📌À descoberta do Castelo de Torres Vedras…

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Nas minhas aventuras pelo Oeste  sempre tive a curiosidade sobre a importância e o papel desta fortificação militar na História Local, Nacional e Europeia. Ora, decide-me, de uma vez por todas, visitar o Castelo de Torres Vedras. Aqui a História de Portugal cruzou-se com a História Local…Vamos entrar?

O Castelo de Torres Vedras fica situado na cidade, e sede de concelho, de Torres Vedras, no Distrito de Lisboa. Encontra-se envolvido pela malha urbana e por arborização, erguendo-se numa posição dominantes sobre a cidade que lhe dá nome.

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Ao longo da História, os Castelos e cercas medievais foram importantes e imponentes locais de refúgio, de defesa e de local de residência. Situados nas próprias povoações, em montes ermos ou no alto de colinas/penhascos, sempre o Homem os concebeu em articulação com o espaço físico envolvente.

Panorama Cidade Torres Vedras A partir do Castelo de Torres Vedras verifica-se a presença de elementos com valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. Deste património histórico podemos salientar a sua importância nos diversos acontecimentos relevantes da História de Portugal, tais como, no contexto da Guerra Civil de (1383-1385), nas Invasões Napoleónicas (1807-1811) e, finalmente, nas Guerras Liberais da 1ªMetade do Séc. XIX.
Construído numa colina, cujo sopé corre o leito do rio Sizandro, ergue-se o Castelo de Torres Vedras. Há diversas razões históricas, monumentais, naturais e paisagísticas que fazem desta edificação militar um conjunto patrimonial impar de visita imprescindível. Do seu topo, é possível visualizar uma excelente paisagem sobre o meio que nos envolve. Panorama CasteloTVD A ocupação humana da colina, onde está actualmente o Castelo de Torres Vedras remonta, segundo fontes históricas, ao III milénio a.C, beneficiando das notáveis condições naturais de defesa (colina) e de abastecimento (rio). Mais tarde, os Romanos e os Árabes reforçaram o complexo militar edificado, neste caso, as muralhas e a Alcáçova do Castelo, deixando inúmeros vestígios da sua presença ancestral. Do Castelo Medieval restam apenas os vestígios arquitectónicos da Igreja de Santa Maria do Castelo[1] e a cerca oval, que foi reforçada por ordem de D.Manuel I (1495-1521), comprovada pela porta de armas com a esfera armilar. Portugal-1-30HDR

Durante o Século XVI, o complexo do interior do Castelo foi renovado com a construção do Palácio dos Alcaides (1519) pelo alcaide-mor D.João Soares de Alarcão. Para a construção da mesma, foi destruída a torre de menagem de origem medieval.


Situada no interior do Castelo de Torres Vedras, a Igreja de Santa Maria do Castelo é uma das antigas quatro matrizes da Cidade de Torres Vedras. Segundo fontes históricas, a construção desta edificação religiosa deverá remontar à 2ªmetade do Século XII, pouco tempo da tomada do Castelo aos Mouros, em 1148, por D.Afonso Henriques. É provável que tenha sido erguida sobre algum templo islâmico, ai existente durante o período de ocupação árabe. Portugal-1-26 O Castelo de Torres Vedras esteve envolvido em inúmeras datas e acontecimentos de enorme importância no decurso da História de Portugal. Por exemplo, no contexto da Guerra Civil de 1383-1385, o Castelo esteve cercado durante dois meses pelo Mestre de Avis, futuro D. João I, pois estava sob o domínio dos partidários de Castela. Mais tarde, em 1414, o Conselho Régio do monarca D.João I decidiu tomar a praça do Norte de Africa (Ceuta). Assim, a cidade de Torres Vedras encontra-se intimamente ligada ao inicio da expansão portuguesa.
No contexto das Invasões Francesas (1807-1811) integrou a 1ªlinha das denominadas Linhas de Torres Vedras (reduto n.º27 do 1ºDistrito). Portugal, e neste caso, a cidade de Torres Vedras  foram transformadas num campo de Batalha para as «superpotências da época»: a França e a Inglaterra. Em virtude do Bloqueio Continental, Portugal foi usado pelo Império Britânico como testa de ponte para iniciar a derrota de Napoleão Bonaparte, uma espécie de Dia D. Como consequência, Portugal foi saqueado e sujeito a uma politica de terra queimada. Portugal-1-27

Em Dezembro de 1846, no contexto da Guerra Civil da Patuleia (1846-1847), a cidade de Torres Vedras foi palco de uma sangrenta batalha entre as forças governamentais  sob o comando do Duque de Saldanha e as forças da Junta do Porto, os patuleias, do Conde do Bonfim. De seguida, o Castelo foi utilizado como quartel das tropas sob o comando do Conde de Bonfim, depois de terem sido expulsas do Forte de São Vicente, tendo sido bombardeado, a partir do Varatojo, pelas forças do Marechal Saldanha, sendo que nessa altura o paiol de pólvora explodiu, o que resultou na sua rendição e, como consequência, na destruição do Palácio dos Alcaides.

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A Fotografia, de facto, tem valor documental, a partir do momento que ilustra um determinado acontecimento, facto ou objecto. Permitiu às pessoas obterem consciência do seu próprio pais ou região, através da visualização de gentes, paisagens e monumentos. Valorizou o sentimento patriota e nacionalista. Digamos, uma ideia romântica do património. Tenho um grande apreço pela técnica e arte fotográfica. Como aprendiz de Clio, a musa da História, gosto de registar e documentar visualmente o património militar e religioso edificado no território português. Um dos meus objectivos , é registar «todos os castelos de Portugal».

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🏄Região Oeste (Torres Vedras): 20 km de costa atlântica para desfrutar

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Nestas férias de Verão, fiquei um mês a fotografar numa das mais belas regiões de Portugal Continental: a Estremadura ou região Oeste. Qual o resultado? O resultado é um mosaico riquíssimo de beleza e variedade paisagística, natural e cultural. Siga-me nesta aventura passo a passo, onde poderá visualizar os meus «spots» favoritos e saber um pouco da História dos Locais, através das minhas imagens.

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Panorama da Vila de Santa Cruz, Miradouro do do Alto da Vela, Freguesia da Silveira, Concelho de Torres Vedras, 2014. All Works @ Rafael Oliveira (OLIRAF)

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A Região do Oeste presenteia-nos com paisagens únicas que combinam entre si o oceano atlântico, os rios, os campos de cultivo, os vinhedos, os montes e vales. O seu litoral atlântico é banhado, em toda a sua extensão, pelo Oceano Atlântico, formando um conjunto extenso de areais, intercalados por uma orla costeira com falésias vivas de imponente beleza.

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Santa Cruz, pertence à freguesia da Silveira, concelho de Torres Vedras, é uma pitoresca vila com uma grande densidade populacional durante os meses de verão, devido à fama das suas praias. Segundo o Município de Torres Vedras, o concelho “conta com 22 praias, muitas com uma vasta extensão de areal para desfrutar em segurança. Com 10 zonas balneares distinguidas, este é o concelho do país com mais praias “Zero Poluição”, além de 12 praias “Qualidade de Ouro” e 12 praias que irão hastear a Bandeira Azul. Praias, concessionários, restaurantes e hotéis estão prontos para o receber. Em Torres Vedras, há muito para descobrir com saúde, segurança e sustentabilidade.”

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Na minha opinião, qualquer que seja a opção escolhida para uma «escapadinha» de veraneio em Portugal. Santa cruz é uma boa opção, principalmente, nos meses de Julho e Agosto, onde podemos aproveitar para descontrair, para contemplar inúmeros locais de interesse patrimonial e natural e, claro, apreciar os belos areais que nos fazem perder a vista. No Fundo, respire a natureza e bom passeio!

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Praia Azul, Torres Vedras

Torres Vedras, e a região Oeste, continua a ser uma referência nacional, e até internacional, em termos de turismo balnear de qualidade. Ao todo, os turistas e viajantes podem desfrutar de 20 km de costa atlântica. Em virtude dos seus extensos areais e praias, tais como, a Praia Azul, Formosa, Fisica, Mirante, Pisão, Santa Helena e Santa Rita são exemplos de referência na região oeste, enquanto símbolos de qualidade e distinção das mesmas. De referir, que as mesmas são anualmente distinguidas pela qualidade de água e dos acessos, onde são exemplo as inúmeras bandeiras Praia-Azul. De Salientar, que a vila de Santa Cruz oferece excelentes condições para a prática de desportos de mar, o que é comprovada pela organização de um Festival Internacional de Desportos de Ondas: o Santa Cruz Ocean Spirit.

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📷 Roteiro Fotográfico pelas fortificações de origem portuguesa em Marrocos…

Salaam alaikum…

No contexto da 5ª visita de estudo ao Reino de Marrocos, organizada pelo Departamento de Geografia e Planeamento Regional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tive a oportunidade de conhecer, estudar e fotografar inúmeros locais de Marrocos.

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Panorâmica da Fortaleza de Mazagão

Foram, no total, nove dias de viagem com 3270 km de autocarro que me permitiu partir em busca da essência de África, das suas gentes, paisagens, da sua cultura, experiências e memórias de um pais africano com uma extensão territorial quase cinco vezes superior à de Portugal e com 30 milhões de Habitantes. Todavia, o percurso pelo litoral atlântico de Marrocos permitiu-me contactar com alguns lugares com vestígios da arquitectura militar de origem portuguesa, nomeadamente, Essaouira, Safi, El Jadida e Asilah.. De facto, esta viagem permitiu-me elucidar que Portugal e Marrocos partilham legados culturais e interesses comuns. Aliás, a nossa História cruzou-se por várias vezes com este continente…Somos Países Vizinhos!

Após mais de 600 km de estrada entre Lisboa e Algeciras, pelo meio a travessia do Estreito de Gibraltar, cheguei a Marrocos (Tânger). Em linha recta, capital mais próxima do Reino de Marrocos (Rabat) é Lisboa. Marrocos é um pais com mais de 446 mil Km2 de área, com 2500 km de costa atlântica de extensão e 300 km de costa Mediterrânica. Na minha opinião, descobrir este Reino é quase como reviver memórias de outros tempos, uma espécie de regresso a casa.

A ver pela sua História, Marrocos e Portugal partilham em comum uma herança civilizacional e cultural que sempre me fascinou, apesar das diferenças religiosas. Tal como nas moedas, coexistem duas faces distintas mas com um elo inseparável entre si.

O Norte de África, em especial Marrocos, à época chamava-se Reino de Fez (Merínidas), foi a primeira tentação de um Portugal sedento de afirmação internacional e em busca de grandeza, após Aljubarrota. A presença portuguesa em Marrocos durou mais de trezentos anos (1415-1769). Como se sabe, aventura dos Descobrimentos Portugueses iniciou-se a 14 de Agosto de 1415, quando uma armada de 200 navios, 50 mil homens, um rei D.João I (e três príncipes, D.Duarte, D.Pedro e D.Henrique) tomaram a cidade portuária de Ceuta.

Ao longo do litoral norte africano – mediterrâneo e atlântico -, os portugueses conquistaram e construíram inúmeras fortificações. São exemplos, Ceuta (1415-1668), Alcácer-Ceguer (1458-1550), Tânger (1471-1662), Arzila (1471-1550; 1577-1589),Safim (1488-1541), Aguz (1506-1525),Mogador (1506-1526), Azamor (1513-1541), Santa Cruz do Cabo de Guê (1505-1541) e Mazagão (1506-1769).

A maioria das fortificações construídas pelos portugueses foi no período de conquistas lusitanas no litoral norte-africano (séc. XV e XVI). Segundo o Historiador Rafael Moreira, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Marrocos durante a 1ªMetade do Século XVI era um campo de experimentação das inovações, ensaios e soluções da arquitectura militar fora do continente europeu.

As fortalezas portuguesas existentes no Norte de África, ao longo da costa atlântica de Marrocos, atestam o plano da Dinastia de Avis de as tornar praças de guerra. Desde a conquista de Ceuta (1415) até ao Desastre de Mamora (1515), o palco principal das ambições e decisões políticas da monarquia portuguesa é o Norte de África. De facto, as possessões portuguesas em Marrocos eram praças de guerra. As suas muralhas conservadas até hoje, algumas em ruinas, atestam a sua solidez e as ambições do Venturoso era tornar a costa marroquina numa couraça de praças-fortes que ia desgastando os adversários e o obrigariam a render-se.

O objectivo das autoridades portuguesas ao longo dos séculos que estiveram presentes em Marrocos eram as questões bélicas, ideológicas, politicas e comerciais. O controlo dos principais portos marroquinos, tendo em vista, a neutralização da pirataria – defesa das embarcações do Império Português -, a realização de actividades comerciais com as autoridades locais (cavalos, tecidos, arroz,etc), a necessidade de um território para manter a nobreza ocupada longe de querelas internas e externas e, finalmente, a promoção da Guerra Santa contra os Infiéis para afirmação da Dinastia de Avis junto do Papado. De referir, que a Nobreza Portuguesa considerava Marrocos vital para o prestigio e reputação pela força das armas, sendo essencial a sua manutenção sob égide das forças portuguesas.

O fim do ciclo português em Marrocos ocorreu com o abandono do último bastião fortificado: a praça-forte de Mazagão em 1769. Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.

Actualmente, este património militar está em óptimo estado de conservação e manutenção graças ao apoio das autoridades marroquinas e fundações privadas portuguesas, por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian.

Ao longo desta aventura em Marrocos, acompanha-me um profundo conhecimento do legado lusitano nestas paragens. Aqui penso que foi aqui que Portugal construiu e iniciou a sua epopeia além-mar, sentindo um pouco da nossa alma ligada às pedras, aos baluartes, as muralhas, as ruas que foram levantadas com tanto esforço e orgulho, à custa de sangue lusitano!

📌Fortaleza de Arzila (1471-1550; 1577-1589)

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A Fortaleza de Arzila constitui um belo exemplar da fortificação manuelina. Fica situada num pitoresco porto de mar, entre Larache e Tânger, no Garbe Marroquino. O Baluarte de São Francisco (em primeiro plano) e Baluarte da Pata de Aranha, ao fundo, destinavam-se a bater com fogo cruzado o ancoradouro do melhor porto do litoral marroquino até Mazagão.

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A Torre de Menagem de Arzila é uma típica estrutura feudal. Foi erguida, em 1509, pelo arquitecto-mor do Reino, Diogo Boytac, durante o intervalo à frente do Mosteiro dos Jerónimos. Segundo a tradição, terá sido nesta torre que terá pernoitado o rei D.Sebastião antes da fatídica Batalha de Alcácer-Quibir.

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📌Fortaleza de Safim (1488-1541)

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Situada no Marrocos Atlântico, entre Essaouira e El Jadida, Safim (Safi) foi um importante porto atlântico durante a 1ªmetade do Século XVI para o projecto imperial  marroquino da Coroa Portuguesa. Desde 1491, que os Portugueses mantinham uma pequena feitoria fortificada para as transacções comerciais com os habitantes locais e tribos berberes. Também era um importante centro produtor de alambéis (tapetes coloridos) que eram essenciais nas trocas comerciais com as tribos africanos da região da Fortaleza de São Jorge da Mina (no actual Gana).

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Em virtude da necessidade de defesa da mesma, em 1516, a Coroa ordenou a construção de uma fortificação, de origem manuelina, o conhecido Castelo do Mar. Foi recentemente restaurado pelo Serviço dos Monumentos Históricos de Marrocos, fazendo jus a uma das fortificações manuelinas mais grandiosas e mais bem conservadas do continente africano. De referir, que o Nuno Fernandes de Ataíde, capitão desta praça africana entre 1510 a 1516, ficou com a alcunha do «Nunca está Quedo», em virtude de ter sido um homem de acção – irrequieto e voluntarista – durante as constantes surtidas na região.

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O perímetro amuralhado desta cidade do litoral marroquino é de origem manuelina, sendo erguidas em 1511 pelo arquitecto Diogo de Arruda. Tive oportunidade de constatar a sua vastidão, grandeza e estado impecável de conservação. De Salientar, que a Torre de Menagem de Arzila e o Castelo do Mar de Safim são as únicas estruturas arquitectónicas de traça medieval que subsistem no continente africano construídas pelos portugueses.

📌Castelo de Aguz (1506-1525)

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O Castelo de Aguz (Souira Kedima) foi construído em 1519 na foz do rio Tensift, a 35 km a sul da cidade de Safi. Era uma base de apoio táctico ao porto atlântico e fortaleza de Safi. Encontramos semelhanças, na sua arquitetura militar, no castelo roqueiro de Vila Viçosa e as ruinas do antigo Palácio dos Alcaides de Torres Vedras, com um pátio central e torreões ultra-circulares nos ângulos. Trata-se de um exemplar da fortificação costeira manuelina simplificada.

📌Antiga Mogador (1506-1526)

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A cidade portuária de Essaouira, situada entre Safi e El Jadida, foi no Século XVI uma antiga possessão portuguesa denominada de Mogador (1506-1526). O Castelo de Mogador, construído em 1506, por Diogo de Azambuja, já não existe. Esta fortificação, segundo fontes, durante o curto período nas mãos lusitanas, era dependente das provisões com origem na Ilha da Madeira, nomeadamente, o vinho, azeite, trigo ou madeira.

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Se visitarmos a medina, as muralhas e o porto da «cidade do vento» podemos constatar a antiga presença lusitana, apesar das actuais fortificações, de origem marroquina, terem sido construídas durante o Século XVIII por ordem do sultão alauita Bem Abbala, quando pretendeu fazer deste local um importante porto exportador do ouro trazido pelas caravanas atravessavam o Saara desde Tombuctu (Mali).

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📌Fortaleza Mazagão (1506-1769)

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A Cidade-fortaleza de Mazagão, oficialmente fundada como vila a 1 de Agosto de 1541, apesar da existência de uma pequena fortaleza construída pelo arquitecto Diogo de Arruda, em 1514, actual Cisterna Portuguesa, como ponto de apoio a Azamor. Mais tarde, em 1541, João de Castilho adaptaria para uma cisterna e celeiros. Foi desenhada pelo engenheiro italiano Benedetto da Ravenna, em conjunto com Miguel de Arruda e Diogo de Torralva. De referir, que a construção desta fortificação marca o inicio da adaptação das novas formas de combate no Magrebe – construções com baluartes de traça italiana -, em virtude pela utilização da artilharia por parte das forças islâmicas. A partir da 2ª Metade do Século XVI dá-se a adaptação das velhas fortificações de cariz medieval para esta nova arquitectura militar.

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 O seu porto de acesso fácil e a traça abaluartada das muralhas, em alguns pontos com mais de dez metros de espessura, tornavam-na numa inexpugnável. Mais tarde, seria abandonada por Portugal, em 1769, por decisão do «valido» do Rei D.José I, o então Marquês de Pombal. Actualmente, a Cité Portugaise de El-Jadida está restaurada, como se comprova pelas fotos da minha autoria. A enorme extensão do perímetro muralhado da antiga Mazagão mostram a tradição da arquitectura militar italiana e da importância do estilo renascentista durante o Reinado de D.João III (1521-1557). De Salientar que o Baluarte de São Sebastião, lado do mar, mostra a escala grandiosa da fortificação.

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A famosa cisterna da antiga Mazagão é uma das atracções turísticas de Marrocos. Foi construída sob a direcção de João de Castilho em estilo renascentista sobre o pátio de armas do antigo Castelo de origem Manuelina. O catalisador da construção desta imponente fortificação militar foram os constantes raides e conquistadas dos xarifes do Sul de Marrocos, equipados com moderna tecnologia pirobalística e com conselheiros militares europeus (mercenários italianos/germânicos). Mazagão era, assim, uma alternativa viável ao abandono das possessões costeiras fortificadas de Santa Cruz do Cabo Gué (Agadir), Safim e Azamor. A concentração de meios humanos, materiais e bélicos numa única praça permitia uma melhor resistência aos constantes e numerosos assédios das forças sob o signo de Alá.

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Em 1769, a cidade-fortaleza de Mazagão foi abandonada pela Coroa Portuguesa. Em virtude deste abandono, a Coroa ordenou que os seus habitantes – nobreza local, soldados, etc – fossem para Lisboa. Aqui chegados, foram reenviados para uma nova missão: a fundação de uma Nova Mazagão, na fronteira Norte do Brasil, no actual estado de Amapá. Era o fim de mais de três séculos de presença portuguesa em Marrocos (1415-1769), em virtude de as possessões norte-africanas serem um sorvedouro de recursos humanos, monetários e bélicos, sem qualquer retorno (à excepção das questões ideológicas, Guerra Santa).

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A antiga fortificação de Mazagão constitui – hoje uma importante atracção turística de Marrocos – um dos melhores exemplos conservados da arquitectura militar do Renascimento fora do Continente Europeu, que resistiu ao teste do tempo e da própria acção humana. De Salientar, que as fortificações portuguesas de Mazagão foram inscritas na lista do Património da Humanidade pela UNESCO em 2004 e, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O litoral atlântico de Marrocos oferece-nos uma grande variedade de grandes e pequenas fortificações costeiras com grande impacto visual e plástico, como em nenhum outro lugar. Nas mesmas, podemos encontrar o estilo de fortificar de Diogo de Arruda e dos seus familiares.

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Em Conclusão, uma visita ao Norte de África  – Marrocos – não é para um português um mero passeio como qualquer outro.  É uma espécie de regresso a casa. Para quem possua alguns conhecimentos de Geografia e História e tenha o sentido do valor dos passado lusitano, visitar o actual Reino de Marrocos é ir a um dos nossos lugares predilectos, ir afervorar o amor pátrio e retemperar a alma, como afirma Urbano Rodrigues (RODRIGUES, 1935). De facto, diante de património edificado pelos nossos antepassados  em diversas cidades costeiras como Asilah, Tânger, Essaouira, Safi, El Jadida, podemos sentir bem o que fomos e o que podemos ainda ser…

BIBLIOGRAFIA

Carita, Rui, “A arquitectura abaluartada de origem portuguesa”, in Relações luso-marroquinas 230 anos, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, nº 17-18, Lisboa, Instituto Camões, Novembro 2004, pp. 135-138, 143-145.

Correia, Jorge, “Mazagão: A última praça Portuguesa no Norte de África”, in Revista de História da Arte, Lisboa, IHA – FCSH-UNL, nº 4 , 2007, pp. 185-209.

Dias Farinha, António,  “Os Portugueses em Marrocos”, Instituto Camões, Colecção Lazúli, 1999,pp.3-103.

LOPES, David – A Expansão em Marrocos, Colecção Cabo a Cabo, Lisboa: Teorema /O Jornal, 1989.

Moreira, Rafael, “Arquitectura militar do Renascimento”, in História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Dir. Rafael Moreira, Lisboa, Pub. Alfa S.A., 1989, pp. 150-157.

RODRIGUES, Urbano – Passeio a Marrocos, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.

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📓Ensaio sobre o conceito de paisagem…

Pequeno artigo sobre o conceito de Paisagem. Como sabem, a  Paisagem é uma das temáticas que gosto de abordar nas minhas fotografias dos locais por onde tenho oportunidade de estar e passar.

Porquê a Fotografia de Paisagem? Na Paisagem fascina-me a beleza da diversidade da paisagem natural e urbana , mas também o modo como as populações locais interagiram, e interagem, com o seu meio físico ao longos dos tempos. Através, da Fotografia  procuro uma maior transversalidade temporal (Histórica) e Geográfica possíveis. Por um lado, a Fotografia, enquanto objecto documental, permite regista um espaço num tempo cronológico definido que é o nosso. Através da Fotografia, procuro captar a essência e sentidos dos objectos fotografados, o espírito do lugar, tendo como objectivo final, a sua representação e alertar para uma consciência da preservação ambiental e patrimonial do território.

Serra de Sintra

A Paisagem é o elemento-chave para a compreensão e análise do território na sua dimensão física, perceptual e cultural. De facto, a paisagem é uma comunicação lógica entre o espaço físico e a ocupação humana, onde a primeira influencia a segunda e esta a molda a primeira, tornando perceptível uma perspectiva ideográfica da Geografia. Segundo Orlando Ribeiro (2001), toda a «paisagem está organizada e é a trama das regiões concebidas como áreas de extensão de determinada paisagem, que constitui o objectivo último das investigações devidamente conduzidas pelos Geógrafos.» O espaço natural e os modos de vida sempre foram uma constante na História da Ciência Geográfica. Por exemplo, os conceitos e métodos da tradição possibilista vidaliana, dão à paisagem uma importância para a compreensão da relação entre o espaço físico e o homem (CLAVAL, 2006, p.91).

Panorama do Castelo Alcácer do Sal

A paisagem surgiu no seio da língua germânica, Landschaft, e foi traduzida para inúmeras línguas, o que deu origem a inúmeras concepções sobre o sentido da mesma (SALGUEIRO,2001). Deste modo, a generalização do termo paisagem ocorre durante o século XVIII, através da ruptura com a visão religiosa medieval. Antes da Modernidade, a observação e a apreciação da paisagem era realizada através de quadros de grandes pintores dos Países Baixos, por exemplo, Rubens. Aliás, Teresa Alves (2001), afirma que o termo paisagem era o culminar da representação do produto final de uma pintura num dado acontecimento enquadrado numa determinada realidade geográfica e não para designar um facto geográfico. De facto, a pintura da paisagem foi essencial para a compreensão, descrição e observação da natureza, valorizando o espaço, isto é, o território (SALGUEIRO,2001). Também é de referir que o interesse pela paisagem foi estimulado pelas viagens marítimas e terrestres realizadas por inúmeros aventureiros e navegadores pelo Mundo, afirma Jorge Gaspar (2001).

Paisagem da Madeira

 Os estudos sobre o conceito sobre a paisagem, desde os primórdios da Geografia, sempre foram focados na descrição das características morfológicas dos vários elementos que constituem a superfície terrestre, incorporando progressivamente elementos da transformação das sociedades no ambiente ao longo dos tempos. O Estudo da paisagem foi essencialmente realizado através da observação. Contudo, para uma análise mais rigorosa e científica, houve a necessidade da explicação do conjunto – território – com recurso a outro saberes científicos como a história, a economia ou a política.

Pescadores do Rio Tejo

Dentro da Geografia, o conceito de paisagem foi sofrendo rupturas epistemológicas ao longo dos tempos, conforme a percepção e evolução do próprio objecto de estudo da própria Geografia. Assim, a paisagem é, por natureza, o objecto de estudo da Geografia desde a sua «fundação» como disciplina científica. Para tal, importa salientar os contributos de dois geógrafos alemães, Alexander von Humbolt (1769-1859) e Carl Ritter (1779-1859), para a preocupação em encontrar uma explicação científica para os factos observados pelos geógrafos, ausentes da geografia tradicional praticada até ai (CLAVAL, 2006). Note-se que o conceito de paisagem era fundamental para os geógrafos possibilistas do início do século XX, pois impedia a divisão entre a geografia física e geografia humana. No fundo, o objecto de estudo da Geografia era a análise da paisagem, o que dava um objecto diferente de outras disciplinas científicas.

Panorâmica do Ksar Ait Benhaddou (Ouzazarte), Oásis do Sul, Berberian lands, Marrocos © Oliraf Fotografia 2013

 

BIBLIOGRAFIA

ALVES, Teresa – Paisagem: em busca do lugar perdido. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 67-74. Lisboa, 2001.

CLAVAL, Paul, História da Geografia, Lisboa: Edições 70, 2006.

GASPAR, Jorge – O retorno da paisagem à Geografia. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 83-99. Lisboa, 2001.

RIBEIRO, Orlando – Paisagens, Regiões e Organização do Espaço, Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 27-35. Lisboa, 2001.

RIBEIRO, Orlando – Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, Lisboa: Sá da Costa Editora, 1945.

SALGUEIRO, Teresa Barata – Paisagem e Geografia. Revista Finisterra, ano XXXVI, vol. 72, p. 37-53. Lisboa, 2001.

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📌À descoberta da Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT): o Forte São Vicente e o reduto de Olheiros.

📷 “Atreva-se e mude o seu destino, onde mudamos o de Napoleão!” é o mote da Rota Histórica das Linhas de Torres para visitar e relembrar o mais barato, rápido e eficiente sistema defensivo da História Militar. Seduzidos pela história e pelo impacto da paisagem envolvente, vamos conhecer o Forte de São Vicente e o reduto de Olheiros, obras militares que integravam a 1ª Linha. Este sistema defensivo, construído entre 1809 e 1810, no contexto da III Invasão Francesa (1810-11), é demonstrativo da capacidade técnico-militar luso-britânica e da resiliência do povo português em manter a sua Liberdade, face a uma das mais temidas forças bélicas da História Militar: o Grande Armée de Napoleão! Uma História feita de Fortes. E de vistas Fortes! 
Panorama Cidade Torres VedrasAs Linhas de Torres Vedras foram mandadas construir, entre 1809 e 1810, por Sir Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, comandante do exército luso-britânico, com o intuito de travar as sucessivas incursões bélicas do exército de Napoleão Bonaparte e de proteger o acesso à cidade de Lisboa. Esta decisão ocorreu após o fim da retirada das tropas tricolores (II Invasão francesa), comandada pelo marechal Soult. Consistia num sistema defensivo fortificado com um conjunto de fortes e redutos em pontos  estrategicamente colocados no topo de colinas/cumes da região da Península de Lisboa. Eram constituídas por três linhas defensivas, entre o oceano Atlântico e o rio Tejo (85 km de extensão), totalizando 152 obras militares, armadas com 600 peças de artilharia e defendidas por uma força – 140 000 homens – mista de tropas de linha e de guarnição. A maioria das bocas de fogo e o material de sapadores foram fabricadas em Arsenais Portugueses. As obras militares só foram finalizadas em 1812, após a definitiva expulsão do Grande Armée  do Reino de Portugal.

SãoVicente_Forte_TVD (4)As designadas Linhas de Torres travaram, após a Batalha do  Buçaco (1810),  o avanço vitorioso das 65 mil tropas francesas do general Massena, comandante enviado por Napoleão para liderar a III Invasão (1810-1811). Era o principio do fim da supremacia militar do Império Napoleónico. O Reino de Portugal, e os portugueses, foram maniatados e subjugados pela França e pela Inglaterra, as duas superpotências de inícios do século XIX, para disputar a hegemonia europeia e a manutenção dos equilíbrios europeus.

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💣Forte e Capela de São Vicente (Obra militar nº 20, 21 e 22)

Construído em 1809, no Monte de São Vicente (a 118 m de altitude). o Forte de São Vicente é um vasto complexo fortificado constituído por três redutos abaluartados, com  uma praça de armas protegida por longos travezes, reparos, muros em talude, canhoeiras, rodeado de fossos profundos, com revestimento de pedra. Tem planta em Y, e era composto por um conjunto de trincheiras, fossos, traveses, paióis, e estava artilhado para uma capacidade de 39 bocas de fogo. Estava dotado com 3 paióis, de planta circular. Era considerado o mais importante forte das Linhas de Torres, mas perdia  em dimensão para o forte ou reduto grande do Sobral. Tinha capacidade para uma guarnição militar de 2000 a 2200 soldados. Era a fortificação e o ponto mais a norte, da 1ª Linha de defesa, entre a localidade de Alhandra e a foz do rio Sisandro, que defendia a estrada real entre Coimbra e Lisboa. Encontra-se atualmente em bom estado de conservação. Foi finalizado em 1810.

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Vista geral do reduto Nº22: canhoeiras, paióis, Travezes, reparos, capela medieval e fossos

Trata-se de um dos melhores pontos paisagísticos para admirar o complexo, pontificado e continuo sistema defensivo erguido a norte da península de Lisboa. São um excelente exemplo da articulação entre o Homem e o Meio. De facto, a construção das mesmas reflete o estudo do Meio pelo Homem, isto é, o aproveitamento da morfologia do terreno para retardar o avanço, pela estrada e atravessamento dos rios, das tropas napoleónicas que se dirigiam a Lisboa. E sem recurso a tecnologia, por exemplo, o uso de fotografia aérea para estudar o terreno. Quem contempla a paisagem envolvente ao monte de S. Vicente percebe a importância e o significado desta fantástica obra de engenharia militar!

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Os Travezes, estruturas em terra, do Forte de São Vicente

Um dos três redutos deste forte – obra militar Nº 21 estava equipado com um posto de sinais / telégrafo que comunicava com o principal posto de difusão das comunicações das Linhas de Torres: a Serra do Socorro. No CILT (Torres Vedras) podemos ver uma maqueta – Telégrafo de Balões – com este dispositivo de telegrafia visual inspirado no sistema de comunicações da marinha de guerra britânica (Royal Navy). Trata-se de um bom exemplo da importância da comunicação  e da passagem rápida de informações entre os inúmeros fortes e redutos, que estavam na 1ª e 2ª Linha do sistema defensivo das Linhas de Torres Vedras, sobre o constante movimento de tropas francesas.

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Posto de Sinais / telégrafo do Forte de São Vicente

Durante a Guerra da Patuleia (1846-1847), o forte de São Vicente foi alvo de um confronto bélico entre as tropas insurretas do conde do Bonfim, membro da junta revolucionária do Porto, e das tropas governamentais do marechal Saldanha, apoiadas pela Rainha D.Maria II, para o controlo de Lisboa. Aliás, foi único confronto bélico da sua curta existência desta obra militar das Guerras Peninsulares. O controlo militar da vila de Torres Vedras e dos fortes da Península de Lisboa eram vitais para dominar, militarmente, a capital do Reino de Portugal. Esta estratégia foi abandonada e tornou-se irrelevante na última metade do século XIX (Campo Entrincheirado de Lisboa) e, principalmente, na segunda metade do século XX (Plano Barrow). As tropas “patuleias” do conde das Antas decidiram escolher Torres Vedras para aguardar pelo confronto decisivo com as tropas governamentais, antes de avançar para ocupar Lisboa, visto que esta localidade tinha aderido à insurreição da “Patuleia”. As tropas do conde de Bonfim, sem apoio logístico e militar do conde das Antas, foram facilmente vencidas pelas tropas governamentais do marechal Saldanha, apesar da enorme vantagem de bocas-de-fogo dos derrotados.

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O Centro de Interpretação das Linhas de Torres (CILT), do concelho de Torres Vedras, fica localizado na antiga capela do Forte de S. Vicente, inaugurado no Verão de 2017. No interior, o visitante poderá compreender a importância das Linhas de Torres na vitória do exército luso-britânico sobre as tropas francesas de Napoleão Bonaparte, com a exibição de um documentário para enquadramento histórico da época. Existe uma maqueta de um posto de telegrafia da época das Linhas de Torres e de um circuito expositivo recheado de recursos audiovisuais e multimédia, mapas, gravuras e peças museológicas alusivas à época das Invasões Francesas, com foco particular, na terceira invasão ao território português, comandada pelo general Massena, o exílio da população (devido à imposição da política de terra queimada) e a construção deste sistema defensivo no concelho de Torres Vedras.

💣Reduto de Olheiros (Obra militar nº23)

O Forte ou reduto de Olheiros, também conhecido como Forte do Canudo, em virtude da sua localização geográfica e topográfica: o Monte do Canudo. A sua utilização inicial era prestar apoio ao fronteiro Forte de São Vicente,  protegendo o lado poente da vila e do vale de Torres Vedras. Foi concebido para uma guarnição de 180 soldados e estava equipada com onze canhoeiras nas cortinas. Segundo o capitão britânico J. T. Jones, estas estavam guarnecidas com 7 bocas de fogo, 4 peças de calibre 9 e 3 peças de calibre 6. No centro, coberto de laje de betão armado, encontra-se um paiol de pólvora e de munições.

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Paiol e muralha em alvenaria do Forte de Olheiros

Em 2001, com apoio da Escola Prática de Infantaria, o município de Torres Vedras realiza uma campanha de limpeza completa e um diagnóstico do estado de conservação da obra militar. Mais tarde, em 2011, sofreu obras de restauro que incluíram a consolidação da sua estrutura-militar, nomeadamente, desobstrução/reconstrução do fosso e das canhoeiras, reconstituição das estruturas em terra (travezes e reparos),  desmatação e abate de árvores de grande porte e a recuperação do paiol de pólvora.

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Canhoeiras para artilharia e reparo de proteção (ao centro) para fogo de infantaria

As Linhas de Torres são o mais internacional dos monumentos militar portugueses. É um monumento que perdeu o seu valor militar, mas adquiriu um valor histórico que importa preservar e divulgar para as gerações vindouras. A forma e a rapidez, por mais de 150 mil portugueses e britânicos, revela bem a importância e o sacrifício de um povo pela manutenção da independência nacional e, não mais importante, da sua Liberdade.

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Não deixe de fazer…

  • conhecer o Museu Municipal Leonel Trindade e o CILT de Torres Vedras;
  • explorar os encantos e recantos do património do centro histórico de Torres Vedras;
  • percorrer o património da Linha do Oeste: Estação de Runa;
  • provar a doçaria local: o famoso pastel de feijão da Serra da Vila;
  • assistir as recriações históricas do festival das Novas Invasões
  • caminhar pelos trilhos e jardins das antigas Termas dos Cucos;
  • conhecer os areais dourados de Santa Cruz e provar uma sapateira em Porto Novo;
  • petiscar, no Parque Verde da Várzea, o famoso Beef de Wellington no Roots Restaurante;
  • participar na caminha anual da Marcha dos Fortes;
  • aventurar-se num passeio pelas colinas e serras de Jipe UMM, com as Rotas do Oeste;
  • conhecer o Convento de Santo António do Varatojo;
  • fazer uma prova de vinhos na Adega Cooperativa da Carvoeira;
NÃO PERCA AS MINHAS AVENTURAS E OLHARES FOTOGRÁFICOS NO INSTAGRAM! UM ENCONTRO COM A HISTÓRIA, AO SABOR DAS IMAGENS…

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✈ Como chegar:

🚗

  • Lisboa a Torres Vedras: pela A8 tomar a direção de Leiria até à saída 7 – Torres Vedras Sul.Em alternativa, siga pela N8 por Venda do Pinheiro e Turcifal até Torres Vedras.
  • Porto a Torres Vedras: pela A1 sair na direção de Aveiro, convergir com a A25, continuar na A17 na direção de Leiria. Tomar a A8 até à saída 8 – Torres Vedras Norte.Em alternativa pode tomar a N1 por Leiria até Rio Maior. De Rio Maior tome o IC2 para Alcoentre e a N115 até Torres Vedras.

🚌 |🚉

  • Comboio (Linha do Oeste) Figueira da Foz – Lisboa (Santa Apolónia) |Horários
  • Autocarros: Barraqueiro Oeste (A8 – Diretas) | Horários

🏠 Onde ficar:

Em Torres Vedras existem inúmeras opções económicas de alojamentos, consoante o número de dias que irá ficar no concelho da região Oeste. O Dolce Campo Real perto do Turcifal, parece-nos uma boa opção para explorar a Rota Histórica das Linhas de Torres. Trata-se de uma uma excelente opção para quem queira ter acesso rápido a todas as actividades relacionadas com o turismo de natureza e histórico-cultural, onde está perfeitamente integrado na área protegida da Serra da Archeira e do Socorro e da cidade de Torres Vedras.Na minha opinião, os seus pontos fortes são a localização, o campo de golfe, a piscina, uma área para crianças e as ofertas de atividades de tempos livres.

🍜 Onde comer:

Porque não saborear uma ceia oitocentista, a pós uma visita ao património das Linhas de Torres Vedras, o visitante poderá ter uma experiência gastronómica: uma sopa de canja e um Bife Wellington* com Chips de Batata Doce e Espargos. Trata-se de um prato Oitocentista alusivo à época das Invasões Francesas. E para sobremesa uma deliciosa “Barriguinha de Freira”. E não se esqueça de acompanhar com um belo tinto DOC de Torres Vedras (CVRLisboa).

🔗Para mais informações:

Aqui poderá encontrar, por exemplo, extensa documentação e dicas sobre o património material e imaterial  nos seguintes links:

“Os percursos da Rota Histórica das Linhas de Torres são temáticos e refletem cada um dos aspetos mais marcantes do território onde estão inseridos. Podem ser visitados em parte ou no seu todo, deixando ao viajante a liberdade de construir a sua própria visita.”, lê-se no sitio web da Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT)

A Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT) oferece informação atualizada para conhecer os locais e percursos dos inúmeros fortes e redutos militares dos concelhos (Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Torres Vedras, Sobral de Monte Agraço e Vila Franca de Xira) que integram esta rota histórico-militar. Poderá informar-se junto dos vários Centros de Interpretação das Linhas de Torres (CILT) de cada município ou descarregar o mapa e o guia da Rota Histórica das Linhas de Torres. Se for um leitor mais exigente, deixo-lhe uma sugestão de leitura de uma publicação de referência, a Revista INVADE, sobre o que melhor há para ver e fazer na Rota Histórica das Linhas de Torres. Recomendo, também, a consulta do sitio digital do Turismo Centro de Portugal, visto que permite descarregar mapas e um conjunto de informações sobre os transportes públicos, rotas turísticas, património edificado e gastronomia associado à região Oeste de Portugal.

A Batalha de Torres Vedras – 22 de dezembro de 1846 in Revista Militar N.º2459, Dezembro de 2006 [em linha]. Lisboa: CMG Armando Dias Correia, 1849-2020.[consult. 2020-05-26 11:58:58]. Disponível na Internet: https://www.revistamilitar.pt/artigo/170#

A Ferro e Fogo (Invasões Napoleónicas) in RTP Arquivos [em linha]. Lisboa: RTP – Rádiotelevisão portuguesa, 2015-2020. [consult. 2020-05-26 21:12:46].Disponível na Internet: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/a-ferro-e-fogo-invasoes-napoleonicas/

Batalha de Torres Vedras in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-05-26 19:28:50]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/$batalha-de-torres-vedras 

Forte de São Vicente / Obra Grande de São Vicente – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=6346 >

NORRIS, A. H., BREMNER, R. W. – As Linhas de Torres Vedras, as três primeiras linhas e as fortificações ao sul do Tejo. Torres Vedras: Câmara Municipal de Torres Vedras, Museu Municipal Leonel Trindade, British Historical Society de Portugal, outubro 2001.

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💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎

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