📌 À descoberta de Olivença: um ponto de (re)encontro da cultura portuguesa e espanhola…

 Olivença é uma agradável e pitoresca cidade fronteiriça da raia luso-espanhola. Para quem percorre o seu “casco histórico”, como referem os “nuestros hermanos” aos seus centros históricos, o viajante não fica indiferente à escala do seu património edificado de origem portuguesa. Com quase doze mil habitantes (2016), esta vila da Extremadura Espanhola, nas proximidades de Badajoz, é um ponto de (re) encontro entre as culturas portuguesa e espanhola. Afinal de contas, Olivença personifica duas faces da mesma moeda. Para muitos, “Olivença é filha de Espanha, neta de Portugal”.

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Por facilidade geográfica, vou ao Reino de Espanha uma ou duas vezes por ano, fazer uma “visita de estudo”, encher o depósito do carro, comprar caramelos, realizar uma blogger trip, etc. A “minha” Espanha é sobretudo a Andaluzia, com raras incursões pela Galiza, Extremadura e raríssimos desvios por Castela. Ir a Espanha,tornou-se um hábito como ir passear ao Porto. Nunca fez parte dos meus planos visitar Olivença. Após realizar a Rota do Mármore (Vila Viçosa), no âmbito das Jornadas Europeias do Património, decidi fazer uma incursão a Espanha. Antes de entrar no território de “nuestros hermanos”, vindo de Elvas, opto por fazer uma paragem num peculiar marco de fronteira: a histórica Ponte da Ajuda.

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Este exemplar da arquitectura manuelina – militar e civil – era o único meio de comunicação, no rio Guadiana, entre Elvas e Olivença. Dai, a sua destruição no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714). Há projectos para a sua reconstrução, mas em virtude das querelas fronteiriças entre Portugueses e Espanhóis, tal não foi possível ainda. Assim, entre 1709 a 2001, quem quisesse visitar Olivenza, teria de passar a fronteira do Caia em Badajoz. Actualmente, o viajante pode transpor, sem qualquer dificuldade, o território português, graças à nova ponte da Ajuda, em betão armado e sem qualidade estética da anterior, construída e financiada integralmente pelo Governo de Portugal.

Porquê a escolha da (des)conhecida vila de Olivenza? 

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São muitos, e todos eles merecedores de atenção, os “Castillos” existentes ao longo da fronteira luso-espanhola, bem como em todo o Reino de Espanha. Há centenas deles. Isto se acrescentarmos também as fortalezas que entretanto se fundiram no seio da arquitectura militar medieval, nomeadamente Ciudad Rodrigo, Badajoz, entre outras. A vila de Olivença está próxima das cidades de Badajoz e de Elvas, bem no centro da antiga província romana da Lusitânia, na actual comunidade autónoma espanhola da Extremadura. Não vem nos roteiros  turísticos ou guias de viagem tradicionais, como a cidade de Badajoz, mas não precisava de tal distinção para merecer uma visita. É aqui que encontramos um dos maiores e preservados “Castillos” da região fronteiriça luso-espanhola. Todavia, a riqueza não é apenas histórica e arquitectónica, mas também paisagística. Dentro do seu acolhedor centro histórico, começamos logo por descobrir histórias, pedras e símbolos familiares, de origem portuguesa.

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Sem recurso a mapas,  uma vez que o posto do Turismo estava fechado (a famosa siesta de nuestros hermanos), aproveitei para “mergulhar” em pleno coração da vila e nas artérias do “Casco Histórico”, onde, no meio do mesmo, ergue-se a silhueta do imponente Castillo de Olivenza. Ao percorrermos as ruas encontramos vários edifícios com arquitectura manuelina e placas toponímicas, em azulejo, com os nomes em português e castelhano, inúmeras chaminés alentejanas misturadas com portas e janelas cobertas de grades de ferro forjado espanhol. Constatamos, através destes exemplos, que Olivenza é fusão de cultura luso-espanhola, fruto de uma longa história secular de ocupação portuguesa e espanhola.  De facto, este é um  lugar para (re) encontrar-se.

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A vida quotidiana, nestas pitorescas vilas, apesar de ficar tão perto da nossa fronteira é completamente diferente do que se vive em Portugal. Durante o percurso pedonal no centro histórico e nos arrabaldes da vila,  apercebo-me da importância histórico-militar desta localidade fronteiriça. De facto, o Castillo de Olivenza revela a razão da sua existência: praça fortificada para as constantes guerras, querelas politicas e escaramuças travadas ao longo da História entre o Reino de Portugal e de Castela e Leão (posteriormente Reino de Espanha).

Um pouco de História…

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O Castelo Medieval de Olivença, vulgo “Ciudadella”, é um excelente testemunho da herança do património edificado pelos portugueses. A meu ver, o que mais impressiona é a monumentalidade e a escala da sua “Ciudadela”. Mandado construir, em 1306, pelo rei D.Dinis (1279-1325), no seguimento da afirmação fronteiriça face ao reino de Castela com a assinatura do Tratado de Alcanises (1297), que, em 1298, outorgou foral à povoação portuguesa. Mais tarde, em 1335, no reinado de D.Afonso IV (1325-1357), as obras foram retomadas com a exporpiração de casas em redor da povoação, tendo em vista a sua edificação do conjunto fortificado constituído por um traçado rectangular e dotado de uma imponente torre de menagem de planta quadrada, seguindo o modelo dos antigos acampamentos romanos (quadrilátero). No fim de cada eixo, abriam-se as portas de São Sebastião (Norte), dos Anjos (Sul), da Graça (Poente) e de Alconchel (Leste). As portas de Sul e Lestes possuem torres semi-circulares, conservando, ainda hoje, os apoios de matacão e os buracos para a tranca para fechar a porta. Ao todo, o castelo era constituído por 14 torres com 3 metros de largura e 12 de altura. É obra!

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Gravura do Castelo e vila de Olivença, Livro das Fortalezas, Duarte d`Armas, c.1509, ANTT

Através da gravura de Duarte d`Armas, um escudeiro da Casa Real que ao serviço de D. Manuel I (1495-1521) registou as inúmeras fortalezas da fronteira luso-espanhola, entre Castro Marim e Caminha, munido de papel e pena (podemos afirmar, sem cometer anacronismos, que era uma espécie de “urban sketcher” do século XVI). O Castelo de Olivença não foi excepção. Através da gravura de podemos comprovar a existência da muralha medieval que envolve a vila e no centro, em grande plano, o castelo e a torre de menagem. Note-se, ao fundo, a cidade de Badajoz e as diversas atalaias que completavam o sistema defensivo de Olivença. No canto da muralha, à esquerda, encobertas pelo terreno, o leitor poderá ver as figuras de Duarte d` Armas e do seu ajudante, respectivamente a cavalo e a pé.

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Todavia, o que realmente impressiona ao viajante é a Torre e Menagem de Olivença mandada construir por Dom João II (1481-1495), em 1488, para afirmar a  autoridade do “Príncipe Perfeito” face aos Reis Católicos de Castela, Isabel de Castela e Fernando de Aragão. Com uma carga simbólica, esta é a torre medieval mais alta da fronteira, com cerca de 40 metros, sendo acessível por 17 rampas até ao topo. Segundo o arquiteto João de Sousa Campos (2013, pp.66), o “acesso ao adarve da torre em Olivença é feito, à maneira da Giralda de Sevilha, com rampas que eram também praticáveis por muares. Para além da mesquita/catedral andaluza, conhecemos esta solução árabe em alguns outros minaretes, como é o caso do de Safi, em Marrocos.” Daqui, contemplamos a  paisagem em redor e a monumentalidade da vila de Olivença, o que demonstra a sua importância histórica, política e militar para o antigo Reino de Portugal, face a Castela. Afinal, foram mais de cinco séculos como território de Portugal. Através deste exemplo, podemos comprovar que as fortalezas medievais eram formas de ostentação social, económica,militar e de autoridade dos seus senhores.

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Durante a Guerra da Restauração (1640-1668) ,a vila de Olivença foi palco de diversas escaramuças e cercos durante os 28 anos em que durou esta guerra de independência. As muralhas medievais foram reforçadas por revelins e baluartes adaptados às novas exigências e estratégias de combate, obras desenhadas pelo padre jesuíta Cosmander. Em caso de assédio ao território nacional, Olivença estava na primeira linha das operações contra os Castelhanos, mas estava num plano secundário face à importância das fortificações abaluartadas de Juromenha e Elvas. Em 1657, as tropas castelhanas comandadas pelo Duque de San Germán conquistaram a vila ao Reino de Portugal. Mais tarde, em 1668, Olivença foi devolvida a Portugal com a assinatura das Pazes de Lisboa (1668).

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Durante a Guerra de Sucessão Espanhola, em 1709, Olivença foi novamente palco de escaramuças, um facto comprovado pela destruição da Ponte da Ajuda pelas tropas de Felipe V de Bourbon. Em Maio de 1801, o exército espanhol conquista “pacificamente” a vila fronteiriça de Olivença. Conhecida como a “Guerra das Laranjas”, como afirmou o historiador e comunicador José Hermano Saraiva, um simples ramo de uma laranjeira foi única vitima desta Guerra, visto que o “primeiro-ministro” Manuel de Godoy ofereceu à rainha Maria Sofia. Perdia-se, para sempre, a Vila de Olivença. Todas as outras vilas conquistadas foram devolvidas ao Reino de Portugal. E foi, assim, que começou a “eterna” Questão de Olivença. Sabia que Manuel de Godoy (1767-1851), o príncipe da paz, era Conde de Évora-Monte em Portugal? Uma das muitas curiosidades da nossa História que tive oportunidade de comprovar ao visitar o património edificado na vila fronteiriça de Olivença.

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A Igreja de Santa Maria Madalena é um dos testemunhos vivos de um dos períodos mais fascinantes e ricos da História de Portugal: os descobrimentos. Segundo o Turismo de Olivença, a Igreja de Santa Maria Madalena é considerada o ex-libris da vila de Olivenza. E, pelo exterior, apercebemos-nos desta atribuição. Trata-se de uma das mais belas obras arquitectónicas e estéticas da arte manuelina, tipicamente portuguesa, logo a seguir ao Mosteiro dos Jerónimos. Datada da primeira metade do séc. XVI, foi mandada construir para servir de residência e local de culto aos Bispos da praça norte-africana de Ceuta. Em 2012, foi eleita “O Melhor Recanto de Espanha 2012” num passatempo promovido pela petrolífera espanhola Repsol.

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No exterior, destacam-se falsas ameias, pináculos, gárgulas e a porta principal, com uma portada atribuída a Nicolau de Chanterene, artista francês que em Portugal, além de outras obras, notabilizou-se ao serviço dos monarcas lusitanos, por exemplo, na criação da sublime porta do Mosteiro dos Jerónimos. O interior, rico em azulejos e motivos decorativos marítimos, divide-se por três naves com oito colunas que parecem evocar as amarras de uma embarcação e remeter para a época dos Descobrimentos Portugueses. Infelizmente, não pude visitar o interior, uma vez que estava fechada. Ainda hoje, este edifício religioso secular é visitado por centenas de curiosos que deslocam-se propositadamente a esta vila da extremadura espanhola para contemplar o seu interior.

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Deambulando pelas ruas, o viajante depara-se com um portal invulgar. Trata-se do singular portal em estilo manuelino do Palácio dos Duques do Cadaval, localizado no actual edifício do Ayuntamento. Ainda hoje, este portal é o símbolo identificativo desta vila extremenha. Num olhar mais atento, o viajante pode identificar a Esfera Armilar e Cruz de Cristo, ambas símbolos das aventuras ultramarinas dos Portugueses durante os séc. XV e XVI. Ainda nas proximidades, a Praça de Espanha é um locais onde podemos encontrar e usufruir de um belo espaço de lazer e convívio, onde existe calçada típica portuguesa a dar forma e cor. Quem disse que só existe calçada portuguesa no Rio de Janeiro?

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Confesso que já tinha saudades de realizar uma incursão pela raia luso-espanhola. Infelizmente, gostava de ter tido mais tempo e mais calma. E, claro, meditar sobre o que vi e vivi. Acima de tudo, o acto de viajar, como sempre, é olhar e (re)encontrar-se com a História. Ao sair deste marco fronteiriço, vem-me à cabeça a seguinte questão: Olivença é de Portugal ou de Espanha? Olivença sempre foi alvo de muita incompreensão e discussões,  opiniões e vontades, mas também sempre nela, se detiveram olhares, gostos e admiração. Amiúde a questão de quem pertence, o viajante ao percorrer as suas artérias constata que os monumentos são portugueses. Mas, as gentes são espanholas. E agora? Dizem que o tempo resolve tudo. Embora às vezes não se resolva de acordo com os nossos interesses. Olivenza mantém a essência de Olivença. Estórias da História que o tempo apagou…ou teima em não apagar. Urge, nos dias de hoje, encontrar as semelhanças e não as diferenças, procurando um diálogo de culturas e de convivência.  Olivenza mantém a identidade de cinco séculos de História ligados ao Reino de Portugal. Acima de tudo, esta vila é sentimentalmente portuguesa. Sempre.

O que pode fazer:

1. Se gosta de fotografia de paisagem, o melhor será subir ao topo da Torre de Menagem e contemplar o meio envolvente. Daqui poderá avistar Elvas, Juromenha e Alconchel;

2. Comprar caramelos nas inúmeras lojas locais;

3. A caminho de Olivença poderá visitar as ruínas da ponte manuelina da Ajuda;

4. Visitar o Castelo de Alconchel, a poucos quilómetros de Olivença;

5. Sugerimos uma visita ao Museu Papercraft, junto à Ciudadela, o único museu de papel de Espanha e da Europa.

✈︎ Como ir:

Desde Portugal chega-se a Olivenza, através de Elvas (A6) até à fronteira da Ponte da Ajuda, já em Espanha, opta pela EX-105. Se quiser ir a Badajoz, poderá optar pela EX-107e de seguida ir a Olivenza. De uma forma geral, de Elvas a Olivenza são, sensivelmente, 25 minutos para percorrer uma média de 30 quilómetros em estradas regionais luso-espanholas. Durante esta viagem, optamos por realizar uma paragem técnica na Ponte da Ajuda para fotografar o belo exemplar edificado e a natureza envolvente.

🌏 Para mais informações:

Página Oficial do Turismo de Espanha (Spain.info)

Página Oficial do Turismo Extremadura

Página Oficial do Ayuntamiento de Olivenza

MARTINS, Miguel Gomes (2016). Guerreiros de Pedra: castelos, muralhas e guerra de cerco em Portugal na Idade Média. Lisboa: Esfera dos Livros.

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.linhagraficaALL-oliraf-03💻  Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷

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Fotografia✈︎Viagens✈︎Espanha © OLIRAF (2017)

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📌 À descoberta do Forte-Presídio da Trafaria

Uma aventura pela Arquitectura Militar da Trafaria: o Forte-Presídio da Trafaria e a 5ªBateria da Raposeira. Há ruínas que têm muitas estórias da história de Portugal para descobrir…

Próxima paragem: Trafaria. A terra das famosas amêijoas à Bulhão Pato. Ou a Terra onde o Tejo se faz ao mar. É o slogan deste freguesia do concelho de Almada. Partimos para a margem sul do Tejo em busca da memória histórica da arquitectura militar do Antigo Regimento de Artilharia de Costa. O antigo Presídio-Lazareto da Trafaria é uma viagem pela Memória Histórica. A memória de outros tempos obscuros da nossa História. E apetece dizer: Nunca mais! Em tempos idos, milhares foram os viajantes, degredados e presos políticos que aguardavam a sua próxima viagem: a ida para o ultramar português. Para muitos, a Ponta da Areia – Trafaria – era a sua última morada em Portugal e, para a maioria, da sua vida.

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Trafaria: onde o Tejo se faz ao mar. Ou será oceano?

A Trafaria em virtude da sua posição geográfica, localizada junto à foz do estuário do Rio Tejo, despertou o interesse estratégico das autoridades governamentais para a defesa militar da entrada da barra do Porto e Cidade de Lisboa. A primeira fortificação foi construída na 2ªMetade do Século XVII, durante o reinado de D.Pedro II (1668/1683-1705), junto às instalações do antigo Lazareto do Século XVI. Importa referir que a antiga esplanada de artilharia – guarnecida com 12 peças de artilharia – foram demolidas no inicio do século XX, aquando das obras de construção do novo presidio.

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Aspecto da Estação Fluvial da Trafaria

Em virtude do clima belicista das potências europeias imperialistas (Inglaterra,França, Alemanha ou Rússia) no último quartel do Século XIX, Portugal sentiu necessidade de construir e guarnecer a sua frente atlântica, em especial nos estuários do Sado e do Tejo, com uma rede de fortificações e equipamento bélico dissuasor consoante as restrições orçamentais que vigoravam durante regime monárquico. Assim, no principio do Século XX, entre 1902 a 1909, ocorreu o maior empreendimento de engenharia militar do concelho de Almada: a construção de um conjunto de fortificações  Baterias de Artilharia de Costa de Alpenas e da Raposeira e do Quartel do Grupo de Artilharia N.º4 na freguesia da Trafaria.

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Um dos mais singulares Ferry-boat (s) de Portugal: o Eborense.

Nesta empreitada militar foram construídas infra-estruturas – uma ponte cais e de uma linha férrea – destinadas ao transporte de matéria-prima, artilharia naval e munições para guarnecer as futuras baterias de origem alemã Krupp  que se localizavam no topo do Monte da Raposeira e na Arriba Fóssil da Caparica.  O Quartel da Trafaria, inaugurado em 1905 pelo Rei D.Carlos,  era utilizado para alojar a guarnição militar que servia nas baterias anteriormente mencionadas. Mais tarde, passa a designar-se Quartel da Brigada de Artilharia de Costa N.º1. Na 2ªMetade do Século XX, passa a designar-se Batalhão de Reconhecimento e Transmissões. Actualmente, encontra-se afecto à Guarda Nacional Republicana.

📌 Forte-Presídio da Trafaria (séc. XVI-XX)

No âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa esteve aberto ao público até ao passado dia 11 de Dezembro, de Sexta-feira a Domingo, a exposição sobre O Presídio e a Trafaria 450 anos de História nas antigas celas do Forte-Presídio da Trafaria. Com entrada livre, esta exposição tinha como intuito dar a conhecer a importância estratégica e histórica da Trafaria ao longo dos últimos quinhentos anos.

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Forte Prisional da Trafaria

O Lazareto-presidio da Trafaria foi construído na 2ªMetade do Século XVI (1565), durante o reinado de D.Sebastião, na regência do Cardeal D.Henrique. Este mandou construir um complexo, em nome do seu sobrinho-neto, para o recolhimento de matérias-primas e viajantes do Império Ultramarino Português (1415-1999). Tratava-se, assim, de uma medida de controlo sanitário e aduaneiro  rigoroso, para um dos maiores complexos portuários da Europa à época.

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Aspecto do Presidio da Trafaria

Ao longo do edifício e das celas que constituem o núcleo do Forte-Presídio, tivemos oportunidade de contactar com um percurso expositivo que, através de referências históricas, documentais e iconográficas, nos elucidou sobre a origem do património histórico-militar edificado, das dinâmicas económicas, locais e religiosas que fizeram, e fazem, desta localidade da margem sul do Tejo, um local singular para muitos portugueses.

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Complexo Edificado do Forte da Trafaria

No final do regime monárquico, no reinado de D.Manuel II (1908-1910), foram construídas as instalações da Casa da Reclusão da Trafaria. Com a implantação do regime republicano , serviu de prisão militar para os Monárquicos envolvidos na revolta do Monsanto. Entre o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 e a Revolução dos Cravos, 25 de Abril de 1974, este forte ficou associado à prisão de muitos civis e políticos que combateram a ditadura militar e o Estado Novo, na tentativa de derrube do regime. Para muitos, este presídio-militar foi a sua morada final.

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Como chegar:

A partir de Lisboa, o trajecto mais acessível para esta localidade da margem sul, é através da via fluvial. Para tal, basta apanhar o cacilheiro ou o ferry-boat que faz as ligações fluviais entre Belém e a Trafaria. Eu fui no Eborense. A viagem custou 1.20 €. Para consultar os horários e os preços, poderá saber mais na Transtejo. Esta é a empresa que assegura a Ligação Trafaria – Porto Brandão – Belém.

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

SOUSA, R. H. Pereira de, Fortalezas de Almada e seu Termo, Câmara Municipal de Almada, 1981.

FONTE: http://sitiomarconi.fundacao.telecom.pt/…/p4_40_miolo_Marco…
Oliveira, João de – “A TSF: como nasceu em Portugal” in Revista Militar, Ano 98,.º11,1946,pp.561-562.

Ler mais em:  http://ruinarte.blogspot.pt/2013/02/a-bataria-da-raposeira-trafaria.html

Ler mais em: http://www.fpc.pt/Portals/0/Flipbook/HTML/files/assets/seo/page67.html

Nota importante [👤]

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📌 À descoberta do Regimento de Artilharia de Costa: a 5ªBateria da Raposeira…

Uma aventura pela Arquitectura Militar da Trafaria: a 5ª Bateria da Raposeira. Há ruínas que têm muitas estórias da história de Portugal para descobrir. Neste artigo, as ruínas falam

A 5ª Bateria de Costa da Raposeira é um local peculiar situado na freguesia da Trafaria, no concelho de Almada. Foi construída entre 1893 e 1911. Integravam o sistema de fortificações do Campo Entrincheirado de Lisboa, mas foram mais tarde integradas na Frente Marítima de Defesa de Lisboa. Actualmente, em ruínas, este complexo bélico estava integrado num conjunto de oito Baterias de Artilharia de Costa do Exército que formavam o extinto Regimento de Artilharia de Costa (Grupo Sul).

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Subindo o monte da Raposeira, o cenário do complexo bélico é desolador. Das antigas instalações militares – que foram desocupadas na década de 80 do Século XX – , restam as ruínas dos edifícios construídos no final do século XIX, os subterrâneos e as três peças de artilharia Krupp CTR de 15 cm. Ainda hoje, nos canos, podemos comprovar que foram fundidas, entre 1904 e 1907, no berço desta empresa industrial alemã: Essen. Ao longo do espaço arquitectónico,encontramos espalhadas centenas de munições de paintball. Por experiência própria, aquando da minha visita às Baterias das Alpenas, tive oportunidade de receber o meu “baptismo de fogo” dos adeptos deste combate simulado. Os graffitis cobrem as paredes deste recinto. Não ficamos intimidados, visto que estes são uma companhia para os mais curiosos, como eu.

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Peça (s) de Artilharia Krupp CTR 15 cm

Há muitas ruínas que têm muitas estórias da História para contar. Aliás, verdadeira pedras com história. No campo das Telecomunicações, foi nesta antiga estrutura militar que se deram as primeiras experiências com a Telegrafia Sem Fios (TSF) em Portugal foram realizadas em 17 Abril de 1901, entre o forte da Raposeira na Trafaria e o Regimento de Engenharia no forte do Alto do Duque, localizado em Algés. Entre ambas, havia uma distância de 4.300 metros. Por resolução do Ministério da Guerra, sob o comando do coronel Avelar Machado, dirigiram estes testes, desde o forte da Trafaria, o Capitão João Severo da Cunha e o Tenente Pedro Álvares. Foi experimentado durante o ensaio radiotelegráfico, o equipamento da empresa francesa Ducretet oferecido  ao Ministro da Guerra de então, o General Luís Augusto Pimentel Pinto.

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5ªBataria da Artilharia de Costa da Raposeira 

O Regimento de Artilharia de Costa tinha como intuito a protecção da capital portuguesa e da entrada do rio Tejo face a uma eventual invasão marítima. Todavia, nunca tiveram uma prova de fogo, como as do Forte de Almada e do Alto do Duque contra os Navios da Armada Portuguesa:  o contratorpedeiro ‘Dão’ e o ‘Aviso’ de 1ª classe Afonso de Albuquerque. Estávamos em 1936, em plena Guerra Civil de Espanha (1936-1939), uma facção de marinheiros portugueses revoltou-se contra a ditadura salazarista, face ao apoio deste ao General Franco, e face à situação politica no nosso país. O golpe militar não vingou, mas os marinheiros revoltosos quiseram levar os navios para Espanha, onde combateriam na Guerra Civil pelo lado republicano. Após uma tentativa falhada de fugir da Barra do Tejo, em virtude do fogo cruzado entre o Forte de Almada e do Alto do Duque, estes acabaram por render-se e ficar fundeados junto à Cruz Quebrada. Apesar de não terem participado, os canhões da Bateria  e da Raposeira estavam de prevenção para impedir a saída dos navios do estuário Tejo. Foi o último grito de revolta do reviralho contra a Ditadura Militar e, mais tarde, Estado Novo.

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Peça de Artilharia Krupp CTR 15 cm (Essen, 1904,N.º18)

Os Canhões da Memória. As diversas ruínas do antigo RAC são, hoje, lugares esquecidos pelo Homem. Entregues ao tempo. Ao percorrer estas ruínas, sinto-me uma espécie de intermediário entre os artilheiros que fizeram uma parte da sua vida neste complexo militar. Nem todos se conformam com o triste destino das baterias  da Artilharia de Costa. É o exemplo da recente Associação dos Amigos da Artilharia de Costa criada com o objectivo de zelar pelo legado memorial e pela conservação deste património histórico-militar. E não estão sozinhos nesta “epopeia”. Arquitectos, historiadores e os habitantes da Trafaria esperam agora que as ruínas dêem um novo impulso cultural e económico que traga novos horizontes…de memória.

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Panorama parcial da Trafaria, vista do Monte da Raposeira

Os canhões da bateria da Artilharia Costa nº 5 silenciaram-se há mais de duas décadas, tendo como consequência a monotonia desta freguesia da margem sul do Tejo. Todavia, o centro histórico da Trafaria merece uma visita mais demorada para conhecer as estórias desta vila piscatória e industrial, cuja existência remonta há pelo menos cinco séculos. Ao percorrermos as suas ruas e vielas, podemos tomar contacto com a arquitectura balnear dos séculos XIX e XX que pode ser apreciada calmamente, apesar do desgaste do tempo a que foi sujeito. Sabia que a Trafaria foi a primeira colónia balnear inaugurada pela Rainha D. Amélia?

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Como chegar:

A partir de Lisboa, o trajecto mais acessível para esta localidade da margem sul, é através da via fluvial. Para tal, basta apanhar o cacilheiro ou o ferry-boat que faz as ligações fluviais entre Belém e a Trafaria. Eu fui no Eborense. A viagem custou 1.20 €. Para consultar os horários e os preços, poderá saber mais na Transtejo. Esta é a empresa que assegura a Ligação Trafaria – Porto Brandão – Belém.

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

FONTE: http://sitiomarconi.fundacao.telecom.pt/…/p4_40_miolo_Marco…
Oliveira, João de – “A TSF: como nasceu em Portugal” in Revista Militar, Ano 98,.º11,1946,pp.561-562.

Ler mais em:  http://ruinarte.blogspot.pt/2013/02/a-bataria-da-raposeira-trafaria.html

Ler mais em: http://www.fpc.pt/Portals/0/Flipbook/HTML/files/assets/seo/page67.html

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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📌 À descoberta de Salamanca: um dos belos postais de Espanha…

Uma experiência fotográfica pelo património monumental de “castiça” cidade de Castilla y León.

Salamanca é um autêntico museu ao ar livre. Com o rio Tormes aos seus pés, esta cidade de Leão e Castela preserva um importante legado patrimonial-cultural do Reino de Espanha. Jacques Le Goff afirmou que a cidade como a conhecemos nasceu na Idade Média. De facto, a cidade medieval não rompeu com os modelos de arquitetura e urbanismo da Antiguidade grega e romana. Foi, aliás, com base neles que muitas cidades se ergueram na Idade Média. E a monumental Salamanca segue este paradigma.

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El viajero en el país de Cervantes…

Após atravessar a região do “Campo Charro”, entre Ciudad Rodrigo e Salamanca, chegamos à Monumental cidade de Salamanca. A arquitectura exterior e interior da Catedral Velha e Nova cativa o olhar de qualquer viajante. Aqui, podemos sentir a influência e a importância do poder religioso e temporal nas dinâmicas urbanas ao longo dos séculos.

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Há muitas razões para visitar a “Monumental” Salamanca,uma cidade com uma vivência surpreendente. A “Coimbra Espanhola” deixa muitas saudades por quem passa. Adorei esta viagem pela história, cultura e arquitectura do Siglo de Oro Español (1492-1659). Colón, Ribera y Cervantes são figuras ominipresentes por esta região de Castilla y León. Se gostava do Barroco, com esta viagem, fiquei a gostar ainda mais. Recomendo.

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A Universidade de Salamanca (em espanhol: Universidad de Salamanca) é uma instituição de ensino superior pública. É a universidade mais antiga daquele país e a quarta fundada na Europa, posterior somente às universidades de Bolonha, Oxford e Paris. Com mais de 35 000 alunos, a Universidade de Salamanca é, hoje, uma das instituições universitárias mais prestigiadas da Europa, atraindo estudantes de toda a Espanha e de todo o mundo de língua castelhana, em especial, estudantes da América Latina. Há uma importante ligação aos povos sul-americanos, em virtude de aqui se terem formados muitos alunos/elites que posteriormente fundaram as Universidades no Novo Mundo ou Nova Espanha. Em suma, esta universidade é a mais antiga instituição universitária da Península Ibérica e da Europa, fundada em meados do Século XIII por Fernando III de Leão e Castela, à semelhança de Oxford, Cambridge, Paris, Bolonha e Modena.

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O convento de Santo Estevão – Ordem dos Dominicanos – foi um dos pioneiros na expansão espanhola na América do Sul. O prior Diego de Deza travou amizade com Cristóvão Colombo e intercedeu junto dos Reis Católicos para a consumação da ideia do genovês. De facto, os Dominicanos foram grande protectores dos indígenas nos primeiros tempos da brutalidade colonial castelhana na primeira metade do Século XVI. 

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A tradição do “Marquelo”: o Mariquelo era originariamente um membro de uma família abastada, los Mariquelos, que devia subir cada ano à torre da Catedral Nova de Salamanca, em agradecimento a Deus, pelos poucos danos e sem vitimas mortais durante o terramoto de 1755. Ainda hoje, a tradição persiste. Quem diria…

Em poucos km², nunca vi tanta Monumentalidade. De facto, o Reino de Espanha é um dos países da Europa, e do Mundo, com maior percentagem de Monumentos e sítios classificados pela UNESCO.

Porquê visitar a cidade de Salamanca?

Embora seja afamada pelo seu sol, a sua cultura de praia e pela vida noturna, à Espanha não falta diversidade cultural, paisagística e gastronómica. Com as suas montanhas cobertas de neve, regiões agrestes e remotas, reservas naturais  luxuriantes e trilhos costeiros escarpados. É também um dos países com maior número de sítios classificados como património mundial da UNESCO.

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O esplendor da arquitectura barroca de Alberto Churriguera: a agitação diurna da Plaza Mayor de Salamanca. É, sem dúvida, uma das melhores de Espanha. Esta emblemática e majestosa praça deixa qualquer viajante sem palavras. Felipe V, neto de Luís XIV, mandou-a construir em voto de agradecimento pelo apoio da cidade aos Bourbon, durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1701-1714). É o “coração” desta cidade de Castilla y León.

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A partir daqui, o movimento diurno e nocturno vai dinamizar as artérias circundantes de Salamanca. Há entrada, junto ao mercado, temos uma cabeça de um Touro. Eram nestas praças, como em toda a Espanha, que se realizavam os espectáculos de diversão das massas: as touradas e os Autos-de-Fé. Na sua decoração, podemos ver diversos medalhões com figuras importantes da história de Espanha: Cervantes, Carlos V, Santa Teresa, entre outros.

fuji-x-t10-55De uma forma geral, esta cidade surpreendeu-me. Que experiência fantástica de viagem pelos Archivos de Salamanca e Valladolid. Visitar, contactar e conhecer novas culturas, permite-nos sermos pessoas mais instruídas. Tenho pena de não ter efetuado o programa académico Erasmus nesta cidade-universitária. Para Miguel de Unamuno, a cidade de Salamanca “…Es una fiesta para los ojos y para el espíritu.r la ciudad como poso del cielo en la tierra de las aguas del Tormes.” “…Salamanca que enhechiza la voluntad de volver a ella a todos los que la apacibilidad de su vivienda han gustado.”, dizia o escritor-viajante Miguel de Cervantes.

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✈︎ Como ir:

Desde Portugal chega-se a Salamanca, através da A1 e da A23 até à fronteira de Vilar Formoso e, já em Espanha, opta pela autovía A-62. Pode optar pelo Autocarro Avanza Bus ou ir na sua própria viatura. De uma forma geral, de Lisboa a Salamanca são, sensivelmente, cinco horas para percorrer uma média de 500 quilómetros em Auto-Estrada. Durante esta viagem, optamos por realizar diversas paragens técnicas – duas em duras – em estações de serviço em Portugal e almoçar em Ciudad Rodrigo.

🏠Onde ficar:

Exe Hall 88 Apartahotel: este Apart Hotel é o ideal para conhecer a cidade monumental de Salamanca (a cerca de 10 minutos da cidade a pé) e um ponto-de-partida para visitar a região do Campo Charro. No interior de cada quarto, existeuma mini-cozinha para cozinhar. E tem um excelente restaurante-bar para desfrutar, por exemplo, de uma boa partida de Futebol. Para quem quer viajar de autocarro, esta unidade hoteleira fica em frente à principal estação rodoviária da cidade.

🍜 Onde comer:

O restaurante Oroviejo – Gastro-bar Salamanca, cozinha tradicional muito elogiado no Tripadvisor, está instalado perto da monumentalidade do “casco” do centro histórico de Salamanca. Perfeito para quem procura uma refeição num ambiente tranquilo, apesar da agitação das ruas. Para beber, recomendo uma cerveja Alhambra Reserva 1925. E para comer, nada como umas Tapas de Patatas Bravas. Um restaurante com boa comida espanhola. Saborosa. Recomendo as Albondigas Pollo e acompanhadas com Patatas Oroviejo . Uma delicia. Trata-se de um bom exemplo de cozinha de chefe acessível a todas as carteiras.

🌏 Para mais informações:

Página Oficial do Turismo de Espanha (Spain.info)

Página Oficial de Turismo de Castilla y León

Página Oficial Turismo de Salamanca

Turismo Provincia de Valladolid

Old City of Salamanca (UNESCO)

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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📷 Viagem Fotográfica pela cidade de Lisboa…

No próximo dia 22 de Abril, irei realizar o meu primeiro Tour Fotográfico pelo centro histórico da cidade de Lisboa. Trata-se de uma parceria entre o blogue OLIRAF e a Time Travellers. Este passeio destina-se a todos os Time Travellers que apreciem o contacto com a arte fotográfica, o gosto pela História e que queiram conhecer mais um pouco da cidade de Lisboa. Siga neste passeio pedestre dedicado exclusivamente à fotografia, curiosidades históricas e o património histórico de Lisboa castiça. Iremos captar as praças e os miradouros movimentados, a magnifica arquitectura urbana, os melhores retratos de rua e aventurarmos-nos pela genuína Alfama à procura dos melhores ambientes, olhares e cores da capital portuguesa.Para mais informações, poderá consultar o seguinte link  Viagem Fotográfica Pela Cidade De Lisboa.

PortefólioOLIRAFBlogue2017

Sinopse

Ao comando do seu grupo, o viajante Rafael Oliveira (OLIRAF) traça um novo percurso fotográfico, do Terreiro do Paço até à Feira da Ladra. No encalce deste viajante do tempo, de viela em viela, vai percorrer e registar a tua epopeia fotográfica. Este passeio destina-se a todos os Time Travellers que apreciem o contacto com a arte fotográfica, o gosto pela História e que queiram conhecer mais um pouco da cidade de Lisboa. Siga neste passeio pedestre dedicado exclusivamente à fotografia, curiosidades históricas e o património histórico de Lisboa Castiça. Iremos captar as praças e os miradouros movimentados, a magnifica arquitetura urbana, os melhores retratos de rua e aventurarmo-nos pela genuína Alfama à procura dos melhores ambientes, olhares e cores da capital portuguesa.

Spots Fotográficos: Terreiro do Paço / Elétrico 28 / Sé Catedral /Alfama / Miradouro Santa Luzia e do Castelo / São Vicente de Fora / Feira da Ladra.

Material fotográfico aconselhado: tratando‐se de uma experiência fotográfica, recomenda‐se a utilização de uma câmara analógica ou reflex (DSLR), com objectiva (grande angular ou teleobjectiva). Considere a hipótese levar cartões de memória e baterias extra. De qualquer modo, poderá levar um telemóvel (Smartphone) para registar as suas imagens durante o percurso.

Destinatários: esta “viagem fotográfica” destina-se a todos os participantes que gostam de História, Fotografia e de Viajar. Pretende-se, acima de tudo, valorizar o olhar, o conhecimento e a técnica fotográfica de cada viajante, bem como enriquecimento cultural sobre a cidade de Lisboa.

📌Para mais informações:

DATA: 22 de Abril
HORÁRIO: 10h-13h
PONTO DE ENCONTRO: Terreiro do Paço
INSCRIÇÕES: Até 20 de abril
PREÇO POR PESSOA: Adultos: €15 | Crianças até 12 anos: €5
INCLUI: Workshop Fotografia de Rua e seguro | Obrigatório levar máquina de qualquer tipo

Saber mais & Reservar

 

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📌Be a Time Traveller: roteiro fotográfico pela “Lisboa das Lendas e dos Mitos”

A Time Travellers é uma agência de animação turística, criada em 2010, dedicada à divulgação do património Histórico, Arqueológico e Cultural de Portugal. Os seus passeios já levaram milhares de portugueses e estrangeiros a conhecer a História e Cultura do nosso país. Confesso que há muito seguia este projecto cultural de duas arqueólogas de formação (a Inês Ribeiro e a Raquel Policarpo), mas com muita paixão pelas estórias da nossa História de Portugal e, em especial, da cidade de Lisboa.

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Após vários contactos para agendar um passeio pela capital lisboeta, tive oportunidade de percorrer a “Lisboa das Lendas e dos Mitos”, com a Time Traveller Inês Ribeiro. O ponto de encontro é no Largo do Carmo, um local mítico e simbólico para muitos lisboetas e portugueses. De facto, um dos marcos históricos e políticos da nossa contemporaneidade: a Revolução dos Cravos de 1974. Mas, recuando a tempos idos, aqui também temos as ruínas do antigo Convento do Carmo. Estou certo que o leitor deve recordar-se da expressão “Cai o Carmo e a Trindade”? Há um antes e um depois do fatídico dia 1 de Novembro de 1755.

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Através da meu olhar, em sintonia com o discurso da Time Traveller para a audiência, fui fotografando de uma forma descontraída o que me despertava a atenção e do grupo de viajantes do tempo que acompanhava-me nesta (re)visitação pelas castiças e surpreendentes estónias da História da capital portuguesa.

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Viajamos por inúmeras Lendas e Mitos da capital portuguesa, desde Ulisses até D.Pedro IV, incluindo as expressões vulgarmente utilizadas no quotidiano lisboeta. Por exemplo, a expressão “resvés (ou rés-vés) Campo de Ourique” remonta ao fatídico terramoto do ano de 1755. Segundo alguns cientistas, este fenómeno natural  terá tido uma magnitude de 9 na escala de Ritcher, originando a destruição do casco medieval e renascentista do património monumental da cidade de Lisboa, em especial, junto ao rio Tejo. Após o terramoto segui-se um maremoto (ou tsunami), originando uma onda entre 15 a 20 metros, que inundou e causou grande destruição e mortandade até à actual zona de Campo de Ourique que, por um triz, escapou. Para alguns historiadores, a origem da expressão, remonta ao antigo limite urbano – termo – da cidade de Lisboa: a antiga estrada da circunvalação que atravessava à “justa” Campo de Ourique. Na minha opinião, eu apontava para a primeira hipótese. Porquê? O Aqueduto das Águas Livres, com os seus 35 Arcos Ogivais – aguentaram este sismo sem qualquer dano ou rachura maior.

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A meu ver, foi uma narrativa peculiar de estórias da  História dos locais, como lisboeta, por onde passamos no nosso “fugaz” quotidiano habitual e que muitas vezes não paramos para apreciar verdadeiramente. A Time Traveller Inês Ribeiro nutre uma grande paixão pela divulgação da História, Cultura e Arqueologia de Portugal. E a sua agência de animação turística é um bom exemplo. Está sempre disponível para responder a todas as perguntas, sempre com um sorriso. No final de cada visita ou pausa, há sempre espaço de discussão para aqueles viajantes do tempo que se entusiasmam pelas curiosidades históricas, como eu.

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Ficou com curiosidade? Quer descobrir uma Lisboa desconhecida e perdida no tempo, fora dos roteiros turísticos das “massas” ? Poderá vivenciar numa visita-guiada pelas Time Travellers ou adquirir este livro que, a meu ver, revela-lhe estes e outros segredos e vestígios de uma cidade milenar à espera de serem descobertos por si. Sabia que na Igreja de Santo António se pode aceder ao subsolo por baixo do altar-mor, onde teve início a história do templo? E que na Rua da Prata se pode visitar galerias romanas e descobrir o que resta de um antigo fórum romano? Lisboa é uma cidade milenar e multicultural, fruto dos séculos de vivência de fenícios, romanos, visigodos, muçulmanos e cristãos.
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Descubra o património edificado da cidade de Lisboa que a rodeia, na companhia do OLIRAF
No próximo dia 22 de Abril, irei realizar o meu primeiro Tour Fotográfico pelo centro histórico da cidade de Lisboa. Trata-se de uma parceria entre o blogue OLIRAF e a Time Travellers. Este passeio destina-se a todos os Time Travellers que apreciem o contacto com a arte fotográfica, o gosto pela História e que queiram conhecer mais um pouco da cidade de Lisboa. Siga neste passeio pedestre dedicado exclusivamente à fotografia, curiosidades históricas e o património histórico de Lisboa castiça. Iremos captar as praças e os miradouros movimentados, a magnifica arquitectura urbana, os melhores retratos de rua e aventurarmos-nos pela genuína Alfama à procura dos melhores ambientes, olhares e cores da capital portuguesa.Para mais informações, poderá consultar o seguinte link  Viagem Fotográfica Pela Cidade De Lisboa.

📌Para mais informações:

  • Site

    http://www.timetravellers.pt

  • Setor

    Lazer, viagens e turismo

  • Especializações

    Turismo, Walking Tours, Organização de eventos

  • Roteiros & Passeios

    Lisboa e Portugal

  • Fundada em

    2011

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📌 À descoberta de Alcoutim e Salúncar do Guadiana: duas irmãs “gémeas” separadas por um rio…

📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?

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👤 Um pouco de História…

Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756,  funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).

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Vista parcial do Castelo de Alcoutim

Alcoutim. Terra de Fronteira. O Algarve Natural. São os slogan(s) do Município de Alcoutim para promover esta singela vila nas margens do Guadiana. Tal como José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (1998), esteve nestas paragens, em 1980, no âmbito da sua Viagem a Portugal. Deixo-me surpreender pela singularidade do casario branco de Salúncar do Guadiana e do seu “Guerreiro de Pedra” – o Castillo de San Marcos – que domina a paisagem em redor. Esta pequena urbe nasceu da necessidade do controlo e vigilância do transporte de bens alimentares (trigo, azeite e mel) e de minério (ouro,prata e cobre), através do rio Guadiana, pelas  ocupações humanas sucessivas que a usavam na transição entre as rotas comerciais do Mediterrâneo e do Atlântico.

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Vista parcial da vila de Salúncar do Guadiana (Huelva,Andaluzia)

Depois de fotografar as vistas (e que vistas), dirigi-me para a experiência do slide fronteiriço agendada para a parte de manhã, com a limitezero do inglês David Jarman, radicado à treze anos nesta zona da raia luso-espanhola. Contacto com o responsável da empresa de animação turística Fun River, o Dr.José Cavaco, que me informa que o seu funcionário estava em Espanha e que me iria buscar dentro de momentos. A única ligação entre margens no rio Guadiana entre Alcoutim (Algarve) e Salúncar do Guadiana (Andaluzia) é efectuada por esta empresa. A aventura estava prestes a começar. E a adrenalina a aumentar…

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A “Tirolesa” que faz a travessia entre a Andaluzia e o Algarve. Só para os mais aventureiros!

Depois de uma aventura 4×4 num Land Rover até ao local do Slide, onde avistamos a beleza de Salúncar do Guadiana. Do topo, a cerca de 180 metros, temos uma bela vista aérea sobre Alcoutim e o rio Guadiana. O que levamos deste Mundo? Experiências. Aqui, podem ver o video do Slide no YOUTUBE De facto, viajar é descobrir-nos. E,claro, soltar o nosso outro eu. No meu caso, o sentido pela aventura. Já tinha saudades de fazer “Slide”. Nem parece que vamos a 80 Km/h. Em menos de um minuto estamos em Portugal. E o Medo? Esse ficou para segundo plano. E qual a razão? Há sempre uma,certo? A paisagem arrebatadora entre Salúncar do Guadiana e Alcoutim – as duas vilas gémeas do rio Guadiana -, como afirmou José Saramago, permite viver esta experiência devagar e com tempo.

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A pitoresca vila de Alcoutim, do topo do Castillo de San Marcos.

O Homem adapta-se ao meio. A cerca de um 1km para Norte da actual vila de Alcoutim, deparamo-nos com uma das melhores vistas do Algarve sobre o rio Guadiana. Aqui,podemos contemplar as três tipos de paisagem algarvia: o litoral, o barrocal e a serra. Do topo do castelo velho de Alcoutim – antigo Alcácer fortificado – do período Omíada (713-1031) edificado com as pedras com maior abundância na região:o xisto e o grauvaque. As suas origens remontam ao Século IX, segundo escavações arqueológicas recentes da Dr.ªHelena Catarino, e é uma das mais importantes estruturas militares islâmicas do Gharb-Al Andaluz. Como se sabe, o domínio muçulmano na Península Ibérica começa a ser ameaçado pela pressão da reconquista cristã, dai a necessidade de criar uma rede de fortificações de vigilância do território. É o caso do Castelo Velho de Alcoutim. Em virtude do seu difícil acesso (utilizado com funções de vigilância e de apoio à mineração), esta estrutura foi abandonada na época dos Almóadas e deu lugar ao actual Castelo Medieval de Alcoutim no Século XIV. A partir daqui, a população foi fixando-se junto ao leito do rio Guadiana.

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Ruínas do antigo alcácer fortificado de Alcoutim  (Época Omíada)

Em busca das vivências desta região castiça do Guadiana, surgiu uma parceria entre dois vizinhos e estrangeiros de Espanha e Portugal para recriar as memórias históricas e etnográficas comuns de outros tempos: o Festival do Contrabando. O objectivo é a promoção de Alcoutim e de Salúncar do Guadiana como destino turístico de experiências (natureza, eventos, património e gastronomia). Segundo a autarquia de Alcoutim, o “Festival do Contrabando é mais que um Festival, é a junção e fusão da homenagem a uma actividade que ao longo da história foi importante para as gentes da fronteira, com as artes e a cultura. A paisagem fronteiriça que desafiava os destemidos na passagem de mercadorias, agora é palco de vários projectos culturais que transportam para o interior das populações e seus visitantes, os sonhos e ambições, trazendo até à Vila Raiana uma oferta cultural que desafia todas as condicionantes existentes”. Durante os dias deste festival – a primeira edição – poderá reviver a arte de “contrabandear” dos anos 30 e 40 do Século XX, atravessar as duas margens do rio Guadiana numa ponte pedonal e  visitar uma região do Baixo Guadiana e do Sotavento Algarvio. Aqui, poderá encontrar um clima mediterrânico e um património edificado e natural genuíno. As praias fluviais – Pego Fundo – e o barrocal  são um convite para (e por) desvendar…o castiço Algarve Natural. Para mim, visitar o Algarve das Pontas…é reencontra-me.

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Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125. No caso da ida para Alcoutim, optei pela A22 até Castro Marim e depois o IC27 (Beja) até Alcoutim (N122-1).

Onde ficar

Estive uma semana no Hotel Faro. Fui recebido por uma equipe fantástica. A meu ver os pontos fortes deste Hotel são o seu restaurante (comida fantástica), os seus funcionários sempre prestáveis e o rooftop com uma vista fantástica sobre a Ria Formosa. A meu ver, o melhor rooftop de Faro. Já imaginaram almoçar com uma autêntica vista para as silhuetas que dão cor e forma à Ria Formosa?

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal

+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

 

Onde comer:

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Perguntei ao Dr.Júlio Cardoso, técnico de turismo do Município de Alcoutim, um local típico para almoçar em Alcoutim. Estava nos meus planos almoçar no Centro Histórico de Alcoutim ou Salúncar do Guadiana. Persuadiu-me a ir almoçar à  Cantarinha do Guadiana, situada na localidade de Laranjeiras do Guadiana. Não me deixei enganar pelo espaço e pela falta de multibanco. De facto, o paladar conquista-se no prato. E a Senhora Isabel Ribeiros, a singular cozinheira, proporciona verdadeiros petiscos de cozinha regional alentejana e algarvia. Adorei saborear a comida tipicamente caseira e tradicional do interior algarvio, em especial, a sopa de tomate com ovos escalfados e o ensopado de enguias. Uma delicia para os viajantes andarilhos. E para acompanhar o café, nada como um “cheirinho” algarvio: o Medronho. Safa,mas aquece!

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Festival do Contrabando (Página Oficial)

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Turismo da Andaluzia (Oficial)

Ayuntamento de Salúncar do Guadiana (Turismo)

Limite Zero (Slide)

Nota importante

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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📌 À descoberta de Cacela Velha: o castiço Algarve das pontas…

📌 São experiências amenas, algumas ainda por revelar. Fomos em busca da Rota Omíada do Algarve – inserida no projecto Umayyad Route – e descobrimos o legado material e imaterial desta Dinastia Árabe em Portugal, mas também as vistas sobre o oceano, a natureza, a gastronomia, os museus e experiências de aventura para viver na extremidade sul de Portugal e da Europa. Quem disse que o Algarve é quente só no Verão?

👤 Um pouco de História…

Os Omíadas foram uma Dinastia Islâmica a implementar o sistema hereditário do califado, após a morte do profeta Maomé. Eram oriundos da mesmo clã do profeta, a tribo dos Coraixitas, oriunda da cidade de Medina na Península Arábica. Daqui, transferiram a seu do seu poder para Damasco, na actual Síria. O califado Omíada de Damasco (661-750) expande a sua influência religiosa, cultural e militar para o Norte de África (Magrebe) e para a Península Ibérica (Al-Andalus), conquistada na primeira metade século VIII, sendo administrados pelo Emir de Cairuão (Tunisía), sob dependência directa do poder califal da Damasco. Em 750, os Abássidas assassinam a Dinastia Omíada, à excepção do Abderramão I que foge para a capital do Al-Andalus. Este, em 756,  funda o Emirato Omíada de Córdova (756-929), independente do poder califal abássida de Bagdad. O apogeu do poder omíada no Al-Andalus dá-se entre 929 e 1031, com a fundação do Califado Omíada de Córdova, em 929, por Abderramão III (891-961).

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O Forte e a Igreja de Cacela Velha: são os dois ex-libris desta povoação costeira

Cacela Velha é…um poema de pedra construído pelo Homem. Esta pequena grande povoação costeira do Sotavento Algarvio está localizada no concelho de Vila Real de Santo António. A meu ver, esta localidade é uma bela surpresa pela sua paisagem para a ria formosa, a arquitectura tradicional das casas típicas castiças e pela sua capatez. Além disso, as ruas têm o nome de poetas que fizeram parte da nossa cultura milenar. Chego a uma constatação: começo a gostar de outro Algarve. O Al-Gharb fora dos roteiros turísticos “habitué”: o das pontas.

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As castiças casas típicas desta localidade do litoral algarvio…

O Núcleo Histórico de Cacela Velha presenteia-nos com um pequeno conjunto de casas típicas do litoral algarvio. Todavia, os dois ex-libris desta pequena povoação é a sua fortaleza do Século XVI, reconstruída após o fatídico terramoto de 1755, e a Igreja com o seu portal renascentista. Na época Omíada, Qast´alla, Cacela em árabe, fora conquistada em 713 por forças califais de Abd al-Aziz ibn Musa (714-1715), o primeiro uale do Al-Andalus, isto é, um governador militar dependente do califa omíada de Damasco (661-750). Até à reconquista cristã, em 1240, a povoação ficou na jurisdição da cidade de Ossónoba (Faro) e assumiu o papel de primeiro aglomerado de carácter urbano situado a sudeste do actual território algarvio.

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Paisagem da ria Formosa

 

Uma curiosidade. Sabia que as ruas têm nomes de poetas se inspiraram nesta localidade para os seus poemas, como são os casos de Abû al-‘Abdarî, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Eugénio de Andrade? Um pormenor delicioso. Visitar Cacela Velha é conhecer um outro Algarve: o genuíno e castiço. O Algarve das Pontas. A meu ver, o casario pitoresco, a pequena aldeia, a praia, fortaleza são uma bela harmonia na paisagem. Um belo exemplo do que o Homem consegue criar. Da visita à terra natal do poeta Ibn Darraj al-Qastalli (958-1030), um dos mais influentes do califado Omíada na época do poderoso Almançor,  levo na minha memória o som, ao fundo, do oceano atlântico…

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Pequena habitação para guardar os apetrechos de um pescador

Como chegar

A partir de Lisboa optei por reservar uma viagem em Alfa pendular, através da Comboios de Portugal. Faro era a minha base para efectuar a Rota Omíada do Algarve. Para tal, optei por alugar uma viatura rent-a-car para fazer a ligação entre os diversos pontos histórico-culturais desta rota. Na maioria dos casos, utilizei a via do Infante (A22) e a Nacional 125.

Onde ficar

Restaurante Ria Formosa

Praça D. Francisco Gomes, Nº2 8000-168 Faro Portugal
+351 289 830 830

✉️ Email: reservas@hotelfaro.pt

Para mais informações:

Região de Turismo do Algarve

Direcção Regional de Cultura do Algarve

Blog Turismo do Algarve

Projecto Umayyad Route 

Turismo do Algarve – Rota Omíada do Algarve (Folheto + App)

Nota importante

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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Texto: Rafael Oliveira  | Fotografia: Oliraf Fotografia

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📌À descoberta da arquitectura militar da Trafaria: o Forte-Presídio da Trafaria e a 5ªBateria da Raposeira

Uma aventura pela Arquitectura Militar da Trafaria: o Forte-Presídio da Trafaria e a 5ªBateria da Raposeira. Há ruínas que têm muitas estórias da história de Portugal para descobrir…

Próxima paragem: Trafaria. A terra das famosas amêijoas à Bulhão Pato. Ou a Terra onde o Tejo se faz ao mar. É o slogan deste freguesia do concelho de Almada. Partimos para a margem sul do Tejo em busca da memória histórica da arquitectura militar do Antigo Regimento de Artilharia de Costa. O antigo Presídio-Lazareto da Trafaria é uma viagem pela Memória Histórica. A memória de outros tempos obscuros da nossa História. E apetece dizer: Nunca mais! Em tempos idos, milhares foram os viajantes, degredados e presos políticos que aguardavam a sua próxima viagem: a ida para o ultramar português. Para muitos, a Ponta da Areia – Trafaria – era a sua última morada em Portugal e, para a maioria, da sua vida.

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Trafaria: onde o Tejo se faz ao mar. Ou será oceano?

A Trafaria em virtude da sua posição geográfica, localizada junto à foz do estuário do Rio Tejo, despertou o interesse estratégico das autoridades governamentais para a defesa militar da entrada da barra do Porto e Cidade de Lisboa. A primeira fortificação foi construída na 2ªMetade do Século XVII, durante o reinado de D.Pedro II (1668/1683-1705), junto às instalações do antigo Lazareto do Século XVI. Importa referir que a antiga esplanada de artilharia – guarnecida com 12 peças de artilharia – foram demolidas no inicio do século XX, aquando das obras de construção do novo presidio.

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Aspecto da Estação Fluvial da Trafaria

Em virtude do clima belicista das potências europeias imperialistas (Inglaterra,França, Alemanha ou Rússia) no último quartel do Século XIX, Portugal sentiu necessidade de construir e guarnecer a sua frente atlântica, em especial nos estuários do Sado e do Tejo, com uma rede de fortificações e equipamento bélico dissuasor consoante as restrições orçamentais que vigoravam durante regime monárquico. Assim, no principio do Século XX, entre 1902 a 1909, ocorreu o maior empreendimento de engenharia militar do concelho de Almada: a construção de um conjunto de fortificações  Baterias de Artilharia de Costa de Alpenas e da Raposeira e do Quartel do Grupo de Artilharia N.º4 na freguesia da Trafaria.

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Um dos mais singulares Ferry-boat (s) de Portugal: o Eborense.

Nesta empreitada militar foram construídas infra-estruturas – uma ponte cais e de uma linha férrea – destinadas ao transporte de matéria-prima, artilharia naval e munições para guarnecer as futuras baterias de origem alemã Krupp  que se localizavam no topo do Monte da Raposeira e na Arriba Fóssil da Caparica.  O Quartel da Trafaria, inaugurado em 1905 pelo Rei D.Carlos,  era utilizado para alojar a guarnição militar que servia nas baterias anteriormente mencionadas. Mais tarde, passa a designar-se Quartel da Brigada de Artilharia de Costa N.º1. Na 2ªMetade do Século XX, passa a designar-se Batalhão de Reconhecimento e Transmissões. Actualmente, encontra-se afecto à Guarda Nacional Republicana.

📌 Forte-Presídio da Trafaria (séc. XVI-XX)

No âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa esteve aberto ao público até ao passado dia 11 de Dezembro, de Sexta-feira a Domingo, a exposição sobre O Presídio e a Trafaria 450 anos de História nas antigas celas do Forte-Presídio da Trafaria. Com entrada livre, esta exposição tinha como intuito dar a conhecer a importância estratégica e histórica da Trafaria ao longo dos últimos quinhentos anos.

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Forte Prisional da Trafaria

O Lazareto-presidio da Trafaria foi construído na 2ªMetade do Século XVI (1565), durante o reinado de D.Sebastião, na regência do Cardeal D.Henrique. Este mandou construir um complexo, em nome do seu sobrinho-neto, para o recolhimento de matérias-primas e viajantes do Império Ultramarino Português (1415-1999). Tratava-se, assim, de uma medida de controlo sanitário e aduaneiro  rigoroso, para um dos maiores complexos portuários da Europa à época.

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Aspecto do Presidio da Trafaria

Ao longo do edifício e das celas que constituem o núcleo do Forte-Presídio, tivemos oportunidade de contactar com um percurso expositivo que, através de referências históricas, documentais e iconográficas, nos elucidou sobre a origem do património histórico-militar edificado, das dinâmicas económicas, locais e religiosas que fizeram, e fazem, desta localidade da margem sul do Tejo, um local singular para muitos portugueses.

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Complexo Edificado do Forte da Trafaria

No final do regime monárquico, no reinado de D.Manuel II (1908-1910), foram construídas as instalações da Casa da Reclusão da Trafaria. Com a implantação do regime republicano , serviu de prisão militar para os Monárquicos envolvidos na revolta do Monsanto. Entre o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 e a Revolução de 25 de Abril de 1974 ficou associado à prisão de muitos civis e políticos que combateram a ditadura militar e o Estado Novo, na tentativa de derrube do regime. diversas. Para muitos, o Presídio-militar da Trafaria foi a sua morada final.

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Aspecto parcial das Celas do Forte da Trafaria

📌 5ªBateria da Raposeira (séc.XX)

A 5ª Bateria de Costa da Raposeira é um local peculiar situado na freguesia da Trafaria, no concelho de Almada. Foi construída entre 1893 e 1911. Integravam o sistema de fortificações do Campo Entrincheirado de Lisboa, mas foram mais tarde integradas na Frente Marítima de Defesa de Lisboa. Actualmente, em ruínas, este complexo bélico estava integrado num conjunto de oito Baterias de Artilharia de Costa do Exército que formavam o extinto Regimento de Artilharia de Costa (Grupo Sul).

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Casamata de Direção de Tiro (?)

Subindo o monte da Raposeira, o cenário do complexo bélico é desolador. Das antigas instalações militares – que foram desocupadas na década de 80 do Século XX – , restam as ruínas dos edifícios construídos no final do século XIX, os subterrâneos e as três peças de artilharia Krupp CTR de 15 cm. Ainda hoje, nos canos, podemos comprovar que foram fundidas, entre 1904 e 1907, no berço desta empresa industrial alemã: Essen. Ao longo do espaço arquitectónico,encontramos espalhadas centenas de munições de paintball. Por experiência própria, aquando da minha visita às Baterias das Alpenas, tive oportunidade de receber o meu “baptismo de fogo” dos adeptos deste combate simulado. Os graffitis cobrem as paredes deste recinto. Não ficamos intimidados, visto que estes são uma companhia para os mais curiosos, como eu.

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Peça (s) de Artilharia Krupp CTR 15 cm

Há muitas ruínas que têm muitas estórias da História para contar. Aliás, verdadeira pedras com história. No campo das Telecomunicações, foi nesta antiga estrutura militar que se deram as primeiras experiências com a Telegrafia Sem Fios (TSF) em Portugal foram realizadas em 17 Abril de 1901, entre o forte da Raposeira na Trafaria e o Regimento de Engenharia no forte do Alto do Duque, localizado em Algés. Entre ambas, havia uma distância de 4.300 metros. Por resolução do Ministério da Guerra, sob o comando do coronel Avelar Machado, dirigiram estes testes, desde o forte da Trafaria, o Capitão João Severo da Cunha e o Tenente Pedro Álvares. Foi experimentado durante o ensaio radiotelegráfico, o equipamento da empresa francesa Ducretet oferecido  ao Ministro da Guerra de então, o General Luís Augusto Pimentel Pinto.

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5ªBataria da Artilharia de Costa da Raposeira 
O Regimento de Artilharia de Costa tinha como intuito a protecção da capital portuguesa e da entrada do rio Tejo face a uma eventual invasão marítima. Mas, foi uma “evasão” que levou estas peças de artilharia a serem usadas contra dois navios da Marinha de Guerra Portuguesa: o contratorpedeiro ‘Dão’ e o ‘Aviso’ de 1ª classe Afonso de Albuquerque. Estávamos em 1936, em plena Guerra Civil de Espanha (1936-1939), uma facção de marinheiros portugueses revoltou-se contra a ditadura salazarista, face ao apoio deste ao General Franco, e face à situação politica no nosso país. O golpe militar não vingou, mas os marinheiros revoltosos quiseram levar os navios para Espanha, onde combateriam na Guerra Civil pelo lado republicano. Mas a Artilharia de Costa impediu, assim, os navios de sair do estuário Tejo. Foi o último grito de revolta do reviralho.
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Peça de Artilharia Krupp CTR 15 cm (Essen, 1904,N.º18)
Os Canhões da Memória. As diversas ruínas do antigo RAC são, hoje, lugares esquecidos pelo Homem. Entregues ao tempo. Ao percorrer estas ruínas, sinto-me uma espécie de intermediário entre os artilheiros que fizeram uma parte da sua vida neste complexo militar. Nem todos se conformam com o triste destino das baterias  da Artilharia de Costa. É o exemplo da recente Associação dos Amigos da Artilharia de Costa criada com o objectivo de zelar pelo legado memorial e pela conservação deste património histórico-militar. E não estão sozinhos nesta “epopeia”. Arquitectos, historiadores e os habitantes da Trafaria esperam agora que as ruínas dêem um novo impulso cultural e económico que traga novos horizontes…de memória.
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Panorama parcial da Trafaria, vista do Monte da Raposeira
Os canhões da bateria da Artilharia Costa nº 5 silenciaram-se há mais de duas décadas, tendo como consequência a monotonia desta freguesia da margem sul do Tejo. Todavia, o centro histórico da Trafaria merece uma visita mais demorada para conhecer as estórias desta vila piscatória e industrial, cuja existência remonta há pelo menos cinco séculos. Ao percorrermos as suas ruas e vielas, podemos tomar contacto com a arquitectura balnear dos séculos XIX e XX que pode ser apreciada calmamente, apesar do desgaste do tempo a que foi sujeito. Sabia que a Trafaria foi a primeira colónia balnear inaugurada pela Rainha D. Amélia?

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Como chegar:

A partir de Lisboa, o trajecto mais acessível para esta localidade da margem sul, é através da via fluvial. Para tal, basta apanhar o cacilheiro ou o ferry-boat que faz as ligações fluviais entre Belém e a Trafaria. Eu fui no Eborense. A viagem custou 1.20 €. Para consultar os horários e os preços, poderá saber mais na Transtejo. Esta é a empresa que assegura a Ligação Trafaria – Porto Brandão – Belém.

Para mais informações:

Bateria do Outão e Forte Velho do Outão – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2014]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25039 >

Forte-Presídio Naval da Trafaria – SIPA: Sistema Informação para o Património Arquitectónico. [Em linha]. [Consultado em 30 Dez. 2016]. Disponível na  internet URL: <http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=32962 >

COSTA, António José Pereira da – A cidadela de Cascais e a Defesa da Costa Marítima do Guincho ao Estoril. In: “Boletim do AHM”, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pgs. 37 – 98.

EMERECIANO, Jaime – A Artilharia na Defesa de Costa em Portugal. Lisboa: Academia Militar, Dissertação Mestrado em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, 2011. Disponível na internet URL: http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/7247

MACHADO, M. (22 de Dezembro de 2008). Os Últimos Disparos do “Muro do Atlântico” Português. Obtido em Fevereiro de 2011, de http://www.operacional.pt: http://www.operacional.pt/os-ultimos-disparos-do-%E2%80%9Cmuro-doatlantico%E2%80%9D-portugues/

MASCARENHAS, Catarina de Oliveira Tavares – Da defesa à contemplação da paisagem : intervir no lugar do Forte e da 7ª Bateria do Outão no contexto da Arrábida. – Lisboa : FA, 2014. Tese de Mestrado.

FONTE: http://sitiomarconi.fundacao.telecom.pt/…/p4_40_miolo_Marco…
Oliveira, João de – “A TSF: como nasceu em Portugal” in Revista Militar, Ano 98,.º11,1946,pp.561-562.

Ler mais em:  http://ruinarte.blogspot.pt/2013/02/a-bataria-da-raposeira-trafaria.html

Ler mais em: http://www.fpc.pt/Portals/0/Flipbook/HTML/files/assets/seo/page67.html

Nota importante [👤]

As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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🎉O Ano Novo na Ilha da Madeira 🍾

🎉O Ano Novo na Ilha da Madeira | The Happy New Year at Madeira Island 🍾

📷 Olá 2017…

A Ilha da Madeira, em especial a cidade do Funchal, é um dos locais mais emblemáticos de Portugal e do Mundo para a festa da passagem de Ano. Na página oficial do Turismo do Arquipélago da Madeira – Visit Madeira – poderá encontrar uma panóplia de sugestões e dicas sobre o programa de festividades que ocorrem no Funchal.

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Depois do Natal, as festividades prolongam-se até meados de Janeiro no Arquipélago da Madeira. Mas, o culminar – o zénite – destas festividades é o fogo de artificio sobre a baía do Funchal, que se realiza a 31 de Dezembro. Em 2006, foi reconhecido no livro de record do Guinness, como o maior espectáculo pirotécnico a nível Mundial.

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Antes do inicio de um dos maiores espectáculos de fogo-de-artifício do Mundo na World’s Leading Island Destination 2016, tive oportunidade de percorrer, tal como milhares de turistas e madeirenses, as iluminações e as diversas exposições etnográficas patentes no centro histórico do Funchal. A meu ver, dão outro encanto e vida à capital madeirense.

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As principais ruas e avenidas mais emblemáticas da capital madeirense enchiam-se de locais e turistas. Apanhei um verdadeiro banho de multidão de massas turísticas. E também com as tradicionais “bombinhas” que os jovens e graúdos gostam de lançar nesta época festiva. Já não estava habituado a estas andanças. Confesso. Afinal, foram quase dez anos sem ver este magnifico fogo de artificio que dá outra cor à noite madeirense e, claro, ao peculiar anfiteatro funchalense.

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A Baía do Funchal tinha ao todo, nove navios de cruzeiros, com cerca de 20 mil pessoas que puderam assistir ao espectáculo pirotécnico desde o mar. Como entusiasta de navios de cruzeiros, pude comprovar que estavam fundeados o Marco Polo, Saga Pearl II, Aidablu, MSC Magnifica ou Queen Victoria. De facto, a Madeira – e Lisboa -são um dos melhores locais para apreciar as vistas urbanas e o fogo de Ano Novo a bordo de um navio de cruzeiro.

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O  “Maior Espetáculo Pirotécnico do Mundo” é na passagem de ano na Madeira. Eram 00h deste domingo em Portugal continental e Ilha da Madeira quando milhões de portugueses e turistas entraram em 2017. No Funchal, a festa da entrada no novo ano, seguiu-se um magnifico fogo-de-artificio – este ano com a temática “Paraíso Atlântico” – com a duração de oito minutos que iluminou as serras, o casario e a baía da cidade do Funchal. Dos cerca de quarenta postos de fogos, foram disparadas 132 mil peças (70% produzidas em Portugal e 30 % na China), permitindo, assim, superar o recorde de 2006, o livro “Guinness World Records,  quando foram disparadas 67 mil peças de pirotecnia.

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Às más condições do mar e do vento  no Porto do Funchal,  impediram a deslocação de alguns passageiros a terra, bem como a saída dos barcos de animação turística, como a Nau Santa Maria de Colombo. Apesar destas adversidades, segundo fontes governamentais, a taxa de ocupação hoteleira é superior a 92%, a maior dos últimos seis anos. Parece-me que o objectivo foi superado, perante a reacção efusiva dos milhares de espectadores.

Haveria melhor forma de encerrar o melhor ano de sempre do Blogue OLIRAF? Melhor fogo do Mundo. Melhor Jogador do Mundo. Melhor Destino Turístico Insular do Mundo. Madeira, what else?

Votos de um Happy New Year 🍾!!! Trabalho, Saúde, Amizade e muitas Viagens…

Para mais informações:

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