Évora Monte é uma bonita vila alentejana do concelho de Estremoz, situada na vasta planície do Alentejo Central, erguendo-se no cimo de uma colina com mais de 400 metros de altitude na parte mais ocidental da Serra d’Ossa. O Castelo e as muralhas foram mandadas construir por D. Dinis, em 1306, contando com quatro portas principais: a Porta do Sol, a Porta do Freixo virada a poente e as Portas de S. Brás e de S. Sebastião, e que recebem o seu nome das ermidas dedicadas aos mesmos santos, situadas no exterior do Castelo. No Século XVI, com o objectivo de preparar o castelo para a arquitectura pirobalistica, as muralhas foram acrescentadas “torreões-canhoeiras” em locais estratégicos para a sua defesa.
O célebre Paço fortificado (apesar do seu aspecto bélico, era apenas usado para jornadas de caça) com quatro torreões cilíndricos definindo um perímetro quadrangular, de eminente gosto italianizante, e decorado nos panos com nós pétreos, que lhe conferem particular carga simbólica. a meu ver, a lembrar a velha máxima da Casa de Bragança: Depois de vós, nós. Esta campanha palaciana foi dirigida por Francisco de Arruda em 1531, já com um longo currículo ao serviço da Casa Real Portuguesa, a mando de D.Teodósio. De facto, este paço é uma construção sem precedentes em Portugal e na arquitectura militar do Século XVI, sendo demonstrativo do poderio da Casa de Bragança, pela sua localização, grandeza e visibilidade a muitos quilómetros de distância.
Assinale-se ainda um facto da História de Portugal a que se encontra ligada a vila: no n.º41 da Rua da Convenção foi assinada, em 26 de Maio de 1834, a célebre Convenção de Évoramonte, documento que consagrou o fim da fratricida Guerra Civil Portuguesa (1832-1834), entre partidários do Absolutismo e do Liberalismo. Na assinatura do documento estiveram os generais-duques de Saldanha e da Terceira, pelo lado de D.Pedro IV, e de João António de Azevedo e Lemos por D.Miguel.
As ruas no interior do centro histórico de Évoramonte guardam a essência da época medieval, de tranquilidade e da tradição alentejana. Dentro das suas muralhas, reina a calma e a paz, bem como o seu paço, um dos raros castelos portugueses que alia características únicas: pelo conjunto arquitectónico que enquadra, pela excelência da paisagem que dele se pode desfrutar, mas também pela sua importância histórica.
Podemos observar a vasta paisagem da planície Alentejana, do topo do Torreão, que emoldura esta pequena povoação histórica amuralhada do Alentejo Central. Se vai pela A6, em direção a Elvas/Badajoz, faça um desvio no seu itinerário de viagem e aproveite para visitar Évora-Monte. Não se vai arrepender. Palavra de Escuteiro (se não é adepto da velha máxima “uma imagem vale mil palavras”). A vista, só por si, vale bem a visita neste local, mas a pacatez da vila e a simpatia dos habitantes, fazem desta vila perfeita para uma escapadinha no Alentejo.
Actualmente, a região do Alentejo é um dos destinos mais procurados pelos turistas e viajantes estrangeiros, o que revela a excelência cultural e gastronómica. Os lugares que descrevo neste artigo é um dos muitos pontos altos do roteiro de viagem que fiz pelas estradas desta região portuguesa: À DESCOBERTA DOS “GUERREIROS DE PEDRA” DO ALTO ALENTEJO. De facto, o interior alentejano nunca deixa de me surpreender. Não bastava Evoramonte ser um dos ex-libris, com o seu castelo, as suas muralhas, o casario típico, o seu gaspacho e as suas gentes acolhedoras… e ainda nos oferece uma exuberante vista para a planície alentejana…
Dia de encerramento: 2ª feira, 3ª feira de manhã e no 2º fim de semana de cada mês. Feriados 1 Jan. Domingo de Páscoa, 1 Maio, 25 Dezembro e 3 de Junho
Nota importante [👤]
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
À descoberta dos Castelos do Alto Alentejo e da Linha do Tejo: 4 dias e 3 noites pela região do Alentejo.
Castelo de Montemor-o-novo
Novo Roteiro, nova viagem. Confesso que já tomei o gosto de programar uma pequena viagem para um fim de semana prolongado. Se estava a pensar em ficar em casa, mudei de ideias. De facto, sugestões de “escapadinhas” turístico-militares não faltam em Portugal. O património natural e edificado estão em destaque nesta aventura de quatro dias pelo Alentejo, aproveitando o fim-de-semana prolongado de 10 a 13 de Junho, durante a qual realizei uma reportagem fotográfica para o blogue OLIRAF.
Rua Direita em Estremoz
O Alentejo é uma antiquíssima região portuguesa valorizada pelo seu património natural e edificado. Para os amantes do turismo cultural, de natureza e do turismo militar, o Alentejo é uma boa opção de visita que combina actividades de lazer,natureza e culturais com o descanso. Nesta reportagem fotográfica sobre a região do Alto Alentejo, no sul de Portugal, destacamos as “bonitas” vilas de Évora-Monte, Castelo de Vide, Marvão e Belver, os “tesouros naturais ” como a Serra de São Mamede/Rio Tejo e, principalmente, a gastronomia alentejana.
Ruínas do Palácio dos Alcaides em Montemor-o-Novo
Um elemento diferenciador na paisagem – o castelo: «Presentes de norte a sul do território português, os castelos e as cinturas de muralhas que serviram um dia para proteger vilas e cidades são, ainda hoje, testemunhos vivos de um dos períodos mais fascinantes e ricos da História de Portugal», como afirma o Historiador Miguel Gomes Martins no seu recente livro “Guerreiros de Pedra“. Trata-se de uma obra fundamental para a compreensão histórica e da arquitectura militar na Idade Medieval Portuguesa, dando-nos a conhecer o quotidiano, os pormenores militares e acontecimentos mais marcantes que desempenharam na História de Portugal.
Castelo de Arraiolos
Viajar na ignorância do passado histórico de um país ou de uma região deixa-nos impotentes de entender o «porquê» de qualquer facto ou gentes. Por exemplo, a importância do património edificado, neste caso, os castelos, que contam a História de um país ou de um povo. Portugal, de facto, guarda grandes e pequenos tesouros que nos fascinam pela sua arquitectura, monumentalidade e paisagem.
Vila de Arronches (Portalegre)
Em Portugal, o final do séc. XIII e princípio do séc. XIV foram marcados pelo Reinado de D. Dinis (1279-1325), caracterizada pela afirmação do poder régio e pela definição dos limites fronteira luso-castelhana, rectificada com o tratado de Alcanizes (1297). Trata-se da fronteira política mais antiga e estável do continente Europeu. Ao viajarmos pela raia portuguesa, verificamos a forte presença e cunho deste monarca lusitano. Com sentido de Estado excecional, um politico nato,D. Dinis promoveu o repovoamento das terras, da construção de muralhas e castelos, construção de uma marinha e do ensino universitário.
Sabem uma coisa? Nada como sair do quotidiano agitado de uma grande cidade. Deixar a rotina de um trabalhador-comum à frente do computador, pegar na máquina fotográfica, no mapa, no telemóvel e ir para o terreno. Ir fazer o trabalho de “campo” como costumo dizer. Para mim,o lugar de um fotógrafo é lá fora. Melhor ainda se o roteiro fotográfico implicar uma agenda ligada ao património histórico-cultural. Deixo-vos alguns dos locais que visitei neste roteiro fotográfico pelo Alentejo…
Évora-Monte
Castelo de Évoramonte
Évora Monte é uma bonita vila alentejana do concelho de Estremoz, situada na vasta planície do Alentejo Central, erguendo-se noo cimo de uma colina com mais de 400 metros de altitude na parte mais ocidental da Serra d’Ossa. O Castelo e as muralhas foram mandadas construir por D. Dinis, em 1306, contando com quatro portas principais: a Porta do Sol, a Porta do Freixo virada a poente e as Portas de S. Brás e de S. Sebastião, e que recebem o seu nome das ermidas dedicadas aos mesmos santos, situadas no exterior do Castelo. No Século XVI, com o objectivo de preparar o castelo para a arquitectura pirobalistica, as muralhas foram acrescentadas “torreões-canhoeiras” em locais estratégicos para a sua defesa.
Paço de Évoramonte
O célebre Paço fortificado (apesar do seu aspecto bélico, era apenas usado para jornadas de caça) com quatro torreões cilíndricos definindo um perímetro quadrangular, de eminente gosto italianizante, e decorado nos panos com nós pétreos, que lhe conferem particular carga simbólica. a meu ver, a lembrar a velha máxima da Casa de Bragança: Depois de vós, nós. Esta campanha palaciana foi dirigida por Francisco de Arruda em 1531, já com um longo currículo ao serviço da Casa Real Portuguesa, a mando de D.Teodósio. De facto, este paço é uma construção sem precedentes em Portugal e na arquitectura militar do Século XVI, sendo demonstrativo do poderio da Casa de Bragança, pela sua localização, grandeza e visibilidade a muitos quilómetros de distância.
Assinale-se ainda um facto da História de Portugal a que se encontra ligada a vila: no n.º41 da Rua da Convenção foi assinada, em 26 de Maio de 1834, a célebre Convenção de Évoramonte, documento que consagrou o fim da fratricida Guerra Civil Portuguesa (1832-1834), entre partidários do Absolutismo e do Liberalismo. Na assinatura do documento estiveram os generais-duques de Saldanha e da Terceira, pelo lado de D.Pedro IV, e de João António de Azevedo e Lemos por D.Miguel.
As ruas no interior do centro histórico de Évoramonte guardam a essência da época medieval, de tranquilidade e da tradição alentejana. Dentro das suas muralhas, reina a calma e a paz, bem como o seu paço, um dos raros castelos portugueses que alia características únicas: pelo conjunto arquitectónico que enquadra, pela excelência da paisagem que dele se pode desfrutar, mas também pela sua importância histórica.
Aspecto parcial de Évoramonte, vista do paço.
Podemos observar a vasta paisagem da planície Alentejana, do topo do Torreão, que emoldura esta pequena povoação histórica amuralhada do Alentejo Central. Se vai pela A6, em direção a Elvas/Badajoz, faça um desvio no seu itinerário de viagem e aproveite para visitar Évora-Monte. Não se vai arrepender. Palavra de Escuteiro (se não é adepto da velha máxima “uma imagem vale mil palavras”).
Vila de Alburquerque (Badajoz, Extremadura Espanhola)
Fronteira Luso-Espanhola
Passeando pelas cidades e vilas da região da Extremadura Espanhola (La Codosera ou Valência de Alcântara), fui descobrir uma vila que me impressionou pelo seu Castillo. Alburquerque, próximo de Badajoz, tem um património histórico-militar impressionante pela sua magnitude e importância, em virtude das constantes guerras e escaramuças travadas ao longo da História entre o Reino de Portugal e de Castela (posteriormente Reino de Espanha). A vida quotidiana, nestas pitorescas vilas, apesar de ficar tão perto da nossa fronteira é completamente diferente da que se vive em Portugal.
Castillo de Alburquerque
O Castelo de Alburquerque (Castillo de Luna) é um dos castelos mais bem conservados de todo o Reino de Espanha. Contém uma História riquíssima sobre a importância estratégica do controlo das fronteiras na zona raia espanhola-portuguesa. Recomendo a visita ao interior da Torre de Menagem, a vista para Portugal e as animações turísticas no seu interior. E não se paga.
Aspecto de uma Rua típica de Alburquerque
Wow…B-R-U-T-A-L! Foram as palavras quando deparei-me com este “Guerreirão de Pedra”. Nunca pensei que tivesse tanta História Lusitana nestas pedras. Vejamos, D. Afonso de Sanches, filho bastardo de D.Dinis foi o primeiro Senhor deste Castelo (andava chateado com o maninho D.Afonso IV). Inês de Castro esteve aqui, enquanto D.Pedro I estava em Ouguela. Mais tarde, durante quase dez anos foi uma praça-forte portuguesa durante a Guerra de Sucessão Espanhola (entre 1705-1715), só devolvida com o Tratado de Utrecht.
Vila de Alburquerque, vista parcial.
Este “Castillo” vale pela paisagem que domina e pelo seu interior. Na minha opinião, um dos mais belos e bem conservados castelos de “Nuestros Hermanos”. Sim,porque, os Espanhóis não brincam em serviço quando se trata de proteger e promover o seu património histórico-cultural.
Centro Histórico
Tive oportunidade de visitar este restaurante espanhol de cozinha de autor durante a minha visita ao Castillo de Luna. Recomendaram-me. E não fiquei desiludido. Tem uma boa relação custo/qualidade. Ideal para almoçar durante uma escapadinha a Espanha, antes de ir para Marvão. Saliento o Gazpacho de Tomate. Gastronomia Simples e elaborada que agrada ao paladar e é um “regalo” para os olhos. Por umas horas fui um súbdito português de Felipe VI de Bourbon, Rei de Espanha.
Fronteira de Marvão-Espanha (Porto Roque)
Bairro Residencial de Porto Roque
Na fronteira de Galegos, porta de entrada para quem vem do Reino de Espanha, existiu um importante polo residencial do concelho de Marvão: o bairro de Porto Roque. Inaugurado em 1972, era constituído por 20 fogos e 16 edifícios com uma área coberta de 3450m2, em 20 hectares de terreno. Com a abolição das fronteiras, em 1993, e com a introdução do espaço Schengen foram desativados os serviços da Guarda Fiscal que funcionavam na fronteira de Galegos, tendo sido todo o património edificado entregue ao tempo, com poucas casas ocupadas e edifícios em avançado estado de degradação.
Marvão
Vila-fortificada de Marvão
Pitoresca vila-fortaleza, situada em pleno interior da Serra de São Mamede, reflete a adaptação do Homem ao meio ambiente durante milénios. A meu ver, Marvão conquista de imediato quem a vê, no alto de um cabeço montanhoso, desde a estrada da fronteira de Porto Roque. É uma sentinela da fronteira, um belo exemplo da arquitectura-militar portuguesa.
Castelo de Marvão
Um amante da História vê o Castelo de Marvão e a paisagem da Serra de São Mamede como testemunha do passado das lutas fronteiriças entre o Reino de Portugal e Castela (mais tarde, Reino de Espanha), sendo que a Guerra da Restauração (1640-1668) foi o zénite da importância bélica desta praça-fortificada. Mais tarde, os confrontos resumiram-se a ocupações pontuais de exércitos estrangeiros, como são exemplos, a Guerra de Sucessão Espanhola (1705-1715) e as Invasões Francesas (1807-1811).
Vila de Marvão,vista Torre de Menagem
O Homem adapta-se ao meio. Aqui, em Marvão, a máxima da Geografia reflete a adaptação do ser humano à paisagem dominada pelo xisto,granito e quartzito em algo que combina o útil ao agradável, um cenário que é um regalo aos olhos e que, ao mesmo tempo, nos dá um dos produtos gastronómicos mais apreciados pelos alentejanos : o porco preto. Ao contrário do litoral desenvolvido e povoado, no Alto Alentejo temos um interior despovoado, e tantas vezes esquecido. Todavia, a importância histórico-militar de Marvão parece fazer esquecer esse distanciamento, através do potencial turístico difícil de igualar.
Rua de Marvão
Há um segredo bem guardado, perto da Vila de Marvão: TRAIN SPOT GUESTHOUSE Deixe-se capturar pela história e beleza da antiga estação de comboios de Marvão-Beirã . Garantimos que só se vai perder de encantos, pela História do Ramal de Cáceres e pela arquitectura industrial desta estação fronteiriça desactivada, que deu lugar a um projecto de alojamento local. É, seguramente, uma viagem pela História.
Castelo de Vide
Falavam-me de Marvão. Tens de ir visitar, Rafael. É um dos locais mais pitorescos de Portugal. Farto de ouvir relatos, de conhecidos e desconhecidos, decidi meter a mochila às costas e ir verificar com os meus próprios olhos. Todavia, não foi a vila fortificada de Marvão que cativou meu olhar fotográfico. A menos de 10 km, do alto do Castelo de Marvão, deparei-me com um casario branco que reluzia na Serra de São Mamede: Castelo de Vide. A Sintra do Alentejo.
Estátua de D.Pedro V
Castelo de Vide é, para mim, um dos locais mais típicos e genuínos do nosso Portugal. O que despertou o meu interesse nesta experiência pessoal? Vejamos, a escadaria que desce pela Judiaria até à Fonte da Vila,as ruelas do Centro Histórico, o antigo burgo medieval e a bela janela da torre de menagem do Castelo medieval.
O que fica na minha memória? Os sentidos, a gastronomia, a arquitectura ,o anfiteatro natural, a história, entre outras coisas mais. Mas, Castelo de Vide transporta uma herança pesada: a perseguição movida pela Inquisição aos Judeus. Tive oportunidade de visitar uma exposição sobre os instrumentos e métodos de tortura utilizados no tempo da Inquisição.
Centro Histórico de Castelo de Vide, vista da Torre de Menagem
Ao “saborear” as ruas e vielas do Alto Alentejo, sem mapas, entramos numa viagem pelo tempo,através de antigos burgos medievais que nos alimentam a alma de viajante. E sabe sempre bem ouvir um Bom Dia ou uma Boa Tarde de um habitante local a um forasteiro que visita a sua aldeia / vila raiana Alentejana, Até parece mal educado não falar. Porque o Homem quando viaja, adapta-se ao meio.
Fonte da Vila
Se quiser saber mais sobre o legado histórico dos judeus em Castelo de Vide, saliento a edição do passado dia 12 de junho do jornal Jerusalem Post inclui um artigo intitulado “Unspoiled Alentejo – Perfect for the art of doing anything” [trad: Alentejo não explorado – perfeito para a arte de não fazer nada”, resultado da press trip de um jornalista de Israel ao Alentejo, através da Agência de Promoção Turística do Alentejo.
Belver
Aspecto Geral do Castelo e da Torre de Menagem de Belver
Belver. Uma motivação antiga. Há muito tempo que “cogitava” para visitar esta aldeia, com quase mil habitantes (censos 2001), e o seu “guerreiro de pedra”.que domina a paisagem em redor. Para mim, esta “Sentinela do Tejo” é um dos mais belos castelos medievais de Portugal. Não tanto pela sua arquitectura militar, de planta circular, com capela no interior, mas pela sua envolvente paisagística. Pela localização estratégica,num altaneiro morro sobranceiro ao Tejo, este Castelo foi o primeiro a ser construído no séc. XII pela Ordem do Hospital, reinava D. Sancho I. O seu objectivo era prevenir novas incursões muçulmanas a norte do Tejo, quando este rio era a fronteira entre duas civilizações: a cristã e a muçulmana.
Panorama do Vale do Tejo,vista da Torre de Menagem do Castelo de Belver.
Para além da visita ao Castelo de Belver, recomendo uma visita ao Museu do Sabão, nas proximidades do centro da aldeia. O projecto museológico está numa antiga Escola Primária do Estado Novo recuperada do abandono, no qual através de uma experiência interactiva – física e visual, podemos fazer uma viagem pelo tempo sobre este produto de primeira necessidade, bem como da memória colectiva dos Saboeiros de Belver.
Museu do Sabão (Belver)
A poucos quilómetros da aldeia de Belver, tive a oportunidade conhecer o Alamal, localizado no concelho de Gavião, no Alto Alentejo, com a sua praia fluvial pitoresca e com uma envolvente paisagística do Rio Tejo/Castelo de Belver ímpar. Mais tarde, fiquei a dormir no Alamal River Club. Trata-se de uma unidade de alojamento local (ex-Inatel), recentemente recuperada por um jovem casal, a Catarina e o Henrique. Destaco a qualidade do projecto turístico, situado numa área com enormes potencialidades dos amantes do turismo ligado a actividades de natureza, cultura e desportos náuticos .
Quinta do Alamal, onde se insere o Alamal River Club
Um dos ex-libris da Praia do Alamal, para além da excelente praia fluvial, são os passeios de barco no Tejo organizados pelo Carlos do Bar/Restaurante da Praia do Alamal. Recomendo um passeio para contemplar as belas paisagens do Vale do Tejo. No meu caso particular,optei por realizar um passeio, em ritmo de treino, de canoagem (6€/hora).
Praia Fluvial do Alamal
O melhor do Alentejo não está no GPS…
Castelo da Amieira do Tejo
A Região do Alentejo, neste caso, o Alto Alentejo, é um destino turístico de excelência em Portugal continetal: a Serra de São Mamede, o Castelo de Marvão, Belver ou o centro histórico de Castelo de Vide, por exemplo. Os lugares que descrevo neste roteiro de viagem ao Alto Alentejo são os muitos pontos altos do percurso que fiz pelas estradas desta região. Mas o melhor mesmo do Alentejo são as suas paisagens monótomas, o património histórico-militar, as suas gentes e a sua gastronomia intocada pelos alentejanos que sabem que têm aí a sua maior riqueza.
Convido-vos a irem lá, constatar o quanto são cativantes estes locais de que já sabíamos a existência. Mas, acima de tudo, aproveitem para explorar um território obscuro que existe em cada um de nós. O espírito de viajante. Viagem,por favor! Recorro a uma frase da obra O Principezinho para explicar a essência desta mini-descoberta pelo Alto Alentejo: este roteiro foi fruto de muito trabalho. Foi uma busca feita com fé, com o coração e um trabalho feito com paixão. “Só com o coração se pode ver bem. O essencial é invisível aos olhos”.
Miradouro do Castelo de Almourol (N118)
Informações
Orçamento para estes dois dias: aproximadamente 200 euros por pessoa (para despesas de refeições, gasolina e entradas nos monumentos).
Mês escolhido: Junho.
Preço médio da refeição: Se for em restaurante, com entrada, prato, copo de vinho e sobremesa, pagam aproximadamente 20 euros por pessoa.
Horários Monumentos: das 10h às 12h30 min e das 14h às 17h (Encerram às segundas-feiras, às terças-feiras da parte da tarde, no último fim-de-semana de cada mês e nos feriados de 1 Janeiro, Domingo de Páscoa, 1.ºde Maio e 25 de Dezembro. Custo (2 €).
Como ir…
Para visitar Belver pode ir de Comboio (CP-Regional), desde o Entroncamento.
Lisboa-Estremoz
A partir de Lisboa opte pela A12, via Ponte Vasco da Gama, e depois pela A6 até Évora (Elvas/Badajoz). Saia em Évoramonte. Siga na direção de Estremoz (N18).
Estremoz-Albuquerque-Marvão
Se já se encontra na cidade de Estremoz (IP2) tome a direção de Arronches/Monforte, pela N369, até à fronteira de Espanha (Aldeia da Esperança)
Em Espanha opte pela estrada BAV-5004 em direção a La Codosera e depois pela BA-008 e EX-110 que vai dar a Albuquerque.
De Albuquerque a Valencia de Alcântara seguir pela EX-110. De Valencia Alcântara até Marvão seguir pela N-521 e, em Portugal, por N246-1 e depois virar para a N359 (Beirã/Marvão)
Marvão-Castelo de Vide – Gavião
A partir da vila de Marvão opte pela N246 até Castelo de Vide. Depois continue pelo IP2 até Gavião-Belver. Saia em Gavião (EN118). Alamal River Club (N244) – Barragem de Belver.
Belver – Gavião
Se pretender ir de Gavião para Belver ou Mação, deverá seguir pela EN118 até Alvega, seguir pela EN358 de Alvega até Mouriscas e pela EN3 de Mouriscas até Mação e prosseguir até Belver e inverso.
Onde ficar:
No que toca ao alojamento, optei pelo D.Dinis Low Cost Hostel, em Estremoz, o GuestHouse Train Spot, em Marvão (Beirã), e o Alamal River Club, em Gavião, localizado próximo de Belver. Os dos últimos,a meu ver, são os ideias para quem gostar do conceito de viajar com tempo e com calma (Turismo de Natureza, Lazer e Cultural). De referir que os alojamentos contam com serviço pequeno almoço, à excepção do D.Dinis Low Cost Hostel.
Onde Comer:
Neste particular, a bochecha de porco preto do restaurante A Confraria, em Castelo de Vide, o gazpacho do restaurante El Fogon de Santa Maria, em Alburquerque (Espanha) e as migas do restaurante Sabores de Marvão, na aldeia da Beirã-Marvão, contam-se entre os petiscos e sugestões durante uma visita ao Alto Alentejo – uma região que não nos convence apenas pela paisagem,mas também pelo paladar.
Viaje,mas devagar. Aventure-se Além do Tejo! E descubra-se.
Nota importante
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Texto: Rafael Oliveira | Fotografia: Oliraf Fotografia
Situada no encontro da foz do Rio Tejo com o Oceano Atlântico, Lisboa é uma cidade com uma longa e forte tradição marítima, sendo a única capital europeia com praias atlânticas.
Vila de Sesimbra @ OLIRAF (2016)
Ir à praia em Lisboa, a meu ver, torna-se um caso complicado na altura de fugir à confusão dos banhistas da Costa da Caparica ou da Linha de Cascais. Por isso, é imprescindível escolher um local mais sossegado para retemperar as energias e evitar a confusão.
Praia da Ribeira do Cavalo…
Com mais de duas dezenas de praias com Bandeira Azul, a costa de Lisboa oferece variadas escolhas para a prática de desportos náuticos ou ir a banhos. Todavia, a Costa de Sesimbra tem uma das mais belas praias de Portugal, em virtude do seu lado selvagem, das águas límpidas e calmas.
Trilho Pedestre ® OLIRAF (2016)
Na península de Setúbal, entre o Cabo Espichel e a Vila de Sesimbra, no concelho de Sesimbra, fica uma das mais belas praias de Portugal: a Praia da Ribeira do Cavalo. Pela sua localização geográfica ímpar, entre o azul turquesa do oceano e o verde das escarpas, esta praia não conta com diversos serviços de apoio, como um nadador-salvador no período de época balnear. O areal tem dimensões razoáveis para a prática balnear. Apesar de pouco movimentada, visite-a pela manhã e usufrua deste pequeno paraíso, sem estar nas costas do Mediterrâneo ou do Sudeste Asiático. Na minha opinião, é um dos melhores locais para fazer Snorkeling ou dar umas braçadas. A praia da Ribeira do Cavalo deveria ser considerada “Reserva Natural de Tranquilidade”.
Praia da Ribeira do Cavalo ® OLIRAF (2016)
Em Suma, a praia da Ribeira do Cavalo é um paraíso exótico e único que está, sensivelmente, a 40 km da cidade de Lisboa. Seja responsável, divirta-se e respeite a harmonia Natureza!
Como ir…
A partir de Lisboa opte pela A2 (Algarve), via Ponte 25 de Abril, em direcção a Setúbal. De seguida, saia em Fogueteiro (Rio Sul). Siga na direção da Vila Sesimbra (N310). Após a chegada a Sesimbra, siga para o fim do pontão do porto de abrigo. No final, irá encontrar uma estrada de terra batida – o “Centrão” – que dá acesso a um caminho pedestre que nos leva à Praia do Ribeiro do Cavalo. São cerca de 20 minutos em trilho pedestre, com um nível de dificuldade médio/dificil. Não é aconselhado levar crianças e idosos.
O que levar…
Como se trata de uma zona natural e selvagem, é vital fazer uma mochila com o necessário para o seu dia na praia. Leve calçado confortável para caminhas, uma vez que o trilho é íngreme e ainda são umas dezenas de metros até ao paraíso. E não se esqueça do saco do lixo!
Coordenadas GPS: Latitude 38.432620 | Longitude -9.129870
Não deixe de…
passear ao longo da praia;
dar um mergulho no Oceano Atlântico;
fazer Snorkeling / Mergulho;
Almoçar e provar o peixe e o marico na Vila de Sesimbra;
Visitar o Castelo de Sesimbra.
Nota importante
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Nota importante [👤]
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎
Sabia que Lisboa foi eleita recentemente com o prémio Travel Media Awards 2016 para a categoria de ‘Best City or Short Break Destination’, isto é, a melhor cidade para fazer estadias de curta duração. É um facto. Lisboa está na moda. E para quem “deambula” pela urbe alfacinha, poderá comprovar este facto com os milhares de turistas que afluem à capital portuguesa.
Praça do Comércio
Viajar é uma das actividades mais apreciadas pelo “homo sapiens”. A hipótese – que durante largos anos pertencia exclusivamente às elites burguesas – de conhecer diferentes locais, absorver diferentes culturas, provar diferentes sabores, conviver com diferentes pessoas, fascina grande parte dos habitantes terrestres. Contudo, o trabalho, os elevados custos associados e a rotina familiar não permitem que as viagens aconteçam com a frequência que desejamos. Aprendi que é importante aproveitar ao máximo cada uma. Não deixe que as suas viagens terminem no dia em que tem regresso marcado para casa. E porque não começa pela sua própria cidade? No meu caso, adoro perder-me por Lisboa. Esta cidade está sempre a surpreender-me a cada avenida, praça, rua, ruela, beco, etc.
Cais das Colunas, Lisboa.
Num instante de tempo e de luz…o património arquitectónico e humano da cidade de Lisboa emerge. Tira uma tarde e parte à descoberta da tua cidade, neste caso, foi Lisboa. Fotografa, e acima de tudo contempla, os bonitos cenários que a cidade oferece.
Haverá melhor forma de despertar a consciência cultural do património edificado que temos em nós? Nada como gastar “rolo” pela cidade que me viu nascer. E pela qual sou apaixonando desde “cachopo”.
Perante o limite das 24 ou 36 exposições em filme fotográfico, há que escolher bem o que se fotografa. Pensar o assunto. E depois “click”. A Fotografia Urbana, a meu ver, ajuda-nos a preparar para um futura viagem ao estrangeiro. E na minha opinião, a cidade de Lisboa é uma excelente opção para começar a “treinar”. Simplesmente. Por vezes, as pessoas “atrapalham” as fotografias de paisagem urbana ou natural. Mas, com o tempo vamos percebendo que são as pessoas que dão vida às cidades e não obstruem a vista ou a fachada de um qualquer monumento que nos impressiona.
Está na hora de usar a máquina fotográfica, o telemóvel, o tablet… para captar imagens inéditas do Património Cultural. Fontes, igrejas, palácios, casas ou ruas podem servir de inspiração e a descobrirem a riqueza patrimonial da cidade de Lisboa. Aproveite os dias de sol que se avizinham e fotografe o seu (ou os seus) monumento ou sítio favorito em Lisboa.
A História de Portugal escreve-se também através do seu património e arquitectura urbana e, neste aspecto, Lisboa guarda tesouros que nos “enfeitiça” pelo seu esplendor e monumentalidade. Aventure-se por esta Lisboa. Multicultural. Terra de marinheiros-viajantes. Adoro as virtudes desta cidade…”É uma casa portuguesa, com certeza!” Este post poderá ser uma fonte de inspiração para um passeio de um dia, fim-de-semana ou mesmo para umas férias.
A Documentação fotográfica apresentada pertence, na sua maioria, ao espólio fotográfico de OLIRAF.
Máquina: Yashica 3x Super 2000
Rolo: Kodak/ Fugifilm 35 mm
Formato: 10 x15 cm
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
Escapadinha à descoberta da Rota do Românico: três dias e duas noites pela região do Vale do Sousa, Tâmega e Douro.
Igreja de São Gens de Boelhe, Penafiel
À “boleia” da minha nomeação para os BTL Blogger Travel Awards 2016, a responsável do Enoturismo da Quinta da Aveleda, S.A, A Dr.ª Chantal Guilhonato, convidou-me a visitar a Quinta e a região na qual esta se insere. Assim, após várias trocas de e-mails, agendamos a minha visita para 23 a 25 de Abril. Nesta “roadtrip”de três dias, em que realizei quase 1500 km, tive a oportunidade de visitar a região de Entre-o-Douro-e-Minho. Tratou-se de uma experiência em que tomei contacto com a natureza, a gastronomia local e o património histórico-cultural da Rota do Românico, delimitado geograficamente, pelos vales do Sousa, Douro e Tâmega.
Esta escapadinha fotográfica, durante a qual o tempo variou entre o nublado e céu limpo, mas o suficiente para contemplar a beleza natural e o património histórico-cultural edificado desta região do Norte de Portugal. Este roteiro fotográfico apenas mostra uma pequena fração do que pude vivenciar e o que se pode encontrar na Rota do Românico pelos concelhos de Paredes, Penafiel, Amarante e Celorico de Basto. Espero que o mesmo, sirva para aguçar o paladar e a motivá-lo a visitar esta região. Através da consulta dos principais pontos de interesse da Rota do Românico, inclui paragens no Centro Histórico de Amarante, na Aldeia de Quintadona, Quinta da Aveleda (Penafiel) e na cidade de Guimarães (não necessariamente por esta ordem). São cenários dominados por aldeias, cidades e serras capazes de garantir uma experiência de viagem ímpar.
Na minha opinião pessoal, apesar de Portugal de ser um país com um território relativamente pequeno, cerca de 90.000 km2, é fácil perdermos uns dias ou uma semana a explorá-lo e ainda assim não ter tempo suficiente para desfrutar de tudo o que nos oferece. Há que sair da nossa “zona de conforto”. Porque não encontrar o nosso “true self”? Há que experienciar e não apenas viver. Quando realizamos uma viagem, seja em Portugal, na Europa ou no Mundo, voltamos sempre com pequenas ou grandes estórias para contar à nossa família, amigos ou colegas de trabalho. E voltamos sempre com boa energia.
Dia 1 – Roteiro pela Rota do Românico (23 de Abril)
A antiga linha ferroviária do Tâmega cedeu lugar a uma ecopista que faz a delicia aos amantes da modalidade de BTT
A Região Norte é uma das mais antigas regiões de Portugal e uma das mais densamente povoadas, desde os primórdios do Condado Portucalense. De facto, uma boa parte da nobreza e das ordens religiosas derivaram desta região e, ajudaram, a fomentar a futura formação do reino de Portugal e a consolidação deste com a (re) conquista cristã aos Mouros.
A Rota do Românico permite compreender as antigas raízes da organização da propriedade no Norte de Portugal e da importância das instituições eclesiásticas e senhoriais no povoamento, defesa e fixação das populações ao longo dos tempos, em especial, durante a Idade Média. De facto, ao percorrer o património militar e religioso desta rota, verificamos a influência da nobreza local/senhorial e das ordens religiosas na sua edificação.
Torre do Vilar, Vale do Sousa, LousadaMosteiro de Salvador de Travanca, Vale do Tâmega, Amarante.
Locais como o Castelo de Arnoia, o Mosteiro de Travanca, Mosteiro do Salvador de Paços de Sousa, entre outros de interesse turístico e cultural dos concelhos de Celorico de Basto, Amarante, Paredes e Penafiel estiveram em destaque neste primeiro dia.
O Castelo de Arnoia, concelho de Celorico de Basto, é o único “Guerreiro de pedra” da Rota do Românico.Mosteiro do Salvador de Paços de Sousa, Penafiel, Porto.
Situada na Freguesia de Lagares, concelho de Penafiel, é uma das Aldeias de Portugal. Apresenta potencialidades turísticas em meio rural, em virtude de estar bem preservada, tendo uma beleza e arquitectura singulares. Trata-se de uma Aldeia de Xisto situada numa região dominada pela pedra granítica. É um bom exemplo da dinâmica do Espaço Rural, apesar da sua proximidade dos grandes centros urbanos da área metropolitana do Porto.
Janela tipica da Aldeia
Dia 2 – Visita à Quinta da Aveleda (24 de Abril)
Aspecto da Casa Senhorial
Finalmente, o motivo que nos levou até aqui. Aveleda. Quinta da Aveleda. Para muitos amantes de Baco, o vinho da Aveleda encontra-se entre os melhores vinhos verdes de Portugal e do Mundo. O Blogue Oliraf Fotografia foi gentilmente convidado a visitar a Quinta da Aveleda com a seguinte frase: “Se a sua objectiva o levar até Penafiel, teríamos o maior prazer em o receber na Quinta da Aveleda.”
Tive a oportunidade de realizar uma visita guiada, com uma guia turística, a jovem Renata Figueiredo. Explica-me, passo-a-passo, os principais pontos de interesse do jardim botânico, das casas de campo e a importância histórica da Quinta da Aveleda. A meu ver, o que mais me impressionou foram a quantidade de espécies botânicas existentes no jardim e a importância social e de lazer que estes tiveram na história local e nacional. Sabia que o príncipe herdeiro, filho de D.Carlos I, D. Luís Filipe de Bragança, e o seu aio, Mouzinho de Albuquerque (o herói de Chaimite) almoçaram, em Outubro de 1901, numa das mesas existentes do jardim botânico? Este pormenor histórico, marcou-me a minha visita. Cenas de Historiador.
Adega Velha, que dá nome à famosa aguardente aqui produzida.
Para além do vinho verde, a Quinta da Aveleda também é conhecida pelos jardins (em estilo Inglês),pelo seu património histórico-cultural, pelas compotas e queijos que fazem as delícias dos seus visitantes.
Os vinhos Quinta da Aveleda e Casal Garcia Rosé.
Se já conhece o vinho, porque não visitar a Quinta que lhe dá o nome? Uma excelente sugestão para quem gosta de Enoturismo.
Dia 3 – Roteiro Histórico pelo Centro Histórico de Amarante e de Guimarães (25 de Abril)
Amarante
Centro Histórico de Amarante
O Centro Histórico da Cidade de Amarante, distrito do Porto, apaixona qualquer amante da arte fotográfica. Trata-se de uma cidade onde a magnificência do granito não intimida, antes convida a um passeio pelo centro histórico. Atravessa-se a pé pela belíssima ponte granítica de São Gonçalo, padroeiro da cidade, com mais de 200 anos, sobre o rio Tâmega. Esta ponte reconstruída no reinado de D.Maria I, finalizada em 1791, em conjunto com a Igreja e o Convento de São Gonçalo, é o “ex-libris” da cidade amarantina. Tive a oportunidade de visitar o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso (a entrada custa 1 €) e admirar algumas suas obras modernistas. Infelizmente, uma parte da coleção estava na Exposição na Galeria do Grand Palais em Paris. Aproveite a visita ao Centro Histórico para conhecer os inúmeros cafés, esplanadas e confeitarias que servem os célebres doces conventuais amarantinos, como os foguetes, as lérias e as brisas.
Ponte de São Gonçalo – Século XVIII
No Contexto das Guerras Napoleónicas, em especial da Guerra Peninsular (1807-1814), a Defesa da Ponte de Amarante foi um dos episódios mais marcantes da IIªInvasão do Grande Armée de Napoleão Bonaparte, comandando, desta vez, pelo General Soult. As forças francesas lutaram com os milicianos, ordenanças e voluntários civis das forças do Brigadeiro Silveira, entre 18 de Abril a 2 de Maio de 1809, pela posse desta ponte estratégica que ligava a região do Douro ao Minho (Régua-Guimarães) e da região de Trás-os-Montes (Porto-Vila Real-Chaves). Tratou-se de uma vitória estratégica dos Portugueses em retirada para Trás-os-Montes,apesar da vitória dos Franceses.
Igreja e Convento de São Gonçalo de Amarante
Guimarães
“Aqui nasceu Portugal”. Há lugares que respiram História. Quem chega à Praça do Toural, não pode ficar indiferente a estas palavras. De facto, é a frase que todo o vimaranense tem orgulho de proferir, conta um transeunte local que tive oportunidade de abordar durante a minha “visita-relâmpago” ao Centro Histórico de Guimarães.
Largo do Toural
O Centro Histórico de Guimarães encontra-se classificado, desde Dezembro de 2001, como património mundial da UNESCO. Ao percorrermos as ruas e as ruelas do centro histórico compreendemos a razão da sua distinção. Confesso que já tinha saudades de deambular pelas ruelas sem mapa e seguir ao sabor da arquitectura do local.
Largo da Oliveira vs Monumento da Batalha do Salado
A cada passo respiramos História. Afinal, a cidade de Guimarães é conhecida por ser o “berço” fundador da nacionalidade e identidade Portuguesa. De facto, foi aqui que tiveram lugares os principais acontecimentos políticos e militares (a Batalha de São Mamede, em 1128, entre as hostes de D.Afonso Henriques e da sua Mãe, D.Teresa) que, mais tarde, levariam à independência do Condado Portucalense face ao Reino de Leão, ocorrida em 1139.
Castelo de Guimarães
Em Síntese, a Rota do Românico surpreendeu-me pelo imenso património histórico-cultural e pela variedade paisagística que nos oferece. A meu ver esta região Norte de Portugal ainda tem mais encanto por três razões: boa gente, boa comida e bom vinho.
Foi possível comprovar o que estudei nos bancos da Universidade, durante a minha Licenciatura em História (com algumas cadeiras de Geografia pelo meio), com a experiência do trabalho de campo. De facto, a experiência pessoal ajuda a comprovar a informação que nos foi ensinada na Universidade, acompanhando, assim, o nosso processo de saber e aprendizagem ao longo da vida.
Ao percorrer as aldeias e as paisagens da região do Românico, recordo-me do romance A Cidade e as Serras, a última obra do escritor Eça de Queirós. A temática Campo versus Cidade está sempre presente ao longo desta obra. De vez em quando, gosto de retemperar a alma e adquirir novos horizontes para enfrentar os novos desafios que enfrento no caos urbano da cidade de Lisboa. Porque, para mim, ir é o meu verbo preferido…
Nas proximidades da Casa Valxisto, o Winebar Casa da Viúva é um espaço que combina arquitectura rústica da Aldeia de Quintadona com uma elegante decoração. Aqui podemos provar um bom vinho da região e pestiscar umas belas tapas.
No blogue www.oliraf.wordpress.com iremos abordar mais à frente a visita à Quinta da Aveleda, Aldeia de Quintadona, Rota do Românico e aos Centros Históricos de Guimarães e Amarante, onde poderá seguir as minhas dicas de viagem, do que fazer e comer neste locais. De facto, em Portugal existem experiências fundadas na História. Resta ao leitor descobrir com ou sem as minhas dicas. O importante é ir…vivê-las.
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
Poucas ocasiões oferecem tantas oportunidades fotográficas como as férias de Verão. Como tal, decidi fazer algo diferente no longínquo Verão de 2015: um voluntariado num Projecto de várias instituições nacionais e europeias. O Voluntariado é,na minha opinião,uma das inúmeras formas de viajar, onde podemos enriquecer o nosso currículo académico,profissional e pessoal. E,claro, ajudar o próximo. Importa salientar que nas minhas deslocações, há sempre um motivo fotográfico, como tal, tirei uma semana para fazer uma escapadela fotográfica a uma das reservas naturais de Portugal, classificada como Reserva da Biosfera da UNESCO (2011).
Sempre tive curiosidade em ir à Ilha da Berlenga. Durante os Verões de infância e adolescência que contemplava a Ilha da Berlenga, desde Santa Cruz (Concelho de Torres Vedras). Dizia para mim: um dia irei lá. Sabia que eram umas ilhas ao largo de Peniche e, confesso, que sempre despertaram grande interesse. Já lá queria ter ido há algum tempo. Assim como quero ir aos Açores. Decidi-me de uma vez por todas a cumprir um desejo antigo.
O “Berlenga” (UAM-675 c.1966)
Esqueçamos os barcos apinhados de turistas que cruzam o istmo de Peniche e a Ilha da Berlenga. Aventura que é aventura, tem de ter um meio de transporte alternativo. Ora, para atingir a Ilha da Berlenga, onde me esperava uma semana intensa e entusiasmante, tive o privilégio de viajar no “Berlenga”. Assim, de onda em onda vencemos esta pequena “epopeia marítima”. De realçar, que o Berlenga é um antigo pesqueiro adaptado pela Marinha Portuguesa para a rendição dos faroleiros entre a Nazaré e a Ilha da Berlenga. Foi assim que partimos para a nossa aventura rumo à Berlenga.
O Cabo Carvoeiro, ao largo da Península de Peniche, e a “Nau dos Corvos”.
Ao longo da viagem para a Ilha da Berlenga podemos observar a fauna, o património e o quadro físico da Costa Atlântica da Peninsula de Peniche. Na saída do Porto de Peniche podemos contemplar um dos principais complexos portuários de Pesca da Costa Portuguesa e as suas respectivas embarcações, bem como a Fortaleza de Peniche, o Cabo Carvoeiro, entre outros locais de interesses. Estes foram os que me despertaram especial atenção. O oceano atlântico, ao largo do cabo Carvoeiro, apresenta-se quase sempre agitado, difícil para os navegantes, pescadores e turistas que se aventuram, por exemplo, numa ida ao Arquipélago das Berlengas.
Localização
O arquipélago das Berlengas é constituído por um conjunto de ilhéus (a Berlenga Grande, as Estelas e os Farilhões) e situa‑se no litoral ocidental português, a cerca de 10 km da península de Peniche. Pertence administrativamente ao concelho de Peniche, distrito de Leiria. A Berlenga Grande é a maior ilha do arquipélago, com uma extensão de 80 hectares. Trata-se de uma Ilha de massa granítica e a única que pode ser visitável entre a Primavera e o Verão. De referir que a Reserva Natural das Berlengas compreende uma área muito vasta de reserva marinha situada na envolvente do arquipélago.
Panorâmica da Berlenga Grande ou Ilha da Berlenga
A Berlenga Grande, geomorfologicamente, apresenta a forma de um planalto no topo, sendo a sua costa de difícil acesso e constituída por arribas. Na costa Sudeste, existem diversas enseadas que constituem abrigos naturais (Grutas), por vezes coincidindo com a presença de pequenas praias. A travessia marítima para a ilha nem sempre é fácil, especialmente no Inverno, bem como a acostagem de embarcações.
Farol da Ilha da Berlenga
Para além das atrações patrimoniais e paisagísticas desta ilha atlântica, a Fauna e a Flora são únicas no mundo, isto é, espécies endémicas, devido à sua localização geográfica (Ilha, isolamento e meio ambiente singular). Assim, podemos encontrar algumas espécies marinhas e terrestres como, por exemplo, Corvos-marinhos, airo, pardelas, gaivota-de-pata-amarela, a largatixa de Bocage, entre outros. Salienta-se a existência da maior colónia de nidificação para a avifauna marinha (neste caso, as Pardelas) e ponto de passagem para um grande número de aves migradoras. Se dormir na ilha à noite poderá escutar o canto típico das Cagarras/Pardelas.
Gaivota-de-pata-amarela e respectivas criasApoio de campismo da Ilha da BerlengaForte de S.João Baptista
O Arquipélago das Berlengas ao longo da História…
Situada numa região de intenso tráfego marítimo, o arquipélago das Berlengas sempre foi um local apelativo e ao mesmo tempo perigoso para a navegação. De facto, a ocupação humana da Ilha da Berlenga tem mais de dois mil anos como comprova a investigação arqueológica levada a cabo por Jacinta Bugalhão e Susana Lourenço.Comprovou-se, segundo o estudo citado anteriormente, que a Ilha da Berlenga era utilizada como fundeadouro para embarcações comerciais de médio e longo curso, nomeadamente aquelas que percorriam as rotas de ligação entre o Mediterrâneo e os territórios romanos atlânticos.
A ilha da Berlenga Grande, ao largo da costa de Peniche, foi ocupada na primeira década do Século XVI, por uma comunidade de monges Jerónimos que ali fundará o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga, em 1502, para auxiliar os náufragos, por ordem do Venturoso, el-rei D.Manuel I (1495-1521). Em virtude do isolamento, este arquipélago foi um refúgio de corsários e piratas, que assolavam a costa portuguesa, o que levou a comunidade monástica a abandonar a Ilha pelos constantes ataques. Mais tarde, no Século XVII, o monarca D.João IV (1640-1654) mandou edificar de uma fortaleza para complementar a defesa da costa e da cidadela de Peniche. Assim, sobre um ilhéu junto à enseada da Ilha foi construído o Forte de São João Batista
Ponte de alvenaria de acesso ao ilhéu onde se encontra o Forte de São João Baptista
Um dos mais conhecidos episódios desta Fortaleza nos anais da História de Portugal foi ataque da armada espanhola, comandada pelo almirante castelhano Diogo Ibarra que tinha por objetivo raptar a rainha D. Maria Francisca de Saboia na sua chegada a Portugal, à época do seu casamento com D. Afonso VI. Logrado o objectivo principal, em Junho de 1666, a armada espanhola decidiu atacar esta fortificação, tendo bombardeado durante dois dias, acabando o forte por ser tomado pelos castelhanos, após uma operação de desembarque anfíbio. A guarnição portuguesa, cerca de trinta soldados e oficiais, era comandada pelo Cabo Avelar Pessoa,que se notabilizou nesta Batalha, foram capturados e levados para Espanha.
Durante as Invasões Francesas, o forte serviu de base para a Royal Navy para o patrulhamento e assédio à cidadela de Peniche, tendo sido posteriormente pilhada pelos franceses. No decorrer das lutas entre liberais e absolutistas (1828-1834) foi utilizada de base às tropas de D. Pedro IV para a conquista da fortaleza de Peniche, ocupada por forças miguelistas. Na 2ªMetade do Século XIX, esta fortificação acabou por ser abandonada. Já na década de 50 do séc. XX, a Fortaleza de São João Baptista foi restaurada pela então Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais para uma posterior adaptação do espaço a pousada, servindo de abrigo a quem aí deseje pernoitar. Aliás, são estas as funções que hoje apresenta.
O farol Duque de Bragança, conhecido como farol da Berlenga, está instalado no planalto da Berlenga Grande, antes do acesso ao Trilho do Forte, no ponto mais alto da ilha. Entrou em funcionamento em 1842 durante o reinado de D. Maria II (1836-1853). Inicialmente, era alimentado por combustíveis naturais e fósseis (primeiro azeite e depois petróleo), sendo posteriormente electrificado em 1926. Desde 2000 e juntamente com as residências anexas funciona com energia solar. A torre tem uma altura máxima de 29 m e ainda mantém a presença de faroleiros, bem como dos respectivos vigilantes de apoio à reserva natural. Quando a energia eléctrica é desligada pelas 23h, a única luz que ilumina a Ilha provém deste Farol.
O Bairro de Pescadores ou Bairro Comandante Andrade e Silva (1991) foi edificado na década de 40 do Século XX pelo Capitão do Porto de Peniche, António de Andrade e Silva, para albergar a comunidade piscatória da Berlenga. Ainda hoje tem estas funções sociais,mas com o advento do turismo muitas delas foram ocupadas e frequentadas por veraneantes.
Trilhos e Percursos pedestres…
O carreiro dos Cações e o carreiro do Mosteiro quase separam a ilha da Berlenga em dois ( em virtude de uma uma falha geológica), a ilha Velha e a Berlenga. Existem dois trilhos que permitem visitar cada um destes lados da ilha. A circulação fora destes trilhos é proibida para proteger e conservar a frágil fauna e flora desta ilha atlântica. O Ponto de partida e chegada é o cais junto ao Bairro dos Pescadores, tem uma extensão aproximada de 2 km e uma duração de uma hora. O grau de dificuldade é fácil, mas a subida para o Farol e descida do Forte apresentam alguma dificuldade.
Este percurso pedestre permite observar o coberto vegetal e as espécies da avifauna patentes na Ilha da Berlenga. Ao longo deste, podemos observar paisagens fantásticas, com penhascos íngremes, tendo como pano de fundo o oceano.
Dica: não saia dos Trilhos, pois pode perturbar e colocar o património natural em perigo. Pode arriscar a ser “alvo” de voos picados pelas gaivotas na protecção das suas crias.Trilho da Ilha Velha
Trilho da Berlenga…
Este trilho pedestre permite aceder ao património histórico construído da Ilha da Berlenga, nomeadamente o forte de São João Baptista e ao Farol Duque de Bragança. O trilho de acesso ao forte apresenta dificuldade elevada, pelo seu acentuado desnível. Aconselha-se a levar calçado apropriado às condições do terreno.
Os Ilhéus das Estelas e Farilhões
Planalto da Ilha da Berlenga
ACTIVIDADES
Durante a visita ou estadia na Ilha da Berlenga, depende do número de horas/dias que queira ficar, é possível efectuar diversas actividades lúdicas ligadas à natureza e desporto, tias como, a visita à grutas, snorkeling, canoagem, mergulhos, caminhadas, observação de aves, entre outras.
ALOJAMENTO
É possível pernoitar na Ilha da Berlenga. Existem três possibilidades: no apoio de campismo (C.M.Peniche – Posto de Turismo), na Pousada do Forte S. Julião Baptista (Associação de Amigos das Berlengas) ou no Restaurante Mar e Sol.
Aconselha-se a quem quiser pernoitar na ilha a levar lanternas e mantimentos, água doce incluída. Na ilha existe apenas um minimercado com produtos essenciais. A eletricidade é cortada à 1 hora da manhã. A torneira de água doce comunitária está aberta entre às 9 e 11 h da manhã todos os dias.
CAMPISMO
Depois de ter encerrado [em 2020] devido às restrições da pandemia Covid-19, a área de campismo ocasional da ilha das Berlengas, ao largo de Peniche, reabriu no Verão de 2024. Tem lotação limitada a 33 campistas, divididos por 14 espaços; os campistas estão limitados a uma permanência de cinco noites seguidas ou 10 interpoladas. Estas limitações devem-se aos efeitos do turismo sobre as espécies e habitats naturais sensíveis, tendo em conta a pequena dimensão terrestre do arquipélago. A autarquia de Peniche cobra uma taxa por cada noite aos campistas de 20,60 euros para duas pessoas, 29,90 euros para três pessoas e de 39,20 euros para quatro pessoas, na mesma tenda.
PREÇOS
O barco de ida para a ilha, o Cabo Avelar Pessoa, da empresa Viamar, faz viagens de 12€ por pessoa (a reserva pode ser feita por telefone e é pago perto do porto de embarque em Peniche) e o preço de volta para Peniche num dia diferente é de 7€ no mesmo barco (pago no barco). O bilhete fica mais barato caso a pessoa vá e volte no mesmo dia.
Para visitar as grutas das Berlengas, são 5€ por pessoa, dependendo da companhia marítimo-turística que detenha o barco. Já a visita ao Forte é gratuita.
➡️ BERLENGAS-PASS | REGISTO OBRIGATÓRIO ⬅️
A plataforma BerlengasPass permite-lhe agendar a sua visita ao Arquipélago das Berlengas.
É obrigatório, desde 1 de Junho de 2022, registar-se online e a pagar a taxa turística que permite conhecer a Ilha da Berlenga, ao largo de Peniche, em segurança. A licença poderá ser obtida na plataforma Berlengas-Pass, bem como o pagamento da taxa de acesso e permanência na ilha.
TRANSPORTE
O acesso terrestre à ilha da Berlenga está condicionado pela sua capacidade de carga, estipulada em 550 visitantes/dia (através da Portaria n.º 355/2019, de 22 de maio) a permanecer em simultâneo na área terrestre da ilha da Berlenga, minimizando os efeitos da visitação sobre os habitats e as espécies em presença. Em virtude deste facto, o Ministério do Ambiente decretou, a partir de Abril de 2022, a cobrança de uma taxa diária para os turistas que queiram conhecer a Ilha da Berlenga. A taxa turística tem um custo de três euros por dia e por pessoa e dá acesso à área terrestre da ilha da Berlenga (Portaria n.º 19/2022, de 5 de janeiro, Diário da República). Os visitantes maiores de 6 anos e menores de 18 anos e os visitantes a partir de 65 anos pagam 50 % do valor da taxa, ou seja, 1,5 €. Os habitantes da Ilha (e trabalhadores) e de Peniche estão isentos.
A viagem é feita de barco, desde o Porto de Peniche, tendo a viagem a duração de uma hora. Os barcos de passageiros funcionam de Maio a Setembro, fora desse período não existe transporte regular. O Barco “Cabo Avelar Pessoa” é o transporte marítimo regular com maior capacidade de carga e de passageiros. Há também diversas embarcações os Marítimo-Turística (Barco Julius, Rumo ao Golfinho, TGV, etc) que levam entre 40 a 10 passageiros que permitem o acesso à ilha de uma forma cómoda e mais rápida.
A ilha da Berlenga é um dos mais conhecidos destinos turísticos na região Oeste de Portugal durante a época de Verão. De facto, a visita a esta Ilha vale pela viagem, a vista de Peniche/Cabo Carvoeiro, a visita as Grutas e pela visita ao Forte da Berlenga, por exemplo. Foi das melhores experiências vividas que já fiz e está tão perto da costa Portuguesa que merecia um maior interesse pelos nossos concidadãos. Todavia, não recomendo visitar no “Querido Mês de Agosto”, em virtude de ser muito solicitada pelos turistas portugueses e estrangeiros.
A gastronomia e a experiência da viagem. A História e as paisagens. Os Pescadores e os Faroleiros. Convido-vos a irem lá, confirmar o quanto é maravilhoso este local. Mas, sobretudo, aproveitem para acampar ou alugar uma casa para “saborear” e sentirem o verdadeiro espírito da Berlenga. Não se esqueça de levar comprimidos para o enjoo durante a viagem. Depois, não digam que avisei.
Durante a minha estadia na Ilha, repetia esta frase: Estou na Ilha da Berlenga. Era uma constatação intensa. Senti-a muitas vezes quando olhava,do topo do Farol Duque de Bragança, os barcos apinhados de turistas rumo ao Continente (Peniche). Ali, foi onde senti estas palavras de forma mais libertadora. Havia uma estranha serenidade a “entranhar-me” a alma.
Se gosta de fotografia, vai ficar encantado com o cenário, sobretudo antes do sol se pôr, mas evite viver a experiência somente através da objectiva da sua câmara fotográfica ou do ecrã do telemóvel. Há que sair da nossa zona de conforto. E descobrir o nosso “true self”. De facto, há lugares que incentivam as nossas capacidades técnicas, criativas e naturais do verdadeiro fotógrafo-viajante dentro de cada um de nós.
Para mais aventuras fotográficas, pode encontrar-me nas redes sociais em OLIRAF FOTOGRAFIA .
Viaje,mas devagar. E Aventure-se na região Oeste!
Bibliografia
ALVES, F. et al (1989) Os cepos de âncora em chumbo descobertos em águas portuguesas – contribuição para uma reflexão sobre a navegação ao longo da costa atlântica da Península Ibérica na Antiguidade. In O Arqueólogo Português, série IV. Vol. 6/7. ALVES, F. (1994) Os dois cepos de âncora em chumbo pré-romanos da ilha Berlenga. Relatório. Lisboa: Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática BANDEIRA, L. (1984) “Berço Manuelino” recuperado ao largo das Berlengas. In Série Arqueológica, vol. 1, Museu do Mar. Cascais: Câmara Municipal de Cascais. BUGALHÃO, J. & LOURENÇO, S. (2001) Ilha da Berlenga, Bairro dos Pescadores: relatório dos trabalhos arqueológicos. Relatório interno. Lisboa: Instituto Português de Arqueologia DIOGO, A. (1999) Ânforas provenientes de achados marítimos na costa portuguesa. In Revista Portuguesa de Arqueologia, 2:1. Lisboa: Instituto Português de Arqueologia. FERREIRO LOPEZ, M. (1988) La campaña militar de Cesar en el año 61. In MENAUT, G. ed., Actas del 1º Congreso Peninsular de Historia Antigua. Santiago de Compostela: Universidad de Santiago de Compostela. SANTOS, J. (1994) As Berlengas e os Piratas. Lisboa: Academia de Marinha TRINDADE, J. (1985) Memórias Históricas. Lisboa: INCM/Câmara Municipal de Óbidos.
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 📷 Fotografia: Oliraf Fotografia 🌎
Com este post apresento um novo conceito para o blog: a fotografia em ambiente urbano. A oportunidade de fotografar o Martim Moniz e o Bairro da Mouraria surgiu no âmbito de um Workshop de Fotografia de Viagem, organizado pela RESTART e pelo fotógrafo profissional de viagens, Nuno Lobito, no Verão de 2015. Desafiamos-lo,desta vez, com um roteiro para desvendar o melhor de Lisboa, neste caso, uma tarde bem disposta neste bairro que ,para mim, é um dos mais interessantes da capital.
No Bairro da Mouraria, onde se insere a praça do Martim Moniz, sentimos África, o Médio Oriente ou até mesmo a Ásia. Há uma mescla de mar de gente na labuta quotidiana. Aqui, estamos em Portugal, mas também sentimos o MUNDO, embrenhado nas ruas, na língua, nos costumes. Tudo concentrado neste bairro.
Em tempos idos, este bairro no centro da capital lisboeta era sinónimo de má fama. Todavia, e com o passar dos anos, passou a ser um destino obrigatório para quem queira conhecer projetos culturais e espaços de restauração na cidade de Lisboa. Lisboa, de facto, está na moda.
O Multiculturalismo de Lisboa…
Após a conquista de Lisboa por D.Afonso Henriques, em 1147, uma grande parte da população islâmica optou pela fuga para o Norte de África (Magrebe) e para as cidades próximas da al-Ushbuna (الأشبونة), topónimo árabe da cidade de Lisboa, que ainda estavam sob domínio muçulmano. Todavia uma parte da comunidade islâmica ficou confinada à Mouraria, mantendo os seus costumes sob protecção régia. Ao longo da história da urbe lisboeta, esta área sempre foi um pólo dinamizador do crescimento urbano, cultural e populacional. Assim, os habitantes da Mouraria são descendentes «directos» da população que residia em Lisboa antes da (re)conquista cristã e os actuais são a força viva da faceta do multiculturalismo secular desta cidade,onde vivem tantos negros, brancos como amarelos.
FOTOGRAFAR AS GENTES DO BAIRRO
A poucos passos da praça Martim Moniz, podemos encontrar um Mundo verdadeiramente desconhecido. Será que estamos em Portugal? Sim, estamos na Mouraria. As fotografias feitas às gentes do bairro parecem ter sido registadas em vários locais do mundo, tal é multiplicidade de raças e credos neste bairro lisboeta. Antes de fotografar as gentes anónimas visíveis peça sempre a autorização,mas sem estragar o “momento”.
UMA DAS MELHORES VISTAS DE LISBOA…
O remate final. Por sugestão de um amigo, vim até este “spot”: o restaurante bar ‘Topo’ Para acedermos ao mesmo, temos de subir o elevador do Centro Comercial do Martim Moniz até ao 6ºandar. Ao chegarmos ao “Topo” deparamo-nos com uma assombrosa vista panorâmica sobre a paisagem urbana de Lisboa. Dali avistamos o Castelo de São Jorge logo ali à frente, a praça Martim Moniz, o miradouro da Graça e da Senhora do Monte. Se quer ver um “Sunset” ou um Sol de Inverno, a hora fantástica é pelas 17h30/18h.
O bar-restaurante “Topo” é um espaço ao ar livre, num ambiente moderno, de bom gosto e com boa música (tem DJ ao vivo). O forte do bar são os cocktails. Se quiser algo sem álcool opte pela ‘pineapple and lime’ (€4,50). É d-i-v-i-n-a-l. Para mim, que vivo há alguns em Lisboa, esta foi uma das surpresas mais interessantes da cidade. De facto, nunca conhecemos a 100% os cantos da nossa urbe.
Porque não aproveitar um sábado, um domingo ou uma folga durante a semana para descobrir o ambiente e a essência da praça e deste bairro? Vá, siga os meus conselhos e desfrute do “sabor” da vida e do que a nossa cidade de Lisboa tem para lhe oferecer.
E o Mundo aqui tão próximo de nós…
Nota importante [👤]
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
Foi um ano de grandes desafios. Facto. O ano 2015, para mim, foi um ano fantástico a todos os nível pessoal, profissional e académico. Tive a oportunidade de me cruzar com pessoas e gentes de diversas latitudes. De facto, estamos cada vez mais numa «aldeia global».
«(…) A fotografia desenvolve-se em consonância com uma das actividades mais características da actualidade: o turismo. Pela primeira vez na história, um largo sector da população sai regularmente do seu meio habitual por curtos períodos de tempo . E parece bem pouco natural passear sem levar a câmera fotográfica. A fotografia será a prova indiscutível de que a viagem foi feita, de que o programa se cumpriu e de que as pessoas se divertiram.».
in SONTAG, Susan (2012) – Ensaios sobre Fotografia. Lisboa: Quetzal, pp.16-17
Em 2015 passei por inúmeros novos locais e revisitei outros tantos, tais como, Espanha e Marrocos. Em especial, destaco Marrocos, pois tive a oportunidade de visitar o Deserto do Shaara e ver um nascer do Sol: B-R-U-T-A-L. No nosso país tive a oportunidade de me aventurar nas ruínas bélicas abandonadas do Regimento Artilharia de Costa (RAC), pela paisagem natural da Ilha da Madeira e das Berlengas, bem como do conjunto edificado da cidade do Porto.
«NÃO SE NASCE VIAJANTE. APRENDE-SE A VIAJAR.» «(…) Como qualquer outra técnica ou conjunto de instrumentos mentais. Adquire-se a manha. Ganha-se o gosto. A vida errante é um processo gradual. Destinos óbvios a conhecer e outros a evitar. Bagagem e o que deve ir nela. Dinheiro e como transportá-lo. Como gastá-lo. Perceber o que se come, onde se dorme. Quando prosseguir viagem. Saber sorrir.»
Após estas «saborosas» palavras do viajante Gonçalo Cadilhe constatei que as oportunidades devem ser agarradas e não devemos desperdiça-las. O simples facto de viajar tornar-nos mais atentos e valoriza o que temos de melhor no nosso mundo, continente, país, região,cidade, aldeia e a nossa casa. Porque quando chegamos a casa depois de uma viagem de milhares de quilómetros não somos a mesma pessoa. De facto, uma viagem tem o tónico ideal para nos realizarmos como seres, seja a nível espiritual, lúdico ou académico.
Como forma de celebrar o ano que chega ao fim, decidi seleccionar as 12 melhores imagens de 2015. Apesar da subjectividade visual, escolha do próprio autor das imagens, espero que gostem…
Eis as 12 «melhores» fotografias das minhas aventuras fotográficas do ano 2015:
Janeiro
Paisagem Alentejana (Ferreira do Alentejo, Portugal)
[Aspecto de um sobreiro no Alentejo], Ferreira do Alentejo, Beja, Jan. 2015
Fevereiro
Vila de Óbidos (Caldas da Rainha, Portugal)
[Aspecto da Rua Direita da Vila Medieval de Óbidos], Óbidos, Caldas da Rainha, Fev. 2015
Março
2.ª Bataria da Parede (Cascais, Portugal)
[Aspecto das Instalações e Peças de Artilharia da 2ªBataria do RAC], Parede, Cascais, Mar. 2015
Abril
Deserto do Shaara (Merzouga, Marrocos)
[Nómada do Deserto], Dunas de Erb Chebbi, Merzouga, Marrocos, Abr. 2015
Maio
Vila de Campo Maior (Alentejo, Portugal)
[Igreja Matriz de Campo Maior], Campo Maior, Alentejo. Maio. 2015
Junho
Dia de Base Aberta no Montijo (BA6) – (Samouco, Portugal)
[Voo de Treino da Esquadra 751 – “Pumas”
Agusta-Westland EH-101 Merlin], BA6, Montijo, Jun.2015
Julho
Bairro da Mouraria (Lisboa, Portugal)
[Retrato de Criança], Bairro da Mouraria, Lisboa, Jul. 2015
Agosto
Ilha da Berlenga (Peniche, Portugal)
[Aspecto da Aldeia piscatória e praia do Carreiro do Mosteiro], Ilha Velha, Arquipélago das Berlengas, Portugal, Ago. 2015.
Setembro
Castelo de Palmela ( Palmela, Portugal)
[Paisagem Natural de Palmela], Centro Histórico, Palmela, Set. 2015
Outubro
Mosteiro de Alcobaça (Leiria, Portugal)
[Aspecto exterior do Claustro do Mosteiro de Alcobaça], Alcobaça, Leiria, Out. 2015
Novembro
Cidade do Porto (Portugal)
[Paisagem Urbana do Porto], Centro Histórico & Ribeira, Porto, Nov. 2015
Dezembro
Ilha da Madeira (Portugal)
[Paisagem Madeirense], Miradouro da Portela (670 m), Concelho Machico, Dez. 2015.
«Aprendi que viajar não era procurar mas sim encontrar»
Miguel Sousa Tavares
Espero que tenha gostado da selecção de imagens para a galeria de 2015. Siga o meu conselho, faça férias, cá dentro! Portugal espera por si…
Agradecemos toda a sua colaboração e simpatia. Dedico as minhas fotografias aos meus amigos e todas as pessoas que cruzaram comigo em 2015. Ajudam-me com os vossos gostos. comentários e sugestões. Continuemos amigos em 2016. Hoje e sempre!
Resta-me desejar um Próspero Ano Novo a todos vós!
Nota importante [👤]
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💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
Explorando a cidade do Porto, Portugal, em poucos dias…
Na minha incursão ao Norte de Portugal, tirei dois dias para fotografar uma das mais belas cidades de Portugal Continental: a cidade do Porto. Qual o resultado? O resultado é um mosaico riquíssimo de beleza e variedade paisagística urbana e cultural. Siga-me nesta aventura passo a passo, onde poderá visualizar os meus «spots» favoritos e saber um pouco da história destes locais, através das minhas imagens.
A cidade do Porto e o rio Douro são duas constantes, que de mãos dadas, sob um céu nublado, nos acompanham permanentemente. De facto, nesta cidade milenar os edifícios são marcados por uma arquitectura civil e religiosa de diversas épocas – Romana, Medieval, Renascença, Barroca, Neoclássica e Contemporânea.
A intensa procura comercial e do investimento estrangeiro no vinho desta região assim determinou a tomada deste gesto político. Os ingleses procuravam vinho nestas paragens, como alternativa aos vinhos franceses, por exemplo, da região de Bordéus. O Tratado de Methuen ajudou ao fomento comercial e económico desta região.
Farto da rotina do trabalho? Precisa de Inspiração para um trabalho académico? Ou simplesmente quer conhecer uma cidade Portuguesa? E sem gastar muito? Então, faça uma «City break». No meu caso, parti à aventura pela cidade de que dá o nome a Portugal: a cidade do Porto.
1. Centro Histórico do Porto
O Centro Histórico do Porto, a área mais antiga da cidade do Porto, foi classificado como Património Cultural da Humanidade, pela UNESCO, em 1996. Nele se encontra o testemunho das origens medievais da cidade, num conjunto urbano granítico que apresenta uma imagem de rara beleza em diversos estilos arquitectónicos.
Percorrer a pé as típicas ruelas deste núcleo é deparar em cada passo com um monumento de valor incontestável, a reconhecida hospitalidade das gentes da cidade e uma panorâmica deslumbrante sobre o casario e sobre o rio Douro. A descoberta do centro histórico faz-se de muitas formas e daqui partem múltiplos caminhos que conduzem às restantes zonas da cidade. A pé, de autocarro, de eléctrico, de mota, de funicular, de carro, de barco ou de metro…
2. Caves do Vinho do Porto (Gaia)
A Região do Douro é, numa palavra, vinho. Vinho e Vinha. Como em qualquer região de Portugal, os Durienses participaram na História de Portugal. Portugal começou aqui. Foi aqui. Influenciaram-na e por ela foram condicionados. Ajudaram a consolidar a nacionalidade (espanhóis, contra os exércitos franceses e nas lutas liberais ao longo do Século XIX), por inúmeras vezes e, claro, deram o seu contributo para os descobrimentos marítimos com as suas famosas «tripas».
O centro histórico do Porto e a margem do rio Douro do lado de Gaia, onde ficam as famosas caves do Vinho do Porto estão classificados Património Mundial. Visitar as caves do vinho do Porto e provar o vinho no seu ambiente peculiar. A partir da Ribeira, podemos atravessar a pé a ponte D. Luís e ver deste lado, uma das mais bonitas vistas sobre o Porto. E ainda se pode passear no teleférico de Gaia, que sobe e desce deste lado do rio, para apreciar uma bela vista do Jardim do Morro.
O Vinho do Porto faz-se numa região demarcada. Demarcar significa dar identidade. É um produto singular, com personalidade e identidade, fruto da capacidade e da relação do Homem e o Meio. A Forma e o feitio. Segundo Jaime Cortesão, o Douro «é o mais belo e mais doloroso monumento ao trabalho do povo português», in António Barreto, Douro: Rio, Gente e Vinho (2014).
3. Miradouro da Serra do Pilar e Jardim do Morro
A Estação de Metro do Jardim do Morro é ideal para contemplar a cidade do Porto, a partir de Gaia. Dali podemos subir até ao Mosteiro da Serra do Pilar ou ao Jardim do Morro para visualizarmos uma paisagem urbana exemplar e única.
4. Igrejas e Conventos da Cidade do Porto
Vale a pena perder um pouco do seu tempo para sentir a magnificência do «poder da pedra granítica» destes edifícios eclesiásticos, muitos em estilo barroco, onde espera-nos o interior com talha dourada e as paredes o exteriores revestidas com fabulosos azulejos. Se quiser ter uma vista panorâmica sobre o centro histórico do Porto, pode subir a torre dos clérigos,por cerca de 3 €.
5. Centro Português de Fotografia (C.P.F)
O Centro Português de Fotografia (CPF) foi um organismo criado e inserido na orgânica do extinto Ministério da Cultura, em 1997, pelo Decreto-Lei n.º160/97 de 25 de Junho, com sede na antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, onde agregou os diversos espólios fotográficos do Arquivo de Fotografia do Porto e de Lisboa. Esta instituição referência para o panorama arquivístico e cultural nacional surgiu em virtude da «cultura fotográfica começava então a reanimar-se pelo aparecimento de escolas de fotografia, festivais e galerias que recuperavam fotógrafos “malditos” ou afastados no regime salazarista e divulgavam a obra de importantes fotógrafos internacionais.» [1]
Hoje em dia é uma unidade orgânica da Direcção-Geral de Arquivo (DGARQ). As Competências deste «Arquivo Nacional da Fotografia Portuguesa» visam divulgar o conhecimento do património fotográfico que custodia, bem como a sua salvaguarda, tratamento arquivístico e a valorização do espólio fotográfico. De salientar, que o CPF é a autoridade, dentro da DGLAB, que elabora os respectivos instrumentos de descrição e pesquisa – orientações normativas – para a documentação fotográfica, de acordo com as orientações da Direcção Geral do Livro, Arquivo e Bibliotecas. [2] Este arquivo conta com cerca de 2 milhões de documentos fotográficos, com importantes fundos e colecções de personalidades, fotógrafos, empresas particulares, casas fotográficas, entre outras.
6. Jardim das Virtudes e do antigo Palácio de Cristal
O Palácio de Cristal foi inaugurado em setembro em 1865 pelo rei D. Luís, para receber a Exposição Internacional do Porto. Em 1951, durante a vigência, do Estado Novo foi demolido para dar lugar ao actual Pavilhão Rosa Mota. Hoje em dia, os jardins são o único legado deste património. A partir daqui, podemos apreciar uma bela vista sobre a cidade do porto e o rio Douro.
7. Passeio da Foz do Porto até ao Castelo do Queijo
Um passeio pela Foz é uma boa sugestão se pretende caminhar e observar belas vistas sobre o mar e para apreciar o pôr do sol num final de tarde solarengo. Ao longo do percurso entre a Pérgola e o Forte do Castelo do Queijo, pode sempre parar para nas dezenas de café e esplanadas nas proximidades para relaxar ou saborear a gastronomia local.
E a citação da viagem:
«(…) A fotografia desenvolve-se em consonância com uma das actividades mais características da actualidade: o turismo. Pela primeira vez na história, um largo sector da população sai regularmente do seu meio habitual por curtos períodos de tempo . E parece bem pouco natural passear sem levar a câmera fotográfica. A fotografia será a prova indiscutível de que a viagem foi feita, de que o programa se cumpriu e de que as pessoas se divertiram.».
in SONTAG, Susan (2012) – Ensaios sobre Fotografia. Lisboa: Quetzal, pp.16-17
Locais que deve ainda visitar…
visitar a Casa do Infante, junto à Ribeira
admirar a vista noctura do Miradouro do Jardim do Morro (Gaia)
de dia ou à noite, passear pela rua Galeria de Paris e adjacentes, perto da Torre dos Clérigos e Livraria Lello.
Mercado do Bulhão
Museu Serralves e Soares dos Reis
Casa da Música
provar uma francesinha, uma das especialidades do Porto
provar os peixes frescos e mariscos, ou os bolinhos de bacalhau
conhecer um pouco da frente marítima do Porto
Passeio no Parque da Cidade
Como chegar:
A compra da viagem foi com um mês de antecedência na companhia low-cost irlandesa Ryanair e custou, sensivelmente, 30 €. A ida foi 20 € e a vinda por 10 €. Se comparamos com o meio de transporte ferroviário, o avião tem uma melhor relação custo/tempo. Demoramos cerca de 40 minutos até ao Porto, ao contrário das quase 3h no comboio.
Restaurante A Tasquinha – Rua do Carmo, Nº23,Porto (10 €/Refeição)
Não deixe de visitar alguns miradouros e monumentos da cidade do Porto. A Estação de São Bento é ideal para iniciar o percurso pelo centro histórico do Porto. Esta contém um átrio forrado a azulejos com alguns acontecimentos que fizeram a história de Portugal. Um pouco mais à frente fica a Sé do Porto, a não perder, onde é possível avistar uma excelente panorâmica sobre o douro, as caves do vinho do Porto e Gaia. Deste ponto, podemos descer umas escadinhas e ruas medievais até à Ribeira do Porto, que contém restauração e locais pitorescos, e onde podemos admirar a Ponte Luís (Gustavo Eiffel, 1889) e, de seguida, subir para o Miradouro do Convento da Serra do Pilar onde poderemos admirar uma bela vista sobre o Centro Histórico do Porto. Bem próximo do Centro Histórico do Porto, pode subir à Igreja dos Clérigos e visitar o Centro Português de Fotografia (CPF) na antiga Cadeira da Relação da Cidade do Porto.
Na minha opinião, a cidade invicta pode ser um ponto de partida para conhecer a região do Douro Vinhateiro, conhecidas pela sua beleza, imponência e pela agricultura tradicional, bem como de outras cidades como a Régua, por exemplo. E o que levo desta viagem? Apenas recordações. Com elas, o Mundo deixa de estar «lá fora» para passar a estar «dentro» das fotografias. Então, vai seguir o meu conselho? Faça uma «city break»…e deixe-se surpreender por Portugal! Enjoy it.
Nota importante [👤]
As presentes informações não têm natureza vinculativa, funcionam apenas como indicações, dicas e conselhos, e são susceptíveis de alteração a qualquer momento. O Blogue OLIRAF não poderá ser responsabilizado pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes. Se quiser partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poderá fazê-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.
💻 Texto: Rafael Oliveira 🌎 Fotografia: Oliraf Fotografia 📷
Poucas ocasiões oferecem tantas oportunidades fotográficas como as férias de Verão. Como tal, decidi fazer algo diferente no longínquo Verão de 2013: Voluntariado Social numa IPSS do concelho de Almeida (Guarda): a Associação Sócio terapêutica de Almeia (ASTA). Durante esta experiência, resolvi tirar um dia para fazer uma escapadinha fotográfica a uma das doze aldeias históricas de Portugal: a bucólica aldeia de Castelo Mendo.
A Aldeia Histórica de Castelo Mendo localiza-se a cerca de 20 km de Almeida (Guarda), sede de concelho,na ala Sudoeste do concelho,sobre um maciço granítico a cerca de 700 metros de altitude. É circundado a leste e a sul pelo rio Côa. É uma das doze aldeias históricas de Portugal. É um sítio recôndito como outros há nesta região que, apesar da pouca densidade populacional, nos reserva surpresas como esta, lugares especiais, mas tão próximos e tão distantes.
Ao longo da História, os Castelos e cercas medievais foram importantes e imponentes locais de refúgio, de defesa e de local de residência. Situados nas próprias povoações, em montes ermos ou no alto de colinas/penhascos, sempre o Homem os concebeu em articulação com o espaço físico envolvente. A partir do Castelo Mendo verifica-se a presença de elementos em valor patrimonial em termos naturais, históricos, culturais e paisagísticos. Deste património histórico podemos salientar a sua importância para a definição das fronteiras ao longo dos séculos,nomeadamente, nos conflitos fronteiriços com Castela, Guerra da Restauração (1640-1668), Invasões Francesas (1807-1811) e nas Lutas Liberais (1828-1834).
Como tantas outras praças de armas raianas, a praça de Castelo Mendo, situada na margem esquerda do Côa, teve certamente um papel importante na defesa da fronteira portuguesa contra as incursões castelhanas. Foi-lhe entregue uma carta de foral pelo rei D.Sancho II, em 1229, e outra por D.Manuel I, em 1510. Quando ocorreu a reforma administrativa, no Século XIX, já a povoação se devia encontrar em franco declínio, sendo-lhe retirados então os poderes municipais que ainda detinha.
A entrada nesta aldeia história de Portugal é efectuada pelas Portas da Vila, ladeadas por dois torreões e por dois Berrões ou Verrascos, esculturas zoomórficas em granito, representando pela observação das partes intimas, um macho e uma fêmea de porcos ou javalis. Segundo fontes, a sua datação decorre entre o séc.IV e I a.C. e as esculturas estão ligadas possivelmente ao culto da fertilidade do povo Vetão.
Quando chegamos a um local novo há tanto para absorver que a nossa atenção pode desviar-se do que é realmente essencial. Fiquei intrigado com uma lenda local, a Lenda do Mendo e a Menda. Segundo uma Lenda popular, a Menda e o Mendo são dois elementos decorativos integrados em dois edifícios frontais.
A Menda é uma gárgula em pedra.
A Igreja de Santa Maria do Castelo, em ruínas, mas em bom estado de conservação, é datada do séc.XIII, sendo um belo exemplar em estilo românico.
Antes de perder-se por vielas e ruas desta aldeia secular, bem como desfrutar da beleza da paisagem circundante, importa referir que há um restaurante, um café e alojamentos de Turismo Rural na própria aldeia. Olhar para um Castelo é como virar uma página de um livro imenso de memórias e histórias que fazem parte do nosso imaginário, do nosso passado.
Se estiver a planear uma escapadela dentro de Portugal, coloque este guia/roteiro na bagagem, siga os meus conselhos e capte momentos fotográficos da sua viagem das quais se vai relembrar…
Com a primavera quase cá, um bom pretexto para ir visitar a Vila Medieval de Castelo Mendo. Para mim, a Fotografia é uma forma de interpretar o que me rodeia, de lhe dar um sentido coerente, proporcionando-me um conhecimento mais amplo da Natureza e da História.
・・・
💡 Sabia que…❓❓❓
Perto do recinto muralhado do antigo Castelo Medieval, há uma campa com pedra de cabeceira, datada da primeira metade do século XIX, que é motivo de curiosidade para os habitantes locais e forasteiros. Na pedra granítica, o olhar mais atento descobre uma extensa inscrição, quase ilegível, que conta o destino do oficial que ali foi sepultado:
“Aqui jaz Miguel Augusto de Sousa Mendonça Corte Real, fidalgo da Casa Real e Comendador das Ordens de: São Bento de Avis e de Nossa Senhora da Conceição, condecorado com a medalha da Torre Espada, de Valor, Lealdade e Mérito, e com a Cruz de S. Fernando, dada por sua Majestade Católica, Tenente Coronel, Comandante de Infantaria n.º 6, filho do Tenente General e Conselheiro de Guerra, João de Sousa Mendonça Corte-Real. Nasceu em 23 de agosto de 1803, foi barbaramente assassinado pelos seus próprios soldados em 12 de setembro de 1840”, conforme consta do epitáfio.
Qual terá sido a causa para este brutal homicídio? Consta que foi o eventual incumprimento de uma promessa [de um pagamento de soldo] que fizera aos seus soldados. Após ter recebido uma elevada quantia, e como recusa do pagamento aos últimos, o antigo alcaide de Castelo Mendo foi morto [a tiro de fuzil] pelas suas tropas no seu domicilio. Esta é mais uma curiosa estória que demonstra quão ricas são as Aldeias Históricas de Portugal em vestígios que encerram a importante História do povo português.
Há pedras que contam muitas estórias…da nossa História!
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🛈 Para mais informações:
📚 BIBLIOGRAFIA 📚
ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL. Associação de Desenvolvimento Turístico – GR 22, grande rota das aldeias históricas de Portugal. Fot. Fernando Romão. 1ª ed. [S.l.] : Foge Comigo!, 2015. 63, [1] p. : il. ; 21 cm. ISBN 978-989-98230-3-7
BELO, Duarte; DAVEAU, Suzanne, MATTOSO, José – PORTUGAL: o Sabor da Terra. Um RETRATO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO POR REGIÕES, 2ªEdição, Lisboa: Tema &Debates, 2010.
CAMPOS, João – Almeida : projectos para a regeneração da Praça-Forte. Pref. Rui Ramos Loza. Almeida : Câmara Municipal de Almeida, 2021. 227, [1] p. : il. ; 31 cm. Ed. bilingue em português e inglês. ISBN 978-989-99229-4-5
CARVALHO, José Vilhena de – 𝐴𝑙𝑚𝑒𝑖𝑑𝑎: 𝑠𝑢𝑏𝑠𝑖́𝑑𝑖𝑜𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎 𝑠𝑢𝑎 ℎ𝑖𝑠𝑡𝑜́𝑟𝑖𝑎. 2.ª ed. [S.l.]: [s.n.], 1988. Vol. 1, p. 423-425.
CARVALHO, A. de (1995). Castelo Mendo: um conjunto histórico a preservar. Braga: Edição de Autor.
PORTUGAL. Comissão de Coordenação da Região Centro – Aldeias históricas de Portugal : um património com futuro. Coord. Isabel Boura. Coimbra : CCRC, 2002. [28] p. : il. ; 30 cm. ISBN 972-569-128-8
RAU, Virgínia, Feiras, in SERRÃO, Joel, dir., Dicionário de História de Portugal, Porto, 1984, vol. II, pp. 539 – 542;
Fonte, A. B. B. (2016). Arqueologia, património e museus na Câmara Municipal de Almeida. (Tese de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa). Repositório da Universidade Nova de Lisboa. Disponível na internet URL: <http://hdl.handle.net/10362/17303 >
Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-03-07 00:11:56]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/$castelo-mendo
Nota importante []
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Texto: Rafael Oliveira Fotografia: Oliraf Fotografia