
O Forte e a Igreja de Cacela Velha: são os dois ex-libris desta povoação costeira
Cacela Velha é…um poema de pedra construído pelo Homem. Esta pequena grande povoação costeira do Sotavento Algarvio está localizada no concelho de Vila Real de Santo António. A meu ver, esta localidade é uma bela surpresa pela sua paisagem para a ria formosa, a arquitectura tradicional das casas típicas castiças e pela sua capatez. Além disso, as ruas têm o nome de poetas que fizeram parte da nossa cultura milenar. Chego a uma constatação: começo a gostar de outro Algarve. O Al-Gharb fora dos roteiros turísticos “habitué”: o das pontas.
As castiças casas típicas desta localidade do litoral algarvio…
O Núcleo Histórico de Cacela Velha presenteia-nos com um pequeno conjunto de casas típicas do litoral algarvio. Todavia, os dois ex-libris desta pequena povoação é a sua fortaleza do Século XVI, reconstruída após o fatídico terramoto de 1755, e a Igreja com o seu portal renascentista. Na época Omíada, Qast´alla, Cacela em árabe, fora conquistada em 713 por forças califais de Abd al-Aziz ibn Musa (714-1715), o primeiro uale do Al-Andalus, isto é, um governador militar dependente do califa omíada de Damasco (661-750). Até à reconquista cristã, em 1240, a povoação ficou na jurisdição da cidade de Ossónoba (Faro) e assumiu o papel de primeiro aglomerado de carácter urbano situado a sudeste do actual território algarvio.
Paisagem da ria Formosa
Uma curiosidade. Sabia que as ruas têm nomes de poetas se inspiraram nesta localidade para os seus poemas, como são os casos de Abû al-‘Abdarî, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Eugénio de Andrade? Um pormenor delicioso. Visitar Cacela Velha é conhecer um outro Algarve: o genuíno e castiço. O Algarve das Pontas. A meu ver, o casario pitoresco, a pequena aldeia, a praia, fortaleza são uma bela harmonia na paisagem. Um belo exemplo do que o Homem consegue criar. Da visita à terra natal do poeta Ibn Darraj al-Qastalli (958-1030), um dos mais influentes do califado Omíada na época do poderoso Almançor, levo na minha memória o som, ao fundo, do oceano atlântico…
Pequena habitação para guardar os apetrechos de um pescador
Como chegar
A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125.
Onde ficar
Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
📷 Um passeio fotográfico pelo “Carmen” da Andaluzia…
Granada é uma cidade peculiar do Reino de Espanha. É um dos destinos mais visitados pelos turistas e viajantes no Reino de Espanha, apesar do destino preferido ser Barcelona ou Madrid. Com quase a superfície terrestre e população de Portugal, a Andaluzia é uma das maiores regiões e mais turísticas do Reino de Espanha. Para mim, uma das mais bonitas e singulares deste País Ibérico. Recentemente, tive oportunidade de acompanhar uma visita de estudo do Departamento de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa a Granada e Córdoba. Foi aqui que ganhei contacto com a Rota Cultural dos Omíadas: a Umayyad Route. Durante esta epopeia, tive oportunidade de contactar com o esplendor esplendor material e imaterial do antigo legado islâmico na Península Ibérica: o Al-Andalus (711-1492).
Aspecto parcial de Janelas do Alhambra de Granada, vista para o Bairro de Albaicín
E foi aqui. Como diria o professor José Hermano Saraiva num tom romanceado, que começou a epopeia mundial castelhana. Há 525 anos, a 2 de Janeiro de 1492, o último bastião mourisco na Península Ibérica rendia-se, após longas negociações com o último sultão Nazarí de Granada, Boabdil, aos futuros Reis Católicos. Terminava, assim, a Reconquista Cristã, iniciada nas Astúrias por Pelágio. Abria-se uma nova porta para o Mundo: a descoberta das Américas, por Cristóvão Colombo. Aliás, o navegador ao serviço da coroa castelhana, após várias tentativas recusadas pelo Rei de Portugal D.João II (1481-1495), estava no acampamento militar de Santa Fé aguardando o desfecho das negociações para a rendição de Granada. Em Agosto de 1492, partia de Palos de la Fronteira (Huelva) rumo à futura descoberta da América. Todavia, apesar da intolerância religiosa de Isabel de Castela e Fernando de Aragão, documentada no Decreto de Alhambra, o legado material e imaterial do Reino Nazarí de Granada (1232-1492) ainda sobrevive nas pedras do Alhambra de Granada, nas encostas do casario branco de Albaicín e nas montanhosas serranias das Alpujarras.
Aspecto parcial do El Generalife e da Sierra Nevada
À medida que caminhamos pelas ruas de Granada, apenas com um mapa do Centro Histórico e com o sentido de orientação apurado desde o tempo dos escuteiros, a cidade conquista‑nos aos poucos, fazendo que não desistirmos dela. Depois de atravessarmos a longa Gran Via de Colón, deparamo-nos com a Porta de Elvira. A partir daqui, começo a subir passo-a-passo o casario do Bairro de Albaicín até a um dos miradouros mais concorridos pelos viajantes e curiosos numa visita a Granada: o Mirador de San Nicolás.
Aspecto de uma Ruela do Bairro de Albaicín
Aquele momento no horizonte surgiram os contornos da Alhambra, o meu coração começou a acelerar de tanta emoção, face à magnificência deste singular fortificação islâmica. Procuro um espaço livre para me sentar no muro que fica defronte da Alhambra, que me permita contemplar de uma forma serena este magnifico exemplar da arquitectura islâmica em Espanha e, a meu ver, a nível Mundial. Ninguém, seja um viajante, turista ou até mesmo um poeta, fica imune ao fascínio desta antiga fortificação islâmica. Agora, percebo a tristeza de Boabdil, durante o acto oficial entrega desta cidade e respectiva expulsão para um domínio nas Alpujarras. Durante a Guerra de Independência Espanhola (1808-1814), os soldados de Napoleão Bonaparte usavam as torres fortificadas do Alhambra para efectuar treinos de artilharia. Muitas foram destruídas.
Jardins da Alhambra de Granada
Para mim, este é um dos pontos de visita obrigatório a esta cidade andaluza. Este antigo complexo fortificado de palácios do Reino de Granada, fundado pela Dinastia Nazarí (1232-1492), mexe com qualquer pessoa. Há algo de mágico nestas pedras. Ninguém fica indiferente, seja de noite ou dia, por mais livros, relatos, fotografias e vídeos que tenhamos visto. Mas, os viajantes não vêm ver a maioria da cidade de Granada. Em 1492, durante a rendição do último reduto mouro na Península Ibérica, os Reis Católicos não ousaram destruir este imenso complexo. Estou certo, que apesar da sua intolerância religiosa, ficaram maravilhados com a sua nova conquista. Dai, estarem sepultados na Catedral de Granada, situada no centro histórico da mesma cidade. Infelizmente, não consegui visitar os belos e singulares túmulos destes monarcas fundadores da unidade espanhola.
Caligrafia Árabe, em estuque, da Alhambra de Granada.
Os viajantes vêm ver o complexo edificado do Alhambra, com os seus palácios, a história e a arte islâmica existente nesta cidade. De facto, o Alhambra de Boabdil detém o nosso olhar, seja à noite ou durante o dia. O escritor-viajante Washington Irving (1783-1859) escreveu o seu livro – Cuentos de Alhambra – sobre o lado romântico da Alhambra de Granada e do legado mourisco na Andaluzia. Neste livro, podemos encontrar diversas passagens e descrições da vida quotidiana e rural da Andaluzia da primeira metade do Século XIX. O El Generalife é um verdadeiro paraíso. Foi construído pelos sultões nazarís para refúgio do quotidiano cortesão da Alhambra de Granada. Tal como eles, fujo das “massas” de turistas que inundam o complexo fortificado do Alhambra. Afinal, trata-se do monumento mais visitado do Reino de Espanha. Quem diria? Foi uma bela surpresa contactar com a simplicidade desta “Horta Real” com as suas fontes, hortas e belos jardins que nos transportam para outras latitudes. O Éden podia ser aqui.
Acequia Real do El Generalife
Se há locais que parecem ter saído de um sonho, não há dúvidas de que o Bairro de Albaicín é um deles. Acerca de 800 metros de altitude, o casario branco deste antigo bairro árabe transmite-nos uma sensação de paz ao percorrermos as suas vielas. Por momentos, sinto que fui transportado para a realidade bem lisboeta: a genuína Alfama. Sente-se a nostalgia e o legado da população árabe que habitou nestas ruelas e vielas. E, claro, da sua arquitectura urbana – Carmen – que se estende desde o miradouro de San Nicolás até ao rio Darro. Aliás, ainda hoje, existem lojas de “recuerdos” e restaurantes de origem magrebina, junto ao Paseo de los Tristes.
Vista Geral do casario branco do bairro de Albaicín
Há uma Andaluzia que todos conhecem e uma outra que só se dá a desvendar por quem entra por esta região adentro, disposto a deixar-se interpelar pela sua singular beleza de cada monumento, bairro, igreja ou museu. Esta cidade andaluza encanta e admira qualquer viajante que chega pela primeira vez e a contempla. Acima de tudo, a essência desta cidade andaluza é o complexo fortificado do Alhambra, o bairro Albaicín e o El Generalife. Os três são património mundial classificado pela UNESCO. Confesso que a Andaluzia, e em especial Granada, transmite boas vibrações a qualquer forasteiro ou viajante andarilho. Há cidades que nos tocam a alma. E Granada é uma delas. Um verdadeiro Carmen na terra.
✈ Como chegar:
Fonte: Visit Spain
O website do Turismo de Espanha – Visit Spain – oferece informação atualizada sobre os meios de transportes mais acessíveis para visitar Granada. No meu caso, como fomos numa visita de estudo, optou-se pela viagem de Autocarro de Turismo desde Lisboa. Desde Lisboa a Granada – ida e volta – são quase 1500 Km. Há duas opções: ir pela fronteira algarvia – Ponte Internacional do Guadiana – ou pela Alentejana – Fronteira de Elvas/Caia. A meu ver, a última é a opção mais económica e com maior fotogenia durante o trajecto rodoviário. Todavia, poderá fazer os dois trajectos rodoviários: Lisboa-Algarve-Sevilha-Granada e Granada-Córdova-Zafra-Badajoz-Lisboa.
🏠 Onde ficar:
Estive dois dias alojado no Hotel Carmen de Granada. Adorei os quartos e a localização do Hotel. E a vista desde o rooftop do Hotel Carmen. Está próximo do Centro Histórico da Cidade de Granada. As instalações são espectaculares. Boa Relação Custo/Preço. Quer conhecer mais sobre este hotel? Poderá visitar em www.hotelcarmen.com e descobrir as ofertas desta unidade hoteleira de 4 estrelas em pleno centro de Granada.
Na La Teteria del Bueno, em pleno Bairro Histórico de Albayzín, podemos saborear com calma um chá de menta, tipico de outras latitudes. Por exemplo, Marrocos. E no frio da noite de Granada, este tem outro sabor. Aqui, podemos saborear a essência do Al-Andalus.
Como diz o lema da casa: “Casa andalusí: algo de comer,algo de beber,y mucha paz…”
Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial desta cidade andaluza. Consulte mais dicas & informações sobre o que ver, fazer e comer nos seguintes links:
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
Texto: Rafael Oliveira Fotografia: Oliraf Fotografia
📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?
Fam Trip pela Rota Omíada do Algarve @ OLIRAF (2016)
👤 Um pouco de História…
Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756, funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).
📌 Dia 1 – 05/12 (Segunda-feira) Faro – Ossónoba (أخشونبة)
Alfapendular na Estação Ferroviária de Faro
Rumo ao Gharb Al-Andalus. Antes de partir, peçoa Al’Mutamid sabedoria para a escrita e a Al-Idrisi, orientação geográfica para esta “epopeia” algarvia. Depois da saída de Lisboa, às 8h30, no “TGV” da nossa realidade portuguesa, isto é, o Alfa Pendular chego à capital do antigo Reino dos Algarves: Faro. Ou como quiserem chamar al-Harun (فارو), Shantamariyyat al-Gharb (شنتمريّة الغرب) ou Ossónoba. Eu prefiro a ultima. A viagem demorou menos de quatro horas para percorrer quase 300km, a uma velocidade média de 150 Km/h.
Aspecto parcial do Quarto Standard do Hotel Faro
Sou recebido na recepção do Hotel Faro. Enquanto faço o chek-in, o Francisco – funcionário, aconselha-me os melhores sugestões para “perder-me”pela cidade de Faro. Oferece-me um mapa da cidade e indicou-me os locais mais sugestivos, a nível fotográfico, para eu percorrer. Depois de efectuado o Check-in, aconselhou-me a almoçar no restaurante Ria Formosa, localizado no rooftop do mesmo hotel. Aqui, podemos encontrar uma fantástica piscina e uma esplanada com um panorama para o casario branco e ria formosa. Já na oferta gastronómica, a meu ver, é uma tertúlia de sabores e emoções. Com o tempo, de facto, vamos aprendendo a saborear e a degustar os prazeres da vida. E a comida e o vinho é um prazer. Baco que o diga. A essência da gastronomia Algarvia e, claro, da dieta mediterrânica. O Pão de Alfarroba. Top. E a saladinha divinal. Agora, percebo o 2ºConde de Essex, Robert Devereux (1566-1601), ter saqueado a Sé de Faro em 1596. Vá, agora a sério, eu prefiro “saquear” e saborear a gastronomia algarvia. E a cereja no topo do bolo, na minha opinião, é a vista panorâmica sobre a …ria formosa.
A Gastronomia Algarvia é uma tertúlia de sabores para desfrutar e apreciar
Ernesto Cabrita, o responsável pela LOOK-AL, um apaixonado pela sua cidade e,claro, pela sua região.Através do mesmo, podemos viajar pelas estórias da História e pelas Lendas da capital do Al-Gharb. A meu ver, trata-se de um projecto alternativo que proporciona aos seus clientes vivências genuínas e inesquecíveis pelo centro histórico da cidade de Faro, neste caso, pela Vila-Adentro. Antes de iniciarmos o trajecto, sugeriu-me uma experiência diferente: um Recital de Guitarra Portuguesa com o guitarrista João Cuña.
Recital de Guitarra Portuguesa no Arco da Vila Adentro
Para mim, foi mais do que uma experiência, foi uma viagem às raízes materiais e sonoras do fado em Portugal. Adorei, em especial, o fado da Vila-Adentro que nos transporta para outras épocas. De seguida, iniciamos um périplo pelas curiosidades históricas, lendas e locais milenares da cidade de Faro. Iniciamos o nosso percurso pelo Arco da Vila, Sé Velha, antiga medina, túneis do séc.XI, a capela dos Ossos e pela antiga judiaria da cidade. Todavia, o que mais cativou foi o miradouro da Sé de Faro tem uma das melhores vistas sobre a cidade e a ria formosa.
Antiga Porta em Ferradura do Período Omíada da cidade de Faro
Após a experiência histórico-cultural proporcionada pela Look-Al, acabamos em grande com um “Workshop” individual na garrafeira About Wine. Aqui, sou recebido pelo jovem casal, o Luís e a Alexandra, que me elucidam sobre a essência do seu projecto surgido em 2010. Mais do que beber um vinho, seja ele um branco ou tinto, há que saber conjugá-lo com os sabores certos. Esta visita elucidou-me como saborear um bom vinho, qual a postura correta na degustação e os petiscos que se adequam a cada tipo de vinho. Adorei, em especial, o vinho branco algarvio Malaca. Mais do que uma experiência em enoturismo, uma visita a esta garrafeira é embeber a cultura vinícola do Algarve e das diversas regiões de Portugal.
Provas de Vinhos e Petiscos da Região do Algarve na About Wine
De seguida, sou recebido na Tertúlia Algarvia. Um dos sócios, enquanto não vem o manjar, fala-me do conceito gastronómico deste restaurante em plena Vila-Adentro. A sua especialidade é a cataplana algarvia. Mas, os filetes de cavala e a milenar Muxama de atum não ficam nada atrás.
Vista Geral do Restaurante Tertúlia Algarvia
📌 Dia 2 – 06/12 (Terça-feira) Vila do Bispo – Cabo São Vicente
A minha primeira “Fam Trip”, como blogger convidado pela Região do Turismo do Algarve para promover um destino de uma rota cultural. O objectivo foi «Redescobrir os Segredos do Algarve em Vila do Bispo e a Rota Omíada» pelos operadores turísticos, entidades, jornalistas regionais. mais do que conhecer um dos principais destinos turísticos de Portugal, mas também conhecer alguns segredos não revelados desta localidade algarvia e embeber o legado árabe na região. Após uma viagem de autocarro entre Faro e Vila do Bispo, chegamos ao Centro de Interpretação de Vila do Bispo. Aqui, somos recebidos pelo Presidente da RTA, Desidério Silva, a Directora-Regional da Cultura do Algarve,Drª Alexandra Gonçalves e pelo autarca local, o Dr.Adelino Soares.
Menir do Padrão: um exemplo da ocupação humana desde a Pré-História
De seguida, somos levados em itinerância pelo legado material e imaterial do concelho mais extremo do Continente Europeu pelo arqueólogo da autarquia local Ricardo Soares. Primeira paragem: o Menir do Padrão na Raposeira. Trata-se de um monumento megalítico melhor preservado e com mais estudos de entre os demais. Ricardo Soares elucida-nos que Vila do Bispo é a área de maior concentração de menires do ocidente europeu, ao todo 250, provavelmente os mais antigos e dos primeiros. Tal facto, é demonstrativo da ocupação humana desde a Pré-História.
Boca do Rio: o Algarve das Pontas em todo o seu esplendor.
Antes de irmos para a Boca do Rio, opto por trocar umas breves palavras com o arqueólogo Ricardo Soares. Tal como eu, é um amante da arte fotográfica e tem um blogue sobre arqueologia. Afinal, não sou o único que concilia a sua paixão pela fotografia com o gosto pela História. Já na Boca do Rio, podemos percorrer a ocupação humana deste território: uma villa romana dedicada à indústria conserveira (saiam verdadeiros petiscos para Roma daqui), uma fortificação da século XVII para proteger a pesca de atum, naufrágios do século XX perpetuadas por U-Boats Alemães e o impacto do Tsunami que se seguiu ao Sismo de 1755 na orla costeira do Algarve. Apercebo-me da existência de um trilho para a compreensão da biodiversidade local. Dirigi-me para lá para captar alguns registos fotográficos. A Paisagem era brutal. Apetecia-me mergulhar, literalmente, nela…
Retrato de grupo da “Fam Trip” por Vila do Bispo @ Créditos fotográficos RTA
Retrato de Grupo. Nas viagens o que levamos delas, a meu ver, são as experiências e as pessoas. Foi de salutar o espírito de convívio e a troca de experiências entre os profissionais, técnicos e jornalistas da área do Turismo da Região do Algarve. Dizem que os melhores negócios ou iniciativas fecham-se à mesa,certo? Então, nada como um almoço tipicamente algarvio para saborear novas parcerias. O Almoço foi no Forte de Santo António de Beliche, perto do promontório de Sagres, do qual temos uma excelente panorama sobre um anfieteatro natural entre o azul do céu e do mar. Algarve, what else?
Papas de Xerém
O Almoço apresentava na ementa alguns dos produtos tradicionais da gastronomia algarvia, em especial, do concelho de Vila do Bispo. Sabores da Terra e do Mar. As estrelas “Michelin” eram o Pão com Azeitona e ovos verdes; as Papas de Xerém; a Estupeta de Atum; a Açorda de Borrego e grão com hortelã; Sobremesa com doces tipicos Algarvios; Vinho do Algarve (Pacha). O que dizer, depois desta tertúlia de sabores? O Algarve é “crime” a nível gastronómico. Um sabor familiar. A Estupeta de Atum relembrou-me as saladas que comi em Marrocos. Lá está, as evocações ao marcante legado imaterial islâmico.
Forte de Santo António de Beliche, situado nas proximidades do Cabo São Vicente
Farol do Cabo de São Vicente. A minha segunda estreia num Farol da Marinha Portuguesa, depois da minha aventura na Ilha da Berlenga. Somos recebidos pelo faroleiro de serviço que nos faz uma visita guiada ao quotidiano habitual de um faroleiro e pela história deste farol construído em 1834 pela rainha D.Maria II e remodelado nos finais do Século XIX e princípios do Século XX. A torre do farol tem uma altura de 28 me e o seu alcance luminoso é de 32 milhas (c. 59 km). Desde a antiguidade que o Cabo de São Vicente tem sido local de romaria, existindo a mítica Ermida do Corvo, algures em Sagres, um templo dedicado ao culto de São Vicente. Segundo documentou o geógrafo árabe Al-Idrisi, a Kanisast Al-Gurab, a “Igreja dos Corvos” encontrava-se no fim da finisterra mediterrânica. Aliás, actual Farol já foi um antigo espaço monástico (frades Jerónimos e Capuchos) que dava apoio a peregrinos.
Torre do Farol do Cabo de São Vicente (1906)
A visita terminou com um mágico pôr-do-sol no extremo mais sudoeste da Europa: o Cabo de São Vicente. É um “Sunset” poético em que muitos o descreveram na mitologia clássica greco-romana. Pude comprovar que, apesar de ser um dia de semana, estava uma autêntica romaria para um dia de sol ameno. Mas, muitos viviam a experiência através dos ecrãs dos seus aparelhos fotográficos e telefónicos. Sociedade dos Ecrãs. Vivemos o real no Digital. Infelizmente. Eu tento moderar um pouco esse conceito. Nem quero imaginar no pico do Verão, quando estiverem aqui milhares de turistas. Quem não gosta de acabar em grande o seu dia, a contemplar o fenómeno celeste?
Aspecto do Sunset em pleno Cabo de São Vicente
📌 Dia 3 – 07/12 (Quarta-feira) Silves as-Shilb (شلب)
Vista parcial da antiga medina e alcácer de Xilb
Silves ou a Xilb de Al-Mu’tamid. Atrevo-me a chamar-lhe a “Alhambra Portuguesa”,mas em formato miniatura. Trata-se da jóia da arquitectura militar da época islâmica em Portugal. Já tinha cá estado em 2008 durante a minha viagem de ferry-boat entre a Ilha da Madeira (Funchal) e Portugal Continental (Portimão). Não tinha a ideia do blogue,mas tinha o gosto pela viagem, fotografar e pelo património histórico-militar. Quem diria que iria voltar aqui, desta vez, oitos anos como blogger trip. A vida dá muitas voltas e, em muitos casos, 180º.
Museu Municipal de Arqueologia de Silves
O Museu Municipal de Arqueologia de Silves foi o resultado das escavações arqueológicas desenvolvidas ao longo do séc.XX. No centro do espaço, podemos visualizar um Poço-Cisterna da época Almóada (séculos XII-XIII), descoberto após escavações arqueológicas decorridas nos anos 80 do séc. XX . Esta hoje classificado como Monumento Nacional. É apartir dela – o ex-libris do discurso expositivo – que fazemos o percurso desta visita guiada com a Dr.ª Dr.ª Maria José Gonçalves, actualmente arqueóloga do Município de Silves. Trata-se de uma académica especializada em cidades medievais islâmicas, nos campos da arqueologia e da história. E isso denota-se no seu discurso. Levei, literalmente, uma lição de História e de Arqueologia.
Peça do Mês (Dezembro 2016) – Prato de Louça de Mesa da Época Omíada (séculos VIII-IX)
Apresenta-me, passo-a-passo, o acervo do Museu, na sua maioria proveniente das escavações arqueológicas efectuadas na cidade e concelho. O acervo reúne um conjunto de objetos desde o Paleolítico até ao período Medieval. Constato que há imensos achados arqueológicos em quantidade, mas que valem pela sua qualidade e excepção de ornamentos e pictóricos. E como Silves era a principal cidade do Gharb Al-Andalus, este museu tem no seu acervo um grande destaque para o Período Islâmico – Omíada, Califal, Taifa, Almorávida e Almóada, desde o século VIII ao século XIII, ou seja, ao período cronológico da ocupação árabe ao que hoje corresponde ao território algarvio. O visitante que percorrer este espaço museológico irá compreender a importância da cidade de Silves no período islâmico. Silves é legado mais vivo e duradouro do património islâmico em Portugal. Dai, ter-me demorado mais por esta cidade emblemática.
Interior do Castelo de Silves – ruínas de uma antiga residência apalaçada da época islâmica
Depois da visita ao espaço museológico, inserido na antiga medina de Silves, fomos visitar o antigo alcácer islâmico: o actual Castelo Silves. A sua pedra avermelhada – grés de Silves – dá outra cor e magnificência a este antigo complexo bélico. Digo actual, visto que, nas décadas de 30 e 40 do Século XX, a Direção de Monumentos Nacionais uniformizou a traça dos Castelos Medievais Portugueses, muitos deles em estado de ruína, à imagem do Castelo de Guimarães. Como Portugal fez-se da conquista de território aos Mouriscos, não interessava para o Estado Novo – regime ditatorial – manter esse legado, mas sim o papel fundador de Guimarães na construção e formação da identidade Portuguesa. O que diria Al-Mu’tamid se visse a sua amada Xilb nos dias hoje? Apesar de tudo, dedicaria-lhe um poema…do seu declínio.
Soga e Tição: método de construção omíada nas Muralhas do Alcácer de Silves
Os Muçulmanos aproveitaram muitas técnicas de construção romanas para a construção das suas muralhas defensivas, por exemplo, sob a forma de silharia de tipologia romana redisposta num padrão regular, a soga e tição. Actualmente, este é um dos poucos exemplares existentes nas muralhas de Silves que, ao longo dos séculos, foi sofrendo inúmeras alterações efectuadas pelo Homem e pelo tempo.
📌 Dia 4 – 08/12 (Quinta-feira) Tavira (Tabîra) e Cacela Velha
Vista geral do Centro Histórico de Tavira
Em árabe, Tabîra quer dizer “a escondida”. Esta cidade do Sotavento Algarvio possui muitas curiosidades e é um regalo para os nossos olhos. E porquê? Vejamos, Tavira possui a beleza do seu rio Gilão, das suas salinas, da ria formosa, as suas antigas muralhas donde podemos avistar a arquitectura urbana e os museus que contam o seu dinamismo comercial e estratégico ao longos dos tempos. A partir do Século XII, esta localidade algarvia tornou-se um dos principais centros marítimos e comerciais da costa algarvia. Havia dois factores: um porto defensável e a posição estratégica da estrada que ligava, através da ponte do rio Gilão, Sevilha a Silves. Juntamente com Xilb e Ossónoba, Tabîra era uma das mais importantes cidades do Gharb Al-Andalus. Ao percorrer o centro histórico da cidade, podemos comprovar esta importância pela dimensão do seu Castelo e, mais tarde, com as inúmeras Igrejas em diversos estilos arquitectónicos são como uma viagem pela História de Arte em Portugal.
Minarete Islâmico? Apenas a Torre Sineira da Igreja de Santa Maria Tavira
Mais do que falar sobre as raízes da História da cidade de Tavira, o Núcleo Museológico Islâmico desta cidade é um convite à descoberta do legado material e imaterial da época islâmica. Este núcleo do Museu Municipal de Tavira foi inaugurado em 2012 precisamente no local onde foi achado o famoso “Vaso de Tavira” (1996). Tem na sua exposição permanente – Tavira Islâmica – uma abordagem histórica sobre a cidade no período islâmico até à reconquista cristã. Resultou, assim, das intervenções arqueológicas efectuadas em vários locais do centro histórico da cidade como, por exemplo, o Bairro Almóada, situado no Convento da Graça.
Capitel Omíada da Exposição permanente “Tavira Islâmica”
Encontro-me com a Dr.ª Sandra Cavaco, a arqueóloga do Município de Tavira, que será a minha guia nesta viagem pela máquina do tempo.A sua linguagem é simples e directa, indo ao encontro dos meus interesses. Fala-me do passado milenar desta cidade, habitada por civlizações antigas, em virtude da sua posição estratégica (oceano atlântico) e comercial (porto de pesca e salinas). Na época islâmica, a cidade de Tabîra era uma “República” de Piratas que atacavam o comércio maritimo muçulmano ou cristão, dando guarida a gentes de má fama. Por esta razão, o poder centralizado islâmico – Almorávidas e Almóadas – por sucessivas ocasiões intentou submeter esta cidade de piratas à sua lei. Os Tavirenses só submeteram-se em 1239 à Ordem Militar de Santiago. De acordo com a Crónica da Conquista do Algarve, Tavira foi conquistada aos mouros, em Junho de 1239, por D. Paio Peres Correia, como represália pela morte de sete dos seus cavaleiros. Aqui, denotamos a importância da Ordem Militar de Santiago para a reconquista do Alentejo e do Algarve ao serviço da Coroa Portuguesa.
O Vaso de Tavira é o ex-libris deste espaço Museológico
O Vaso de Tavira é uma peça peculiar e singular a nível Mundial. É o ex-libris deste espaço museológico e da sua exposição permanente. Segundo académicos, o vaso parece representar um rapto nupcial. Apresenta no bordo onze figuras e nas paredes, linhas, retículas, peixes e outros elementos pintados a branco. Destaca-se a noiva com a face descoberta e o noivo com um turbante, ambos a cavalo; um besteiro e um cavaleiro; um tocador de tambor e de adufe; uma tartaruga e várias pombas; e o dote, constituído por um bovídeo, um caprídeo, um camelo e um ovino.Importa também destacar, a torre em Taipa Militar, os restos da muralha islâmica do século XII e o capitel em mármore branco datado da época califal omíada, originária das oficinas da Madinat al-Zahra em Córdoba.
Cacela Velha: entre o azul do céu e do mar…
Cacela Velha é…um poema de pedra construído pelo Homem. Esta pequena grande povoação costeira do Sotavento Algarvio está localizada no concelho de Vila Real de Santo António. A meu ver, esta localidade é uma bela surpresa pela sua paisagem para a ria formosa, a arquitectura tradicional das casas típicas castiças e pela sua capatez. Além disso, as ruas têm o nome de poetas que fizeram parte da nossa cultura milenar. Chego a uma constatação: começo a gostar de outro Algarve. O Al-Gharb fora dos roteiros turísticos “habitué”: o das pontas.
Casas Típicas de Cacela Velha
O Núcleo Histórico de Cacela Velha presenteia-nos com um pequeno conjunto de casas típicas do litoral algarvio. Todavia, os dois ex-libris desta pequena povoação é a sua fortaleza do Século XVI, reconstruída após o fatídico terramoto de 1755, e a Igreja com o seu portal renascentista. Na época Omíada, Qast´alla, Cacela em árabe, fora conquistada em 713 por forças califais de Abd al-Aziz ibn Musa (714-1715), o primeiro uale do Al-Andalus, isto é, um governador militar dependente do califa omíada de Damasco (661-750). Até à reconquista cristã, em 1240, a povoação ficou na jurisdição da cidade de Ossónoba (Faro) e assumiu o papel de primeiro aglomerado de carácter urbano situado a sudeste do actual território algarvio.
Aspecto geral da Igreja e Fortaleza de Cacela Velha
Uma curiosidade. Sabia que as ruas têm nomes de poetas se inspiraram nesta localidade para os seus poemas, como são os casos de Abû al-‘Abdarî, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Eugénio de Andrade? Um pormenor delicioso. Visitar Cacela Velha é conhecer um outro Algarve: o genuíno e castiço. O Algarve das Pontas. A meu ver, o casario pitoresco, a pequena aldeia, a praia, fortaleza são uma bela harmonia na paisagem. Um belo exemplo do que o Homem consegue criar. Da visita à terra natal do poeta Ibn Darraj al-Qastalli (958-1030), um dos mais influentes do califado Omíada na época do poderoso Almançor, levo na minha memória o som, ao fundo, do oceano atlântico…
📌 Dia 5 – 09/12 (Sexta-feira) Alcoutim (Algarve, Portugal) – Salúncar do Guadiana (Andaluzia, Espanha)
Alcoutim. Terra de Fronteira. O Algarve Natural. São os slogan(s) do Município de Alcoutim para promover esta singela vila nas margens do Guadiana. Tal como José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (1998), esteve nestas paragens, em 1980, no âmbito da sua Viagem a Portugal, deixo-me surpreender pela singularidade de Salúncar do Guadiana e do seu “Guerreiro de Pedra” – o Castillo de San Marcos – que domina a paisagem. Esta pequena urbe nasceu da necessidade do controlo e vigilância do transporte de bens alimentares (trigo, azeite e mel) e de minério (ouro,prata e cobre), através do rio Guadiana, pelas ocupações humanas sucessivas que a usavam na transição entre as rotas comerciais do Mediterrâneo e do Atlântico.
Vila de Alcoutim,vista do rio Guadiana
Depois de fotografar as vistas (e que vistas), dirigi-me para a experiência do slide fronteiriço agendada para a parte de manhã, com a limitezero do inglês David Jarman, radicado à treze anos nesta zona da raia luso-espanhola. Contacto com o responsável da empresa de animação turística Fun River, o Dr.José Cavaco, que me informa que o seu funcionário estava em Espanha e que me iria buscar dentro de momentos. A única ligação entre margens no rio Guadiana entre Alcoutim (Algarve) e Salúncar do Guadiana (Andaluzia) é efectuada por esta empresa. A aventura estava prestes a começar.
“El bloggeiro portugues” desafiando os seus limites a 80 km/h até Portugal
Depois de uma aventura 4×4 num Land Rover até ao local do Slide, onde avistamos a beleza de Salúncar do Guadiana. Do topo, a cerca de 180 metros, temos uma bela vista aérea sobre Alcoutim e o rio Guadiana. O que levamos deste Mundo? Experiências. Aqui, podem ver o video do Slide no YOUTUBE De facto, viajar é descobrir-nos. E,claro, soltar o nosso outro eu. No meu caso, o sentido pela aventura. Já tinha saudades de fazer “Slide”. Nem parece que vamos a 80 Km/h. Em menos de um minuto estamos em Portugal. E o Medo? Esse ficou para 2ºPlano. Razão? A paisagem arrebatadora entre Salúncar do Guadiana e Alcoutim – as duas vilas gémeas do rio Guadiana -, como afirmou José Saramago, permite viver esta experiência devagar e com tempo.
Sopa de tomate com ovos escalfados
Perguntei ao Dr.Júlio Cardoso, o técnico de turismo do Município de Alcoutim, um local típico para almoçar em Alcoutim. Estava nos meus planos almoçar no Centro Histórico de Alcoutim ou Salúncar do Guadiana. Persuadiu-me a ir almoçar à Cantarinha do Guadiana., situada na localidade de Laranjeiras do Guadiana. Não me deixei enganar pelo espaço e pela falta de multibanco. De facto, o paladar conquista-se no prato. E a Senhora Isabel Ribeiros, a singular cozinheira, proporciona verdadeiros petiscos de cozinha regional alentejana e algarvia. Adorei saborear a comida tipicamente caseira e tradicional do interior algarvio, em especial, a sopa de tomate com ovos escalfados e o ensopado de enguias. Uma delicia para os viajantes andarilhos. E para acompanhar o café, nada como um “cheirinho” algarvio: o Medronho. Safa,mas aquece!
Um local a visitar pelos níveis de ocupação humana que conserva da época islâmica
O Homem adapta-se ao meio. A cerca de um 1km para Norte da actual vila de Alcoutim, deparamo-nos com uma das melhores vistas do Algarve sobre o rio Guadiana. Do topo do castelo velho de Alcoutim – antigo Alcácer fortificado – do período Omíada (713-1031) edificado com as pedras com maior abundância na região:o xisto e o grauvaque. As suas origens remontam ao Século IX, segundo escavações arqueológicas recentes da Dr.ªHelena Catarino, e é uma das mais importantes estruturas militares islâmicas do Gharb-Al Andaluz. Como se sabe, o domínio muçulmano na Península Ibérica começa a ser ameaçado pela pressão da reconquista cristã, dai a necessidade de criar uma rede de fortificações de vigilância do território. É o caso do Castelo Velho de Alcoutim. Em virtude do seu difícil acesso (utilizado com funções de vigilância e de apoio à mineração), esta estrutura foi abandonada na época dos Almóadas e deu lugar ao actual Castelo Medieval de Alcoutim no Século XIV. A partir daqui, a população foi fixando-se junto ao leito do rio Guadiana.
No Castelo de Alcoutim, no Núcleo de Arqueologia, está exposta a maior coleção de jogos de tabuleiro, do período omíada, que se tem conhecimento a nível mundial.
Como apaixonado pelo legado material e imaterial do Al-Andalus, adorei percorrer as diversas localidades que me foram sugeridas no programa da Rota Omíada do Algarve. Pude descobrir as estórias da História de cada uma, a importância dos achados arqueológicos para a materialização das fontes documentais, e os ensinamentos em Geografia foram uma ajuda constante ao longo destes cinco dias. Para mim, esta foi uma das melhores experiências de aprendiz de historiador-fotógrafo itinerante. Estou agradecido à Dr.ªCláudia Ruivinho, coordenadora da Rota Omíada do Algarve, pela elaboração desta Blogger Trip e à Região do Turismo do Algarve, Dr.Assis Coelho, pelo acompanhamento constante para que tudo estivesse ao meu dispor durante o percurso fotográfico pela Rota Omíada do Al-Gharb. E aos técnicos dos Municípios de Silves, Tavira e Alcoutim que me acompanharam e elucidaram-me da riqueza dos seus respectivos concelhos. Muito Obrigada. Bem Hajam!
Alcoutim e Salúncar do Guadiana: “Duas vilas como irmãs gêmeas, que se vêm como o espelho uma da outra.”, referiu José Saramago em 1980.
Durante a descoberta da Rota Omíada, Abderramán I, Al-Mutamid, Al-Idrisi e,Ibn Darraj al-Qastalli, foram excelentes companheiros de viagem…interior. Shukran. Mais do que uma viagem pela história, foi uma “panóplia” de experiências pessoais e colectivas que podem ser partilhadas digitalmente,mas que devem ser vividas na primeira pessoa. É isso que convido o leitor do blogue OLIRAF a fazer: viver estas experiências. Não haverá melhor sensação do que sair da nossa “zona de conforto”? 👌
Como chegar
A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).
Onde ficar
Hotel Faro
Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, o Alentejo é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Durante o meu roteiro fotográfico pela região do Alto Alentejo, no sul de Portugal, tive a oportunidade de visitar a vila de Castelo de Vide: a “Sintra do Alentejo”, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede.
Muralhas da Vila de Castelo de Vide
Falavam-me de Marvão. Tens de ir visitar, Rafael. É um dos locais mais pitorescos de Portugal. Farto de ouvir relatos, de conhecidos e desconhecidos, decidi meter a mochila às costas e ir verificar com os meus próprios olhos. Todavia, não foi a vila fortificada de Marvão que cativou o meu olhar fotográfico. A menos de 10 km, do alto do Castelo de Marvão, deparei-me com um casario branco que reluzia no “verde” da Serra de São Mamede: Castelo de Vide. A Sintra do Alentejo.
Centro Histórico de Castelo de Vide – Estátua do monarca D.Pedro V (1837-1861)
Castelo de Vide é, para mim, um dos locais mais típicos e genuínos do nosso Portugal. O que despertou o meu interesse nesta experiência pessoal? Vejamos, a escadaria que desce pela Judiaria até à Fonte da Vila,as ruelas do Centro Histórico, o antigo burgo medieval, as inúmeras portas com arcos ogivais e a bela janela da torre de menagem do Castelo medieval. Sabia que o médico Garcia D`Orta, o legislador liberal Mouzinho da Silveira e o capitão de abril Salgueiro Maia eram naturais desta terra? De facto, uma terra com muitas estórias da nossa História.
Aspecto da Judiaria de Castelo de Vide
A arrebatadora Judiaria de Castelo de Vide. Quem diria que esta vila alentejana carrega consigo memórias vivas e simbologias da intolerância religiosa, mas também elementos da vivência da tradição judaica no quotidiano local. Com a perseguição dos Judeus de Castela (Decreto de Alhambra – 1492), muitos procuram refúgio em Castelo de Vide. Das 15 familias judias existentes nesta localidade raiana, juntaram-se cerca de cinco mil judeus até ao final do século XV. Entre eles, os pais do médico Garcia D`Orta ou de Benedito Espinosa. Mais tarde, por motivos estratégicos e políticos, o “Venturoso” opta pela conversão em massa de Judeus: os cristão-novos. Muitos Serfaditas – Judeus Ibéricos – perseguidos pela Inquisição optam por fugir para o Norte da Europa, as colónias ibéricas do Novo Mundo (América), Magrebe (Marrocos) ou Oriente. (Goa).
Fonte da Vila – um dos monumentos Ex-Libris de Castelo de Vide
Se quiser saber mais sobre o legado histórico dos judeus em Castelo de Vide, saliento a edição do passado dia 12 de junho do jornal Jerusalem Post inclui um artigo intitulado “Unspoiled Alentejo – Perfect for the art of doing anything” [trad: Alentejo não explorado – perfeito para a arte de não fazer nada”, resultado da press trip de um jornalista de Israel ao Alentejo, através da Agência de Promoção Turística do Alentejo. Mas, Castelo de Vide transporta uma herança pesada: a perseguição movida pela Inquisição aos Judeus. Tive oportunidade de visitar uma exposição sobre os instrumentos e métodos de tortura utilizados no tempo da Inquisição.
Vista panorâmica do Castelo de Vide
Ao “saborear” as ruas e vielas do Alto Alentejo, sem mapas, entramos numa viagem pelo tempo,através de antigos burgos medievais que nos alimentam a alma de viajante. E sabe sempre bem ouvir um Bom Dia ou uma Boa Tarde de um habitante local a um forasteiro que visita a sua aldeia / vila raiana Alentejana, Até parece mal educado não falar. Porque o Homem quando viaja, adapta-se ao meio. O que fica na minha memória? Os sentidos, a gastronomia, a arquitectura,o anfiteatro natural, a história, entre outras coisas mais.
Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.
Como chegar
A partir de Lisboa opte pela A12, via Ponte Vasco da Gama, e depois pela A6 até Évora (Elvas/Badajoz). Saia em Évoramonte. Siga na direção de Estremoz (N18). Se já se encontra na cidade de Estremoz (IP2) tome a direção de Portalegre/Castelo Branco. A partir da vila de Marvão opte pela N246 até Castelo de Vide.
Coordenadas GPS – 39º24’55.46″N | 7º27’20.04″O
Onde comer
Neste particular, a bochecha de porco preto do restaurante A Confraria, próximo do Centro Histórico de Castelo de Vide, é uma excelente opção para degustar e petiscar a gastronomia da região do Alto Alentejo. A meu ver, com uma boa relação de preço/qualidade. Aqui podemos realizar provas de produtos regionais, provar os maravilhosos gelados confeccionados à taça e, se ainda não tiver satisfeito, os deliciosos crepes confeccionados com produtos regionais.
Restaurante “A Confraria”
Morada:
Rua de Santa Maria de Baixo, n.º 10
7320-137 Castelo de Vide
Telemóvel: 916 603 652 N.º de lugares: 26 c/ esplanada
Onde ficar
Estação ferroviária de Beirã/Marvão
Largo da Alfândega,
7330-012 Beirã
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes.
Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
No Dia Europeu do Enoturismo, este ano celebrado a 13 de novembro,deixo a minha visita-guiada à Quinta da Aveleda. Com este artigo, pretendo dar a conhecer a marca e a história de uma quinta singular, de uma região vínica e, a meu ver, um dos melhores locais de enoturismo em Portugal.
A Quinta da Aveleda é, sem dúvida, uma quinta rústica que nos recebe com o seu encanto. E,claro, com o seu vinho. Para muitos amantes de Baco, o vinho da Aveleda encontra-se entre os melhores vinhos verdes de Portugal e do Mundo. O Blogue Oliraf Fotografia foi gentilmente convidado a visitar a Quinta da Aveleda com a seguinte frase: “Se a sua objectiva o levar até Penafiel, teríamos o maior prazer em o receber na Quinta da Aveleda.” E porque não arriscar uma nova experiência por uma Quinta que integra a Rota dos Vinhos Verdes? O Enoturismo. Quem não arrisca, não petisca com um Aveleda.
Entre os concelhos de Paredes e de Penafiel, a cerca de 30 km do grande Porto, encontramos uma antiga casa do século XVII, construída pela aristocracia rural local: a Familia Guedes. A Quinta da Aveleda deixou de ser uma quinta de veraneio e, no século XIX, foi totalmente remodelada e adaptada para o fabrico de vinhos, preservando a essência do seu jardim, da casa senhorial e a sua identidade original..Para além do vinho verde, a Quinta da Aveleda também é conhecida pelos jardins (em estilo Inglês),pelo seu património histórico-cultural, pelas compotas e queijos que fazem as delícias dos seus visitantes.
Aveleda é um nome de um vinho conceituado da região vínica do Norte do País. A Região dos Vinhos Verdes. Todavia, a maioria das pessoas conhece o seu sabor, mas não a quinta que lhe dá forma: a Quinta da Aveleda. De facto, esta singular quinta é gerida pela mesma família (Família Guedes) à cinco gerações, sendo que os primeiros registos de venda de vinho engarrafado datam da 2ªmetade do Século XIX (1870). Tudo começou pela iniciativa pessoal e vocação empreendedora de Manuel Pedro Guedes (1837-1899), considerado o fundador do negócio vinícola tal como o conhecemos hoje. Desde esses tempos, as gerações vindouras souberam preservar a qualidade e a reputação da produção de vinho, espumantes, queijos e outros produtos da marca Avelelda. Hoje em dia, estes produtos têm sido sinónimos de sucesso a nível nacional e internacional
À descoberta dos jardins da Quinta da Aveleda: Tínhamos à nossa espera a guia Renata Figueiredo, que nos mostrou os cantos mais simbólicos e encantos daquele lugar singular, num belo dia de Primavera. Explicou-me, passo-a-passo, os principais pontos de interesse do jardim botânico, das casas de campo e a importância histórica da Quinta. A meu ver, o que mais me impressionou foram a quantidade de espécies botânicas existentes no jardim e a importância social e de lazer que estes tiveram na história local e nacional.
Muitos ilutres e notáveis portugueses, escolheram esta quinta para veraneio, para passar as suas férias, rendendo-se aos encantos e cantos singulares da Aveleda. Sabia que o príncipe herdeiro, filho de D.Carlos I, D. Luís Filipe de Bragança, e o seu aio, Mouzinho de Albuquerque (o herói de Chaimite) almoçaram, em Outubro de 1901, numa das mesas existentes do jardim botânico? Este pormenor histórico, a meu ver, deu mais sabor à minha visita guiada.
Além do seu importante património botânico, a Quinta da Aveleda é também conhecida pelo seu património histórico, nomeadamente a Janela Manuelina do séc. XVI, a Fonte das 4 Irmãs, a Torre das Cabras e pela Fonte de Nossa Senhora da Vandoma. Realçava a Janela Manuelina que, segundo a tradição popular, onde o primeiro rei de Portugal, da Dinastia dos Bragança, D. João IV, terá sido aclamado. Mais tarde, esta foi oferecida a Manuel Pedro Guedes da Silva da Fonseca, que a colocou nos jardins da Quinta da Aveleda.
Após a visita ao jardim e parques da Aveleda, dirija-se à Adega Velha para provar uma aguardente de vinho verde saboreando com um Chocolate a História deste afamado vinho secular. A partir daqui, dirija-se ao edificio da prova de vinhos e contemple as extensas vinhas e a paisagem que a rodeia. Aqui percebemos a razão de os vinhos da Aveleda ao longo dos séculos serem reconhecidos a nível nacional e internacional pela sua qualidade. Este reconhecimento do trabalho do fundador da Aveleda foi premiado com medalhas de ouro arrebatadas nos concursos internacionais de Berlim (1888) e Paris (1889).
Mais recentemente, e durante três consecutivos, a marca Aveleda colocou um dos seus vinhos – o vinho verde Quinta da Aveleda – no TOP 3 do TOP 100 Best Buys da prestigiada revista norte americana Wine Enthusiast . Além dos seus premiados vinhos, a Quinta da Aveleda foi galardoada em 2011 com o prémio internacional Best of Wine Tourism na categoria de «Arquitectura, Parques e Jardins» e os Certificados de Excelência 2015 e 2016 pelo TripAdvisor. E basta um breve ou demorada passeio pela património botânico e histórico para perceber a razão destas nomeações e prémios. A qualidade, o trabalho e a perfeição está nos pequenos detalhes do seu património edificado e genealógico ao longo de mais de 300 anos.
Agora, percebo a inspiração familiar para produzir admiráveis vinhos verdes que fazem “inveja” ao Deus do Vinho, Baco. A marca Aveleda (Vinho Verde, Douro, Quinta da Aveleda, Alvarinho,Reserva da Família Bairrada, Reserva da Família Alvarinho);Casal Garcia; Charamba ; Aveleda Follies e a Adega Velha. Mas, o vinho é apenas mais um produto da Quinta da Aveleda. Os seus queijos de cabra e vaca – Penafidelis – são uma combinação perfeita para “petiscar” com um Aveleda. E as compotas…
No final da minha visita à Quinta da Aveleda, tive oportunidade de visitar a Aveleda Shop é possível encontrar todos os produtos produzidos na Quinta como vinhos, espumantes, aguardentes, queijos da marca Penafidelis e compotas. Além disso, o cliente tem disponível cabazes, caixas e outras embalagens que pode juntar aos produtos “made in Aveleda”, outros produtos regionais, como o artesanato.
Em síntese, a Quinta da Aveleda representa uma elevada importância na valorização da região do Vinho Verde e dos recursos endógenos, assente na divulgação do enoturismo como estratégia económica e cultural desta região, rica em património edificado e natural. É exemplo a Rota do Românico surpreendeu-me pelo imenso património histórico cultural e pela variedade paisagística que nos oferece. A meu ver esta região Norte de Portugal ainda tem mais encanto por três razões: boa gente, boa comida e bom vinho.
O projecto de enoturismo da Quinta da Aveleda pretende antes de mais mostrar a história familiar, da produção do vinho e da vasta região do Vinho Verde. Para além disso, a marca Aveleda é parceira de diversos agentes económicos e culturais na divulgação do património histórico da Rota do Românico, do Concelho de Penafiel e da região dos Vinhos Verdes, como produto (s) de excelência e a todos os que gostam de apreciar a natureza e saborear um bom vinho. De facto, o enoturismo é cada vez mais apreciado pelo público em Portugal e um pouco por todo o mundo.
Aproveite este fim-de-semana para conhecer o encantador jardim, as paisagens naturais e o património edificado que dão forma à Quinta da Aveleda!
Como chegar
Se pretender ir do Porto para Penafiel (Quinta da Aveleda), deverá seguir pela A4 sentido Vila Real/Valongo até à saida Penafiel Sul/Entre-os-Rios. Após passar a portagem, deverá virar no sentido de Paredes. Virar novamente na primeira à direita a cerca de 300m (Placa Aveleda), prossiga eem frente, cerca de 1 km, até encontrar a entrada da Quinta à sua esquerda.
Onde comer
Nas proximidades da Quinta da Aveleda, no concelho de Penafiel, Winebar Casa da Viúva é um espaço que combina arquitectura rústica da Aldeia de Quintadona com uma elegante decoração. Aqui podemos provar um bom vinho da região e petiscar umas belas tapas. Na Quinta da Aveleda, o visitante poderá fazer uma prova de vinhos ou uma marcar uma refeição para saborear os produtos made in Aveleda?
Coordenadas GPS: Lat: 41º 12′ 27.51” N | Long: 8º 18′ 29.28” O
Horários para as visitas guiadas:
Março a Outubro – Segunda a Domingo: 10h00, 11h30, 15h00, 16h30.
Novembro a Fevereiro – Segunda a Sábado: 10h00, 11h30, 14h30, 16h00
Domingo: encerrado
Tempo de Visita: 60 minutos Atende em: Português, Inglês, Francês, Espanhol, Alemão
Todos os serviços, nomeadamente as visitas guiadas, estão sujeitos a marcação prévia.
Nota importante
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes.
Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
À “boleia” da minha nomeação para os BTL Blogger Travel Awards 2016, tive a oportunidade de visitar o Centro Histórico da Cidade de Amarante, durante o meu roteiro pela Rota do Românico. Esta foi a minha primeira experiência na planificação de um roteiro por Portugal de vários dias,onde tive oportunidade de visitar diversas experiências fundadas pela História, citando o “slogan” turístico da Rota do Românico. Entre o Porto e Vila Real, esta cidade nortenha causa uma forte impressão a qualquer aprendiz de viajante e fotógrafo andarilho. Por momentos, dá-nos a sensação que estamos numa cidade de montanha do Centro ou Norte da Europa. Amarante é uma pequena grande surpresa. Surpreendeu-me.
Trata-se de uma cidade onde a magnificência do granito não intimida, antes convida a um passeio pelo centro histórico. Atravessa-se a pé pela belíssima ponte granítica de São Gonçalo, padroeiro da cidade, com mais de 200 anos, sobre o rio Tâmega. Esta ponte reconstruída no reinado de D.Maria I, finalizada em 1791, em conjunto com a Igreja e o Convento de São Gonçalo, é o “ex-libris” da cidade amarantina. Tive a oportunidade de visitar o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso (a entrada custa 1 €) e admirar algumas suas obras modernistas. Infelizmente, uma parte da coleção estava na Exposição na Galeria do Grand Palais em Paris. Aproveite a visita ao Centro Histórico para conhecer os inúmeros cafés, esplanadas e confeitarias que servem os célebres doces conventuais amarantinos, como os foguetes, as lérias e as brisas.
São Gonçalo de Amarante, padroeiro do município, fundou este espaço conventual no decorrer da Idade Média. Encontra-se no centro Histórico da cidade. No interior, podemos encontrar a figura do Santo Padroeiro Amarantino. Em 1540, o monarca D.João III (1521-1557) e a sua mulher D. Catarina mandaram reformular o grande Mosteiro, transformando-o num convento dominicano em honra do padroeiro da cidade: São Gonçalo. Segundo a Lenda, o padroeiro concede as meninas, diz o povo, um pretendente se tocarem na figura do santo. Importa referir que as festas em honra deste Santo Casamenteiro ocorrem duas vezes por ano: a 10 de Janeiro data do seu falecimento e no primeiro fim de semana de Junho.
Nesta cidade descobrirá diversas raízes românicas, medievais, maneiristas, barrocas e modernistas. A história da cidade cruza-se com a de Portugal, nomeadamente durante as invasões francesas (1807-1812) ao Norte de Portugal. Os seus monumentos e as suas tradições reflectem a verdadeira encruzilhada religiosa.
A actual ponte de São Gonçalo é datada do Século XVIII, substituindo a anterior ponte fortificada da época medieval que fora substituída durante as cheias do rio Tâmega. Como o espaço conventual da Igreja, está associada à figura e à lenda do Santo Padroeiro da cidade: remover enormes pedras, fazer brotar água das pedras e convocar os peixes para alimentar os trabalhadores.
No Contexto das Guerras Napoleónicas, em especial da Guerra Peninsular (1807-1814), a Defesa da Ponte de Amarante foi um dos episódios mais marcantes da IIªInvasão do Grande Armée de Napoleão Bonaparte, comandando, desta vez, pelo General Soult. As forças francesas lutaram com os milicianos, ordenanças e voluntários civis das forças do Brigadeiro Silveira, entre 18 de Abril a 2 de Maio de 1809, pela posse desta ponte estratégica que ligava a região do Douro ao Minho (Régua-Guimarães) e da região de Trás-os-Montes (Porto-Vila Real-Chaves). Tratou-se de uma vitória estratégica dos Portugueses em retirada para Trás-os-Montes,apesar da vitória dos Franceses.
No Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso (MMASC) podemos (re)viver a sua obra artística e biográfica deste pintor modernista singular. Em menos de uma década, este jovem amarantino produziu uma obra pictórica que lhe veio a garantir um lugar na História da Arte Moderna. Ao lado dos melhores do seu tempo: Picasso e Van Gogh. Amadeo de Souza-Cardoso (ASC), sem sombra de dúvidas, teve uma carreira fulgurante em tão pouco tempo. Infelizmente, aos 30 anos, faleceu com a doença pneumónica ou Gripe Espanhola, em Manhufe, a sua terra natal.
De uma forma geral, esta visita à cidade de Amarante, durante o roteiro pela Rota do Românico, onde está inserida, despertou-me pela sua importância histórica durante as lutas entre forças luso-portuguesas e tropas napoleónicas na primeira década do século XIX, da sua beleza paisagística e pela monumentalidade do seu património edificado. Como tiveram oportunidade de visualizar, os ex-libris desta cidade da região Norte são a Igreja e Convento de São Gonçalo, a Ponte Barroca e o Museu Municipal de Arte Contemporânea, com obras do artista Amadeu Souza Cardoso.
Viaje,mas devagar. E Aventure-se na região Norte de Portugal, em especial, pela da Rota do Românico!
Como chegar
A ligação aérea mais próxima é o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto. No meu caso, optei por realizar um viagem low-cost entre as cidades do Porto e Lisboa e, de seguida, aluguei uma viatura num empresa de rent-a-car.
Se já se encontra na cidade do Porto tome a direção de Amarante/Vila Real, pela autoestrada A4. Amarante fica apenas a 40 minutos, cerca de 60 km. Poderá sair em duas saídas, devidamente assinaladas: Amarante-Oeste e Amarante-Este. No meu caso, optei pela última.Se quiser optar por uma via sem portagens, pode fazê-lo pela EN15, cerca de 70 km.
A cidade de Amarante é servida por uma Estação Rodoviária, Os operadores são: Rodonorte, Valpi, Transdev e Internorte. Se a escolha for o comboio, toma-se a Linha do Douro (a partir de S. Bento ou Campanhã) até à Livração. A partir daqui, a ligação a Amarante é feita por automóvel.
Onde comer:
Nas proximidades da Casa Valxisto, no concelho de Penafiel, optei pelo Winebar Casa da Viúva é um espaço que combina arquitectura rústica da Aldeia de Quintadona com uma elegante decoração. Aqui podemos provar um bom vinho da região e petiscar umas belas tapas.
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
📝 Viajar em Espanha é cada vez mais sinónimo de visitar duas cidades: Madrid ou Barcelona. É um “crime” ainda não termos visitado estas fascinantes cidades espanholas, dizem-me alguns amigos. Basta, abrir uma página web, uma imagem ou um guia de viagens para perceber a importância de não termos caído em tentação. Eu não gosto de ir aos locais turísticos ditos “obrigatórios”. Ainda não me sinto preparado e não tenho a mencionada “pressão de ir”. De facto, pela minha experiência académica, profissional e pessoal, o Reino de Espanha tem dezenas de cidades e vilas que são merecedoras de uma visita sem pressa e para apreciar o que as rodeia. Alburquerque foi a primeira incursão em terra de “nuestros hermanos”.
Porquê a escolha da (des)conhecida vila de Alburquerque?
São muitos, e todos eles merecedores de atenção, os “Castillos” existentes ao longo da fronteira luso-espanhola, bem como em todo o Reino de Espanha. Há centenas deles. Isto se acrescentarmos também as fortalezas que entretanto se fundiram no seio da arquitectura militar medieval, nomeadamente Ciudad Rodrigo, Badajoz, entre outras.
Panorâmica da Vila de Alburquerque, vista do castelo.
De Lisboa a Albuquerque são cerca de 270 quilómetros. De Marvão, cerca de 70 km. A vila de Alburquerque está entre a cidade de Badajoz e a vila de Valência de Alcântara, bem no centro da antiga província romana da Lusitânia, na actual comunidade autónoma espanhola da Extremadura. Não vem nos roteiros turísticos ou guias de viagem tradicionais, como a cidade de Badajoz, mas não precisava de tal distinção para merecer uma visita. É aqui que encontramos um dos mais imponentes – e bem preservados – “Castillos” da região e de toda Espanha (segundo o guia que nos fez a visita guiada gratuita ao recinto), mas a riqueza não é apenas histórica e arquitectónica,mas também paisagística. Dentro do seu pequeno, mas acolhedor, centro histórico e do recinto muralhado começamos logo por descobrir histórias, pedras e símbolos familiares, de origem portuguesa.
Centro Histórico de Alburquerque
Após uma transição serena da planície alentejana e da Serra de São Mamede, deparo-me ao longo do meu roteiro solitário pelo Alto Alentejo com a sinalética da estradas. Indica-nos que já estamos em Espanha. Nesta aventura de aprendiz de historiador, fotógrafo e viajante andarilho, citando Orlando Ribeiro, apercebo-me que a paisagem, a ocupação humana e a gastronomia é a mesma. Só a língua não. As pitorescas vilas de La Codosera e Valência de Alcântara prende-me o olhar, todavia não me despertam a minha curiosidade fotográfica. Talvez, porque não era esse o objectivo desta incursão à tierra de nuestros hermanos. Alburquerque era o objectivo.
Calle do Centro Histórico de Alburquerque
Aventurei-me por esta vila histórica da raia luso-espanhola, com quase seis mil habitantes (2014), localizada nas proximidades da Sierra de San Pedro. Sem recurso a mapas da vila, uma vez que o Posto do Turismo estava fechado (a famosa siesta de nuestros hermanos), aproveitei para “mergulhar” em pleno coração medieval da Vila de Alburquerque, onde, no alto de um monte rochoso, ergue-se o imponente Castillo de Luna. A vida quotidiana, nestas pitorescas vilas, apesar de ficar tão perto da nossa fronteira é completamente diferente do que se vive em Portugal. Durante o percurso pedonal no centro histórico e nos arrabaldes da vila, apercebo-me da importância histórico-militar desta localidade fronteiriça. De facto, o Castillo de Luna revela a razão da sua existência: praça fortificada para as constantes guerras, querelas politicas e escaramuças travadas ao longo da História entre o Reino de Portugal e de Castela e Leão (posteriormente Reino de Espanha).
Castillo de Luna
Um pouco de História…
O Castelo Medieval de Alburquerque foi erguido entre os séculos XIII e XV, tomando a denominação de Castillo de Luna, em virtude de Álvaro de Luna, Mestre da Ordem Militar de Santiago e Condestável do Reino de Castela e Leão, ter residido uma parte da sua vida neste “guerreiro de pedra”. Esta localidade está próxima da fronteira de Portugal, entre Valencia de Alcántara e Badajoz, sendo um aliciante local de poder bélico e estratégico ao longo da história. Em 1166, Fernando II de Castela e Leão concede-o à Ordem de Santiago. Em 1184, as forças muçulmanas recuperam o Castelo. Todavia, em 1217, a localidade e o castelo voltavam, de vez, para as mãos dos cristãos.
Escudo de Armas do Senhor de Alburquerque
Durante a visita ao interior do Castelo de Alburquerque (Castillo de Luna) deparei-me com a razão da sua importância estratégica: “vigilante” da fronteira luso-espanhola. Nunca pensei que tivesse tanta presença lusitana nestas pedras. Vejamos, D. Afonso de Sanches, filho bastardo de D.Dinis foi o primeiro Senhor deste Castelo (andava chateado com o maninho D.Afonso IV). Inês de Castro esteve aqui, enquanto D.Pedro I estava em Ouguela. Em 1580, Alburquerque teve um papel crucial na conquista de Portugal, visto que uma parte do grosso das forças terrestres de Filipe II de Espanha invadiu Portugal por estas latittudes. Durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1701-1714), a praça-forte era uma ambição antiga da Coroa Portuguesa e uma das localidades raianas da Extremadura Espanhola e Galiza – Albuquerque, Badajoz, Baiona, La Guardia, Tui, Valença de Alcântara e Vigor – reivindicadas por D. Pedro II para aderir à causa do arquiduque Carlos da Áustria, futuro Carlos III, contra o duque de Anjou, futuro Felipe V de Bourbon. Entre 1705 e 1715, esta praça-fortificada esteve nas mãos das tropas portugueses, sendo devolvida a Espanha, com o Tratado de Utrecht (11713-715)Ainda hoje, à entrada do Castelo, podemos ver os baluartes em estilo Vauban feito pela guarnição e engenheiros militares portugueses. Mais tarde, durante a Guerra de Independência Espanhola (1808-1814), foi saqueado pelo temido Grande Armeé de Napoleão Bonaparte, após a defesa heróica da população local. Com a “fratricida”Guerra Civil Espanhola, este Monumento Nacional (1924) foi parcialmente destruído e recuperado anos mais tarde. De facto, o Castillo de Alburquerque é um conjunto de pedras com muitas estórias da História…
A Torre de Menagem é datada do século XV (1445), mandada construir por Álvaro de Luna, Mestre da Ordem Militar de Santiago.
Este “Castillo” vale pela paisagem que domina e pelo seu interior. Na minha opinião, um dos mais belos e bem conservados castelos de “Nuestros Hermanos”. Sim,porque, os Espanhóis não brincam em serviço quando se trata de proteger e promover o seu património histórico-cultural. Recomendo a visita ao interior da Torre de Menagem, a vista panorâmica para Portugal (Campo Maior e Marvão) e as animações turísticas para os jovens “guerreiros”, organizados por um grupo de jovens locais.
Testemunhos e pequenas testemunhas de uma longa História Secular. Marca e marcos da nossa memória e identidade. Portugal e Espanha são duas faces diferentes de uma mesma moeda: a Península Ibérica, citando uma obra de José Saramago “A Jangada de Pedra“. Em breve irei disponibilizar mais roteiros, artigos, dicas e fotografias de viagem no Reino de Espanha. Para já podem “deliciar-se” com as da pitoresca vila fronteiriça de Alburquerque.
NÃO PERCA AS MINHAS AVENTURAS E OLHARES FOTOGRÁFICOS NO INSTAGRAM! UM ENCONTRO COM A HISTÓRIA, AO SABOR DAS IMAGENS…
✈ Como chegar:
Estremoz-Albuquerque-Marvão
Se já se encontra na cidade de Estremoz (IP2) tome a direção de Arronches/Monforte, pela N369, até à fronteira de Espanha (Aldeia da Esperança); Em Espanha opte pela estrada BAV-5004 em direção a La Codosera e depois pela BA-008 e EX-110 que vai dar a Albuquerque. De Albuquerque a Valencia de Alcântara seguir pela EX-110. De Valencia Alcântara até Marvão seguir pela N-521 e, em Portugal, por N246-1 e depois virar para a N359 (Beirã/Marvão).
🍜 Onde comer:
Neste particular, a minha recomendação vai para o restaurante El Fogon de Santa Maria, situado entre o Castillo de Luna e da Igreja de Santa Maria do Castillo, em pleno coração medieval da vila de Alburquerque. O gazpacho é uma excelente escolha para dias quentes. Já a sobremesa…divinal. Para além da paisagem e do património, a gastronomia da extremadura espanhola conquistou-me pelo paladar.
🏠 Onde ficar:
Um exemplo de recuperação do património edificado ferroviário: Train Spot Guesthouse (Beira).
A Train Spot Guesthouse é uma unidade de Turismo em Espaço Rural, localizada na aldeia da Beirã (Marvão), no concelho do Alto Alentejo. Trata-se de um bom exemplo da recuperação do património edificado ferroviário do séc. XIX. A antiga estação ferroviária de Marvão/Beirã era a “porta de saída” para a Espanha (Ramal de Cáceres). Classificada cmo imóvel de interesse público, ainda hoje, esta antiga estação da Linha do Leste conta com fantásticos azulejos que ilustram as mais belas cenas quotidianas, património monumental e as tradições da região do Alentejo e de Portugal Pernoite aqui, envolvido pela exuberante fauna e flora do Parque Natural da Sera de S.Mamede, e faça a sugestiva experiência aventureira de percorrer uma antigo ramal ferroviário, entre as estações de Marvão-Beirã e Castelo de Vide, entregue ao tempo, com aRail Bike Marvão.
Estação ferroviária de Beirã/Marvão, Largo da Alfândega 7330-012 Beirã – Marvão
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎
À descoberta dos Castelos do Alto Alentejo e da Linha do Tejo: 4 dias e 3 noites pela região do Alentejo.
Castelo de Montemor-o-novo
Novo Roteiro, nova viagem. Confesso que já tomei o gosto de programar uma pequena viagem para um fim de semana prolongado. Se estava a pensar em ficar em casa, mudei de ideias. De facto, sugestões de “escapadinhas” turístico-militares não faltam em Portugal. O património natural e edificado estão em destaque nesta aventura de quatro dias pelo Alentejo, aproveitando o fim-de-semana prolongado de 10 a 13 de Junho, durante a qual realizei uma reportagem fotográfica para o blogue OLIRAF.
Rua Direita em Estremoz
O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, o Alentejo é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Nesta reportagem fotográfica sobre a região do Alto Alentejo, no sul de Portugal, destacamos as “bonitas” vilas de Évora-Monte, Castelo de Vide, Marvão e Belver, os “tesouros naturais ” como a Serra de São Mamede/Rio Tejo e, principalmente, a gastronomia alentejana.
Ruínas do Palácio dos Alcaides em Montemor-o-Novo
Um elemento diferenciador na paisagem – o castelo: «Presentes de norte a sul do território português, os castelos e as cinturas de muralhas que serviram um dia para proteger vilas e cidades são, ainda hoje, testemunhos vivos de um dos períodos mais fascinantes e ricos da História de Portugal», como afirma o Historiador Miguel Gomes Martins no seu recente livro “Guerreiros de Pedra“. Trata-se de uma obra fundamental para a compreensão histórica e da arquitectura militar na Idade Medieval Portuguesa, dando-nos a conhecer o quotidiano, os pormenores militares e acontecimentos mais marcantes que desempenharam na História de Portugal.
Castelo de Arraiolos
Viajar na ignorância do passado histórico de um país ou de uma região deixa-nos impotentes de entender o «porquê» de qualquer facto ou gentes. Por exemplo, a importância do património edificado, neste caso, os castelos, que contam a História de um país ou de um povo. Portugal, de facto, guarda grandes e pequenos tesouros que nos fascinam pela sua arquitectura, monumentalidade e paisagem.
Vila de Arronches (Portalegre)
Em Portugal, o final do séc. XIII e princípio do séc. XIV foram marcados pelo Reinado de D. Dinis (1279-1325), caracterizada pela afirmação do poder régio e pela definição dos limites fronteira luso-castelhana, rectificada com o tratado de Alcanizes (1297). Trata-se da fronteira política mais antiga e estável do continente Europeu. Ao viajarmos pela raia portuguesa, verificamos a forte presença e cunho deste monarca lusitano. Com sentido de Estado excecional, um politico nato,D. Dinis promoveu o repovoamento das terras, da construção de muralhas e castelos, construção de uma marinha e do ensino universitário.
Sabem uma coisa? Nada como sair do quotidiano agitado de uma grande cidade. Deixar a rotina de um trabalhador-comum à frente do computador, pegar na máquina fotográfica, no mapa, no telemóvel e ir para o terreno. Ir fazer o trabalho de “campo” como costumo dizer. Para mim,o lugar de um fotógrafo é lá fora. Melhor ainda se o roteiro fotográfico implicar uma agenda ligada ao património histórico-cultural. Deixo-vos alguns dos locais que visitei neste roteiro fotográfico pelo Alentejo…
Évora-Monte
Castelo de Évoramonte
Évora Monte é uma bonita vila alentejana do concelho de Estremoz, situada na vasta planície do Alentejo Central, erguendo-se noo cimo de uma colina com mais de 400 metros de altitude na parte mais ocidental da Serra d’Ossa. O Castelo e as muralhas foram mandadas construir por D. Dinis, em 1306, contando com quatro portas principais: a Porta do Sol, a Porta do Freixo virada a poente e as Portas de S. Brás e de S. Sebastião, e que recebem o seu nome das ermidas dedicadas aos mesmos santos, situadas no exterior do Castelo. No Século XVI, com o objectivo de preparar o castelo para a arquitectura pirobalistica, as muralhas foram acrescentadas “torreões-canhoeiras” em locais estratégicos para a sua defesa.
Paço de Évoramonte
O célebre Paço fortificado (apesar do seu aspecto bélico, era apenas usado para jornadas de caça) com quatro torreões cilíndricos definindo um perímetro quadrangular, de eminente gosto italianizante, e decorado nos panos com nós pétreos, que lhe conferem particular carga simbólica. a meu ver, a lembrar a velha máxima da Casa de Bragança: Depois de vós, nós. Esta campanha palaciana foi dirigida por Francisco de Arruda em 1531, já com um longo currículo ao serviço da Casa Real Portuguesa, a mando de D.Teodósio. De facto, este paço é uma construção sem precedentes em Portugal e na arquitectura militar do Século XVI, sendo demonstrativo do poderio da Casa de Bragança, pela sua localização, grandeza e visibilidade a muitos quilómetros de distância.
Assinale-se ainda um facto da História de Portugal a que se encontra ligada a vila: no n.º41 da Rua da Convenção foi assinada, em 26 de Maio de 1834, a célebre Convenção de Évoramonte, documento que consagrou o fim da fratricida Guerra Civil Portuguesa (1832-1834), entre partidários do Absolutismo e do Liberalismo. Na assinatura do documento estiveram os generais-duques de Saldanha e da Terceira, pelo lado de D.Pedro IV, e de João António de Azevedo e Lemos por D.Miguel.
As ruas no interior do centro histórico de Évoramonte guardam a essência da época medieval, de tranquilidade e da tradição alentejana. Dentro das suas muralhas, reina a calma e a paz, bem como o seu paço, um dos raros castelos portugueses que alia características únicas: pelo conjunto arquitectónico que enquadra, pela excelência da paisagem que dele se pode desfrutar, mas também pela sua importância histórica.
Aspecto parcial de Évoramonte, vista do paço.
Podemos observar a vasta paisagem da planície Alentejana, do topo do Torreão, que emoldura esta pequena povoação histórica amuralhada do Alentejo Central. Se vai pela A6, em direção a Elvas/Badajoz, faça um desvio no seu itinerário de viagem e aproveite para visitar Évora-Monte. Não se vai arrepender. Palavra de Escuteiro (se não é adepto da velha máxima “uma imagem vale mil palavras”).
Vila de Alburquerque (Badajoz, Extremadura Espanhola)
Fronteira Luso-Espanhola
Passeando pelas cidades e vilas da região da Extremadura Espanhola (La Codosera ou Valência de Alcântara), fui descobrir uma vila que me impressionou pelo seu Castillo. Alburquerque, próximo de Badajoz, tem um património histórico-militar impressionante pela sua magnitude e importância, em virtude das constantes guerras e escaramuças travadas ao longo da História entre o Reino de Portugal e de Castela (posteriormente Reino de Espanha). A vida quotidiana, nestas pitorescas vilas, apesar de ficar tão perto da nossa fronteira é completamente diferente da que se vive em Portugal.
Castillo de Alburquerque
O Castelo de Alburquerque (Castillo de Luna) é um dos castelos mais bem conservados de todo o Reino de Espanha. Contém uma História riquíssima sobre a importância estratégica do controlo das fronteiras na zona raia espanhola-portuguesa. Recomendo a visita ao interior da Torre de Menagem, a vista para Portugal e as animações turísticas no seu interior. E não se paga.
Aspecto de uma Rua típica de Alburquerque
Wow…B-R-U-T-A-L! Foram as palavras quando deparei-me com este “Guerreirão de Pedra”. Nunca pensei que tivesse tanta História Lusitana nestas pedras. Vejamos, D. Afonso de Sanches, filho bastardo de D.Dinis foi o primeiro Senhor deste Castelo (andava chateado com o maninho D.Afonso IV). Inês de Castro esteve aqui, enquanto D.Pedro I estava em Ouguela. Mais tarde, durante quase dez anos foi uma praça-forte portuguesa durante a Guerra de Sucessão Espanhola (entre 1705-1715), só devolvida com o Tratado de Utrecht.
Vila de Alburquerque, vista parcial.
Este “Castillo” vale pela paisagem que domina e pelo seu interior. Na minha opinião, um dos mais belos e bem conservados castelos de “Nuestros Hermanos”. Sim,porque, os Espanhóis não brincam em serviço quando se trata de proteger e promover o seu património histórico-cultural.
Centro Histórico
Tive oportunidade de visitar este restaurante espanhol de cozinha de autor durante a minha visita ao Castillo de Luna. Recomendaram-me. E não fiquei desiludido. Tem uma boa relação custo/qualidade. Ideal para almoçar durante uma escapadinha a Espanha, antes de ir para Marvão. Saliento o Gazpacho de Tomate. Gastronomia Simples e elaborada que agrada ao paladar e é um “regalo” para os olhos. Por umas horas fui um súbdito português de Felipe VI de Bourbon, Rei de Espanha.
Fronteira de Marvão-Espanha (Porto Roque)
Bairro Residencial de Porto Roque
Na fronteira de Galegos, porta de entrada para quem vem do Reino de Espanha, existiu um importante polo residencial do concelho de Marvão: o bairro de Porto Roque. Inaugurado em 1972, era constituído por 20 fogos e 16 edifícios com uma área coberta de 3450m2, em 20 hectares de terreno. Com a abolição das fronteiras, em 1993, e com a introdução do espaço Schengen foram desativados os serviços da Guarda Fiscal que funcionavam na fronteira de Galegos, tendo sido todo o património edificado entregue ao tempo, com poucas casas ocupadas e edifícios em avançado estado de degradação.
Marvão
Vila-fortificada de Marvão
Pitoresca vila-fortaleza, situada em pleno interior da Serra de São Mamede, reflete a adaptação do Homem ao meio ambiente durante milénios. A meu ver, Marvão conquista de imediato quem a vê, no alto de um cabeço montanhoso, desde a estrada da fronteira de Porto Roque. É uma sentinela da fronteira, um belo exemplo da arquitectura-militar portuguesa.
Castelo de Marvão
Um amante da História vê o Castelo de Marvão e a paisagem da Serra de São Mamede como testemunha do passado das lutas fronteiriças entre o Reino de Portugal e Castela (mais tarde, Reino de Espanha), sendo que a Guerra da Restauração (1640-1668) foi o zénite da importância bélica desta praça-fortificada. Mais tarde, os confrontos resumiram-se a ocupações pontuais de exércitos estrangeiros, como são exemplos, a Guerra de Sucessão Espanhola (1705-1715) e as Invasões Francesas (1807-1811).
Vila de Marvão,vista Torre de Menagem
O Homem adapta-se ao meio. Aqui, em Marvão, a máxima da Geografia reflete a adaptação do ser humano à paisagem dominada pelo xisto,granito e quartzito em algo que combina o útil ao agradável, um cenário que é um regalo aos olhos e que, ao mesmo tempo, nos dá um dos produtos gastronómicos mais apreciados pelos alentejanos : o porco preto. Ao contrário do litoral desenvolvido e povoado, no Alto Alentejo temos um interior despovoado, e tantas vezes esquecido. Todavia, a importância histórico-militar de Marvão parece fazer esquecer esse distanciamento, através do potencial turístico difícil de igualar.
Rua de Marvão
Há um segredo bem guardado, perto da Vila de Marvão: TRAIN SPOT GUESTHOUSE Deixe-se capturar pela história e beleza da antiga estação de comboios de Marvão-Beirã . Garantimos que só se vai perder de encantos, pela História do Ramal de Cáceres e pela arquitectura industrial desta estação fronteiriça desactivada, que deu lugar a um projecto de alojamento local. É, seguramente, uma viagem pela História.
Castelo de Vide
Falavam-me de Marvão. Tens de ir visitar, Rafael. É um dos locais mais pitorescos de Portugal. Farto de ouvir relatos, de conhecidos e desconhecidos, decidi meter a mochila às costas e ir verificar com os meus próprios olhos. Todavia, não foi a vila fortificada de Marvão que cativou meu olhar fotográfico. A menos de 10 km, do alto do Castelo de Marvão, deparei-me com um casario branco que reluzia na Serra de São Mamede: Castelo de Vide. A Sintra do Alentejo.
Estátua de D.Pedro V
Castelo de Vide é, para mim, um dos locais mais típicos e genuínos do nosso Portugal. O que despertou o meu interesse nesta experiência pessoal? Vejamos, a escadaria que desce pela Judiaria até à Fonte da Vila,as ruelas do Centro Histórico, o antigo burgo medieval e a bela janela da torre de menagem do Castelo medieval.
O que fica na minha memória? Os sentidos, a gastronomia, a arquitectura ,o anfiteatro natural, a história, entre outras coisas mais. Mas, Castelo de Vide transporta uma herança pesada: a perseguição movida pela Inquisição aos Judeus. Tive oportunidade de visitar uma exposição sobre os instrumentos e métodos de tortura utilizados no tempo da Inquisição.
Centro Histórico de Castelo de Vide, vista da Torre de Menagem
Ao “saborear” as ruas e vielas do Alto Alentejo, sem mapas, entramos numa viagem pelo tempo,através de antigos burgos medievais que nos alimentam a alma de viajante. E sabe sempre bem ouvir um Bom Dia ou uma Boa Tarde de um habitante local a um forasteiro que visita a sua aldeia / vila raiana Alentejana, Até parece mal educado não falar. Porque o Homem quando viaja, adapta-se ao meio.
Fonte da Vila
Se quiser saber mais sobre o legado histórico dos judeus em Castelo de Vide, saliento a edição do passado dia 12 de junho do jornal Jerusalem Post inclui um artigo intitulado “Unspoiled Alentejo – Perfect for the art of doing anything” [trad: Alentejo não explorado – perfeito para a arte de não fazer nada”, resultado da press trip de um jornalista de Israel ao Alentejo, através da Agência de Promoção Turística do Alentejo.
Belver
Aspecto Geral do Castelo e da Torre de Menagem de Belver
Belver. Uma motivação antiga. Há muito tempo que “cogitava” para visitar esta aldeia, com quase mil habitantes (censos 2001), e o seu “guerreiro de pedra”.que domina a paisagem em redor. Para mim, esta “Sentinela do Tejo” é um dos mais belos castelos medievais de Portugal. Não tanto pela sua arquitectura militar, de planta circular, com capela no interior, mas pela sua envolvente paisagística. Pela localização estratégica,num altaneiro morro sobranceiro ao Tejo, este Castelo foi o primeiro a ser construído no séc. XII pela Ordem do Hospital, reinava D. Sancho I. O seu objectivo era prevenir novas incursões muçulmanas a norte do Tejo, quando este rio era a fronteira entre duas civilizações: a cristã e a muçulmana.
Panorama do Vale do Tejo,vista da Torre de Menagem do Castelo de Belver.
Para além da visita ao Castelo de Belver, recomendo uma visita ao Museu do Sabão, nas proximidades do centro da aldeia. O projecto museológico está numa antiga Escola Primária do Estado Novo recuperada do abandono, no qual através de uma experiência interactiva – física e visual, podemos fazer uma viagem pelo tempo sobre este produto de primeira necessidade, bem como da memória colectiva dos Saboeiros de Belver.
Museu do Sabão (Belver)
A poucos quilómetros da aldeia de Belver, tive a oportunidade conhecer o Alamal, localizado no concelho de Gavião, no Alto Alentejo, com a sua praia fluvial pitoresca e com uma envolvente paisagística do Rio Tejo/Castelo de Belver ímpar. Mais tarde, fiquei a dormir no Alamal River Club. Trata-se de uma unidade de alojamento local (ex-Inatel), recentemente recuperada por um jovem casal, a Catarina e o Henrique. Destaco a qualidade do projecto turístico, situado numa área com enormes potencialidades dos amantes do turismo ligado a actividades de natureza, cultura e desportos náuticos .
Quinta do Alamal, onde se insere o Alamal River Club
Um dos ex-libris da Praia do Alamal, para além da excelente praia fluvial, são os passeios de barco no Tejo organizados pelo Carlos do Bar/Restaurante da Praia do Alamal. Recomendo um passeio para contemplar as belas paisagens do Vale do Tejo. No meu caso particular,optei por realizar um passeio, em ritmo de treino, de canoagem (6€/hora).
Praia Fluvial do Alamal
O melhor do Alentejo não está no GPS…
Castelo da Amieira do Tejo
A Região do Alentejo, neste caso, o Alto Alentejo, é um destino turístico de excelência em Portugal continetal: a Serra de São Mamede, o Castelo de Marvão, Belver ou o centro histórico de Castelo de Vide, por exemplo. Os lugares que descrevo neste roteiro de viagem ao Alto Alentejo são os muitos pontos altos do percurso que fiz pelas estradas desta região. Mas o melhor mesmo do Alentejo são as suas paisagens monótomas, o património histórico-militar, as suas gentes e a sua gastronomia intocada pelos alentejanos que sabem que têm aí a sua maior riqueza.
Convido-vos a irem lá, constatar o quanto são cativantes estes locais de que já sabíamos a existência. Mas, acima de tudo, aproveitem para explorar um território obscuro que existe em cada um de nós. O espírito de viajante. Viagem,por favor! Recorro a uma frase da obra O Principezinho para explicar a essência desta mini-descoberta pelo Alto Alentejo: este roteiro foi fruto de muito trabalho. Foi uma busca feita com fé, com o coração e um trabalho feito com paixão. “Só com o coração se pode ver bem. O essencial é invisível aos olhos”.
Miradouro do Castelo de Almourol (N118)
Informações
Orçamento para estes dois dias: aproximadamente 200 euros por pessoa (para despesas de refeições, gasolina e entradas nos monumentos).
Mês escolhido: Junho.
Preço médio da refeição: Se for em restaurante, com entrada, prato, copo de vinho e sobremesa, pagam aproximadamente 20 euros por pessoa.
Horários Monumentos: das 10h às 12h30 min e das 14h às 17h (Encerram às segundas-feiras, às terças-feiras da parte da tarde, no último fim-de-semana de cada mês e nos feriados de 1 Janeiro, Domingo de Páscoa, 1.ºde Maio e 25 de Dezembro. Custo (2 €).
Como ir…
Para visitar Belver pode ir de Comboio (CP-Regional), desde o Entroncamento.
Lisboa-Estremoz
A partir de Lisboa opte pela A12, via Ponte Vasco da Gama, e depois pela A6 até Évora (Elvas/Badajoz). Saia em Évoramonte. Siga na direção de Estremoz (N18).
Estremoz-Albuquerque-Marvão
Se já se encontra na cidade de Estremoz (IP2) tome a direção de Arronches/Monforte, pela N369, até à fronteira de Espanha (Aldeia da Esperança)
Em Espanha opte pela estrada BAV-5004 em direção a La Codosera e depois pela BA-008 e EX-110 que vai dar a Albuquerque.
De Albuquerque a Valencia de Alcântara seguir pela EX-110. De Valencia Alcântara até Marvão seguir pela N-521 e, em Portugal, por N246-1 e depois virar para a N359 (Beirã/Marvão)
Marvão-Castelo de Vide – Gavião
A partir da vila de Marvão opte pela N246 até Castelo de Vide. Depois continue pelo IP2 até Gavião-Belver. Saia em Gavião (EN118). Alamal River Club (N244) – Barragem de Belver.
Belver – Gavião
Se pretender ir de Gavião para Belver ou Mação, deverá seguir pela EN118 até Alvega, seguir pela EN358 de Alvega até Mouriscas e pela EN3 de Mouriscas até Mação e prosseguir até Belver e inverso.
Onde ficar:
No que toca ao alojamento, optei pelo D.Dinis Low Cost Hostel, em Estremoz, o GuestHouse Train Spot, em Marvão (Beirã), e o Alamal River Club, em Gavião, localizado próximo de Belver. Os dos últimos,a meu ver, são os ideias para quem gostar do conceito de viajar com tempo e com calma (Turismo de Natureza, Lazer e Cultural). De referir que os alojamentos contam com serviço pequeno almoço, à excepção do D.Dinis Low Cost Hostel.
Onde Comer:
Neste particular, a bochecha de porco preto do restaurante A Confraria, em Castelo de Vide, o gazpacho do restaurante El Fogon de Santa Maria, em Alburquerque (Espanha) e as migas do restaurante Sabores de Marvão, na aldeia da Beirã-Marvão, contam-se entre os petiscos e sugestões durante uma visita ao Alto Alentejo – uma região que não nos convence apenas pela paisagem,mas também pelo paladar.
Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.
Nota importante
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes.
Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia