ūüďĆ√Ä descoberta da antiga fortaleza portuguesa de Mazag√£o¬†(1506-1769): um olhar fotogr√°fico…

Mazag√£o (El Jadida, Marrocos) n√£o √© uma fortaleza como tantas outras. √Č a j√≥ia do patrim√≥nio edificado militar do Imp√©rio Portugu√™s (1415-1769) no Magrebe. As suas pedras contam muitas est√≥rias da Hist√≥ria de Portugal.

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A cidade-fortaleza de Mazag√£o, oficialmente fundada como vila a 1 de Agosto de 1541, apesar da exist√™ncia de uma pequena fortaleza constru√≠da pelo arquitecto Diogo de Arruda, em 1514, actual Cisterna Portuguesa, como ponto de apoio a Azamor. Mais tarde, em 1541, Jo√£o de Castilho adaptaria para uma cisterna e celeiros. Foi desenhada pelo engenheiro italiano Benedetto da Ravenna, em conjunto com Miguel de Arruda e Diogo de Torralva. De referir, que a constru√ß√£o desta fortifica√ß√£o marca o inicio da adapta√ß√£o das novas formas de combate no Magrebe – constru√ß√Ķes com baluartes de tra√ßa italiana -, em virtude pela utiliza√ß√£o da artilharia por parte das for√ßas isl√Ęmicas. A partir da 2¬™ Metade do S√©culo XVI d√°-se a adapta√ß√£o das velhas fortifica√ß√Ķes de cariz medieval para esta nova arquitectura militar.

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O seu porto de acesso f√°cil e a tra√ßa abaluartada das muralhas, em alguns pontos com mais de dez metros de espessura, tornavam-na numa inexpugn√°vel. Mais tarde, seria abandonada por Portugal, em 1769, por decis√£o do ¬ęvalido¬Ľ do Rei D.Jos√© I, o ent√£o Marqu√™s de Pombal. Actualmente, a Cit√© Portugaise de El-Jadida est√° restaurada, como se comprova pelas fotos da minha autoria. A enorme extens√£o do per√≠metro muralhado da antiga Mazag√£o mostram a tradi√ß√£o da arquitectura militar italiana e da import√Ęncia do estilo renascentista durante o Reinado de D.Jo√£o III (1521-1557). De Salientar que o Baluarte de S√£o Sebasti√£o, lado do mar, mostra a escala grandiosa da fortifica√ß√£o.

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A famosa cisterna da antiga Mazag√£o √© uma das atrac√ß√Ķes tur√≠sticas de Marrocos. Foi constru√≠da sob a direc√ß√£o de Jo√£o de Castilho em estilo renascentista sobre o p√°tio de armas do antigo Castelo de origem Manuelina. O catalisador da constru√ß√£o desta imponente fortifica√ß√£o militar foram os constantes raides, razias e conquistas dos xarifes do Sul de Marrocos, equipados com moderna tecnologia pirobal√≠stica e com conselheiros militares europeus (mercen√°rios italianos/germ√Ęnicos). Mazag√£o era, assim, uma alternativa vi√°vel ao abandono das possess√Ķes costeiras fortificadas de Santa Cruz do Cabo Gu√© (Agadir), Safim e Azamor. A concentra√ß√£o de meios humanos, materiais e b√©licos numa √ļnica pra√ßa permitia uma melhor resist√™ncia aos constantes e numerosos¬†ass√©dios das¬†for√ßas sob o signo de Al√°.

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Em 1769, a cidade-fortaleza de Mazag√£o foi abandonada pela Coroa Portuguesa. Em virtude deste abandono, a Coroa ordenou que os seus habitantes ‚Äď nobreza local, soldados, etc ‚Äď fossem para Lisboa. Aqui chegados, foram reenviados para uma nova miss√£o: a funda√ß√£o de uma Nova Mazag√£o, na fronteira Norte do Brasil, no actual estado de Amap√°. Era o fim de mais de tr√™s s√©culos de presen√ßa portuguesa em Marrocos (1415-1769), em virtude de as possess√Ķes norte-africanas serem um sorvedouro de recursos humanos, monet√°rios e b√©licos, sem qualquer retorno (√† excep√ß√£o das quest√Ķes ideol√≥gicas, Guerra Santa).

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A antiga fortifica√ß√£o de Mazag√£o constitui – hoje uma importante atrac√ß√£o tur√≠stica de Marrocos ‚Äď um dos melhores exemplos conservados da arquitectura militar do Renascimento fora do Continente Europeu, que resistiu ao teste do tempo e da pr√≥pria ac√ß√£o humana. De Salientar, que as¬†fortifica√ß√Ķes portuguesas de Mazag√£o foram inscritas na lista do Patrim√≥nio da Humanidade pela UNESCO em 2004 e, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O litoral atl√Ęntico de Marrocos oferece-nos uma grande variedade de grandes e pequenas fortifica√ß√Ķes costeiras com grande impacto visual e pl√°stico, como em nenhum outro lugar. Nas mesmas, podemos encontrar o estilo de fortificar de Diogo de Arruda e dos seus familiares.

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A opini√£o do viajante. A regi√£o do Norte de √Āfrica (Magrebe)¬† – Marrocos – n√£o √© para um portugu√™s um mero passeio como qualquer outro. ¬†√Č uma esp√©cie de regresso a casa. Para quem possua alguns conhecimentos de Geografia e Hist√≥ria e tenha o sentido do valor dos passado lusitano, visitar o actual Reino de Marrocos √© ir a um dos nossos lugares predilectos, ir afervorar o amor p√°trio e retemperar a alma, como afirma Urbano Rodrigues (RODRIGUES, 1935). De facto,¬†diante de patrim√≥nio edificado pelos nossos antepassados ¬†em diversas cidades costeiras como¬†Asilah, T√Ęnger, Essaouira, Safi, El Jadida, podemos sentir bem o que fomos e o que podemos ainda ser. Infelizmente, n√£o cultivamos o maior legado portugu√™s ao Mundo: a l√≠ngua portuguesa!

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BIBLIOGRAFIA

Impress√Ķes de uma visita de estudo a Marrocos – As Fortifica√ß√Ķes de origem portuguesa¬†

Carita, Rui, ‚ÄúA arquitectura abaluartada de origem portuguesa‚ÄĚ, in¬†Rela√ß√Ķes luso-marroquinas 230 anos, Cam√Ķes ‚Äď Revista de Letras e Culturas Lus√≥fonas, n¬ļ 17-18, Lisboa, Instituto Cam√Ķes, Novembro 2004, pp. 135-138, 143-145.

Correia, Jorge, ‚ÄúMazag√£o: A √ļltima pra√ßa Portuguesa no Norte de √Āfrica‚ÄĚ, in¬†Revista de Hist√≥ria da Arte, Lisboa, IHA ‚Äď FCSH-UNL, n¬ļ 4 , 2007, pp. 185-209.

Dias Farinha, Ant√≥nio, ¬†“Os Portugueses em Marrocos”, Instituto Cam√Ķes, Colec√ß√£o Laz√ļli, 1999,pp.3-103.

LOPES, David ‚Äď A Expans√£o em Marrocos, Colec√ß√£o Cabo a Cabo, Lisboa: Teorema /O Jornal, 1989.

Moreira, Rafael, ‚ÄúArquitectura militar do Renascimento‚ÄĚ, in¬†Hist√≥ria das Fortifica√ß√Ķes Portuguesas no Mundo, Dir. Rafael Moreira, Lisboa, Pub. Alfa S.A., 1989, pp. 150-157.

Moreira, R.¬†(2021).¬†O tesouro de Mazag√£o. In M. A. L. Cruz, & A. Teixeira (Eds.),¬†Portugal e o Sul de Marrocos: contactos e confrontos (s√©culos XV-XVIII). Vol. I ‚Äď Estudos¬†(Vol. 1, pp. 359-375). (Colec√ß√£o Arqueoarte; No. 2). CHAM – Centro de Humanidades / Laborat√≥rio de Paisagens, Patrim√≥nio e Territ√≥rio‚Äč (Lab2PT) – Universidade do Minho.¬†http://hdl.handle.net/10362/131066

RODRIGUES, Urbano ‚Äď Passeio a Marrocos, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1935.

Nota importante [ūüϧ]

As presentes informa√ß√Ķes n√£o t√™m natureza vinculativa, funcionam apenas como indica√ß√Ķes, dicas e conselhos, e s√£o suscept√≠veis de altera√ß√£o a qualquer momento. O Blogue OLIRAF n√£o¬†poder√° ser responsabilizado pelos danos ou preju√≠zos em pessoas e/ou bens da√≠ advenientes. Se quiser¬†partilhar ou divulgar as minhas fotografias, poder√° faz√™-lo desde que mencione os direitos morais e de autor das mesmas.

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